5 de fevereiro de 2018

A OTAN e as armas nucleares não são temas eleitorais

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / Governo, que no período eleitoral continua responsável pela “resolução dos assuntos atuais”, está prestes a assumir outros compromissos vinculativos na OTAN em nome da Itália.

Serão oficializados no Conselho do Atlântico Norte, que acontece de 14 a 15 de fevereiro, em Bruxelas, a nível dos Ministros da Defesa (para a Itália, Roberta Pinotti). 

A agenda ainda não foi anunciada. No entanto, já está escrita na “National Defense Strategy 2018”, que o Secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, lançou em 19 de janeiro. 

Ao contrário dos anteriores, este ano o relatório do Pentágono é altamente secreto. Foi publicado apenas um resumo que, no entanto, é o suficiente para nos fazer compreender o que se prepara na Europa. 

Acusando a Rússia de “violar as fronteiras das nações vizinhas e exercer o poder de veto sobre as decisões dos seus vizinhos”, o relatório afirma: “O caminho mais seguro para evitar a guerra é estar preparado para ganhá-la". Pede, portanto, aos aliados europeus que “mantenham o compromisso de aumentar as despesas para fortalecer a OTAN”. 

A Itália já se comprometeu com a OTAN a aumentar as despesas militares dos atuais cerca de 70 milhões de euros/dia para cerca de 100 milhões de euros/dia.

No entanto, praticamente ninguém se pronuncia sobre este assunto no debate eleitoral.

Como, também, ninguém refere o contingente italiano radicado na Letónia perto do território russo, nem os caças italianos Eurofighter Typhoon, estabelecidos em 10 de Janeiro, na Estónia, a dez minutos de vôo de São Petersburgo, com o pretexto de proteger os países bálticos da “agressão russa”.

Mantém-se o silêncio sobre o facto de que a Itália assumiu, em 10 de Janeiro, o comando da componente terrestre da NATO Response Force, que pode ser lançada para qualquer parte do mundo “subordinada ao Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa”, sempre nomeado pelo Presidente dos Estados Unidos.

Ignorada a notícia de que a Marinha Italiana recebeu, em 26 de Janeiro, o primeiro caça F-35B de descolagem curta e aterragem vertical, cujo pessoal será treinado na base dos Marines de Beaufort, na Carolina do Sul.

Isto e muito mais está omitido no debate eleitoral. O debate concentra-se nas implicações económicas da adesão da Itália à União Europeia, mas ignora as inferências políticas e militares e, consequentemente, as consequências económicas, da adesão da Itália à NATO sob o comando dos EUA, a que pertencem (após Brexit ) 21 dos 27 estados da UE.

Neste contexto, não é levantada a questão das novas bombas nucleares B61-12 que, dentro de dois anos, o Pentágono começará a estabelecer na Itália, em vez da actual B-61, empurrando o nosso país para a primeira fila, no confronto nuclear cada vez mais perigoso com Rússia.

Para quebrar a capa de silêncio sobre essas questões fundamentais, devemos pedir aos candidatos e candidatas às eleições políticas (como proposto pela Comissão No Guerra No NATO) duas questões precisas nas reuniões públicas, nas redes sociais e nas transmissões de rádio e de televisão: "É ou não é, a favor da saída da Itália da NATO? É partidário da remoção imediata das armas nucleares americanas da Itália? Responda Sim ou Não, esclarecendo, eventualmente, o motivo da sua escolha ».

Aos 243 deputados (entre os quais se destaca o candidato a Primeiro Ministro, Luigi Di Maio), signatários do compromisso ICAN destinado a fazer com que a Itália adira ao Tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, devemos fazer uma terceira pergunta: "De acordo com o seu compromisso, será que na próxima legislatura, defenderá a retirada imediata das bombas nucleares americanas B-61 da Itália, que já violam o Tratado de Não Proliferação, e a não instalação das bombas B61-12 e de outras armas nucleares?".

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