29 de julho de 2017

Somos todos bolivarianos!

Jean Ortiz

Le Grand Soir

Tradução / Em algumas horas, a Venezuela talvez seja empurrada para um banho de sangue pelos mesmos de sempre, nacionalmente e internacionalmente, que não toleram que os pobres recusem-se a continuar para sempre pobres, e que tenham decidido assumir pleno controle sobre as enormes riquezas de petróleo da Venezuela. O quadro geopolítico é mais amplo que as cenas em Caracas.

Setores da extrema direita que controlam a oposição conhecida como Movimento de União Democrática (MUD) tentam paralisar o país, para impedir que se realizem eleições para a Assembleia Constituinte e provocar uma intervenção de Washington. O presidente Trump e a CIA já 'avisaram' que se houver votação, "o império" implantará sanções imediatas contra o direito à autodeterminação do povo da Venezuela.

O que hoje se disputa na Venezuela (...) tem e terá pesadas repercussões continentais e internacionais. Washington (apoiada clandestinamente pela União Europeia) apressa-se a violar a soberania da Venezuela. Tentam forçar uma divisão nas forças armadas. Para o Império, a Venezuela bolivariana é "ameaça contra a segurança dos EUA". A fórmula foi criada pelo tal "bom" presidente Obama.

A Venezuela está convertida em coração da estratégia imperialista. É preciso, mais que nunca despertar todos os democratas. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos do Homem acaba de pedir que "a paz seja garantida" para que a eleição da Assembleia Constituinte, dia 30 de julho, aconteça em condições de normalidade. As mídia-empresas venezuelanas – empresas que pertencem quase todas à oligarquia -- e seus clones franceses (brasileiros e outros) sopram sobre as chamas, em vez de acalmar o jogo, e guincham contra "a ditadura", porque o governo Maduro proibiu manifestações de rua, para que a votação aconteça em clima de tranquilidade e para prevenir confrontos e derramamento de sangue.

A oposição – deve-se escrever a "subversão" – recusa-se a participar da eleição legal de uma Assembleia Constituinte. Antes, já encenaram outra votação, ilegal, na qual teriam obtido mais de sete milhões de votos. Não houve qualquer contagem séria de votos, nenhuma verificação. Listas eleitorais "feitas em casa" e mapas de votos foram escondidos, depois queimados.

Os principais chefes da oposição querem hoje o confronto, custe o que custar, depois de três meses e meio de insurreições localizadas, sobretudo nos bairros ricos. Opositores converteram-se em agitadores. Desde a eleição do presidente Maduro em 2013, a oposição nega-se a reconhecer a legitimidade do governo eleito. Essa atitude golpista faz lembrar, mas supera, o "golpe" contra Chávez em 2002. Contudo...

A eleição de uma Constituinte, a ampliação da democracia, a consulta ao conjunto da população num processo de fundo, é com certeza um dos últimos recursos para construir a vida em comunidade, num país dividido, a beira de ser esfacelado.

A Revolução Bolivariana quer modificar a Constituição de 1999, acrescentando à lei as conquistas sociais reconhecidas por instituições internacionais. Apesar das dificuldades, a revolução conseguiu manter as grandes "Missões" sociais. As mídias-empresas no continente e em todo o mundo pouco falam dessas Missões. E a falta de alguns produtos, principalmente medicamentos, cruel, organizada essencialmente pelos empresários-patrões, é super mediatizada. Com tudo isso, os números são eloquentes. O Índice de Desenvolvimento Humano na Venezuela era em 2015 de 0,767, 71º lugar, entre 188 países. De 1990 a 2015, a expectativa de vida aumentou 4,6 anos. A saúde e a educação universais gratuitas continuam a ser prioridade, apesar da crise econômica e política.

Não se pode fazer da Venezuela, outro Chile. A experiência provou que bloqueios afetam sobretudo as populações civis, com efeitos que acabam por reverter contra os promotores. Cuba já provou e conhece bem as vias da resistência prática, concreta, quotidiana.

Nem os mais altos níveis de desinformação construída nos desviarão do internacionalismo que para nós é dever. O internacionalismo, dizia o Che, é a solidariedade de classe dos explorados.

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