26 de maio de 2017

Somos muito mais fortes. A cúpula de Riad não terá qualquer efeito

Sayyed Nasralá

al-Manar

El secretario general de Hezbolá, Sayyed Hassan Nasralá, ha señalado que los movimientos de resistencia no serán intimidados por campañas o por cumbres en Riad.

Hablando en la ocasión del Día de la Liberación del Sur de Líbano en 2000, Sayyed Nasralá criticó a los saudíes, que reservaron una pomposa bienvenida a Donald Trump, uno de los más fanáticos entre los presidentes de EEUU en contra del Islam y los musulmanes.

Para él, el régimen de Arabia Saudí busca a través de este comportamiento asegurarse el apoyo y la protección de EEUU después de haber sido condenado por la comunidad internacional por ser el primer patrocinador del terrorismo wahabí. Un terrorismo que afecta no sólo al mundo árabe, sino también a Occidente. He aquí las principales ideas del discurso:

Que la paz de Dios sea con vosotros. Saúdo a vossa presença na cidade dos mártires, Hermel, no Vale de Bekaa, e felicito-vos por ocasião desta grande festa nacional, a Festa da Libertação. Este ano escolhemos festejar a libertação na cidade de Hermel para mostrar a importância e o papel que desempenhou esta região de Bekaa na grande vitória alcançada em 2000.

Os jovens desta região responderam ao apelo dos primeiros dias da resistência. Encheram as frentes do Sul face ao ocupante israelita. Numerosos mártires e feridos são originários desta região. Saúdo os grandes e os pequenos desta região que sempre foram fiéis e que ofereceram todo o tipo de sacrifícios quando a necessidade os impôs.

Gostaria de começar falando da ocasião que nos reúne aqui para depois passar ao dossier libanês e ao regional.

Nenhum apoio ao Líbano frente a Israel, exceto da Síria e Irã

Recordamo-nos, como em cada ano, dos mesmos factos para que as novas gerações enriqueçam com eles. Quando o inimigo israelita invadiu o Líbano, o mundo abandonou-nos. As facções e partidos libaneses e palestinos tomaram a decisão de afrontar o inimigo. A resistência foi então iniciada e no ano 2000 conseguimos a vitória.

Desde 1982, aqueles que acreditaram na resistência não ficaram à esperar da ajuda de nenhum país árabe e ocidental nem de instâncias internacionais de defesa dos direitos humanos para lutar contra os invasores. Em 25 de Maio de 2017, devemos recordar ao mundo que foram apenas Síria e Irão quem esteve ao lado do povo libanês na sua luta contra a ocupação.

Nenhum apoio foi prestado pelos países ocidentais nem pelos países árabes do Golfo Pérsico. A maior parte dos países ofereceu o seu apoio à entidade sionista. Hezbollah, o movimento Amal, as facções de outros partidos libaneses, os combatentes da resistência palestina e as Forças Armadas Sírias foram quem levou a cabo todos os sacrifícios para assegurar a libertação do Líbano.

Ulemas como Sayyed Musa Sadr, Sayyed Abbas Musawi, Sheik Raguib Harb e Hayy Imad Mugniyeh e outros líderes dirigiram esta resistência. Esta vitória foi o resultado dos sacrifícios do Exército libanês e da cooperação entre o Povo, o Exército e a Resistência antes e depois de 2000 face à ocupação.

Esta vitória histórica teve lugar durante o mandato do Presidente Emile Lahoud, do presidente do Parlamento, Nabih Berri, e do chefe do governo, Salim al Hoss.

A vontade dos povos cria a vitória

A lição a extrair de tudo o que ocorre é a seguinte: fazer frente à ocupação e às conspirações internacionais depende da vontade e da decisão dos povos.

A questão está ligada à vossa vontade. A sorte dos países desta região depende da vontade dos povos. A grande surpresa na Palestina é que a resistência se transmite de uma geração a outra.

Os jovens palestinos são aqueles que levam a cabo ataques com facas. Ninguém no mundo vai ajudá-los. Quando Israel invadiu o Líbano, os EUA estiveram a seu lado.

Mas nenhum exército internacional pode permanecer num país onde o seu povo leva armas para o combater.

Quando os grupos armados começaram a sua guerra na Síria e ameaçaram a segurança da região de Baalbek e Hermel, não esperastes que se produzisse um acordo nacional nem um apoio estrangeiro. Vós afrontastes sós este perigo com a ajuda do Exército libanês e da Resistência.

O Exército libanês e as forças de segurança tomaram as medidas de segurança necessárias. Há que destacar a importância de continuar os esforços para fazer frente aos perigos de segurança na região e temos visto que a situação melhora.

Não há igualmente que esquecer os esforços dirigidos a melhorar o nível de vida dos habitantes da região.

