26 de março de 2017

O terrível legado de D. Rockefeller

F. William Engdahl


Os filhos de John D. Rockefeller, retratados em 1960: John D. III, Winthrop, Abby, Laurance, David e Nelson. (© Ezra Stoller/Esto)

Tradução / A morte de David Rockefeller, patriarca de fato do establishment americano, aos 101 anos, fez disparar na mídia corporativista uma cascata de louvores por sua alegada filantropia. Gostaríamos de colaborar para um retrato mais acurado do personagem.

O século americano de Rockefeller

Em 1939, junto com seus quatro irmãos – Nelson, John D. III, Laurance e Winthrop – David Rockefeller e a Fundação Rockefeller, de propriedade da família, financiaram um grupo ultra secreto de Estudos de Guerra & Paz junto ao Conselho de Relações Exteriores de Nova Iorque, o mais influente grupo privado de think-tank dos Estados Unidos, que também era controlado pelos irmãos Rockefeller. Uma plêiade de acadêmicos americanos foi reunida mesmo antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial para planejar um império pós guerra, que o colaborador da Time-Life Henry Luce mais tarde denominou de Século americano. Foi elaborado um projeto para arrebatar o império global das mãos dos britânicos já arruinados, mas cuidadosamente, decidiram que não chamariam isso de Império. Em vez disso, chamavam-no de "propagação da democracia, da liberdade, do modo americano de livre iniciativa".

O projeto analisava o mapa geopolítico do mundo e planejava de que maneira os Estados Unidos poderiam substituir o Império Britânico como potência dominante de fato. A criação das Nações Unidas foi um movimento crucial. Os irmãos Rockefeller doaram a terra em Manhattan para o Quartel General da ONU (e no processo acabaram lucrando bilhões de dólares pela valorização dos terrenos adjacentes, também de propriedade dos irmãos). É o jeitinho Rockefeller de fazer “filantropia”. Cada doação promovida é cuidadosamente calculada para aumentar a riqueza e o poder da família.

Após a guerra, David Rockefeller dominou a política externa dos Estados Unidos e as incontáveis guerras na África, América Latina e Ásia. A facção Rockefeller criou a Guerra Fria contra a União Soviética e a OTAN para tornar vassalos do ocidente uma Europa Oriental que revivia. No meu livro, “Deuses do dinheiro” conto em detalhes como eles fizeram isso. Aqui, quero colocar em consideração vários exemplos dos crimes contra a humanidade de David Rockefeller.

Pesquisa biológica de Rockefeller: “Controle a população...”

Se é verdade que a filantropia deve ser motivada pelo amor aos nossos semelhantes, as doações dos Rockefeller não são. Considere a pesquisa médica, por exemplo. Durante o período entre 1939 e a guerra, a Fundação Rockefeller financiou pesquisa biológica no Instituto Kaiser Wilhelm em Berlim. Tratava-se da eugenia nazista – como criar uma raça superior e como esterilizar ou matar aqueles que são considerados “inferiores”. A eugenia nazista foi financiada por Rockefeller. A empresa Standard Oil, de propriedade da família, violou a lei dos Estados Unidos ao fornecer combustível secretamente para a Força Aérea Nazista durante a guerra. Depois da Guerra, os irmãos Rockefeller deram um jeito de arregimentar cientistas nazistas envolvidos em experimentos medonhos com seres humanos para serem introduzidos nos Estados Unidos e Canadá com identidades novas, para continuar seus experimentos eugênicos. Muitos trabalharam para a CIA no projeto secreto MK-Ultra.

Nos anos 50, os irmãos Rockefeller fundaram o Conselho Populacional, para eugenia avançada. Agora disfarçada como pesquisa populacional e controle de natalidade. Nos anos 70, eles eram responsáveis por um projeto Ultra Secreto do governo dos EUA, dirigido por Kissinger, Assessor do Conselho Nacional de Segurança Rockefeller, intitulado NSSM-200 “Consequências do Crescimento da População Mundial para a Segurança dos Estados Unidos e de seus Interesses Além Mar”

O projeto questionava o crescimento populacional em nações em desenvolvimento com matéria prima estratégica como petróleo ou minerais como uma “ameaça para a segurança nacional” dos Estados Unidos, à medida que mais população demanda crescimento econômico nacional, usando esses recursos internamente (sic!). O NSSM-200 fez dos programas de redução populacional no mundo uma precondição para receber ajuda dos Estados Unidos. Nos anos 70, a Fundação Rockefeller, de David Rockefeller, também financiou em conjunto com a Organização Mundial de Saúde o desenvolvimento de uma vacina especial contra tétano que limitava o crescimento populacional ao tornar as mulheres incapazes de manter uma gestação, prejudicando o processo de reprodução humana literalmente antes que ele acontecesse.

