14 de abril de 2017

Foda-se os EUA

Missy Comley Beattie

counterpunch: Tells the Facts and Names the Names

Eu dobro os guardanapos do jantar e coloco-os na mesa de jantar. Esta vida, minha vida, é apenas como foi ontem e anteontem.

Conversamos, meu pequeno grupo, família e amigos. "Amanhã, aqui", digo. E quando eles chegam, nós nos abraçamos. Eu estalo uma garrafa, despejo borbulhante. Sentamo-nos na varanda, conversamos, falamos, relembramos, rimos.

Mais cedo, hoje, os EUA jogaram a "mãe de todas as bombas" no Afeganistão. A. Mãe. De. Todas. As. Bombas.

Penso no Afeganistão e nos afegãos quando retiro os pratos do gabinete assim como pensei no Afeganistão e nos afegãos quando dobrei os guardanapos.

O que sobrou? O que resta na área onde explode uma bomba desse tamanho? Eu não sei merda. Não consigo imaginar. Não podemos imaginar.

Meus movimentos são superficiais, dobrando os guardanapos, preparando a tábua de frios, amassando o alho, ralando isto e aquilo, seja o que for. Eu fiz isso, essas mesmas atividades tantas vezes e durante o tempo que me lembro. Esta vida, assim como foi ontem e anteontem.

Meu caro pergunta: "O que é isso?"

"Batatas doces, torradas em óleo de coco", digo.

Como é o cheiro da explosão de um bomba de 22.000 libras?

Como soa a detonação de uma bomba de 22.000 libras?

O que?

Como?

Como isso pode acontecer?

Como podemos desencadear a barbárie sobre outros seres humanos? Em nosso planeta?

Penso em mães, pais e filhos afegãos. O que eles podem dizer aos seus filhos? Como eles podem prometer tranqüilidade, esperança, futuro, segurança? Como eles podem dizer, "Tudo vai ficar bem?" Como alguma coisa pode ficar bem de novo?

Como pode estar tudo bem para nós? Como pode alguma coisa ser boa quando os EUA são o maior fornecedor de selvageria duradoura?

Eu quero gritar. Eu quero gritar. Para separar isso. Este governo, este país.

O mundo não deveria ter que sofrer mais um dia de excepcionalismo americano.

Eu limpo a mesa, coloco os pratos na pia, olho para a água correndo para o ralo. Escorre o pântano.

Eu quero gritar.

Foda-se. Foda-se, Trump. Foda-se. Foda-se todos vocês com a sua belicosidade o-poder-faz-o-direito. Foda-se Obama. Foda-se Hillary Clinton. Foda-se George Bush. Foda-se Dick Cheney. Foda-se todos os malucos. Foda-se as notícias corporativas. Foda-se a indústria da guerra. Foda-se os especuladores da guerra.

Foda-se os Estados Unidos da Porra da América.

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