Novas evidências apontam para um acordo sobre a lei eleitoral

Sobre o tema das eleições parlamentares, o tempo urge mas todos aspiramos sempre a um entendimento. Novas propostas foram feitas sobre o tema da lei eleitoral. Isto contribui para edificar o país. Dissemos “não” ao vazio parlamentar, “não” à prorrogação do mandato parlamentar e “não” à lei dos anos sessenta. Desejamos conseguir proximamente um resultado positivo.

O Líbano ao abrigo da cúpula de Riad

A nível da região, todo o mundo esperava a cimeira de Riad para ver os seus resultados e as suas repercussões. Este evento foi uma etapa crucial para a região.

Alguns manifestaram a sua inquietação pela segurança no Líbano. Permiti-me assegurar a todos los libaneses que tudo o que foi dito em Riad não tem nenhum efeito na situação no país. Desde a eleição do Presidente Aoun e a formação do governo, as forças políticas libanesas pusemo-nos de acordo em não transferir as nossas divergências relativas às questões regionais para o cenário libanês.

A situação das reformas políticas internas e a situação económica não devem ver-se afectadas por estas divergências. Já haveis notado recentemente um alto nível de estabilidade política e de segurança no país.

Após a difusão da declaração de Riad, e o ministro libanês das Relações Exteriores adoptou uma posição sincera, responsável e valente que protege o país e o seu tecido social, e demarcou-se da mesma. No dia seguinte, o presidente Aoun recordou também que o Líbano se demarcava da declaração final da cimeira de Riad. Esta é uma medida muito positiva que serve os interesses do Líbano.

Luz verde dos EUA ao rei do Bahrein

Quero abordar agora o tema do Bahrein. Todo o mundo sabe que um movimento de protestos pacífico tem lugar nesse país e é liderado por Sheik Isa Qassem.

Entretanto o regime, em lugar de responder às reivindicações de reformas políticas da população, optou por tomar de assalto o local dos protestos, matar jovens, encarcerar mulheres e confinar o seu líder religioso depois de o ter privado da sua nacionalidade. Tudo isso levou os seus partidários a reunir-se em concentração permanente diante do seu domicílio.

Depois de seu encontro com Trump, o regime do Bahrein obteve luz verde por parte dos EUA para atacar a concentração e deter no seu domicílio o Sheik Qassem. Temos sabido que existem várias tentativas em curso para encontrar um país que aceite recebê-lo, mas a única coisa que é aceitável para os bareinitas é que Sheij Isa Qassem possa viver de forma respeitável no seu domicílio de Diraz.

Riad procura confiscar a capacidade de decisão dos árabes

Durante a cimeira de Riad, a maior parte de dirigentes árabes reuniram-se para ouvir os discursos do rei saudita e do presidente estado-unidense. Todo o mundo se manifestou depois surpreendido pela declaração final de Riad. A maior parte dos 55 países árabes e islâmicos que tomaram parte na cimeira não estava ao corrente das recomendações da dita declaração. Nada foi ali debatido. Esta escandalosa declaração foi redigida exclusivamente por EUA e Arabia Saudita

Isto é semelhante ao que ocorreu a princípio da guerra do Iêmen, quando o ministro saudita da defesa anunciou a formação de uma coligação de 30 países árabes e islâmicos para participar no conflito. Muitos destes países afirmaram de imediato não ter conhecimento da sua participação na dita “coligação”.

Neste sentido, os objetivos sauditas na dita cúpula foram:


  • Elogiar Trump e prestar-lhe homenagem.
  • Tentar demonstrar que a Arabia Saudita desempenha um papel central no mundo árabe.
  • Intimidar o Irão e o eixo da resistência, que compreende a Síria, Iraque, Iêmen, Hezbollah e Hamas. Quiseram advertir-nos de que o mundo apoiava a opção de guerra contra nós.
  • Tentar por todos os meios convencer os EUA a participar em uma guerra contra o Irã.


Trump é o presidente norte-americano que levou mais longe os seus ataques contra os muçulmanos, o Islão, a Arabia saudita e os países do Golfo Pérsico.

Não foi Trump quem comparou a Arabia Saudita a uma vaca leiteira da qual é necessário extrair até à última gota de leite para depois se desembaraçar dela?

Porque reservaram então os sauditas estas honras para Trump e lhe deram todo esse dinheiro?

Os sauditas procuram a proteção de Trump

Os sauditas comportam-se assim porque procuram a protecção norte-americana. Não é segredo que Riad está por detrás dos movimentos takfiris wahabitas como Daesh e Al Qaida. O mundo inteiro responsabiliza o regime saudita pela expansão do terrorismo. Hoje em dia, não são apenas os países árabes que sofrem esta praga mas também todo o Ocidente.

Ante o perigo de ser apontada como responsável por estes factos, a Arabia Saudita necessita do apoio de Trump. E o rei Salman chegou a acusar o Irão de ser ¡o centro do terrorismo internacional!

Irã, primeiro apoio da unidade islâmica

É o Irã quem apoia os movimentos de resistência face aos movimentos terroristas apoiados pelos sauditas.