A Fundação Rockefeller criou todo o campo da manipulação genética através e suas parcerias com a Corporação Monsanto e através do financiamento de pesquisa universitária biológica para criar o “canhão de genes” e outras técnicas de alteração artificial da genética de determinada planta. O objetivo buscado pelos disseminadores dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), desde a época em que Rockefeller patrocinou o projeto desastroso do arroz dourado nas Filipinas, é usar o controle genético para controlar a cadeia alimentar de seres humanos e animais. Hoje, mais de 90% de todas as sementes de soja que crescem nos Estados Unidos são OGM, juntamente com mais de 80% de todo o milho e o algodão. No entanto, ainda não são assim rotulados.

“Controle o petróleo...”

A fortuna dos Rockfeller é lastreada em companhias de petróleo como a ExxonMobil, Chevron e outras. Henry Kissinger, conselheiro político de David Rockefeller desde 1954, esteve envolvido em todos os maiores projetos dos irmãos. Kissinger manipulou secretamente a diplomacia no Oriente Médio para disparar um embargo de petróleo árabe através da OPEP em 1973.

A crise do petróleo de 1973/774 foi orquestrada por uma organização secreta criada por David Rockefeller nos anos 50, conhecida como Grupo Bilderberg. Em maio de 1973 David Rockefeller e os presidentes da maiores companhias de petróleo dos Estados Unidos e do reino Unido se encontraram em Saltsjoebaden, Suécia, no encontro anual do Grupo Bilderberg para planejar a crise do petróleo. A culpa? Foi lançada às costas de “xeques petroleiros gananciosos”. Dessa forma, o dólar dos Estados Unidos, em queda, foi salvo, e os bancos de Wall Street, entre os quais o Chase Manhattan, de David Rockefeller, se tornaram os maiores do mundo. Este autor tem o protocolo “confidencial” do encontro onde foi discutida a estratégia de alta do preço, seis meses antes da realização da guerra árabe/israelense. Para documentação, você pode ler meu livro “Um século de guerra”. Na década de 1970, Kissinger resumiu a estratégia mundial de David Rockefeller: “Se você controla o petróleo, controla nações inteiras; se você controla os alimentos, você controla as pessoas; se você controla o dinheiro, você controla o mundo inteiro.”.

“Controle o dinheiro…”

David Rockefeller foi presidente do Chase Manhattan Bank, o banco da família. Ele também foi o responsável por fazer o vice presidente do Chase, Paul Volcker, se tornar o presidente do Federal Reserve sob o governo Carter e implementar o choque da taxa de juros Volcker que, mais uma vez, salvou o dólar em queda e os lucros de Wall Street, incluindo, claro, o Chase, às custas da economia mundial.

Rockefeller e Wall Street usaram essa crise da dívida para forçar privatizações do Estado e drásticas desvalorizações da moeda nacional em países como a Argentina, o Brasil e o México. Rockefeller e amigos como George Soros, em seguida, pegaram as jóias da coroa da Argentina, Brasil e México a preços de banana.

O modelo foi muito parecido com o usado pelos bancos ingleses contra o Império Otomano depois de 1881, quando de facto assumiram o controle das finanças do Sultão, controlando todas as receitas fiscais através da Administração da Dívida Pública Otomana (OPTO). Rockefeller usou a crise da dívida de 1980 em proveito próprio para saquear os países endividados da América Latina e África, usando o FMI como sua polícia financeira. Ele era amigo pessoal de alguns dos mais selvagens e sanguinários ditadores na América Latina, entre eles o General Jorge Videla na Argentina ou Pinochet no Chile, os quais conseguiram seus empregos através de golpes arranjados pela CIA, ordenados pelo então Secretário de Estado Henry Kissinger, que estava por trás dos interesses da família Rockefeller na América Latina.

Através de organizações como sua Comissão Trilateral, Rockefeller foi o principal arquiteto da destruição das economias nacionais e do avanço da chamada Globalização, uma política que beneficia principalmente os maiores bancos de Wall Street, a City of London e corporações globais selecionadas - as mesmas que são membros convidados da sua Comissão Trilateral. Rockefeller criou a Comissão Trilateral em 1974 e deu a seu amigo Zbigniew Brzezinski a função de escolher seus membros na América do Norte, Japão e Europa.

Se falarmos de uma rede invisível e poderosa que alguns chamam de Estado Profundo, poderíamos dizer que David Rockefeller se viu como Patriarca daquele Estado Profundo. Seus verdadeiros atos merecem ser vistos honestamente pelo que eram - misantropos e não filantrópicos.

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