Ao longo da história do Irão o seu lema tem sido o da aproximação entre as escolas islâmicas, enquanto os wahabitas sauditas não fazem outra coisa senão chamar apóstatas aos outros muçulmanos.

Os Al Saúd respeitaram o Xá, que os tratava com desdém. Parece, pois, que esta gente está habituada a ser maltratada.

Entretanto, quando o Irão se apresenta como um país muçulmano irmão que apela à unidade, os Al Saúd combatem-no.

Processos pelo 9/11

Deste modo, eles têm necessidade de se proteger contra esta condenação internacional.

Na actualidade, o dossier dos atentados terroristas de 9/11 foi aberto nos EUA. Dezenas de milhares de milhões de dólares sauditas vão ser bloqueados para o pagamento de indemnizações às famílias das vítimas.

No Iémen, após dois anos e meio de uma guerra atroz contra o povo firme, forte e tenaz, a agressão saudita fracassou. Este povo faz frente ao terrorismo de estado da Arabia Saudita, que utilizou todos os seus meios. ¿Quem assedia o Iémen? ¿Quem é responsável pelo surto de cólera nesse país? É o regime saudita e por detrás dele o silêncio internacional relativamente a estes factos.

A Arabia Saudita fracassou em todos os seus projectos e, desta modo, tem necessidade de uma protecção.

Dinheiro e submissão a Israel

Partindo daí, os Al Saúd tentaram aproximar-se de Trump enchendo-o de dinheiro. Gastaram 480.000 milhões de dólares em contratos de aquisição de armas para satisfazer o presidente dos EUA.

Para além disso, o rei Salman enviou uma carta à direcção sionista para expressar o seu desejo de concluir um acordo de paz. Sabe Deus as concessões que terão sido feitas no dossier palestino. Israel constitui una prioridade para Trump e os Al Saúd têm feito tudo para satisfazer este último.

Ameaças vãs contra o Irã

No momento em que se produzia a cimeira de Riad, 42 milhões de iranianos mostravam o seu compromisso com o sistema islâmico participando massivamente nas eleições presidenciais e municipais. Nenhum incidente foi registado. Os iranianos escolheram o seu Presidente de uma forma totalmente democrática, enquanto os países da região que combatem o Irão nunca viveram essa experiencia.

Arabia Saudita não tem poupado nas últimas décadas nenhuma acção contra o Irão para provocar danos a este país. Em vão.

A única solução é o diálogo e a negociação com o Irão. O caminho que haveis empreendido não provocará mais que derramamento de sangue e não ides ganhar nada com ele. Pelo contrário, sereis os grandes perdedores.

O Iêmen continuará a sua luta

A cimeira não terá qualquer efeito sobre o Iémen. Todo o povo e os partidos políticos iemenitas continuarão resistindo. Os sauditas utilizaram todos os meios para destruir esse país mas não o conseguiram. A declaração de Riad não terá nenhum efeito sobre o terreno.

O Daesh em vias de extinção

No Iraque, a guerra contra o Daesh está a atingir o seu fim. Na Síria, o Exército está a conseguir novos êxitos enquanto o referido grupo sofre novas perdas. Se Deus quiser, o Daesh já não existirá aqui em 2018.

Estas cimeiras e comunicados não mudarão nada, portanto, na situação sobre el terreno. No discurso de Trump, este último disse que Riad colocou uma grande personalidade do Hezbollah na sua lista de terroristas ¡com o fim de mostrar que a Arabia Saudita luta realmente contra o terrorismo!

A sua lista do terrorismo é inútil

Estamos inscritos na lista do terrorismo de alguns estados desde os anos 80. Milhares de milhões de dólares foram gastos para manchar a nossa imagem mas não tiveram nenhum efeito.

Os movimentos de resistência não temem as campanhas de intimidação. Somos da escola do Imã Hussain, que disse ao seu filho: “Não estamos no caminho da Verdade? Não tememos que a morte venha até nós nem que nós vamos até ela”.

Os movimentos de resistência não se debilitarão. Somos mais fortes que nunca; somos mais numerosos; estamos melhor armados e estamos mais decididos a resistir contra os inimigos.

Em 1996, durante a cimeira de Sharm al Sheik, os países que conspiraram contra nós eram muito mais numerosos. A nossa resistência era jovem. Hamas e a Jihad Islâmica de Palestina eram débeis e estavam sendo perseguidos. Mas resistimos e vencemos o inimigo.

A situação muda a nosso favor. Os EUA eram mais fortes. Israel, que invadia os países, está actualmente construindo muros.

Em 2006, dissemos: o tempo das derrotas terminou. É agora o tempo das vitórias.

Tende confiança em vós mesmos, em vossos povos e em vossos aliados.

Vós (os sauditas) esperais a ajuda de los norte-americanos, que abandonam os seus aliados cada vez que se vêm em dificuldade.

Os movimentos e povos da resistência içaram a bandeira da vitória. Vão perseverar até obter o triunfo.

Que la Paz de Dios sea con vosotros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário