20 de maio de 2018

Podemos chamá-lo de um golpe agora?

Mike Whitney

Unz Review

Tradução / Depois de 18 meses de ataques e acusações incansáveis, Donald Trump parece ter decidido erguer-se da lona e revidar. Numa série de tuítos que se estenderam de domingo à noite até a manhã da 2ª-feira, semana passada, Trump anunciou que fará sua própria investigação para saber se o FBI e o Departamento de Justiça (DdJ) manobraram indevidamente para atacar sua campanha à presidência, para "objetivos políticos".

"Exijo aqui e farei o mesmo oficialmente amanhã, que o Departamento de Justiça investigue e descubra se o FBI/Departamento de Justiça espionou a Campanha Trump, para "objetivos políticos" – e se pessoas de dentro do governo Obama solicitaram ou não alguma ação! Donald Trump, @realDonaldTrump, Twitter, domingo, 20 de maio

É jogada ousada de Trump, mas pode sair-lhe gravemente pela culatra. Ao exigir investigação dentro do DoJ e do FBI, o presidente exige que aquelas agências revelem as próprias transgressões, para produzir documentos e outras informações que potencialmente exporão gente de lá mesmo (sobreviventes do governo Obama) a críticas e, mesmo, a processo por crime. Difícil crer que muitos burocratas de carreira se interessariam por ajudar Trump em empreitada que pode atingir colegas deles e/ou a reputação do próprio departamento em que trabalham.

Seja como for, Trump decidiu jogar para o alto a prudência e ir para o tudo ou nada. Decidiu que a única maneira de conseguir tirar os inimigos de cima dele é lançando-os na arena, ao sol, expondo ao escrutínio público, o que realmente aconteceu. É estratégia de alto risco, mas o nova-iorquino sempre confuso e enrolado parece acreditar que se safará sem um arranhão. Eis outro twitter de tarde da noite:

"Há informes de que pelo menos uma pessoa enviada do FBI foi plantada, para objetivos políticos, em minha campanha à presidência. Aconteceu bem no começo, muito antes de as mentiras sobre a Rússia serem convertidas em matéria quente de Fake News. Se se confirmar - é o maior escândalo político de todos os tempos! Donald Trump, @realDonaldTrump, Twitter, 18 de maio

Será que Trump tem razão? O FBI teria infiltrado um olheiro na campanha, para recolher informação sobre Trump e seus auxiliares? Porque, se fizeram tal coisa, é, sim, escândalo maior que Watergate; seria o maior escândalo de corrupção política da história. Mas não, porque, segundo o New York Times, Trump entendeu tudo errado. Nunca houve olheiro nem espião, na campanha! Tratava-se de informante conhecido em quem o Bureau confiava, que tentava recolher informação sobre membros individuais da campanha. Muito diferente! Mas fosse o informante alguém de dentro ou não, permanece o fato de que o FBI conduziu operação de contrainteligência contra a campanha presidencial do candidato desafiante, para reunir informação que estaria sendo reunida para causar dano, desacreditar ou incriminar os alvos da operação. Em resumo, é isso, não? A principal agência encarregada de zelar pela correta aplicação das leis nos EUA, pôs-se a trabalhar sob ordens só-deus-sabe-de-quem (de Obama?), num complô para obter vantagem indevida nas eleições, minar o sistema eleitoral de dois partidos dos EUA e sabotar o processo democrático. Trump pode ter-se confundido num ou noutro detalhe, mas os fatos são esses. Vejam um excerto do artigo do Times sobre os twitter:

"O presidente Trump acusou o FBI na sexta-feira, sem qualquer prova, de ter mandado que um espião se infiltrasse secretamente em sua campanha de 2016, "para objetivos políticos" muito antes de o Bureau ter qualquer ideia sobre "as mentiras sobre a Rússia".

Na verdade, agentes do FBI enviaram um informante para conversar com dois conselheiros da campanha, mas só depois de já terem provas de que a dupla tivera contatos associados à Rússia durante a campanha. O informante, um professor norte-americano que dá aulas na Grã-Bretanha, fizera contato no final do verão com um conselheiro da campanha, George Papadopoulos, segundo fontes que conhecem o assunto. Também se reunira repetidamente nos meses seguintes com o outro assessor, Carter Page, que estava já sendo investigado pelo FBI por seus laços com a Rússia ("F.B.I. Used Informant to Investigate Russia Ties to Campaign, Not to Spy, as Trump Claims" 18/5/2018, New York Times).

O Times está tecnicamente correto, mas a defesa que o jornal construiu e que só difere em detalhes ínfimos do que Trump tuitou, também nada explica. O FBI continua nas duas versões a ter de provar que haveria justificativa legal para suas iniciativas extremamente suspeitas e muito provavelmente ilegais. E seja qual for a desculpa que o Bureau venha a definir, não parece razoável que tivesse algo a ver com o Russiagate, dado que essa espantosa tolice sempre foi poço seco desde o primeiro momento e nada produziu – nada, nem um fiapo, uma fagulha de prova prestável, passado já mais de um ano e meio do começo de tudo. Claro que cabe ao FBI vir a público e explicar-se sem deixar pontos cegos tudo que realmente estava acontecendo nas coxias. Que negócio é esse? Claramente o informante estava falando com o balão de vento chamado Papadopoulos não porque acreditasse que conseguiria encontrar um elo entre Putin e Trump, mas porque essa coleção de conversa fiada o ajudaria a construir alguma acusação contra o presidente. Isso é o que ali acontecia, bem claro, aí posto, diante do nosso nariz. O FBI estava usando o pretexto Rússia para encontrar sujeiras que pudessem ser reorganizadas de modo a incriminar Trump fosse do que fosse. O objetivo óbvio era impedir que Trump fosse eleito e depois, caso fosse eleito, poder removê-lo da presidência. Eis o que se lia em The Hill, na segunda-feira:

"O Departamento de Justiça (DdJ) solicitou que o Procurador-geral investigue para determinar se o FBI atuou na campanha do presidente Trump para "objetivos inapropriados". 
"Se alguém invadiu ou vigiou participantes de uma campanha presidencial para objetivos inapropriados, temos de saber e tomar as medidas apropriadas" – disse em declaração o vide Advogado-geral Rod Rosenstein" (DOJ asks watchdog to probe Trump campaign surveillance claims, The Hill, 20/5/2018).

Viram só?Significa que Rod, do estado-profundo, vai investigar tudo, descobrir tudo e informar aos cidadãos se houve ou não houve alguma gracinha ilegal nessa coisa toda. Agora vai, Que piada! O homem é tão cercado de conflitos e desmandos que já deveria ter sido demitido há meses. Rosenstein é o autor do memorando de três páginas que convenceu Trump a demitir Comey, depois do que ele rapidamente nomeou Robert Mueller como Conselheiro Especial, servindo-se da demissão de Comey como justificativa. Foi provavelmente o golpe-de-mão político mais vagabundo e desavergonhado que vi em toda a minha vida.

E observem o cuidado com que Rosenstein escolhe as palavras, como motorista de ambulância que busca os piores obstáculos para sacudir o mais possível o paciente ferido. Diz ele: "Se alguém infiltrou ou vigiou participantes de uma campanha presidencial para objetivos inapropriados, temos de saber e tomar as medidas apropriadas".

OK, mas... quem decide o que é apropriado ou inapropriado? O Procurador-geral ou nosso camaradinha Rosenstein que fará tudo que estiver ao alcance dele para ocultar a arma do crime? Seja como for, nada altera o fato de que a campanha foi invadida por pelo menos um informante que tentou arrancar a máxima informação possível de seus alvos. O que nos leva diretamente ao caso de Stefan Halper, "professor da Universidade de Oxford, e ex-funcionário do governo dos EUA, de 73 anos", que foi exposto como "informante do FBI" e que, "a partir de 2012, foi generosamente remunerado pelo governo Obama por variados projetos de pesquisa.

(...) Halper foi recrutado pelo FBI para espionar vários auxiliares de campanha de Trump durante as eleições nos EUA (...). Pesquisa sobre registros públicos de pagamentos oficiais mostram que entre 2012 e 2018, Halper recebeu um total de $1.058.161 do Departamento de Defesa." E mais, do mesmo artigo de Zero Hedge:

"O mais recente prêmio pago a Halper foram $411.575 em duas prestações, a primeira datada de 26/9/2016 – três dias depois (...) de publicado um artigo assinado por Michael Isikoff sobre Carter Page, assessor de Trump, no qual foi usava informação fornecida a Isikoff por Christopher Steele, criador do dossiê "mijo-gueite" [ing. pissgate] (...). 
A segunda prestação do contrato de Halper de 2016 com o Departamento da Defesa tem data de 26/7/2017 e valor de $129.280 – mais ou menos três meses antes de expirar o mandado nos termos da lei FISA [Foreign Intelligence Surveillance Act] contra Carter Page, depois de repetidas renovações assinadas pelo vice-advogado-geral Rod Rosenstein e um juiz federal (...). 
O e-mail de 28/7 de Halper para Page – enviado dois dias depois de a segunda prestação do pagamento do contrato ter entrado na conta de Halper, sugere que a operação de espionagem contra associados da campanha de Trump ainda continuava ativa sete meses depois da posse do novo governo (...). 
Depois de Halper ser exposto e queimado publicamente, o presidente Trump ordenou uma investigação oficial pelo Departamento de Justiça" ("FBI Informant Stefan Halper Paid Over $1 Million By Obama Admin; Spied On Trump Aide After Election" [Informante do FBI que recebeu mais de US$1 mi do governo Obama espionou assessor de Trump depois da eleição , Zero Hedge, 22/5/2018).

E mais sobre Halper, de World Socialist Website:

"A escolha de Halper para essa operação de espionagem tem implicações sinistras. Os laços profundos que o ligam ao aparelho de inteligência dos EUA existem há décadas. Seu padrasto foi Ray Cline, que chefiou a diretoria de inteligência da CIA no auge da Guerra Fria. Halper foi assessor de Donald Rumsfeld, Dick Cheney e Alexander Haig nos governos Nixon e Ford. A revelação do papel que Halper desempenhou sugere fortemente uma intervenção, pelas agências de inteligência dos EUA, nas eleições de 2016, que ultrapassa em muito e ofusca qualquer coisa que se imagine que o Kremlin pudesse ter tentado" ("Long-time CIA asset named as FBI’s spy on Trump campaign", Bill Van Auken, World Socialist Web Site, 21/5/2018).

É possível que a conexão Halper seja um zero absoluto, para o qual há explicação perfeitamente lógica, mas, falemos sério: alguém acha que tudo isso passa pelo teste do cheiro de podre?

Vamos logo ao xis da questão: Quando se examina a longa lista de possíveis infrações e crimes cometidos pela equipe de Obama – incluindo os falsos mandados pela Lei FISA, gravações clandestinas, revelações impróprias, vigilância sob condições inaceitáveis, de membros de campanhas eleitorais e, agora, informantes pagos para levantar qualquer tipo de sujeira que pudessem encontrar, inventar ou plantar sobre o governo recém eleito... é impossível não coçar a cabeça e perguntar-se "Estamos mesmo nos EUA? O que, diabos, essa gente está pensando?"

Eis como o analista político Nick Short resumiu os eventos, num recente comentário pelo Twitter:

"FBI abriu uma investigação CI (de Contrainteligência) (a) sem qualquer prova de qualquer crime ou (b) prova que implicasse a campanha de Trump em espionagem russa. FBI colaborou c/CIA para incriminar um grupo político, usando para isso recursos e informantes da vigilância contra agentes estrangeiros. É muito maior que Watergate..." @PoliticalShort

Bingo. Qualquer pessoa razoável assumiria naturalmente que o informante foi usado para obter vantagem indevida na eleição, pela posse de informação privilegiada que poderia ser usada contra o partido ou os candidatos-alvos (no caso, Trump). Em outras palavras, é mais que hora de esquecermos de vez a ideia de que os que perpetraram essa operação de contrainteligência estivessem, mesmo de longe, preocupados com o ângulo "Rússia", completamente fictício. Não há prova alguma de coisa alguma que sugira envolvimento de russos. Há, isso sim, provas circunstanciais consideráveis de que altos funcionários do governo dos EUA, agentes da inteligência, membros do Judiciário e altos dirigentes do Comitê Nacional Democrata serviram-se do acesso que tinham aos poderes extraordinários do estado-de-vigilância, para sabotar o processo eleitoral democrático, minar o sistema bipartidário e derrubar governo eleito. Diferentes do New York Times, que parece crer que esses crimes não passariam de inócuos bip-bip no radar, entendemos que essa tentativa descarada de desmoralizar o sistema bipartidário e reforçar o jugo maligno, pervertido, de oligarcas e empresários sem-cara é, sim, realmente, o mais grave crime político do século.

Eis como Barry Grey resume bem, no World Socialist Web Site:

"Recentes relatos da imprensa acrescentam farta informação que mostra que as agências norte-americanas de inteligência e espionagem, operando pelas costas do povo norte-americano e sem qualquer transparência democrática, manipularam as eleições presidenciais de 2016 – o que supera em muito a escala de qualquer coisa que Moscou pudesse ter tentado. 
A verdadeira ameaça aos direitos democráticos do povo norte-americano não vem da Rússia nem de terroristas estrangeiros, mas do próprio governo dos EUA, hoje completamente controlado por um vasto complexo militar/de inteligência, aliado à oligarquia financeira. Os dois maiores partidos não passam de fantoches manipulados por essa máquina do estado-profundo, de vigilância e de repressão. 
O Partido Democrata não dá nenhum sinal de preocupação ou de se opor a esse aparelho de estado policial. A defesa que os Democratas fazem do FBI e da CIA coincide com o papel crucialmente decisivo que os Democratas cumpriram, garantindo os votos necessários para aprovar o nome da torturadora Gina Haspel, dos 'buracos negros', como diretora da CIA, no início dessa semana" ("Democratas defendem o FBI depois de relatos de que espionaram a campanha eleitoral de Trump", Barry Grey, World Socialist Web Site, 19/5/2018).

Mais uma vez, correto. Não é questão de Democratas x Republicanos. Pelo menos, não deve ser. Trata-se da gangue que perdeu as eleições e que opera por trás da máscara da política partidária para exercer o mais pura violência sobre o poder político legítimo. Como disse George Carlin, "Partidos existem para que vocês pensem que têm escolha. Mas não, vocês não têm escolha. Vocês têm donos. E eles são donos de tudo". Russiagate foi o pretexto esfarrapado que esse grupo clandestino montou, para lançar seu ataque contra o candidato que jamais poderia ter vencido as eleições. E há mais, no New York Times:

"Agentes do FBI enviaram um informante para falar com dois conselheiros da campanha, depois que receberam provas de que a dupla tivera contatos com suspeitos ligados à Rússia durante a campanha (...). O papel do informante está hoje no âmago da mais nova batalha entre as autoridades encarregadas de fazer valer a lei e os aliados do Sr. Trump no Congresso, em torno das investigações mais fortemente politizadas em décadas. Os deputados e senadores, que se dizem preocupados porque os investigadores estariam abusando da própria autoridade, exigiram documentos do Departamento de Justiça sobre o informante. 
Os agentes recusaram-se, dizendo que divulgar os documentos poria em risco o anonimato e a segurança da fonte. O New York Times já tem o nome da fonte, mas por princípio não revela identidade de informantes, para preservar-lhes a segurança" ("FBI used informant to investigate Russia ties to Campaign, Not to spy, as Trump claims", New York Times, 18/5/2018).

Tradução - O FBI e o DoJ bloquearam o Congresso. Estão impedindo que o Congresso tenha acesso aos documentos necessários para que o Congresso cumpra sua função de controle. Os documentos requeridos provavelmente contêm informação que prova que funcionários nomeados de altos escalões espionaram a campanha de Trump para obter vantagem injusta e ilegal nas eleições. O Congresso precisa dos documentos para estabelecer se funcionários ou agentes no FBI, CIA ou na Agência de Segurança Nacional estiveram envolvidos numa conspiração para torpedear a campanha de Trump ou, adiante, derrubar o presidente eleito. E há mais, do Times:

"Democratas dizem que o objetivo real dos Republicanos é minar a investigação do Conselho Especial."

A credibilidade do Conselho Especial já está gravemente comprometida pelo viés absolutamente óbvio na agenda politicamente motivada que foi adotada para lançar uma nuvem de desconfiança em torno do presidente eleito, ao mesmo tempo em que nada produz para provar que alguma desconfiança tenha qualquer fundamento na realidade. Vale lembrar que a investigação 'sobre a Rússia', atualmente em andamento baseia-se na suposição – absolutamente sem qualquer fundamento – de que os russos teriam hackeado os computadores do Comitê Nacional Democrata. Como Andrew C. McCarthy aponta em seu excelente artigo na National Review, isso é muito frágil. Veja o que ele diz:

"Já está hoje confirmado que a campanha de Trump foi vítima de táticas de espionagem protegida pela lei de contrainteligência – lei FISA de vigilância, cartas de segurança nacional e agentes clandestinos de inteligência que trabalham com a CIA e serviços aliados de inteligência. Aparentemente não fez qualquer diferença que estivesse em curso campanha eleitoral, na qual se espera que o FBI não intervenha; nem fez qualquer diferença que os alvos a espionar fossem cidadãos norte-americanos, contra os quais teria de haver prova de atividade clandestina deliberada para finalidade criminosa a favor de potência estrangeira, antes de as forças da contrainteligência serem mobilizadas.
Mas qual a explicação para que essas autoridades norte-americanas espiãs tivessem sido mobilizadas?  
O fons et origo [lat. no orig. "fundo e origem"] da investigação de contrainteligência foi a suspeita – que as agências de segurança dos EUA garantem que seria "fato" – de que o servidor do Comitê Nacional Democrata teria sido hackeado por agentes clandestinos russos. Sem esse ataque de ciberespionagem, não haveria investigação. Mas como sabemos que o tal ataque realmente aconteceu? 
O Departamento de Justiça de Obama jamais requereu que o tal servidor fosse posto sob custódia – nada de apreensão, nada de mandado judicial de busca. O servidor pois jamais foi analisado nos mundialmente famosos laboratórios do FBI, e o equipamento não foi preservado, para manter sua integridade com valor de prova a ser exibida a algum júri, algum dia. 
Como é possível? Ora... Sabem como é... estava em curso uma campanha eleitoral, e o Departamento de Justiça de Obama entendeu que seria ação terrivelmente invasiva intrometer-se nas comunicações dos Democratas. Assim sendo, sim, sim: toda a narrativa que o país engoliu e reengoliu durante quase dois anos depende integralmente do diz-que-diz de uma empresaCrowdStrike – fornecedora privada do Comitê Nacional Democrata, com consideráveis laços financeiros com a campanha de Clinton ("In Politicized Justice, Desperate Times call for Desperate Measures" [Justiça partidarizada e tempos de desespero exigem soluções novas] 19/5/2018, Andrew C. Mccarthy, National Review

Quer dizer então que a vigilância pela lei FISA, as cartas da segurança nacional, os informantes do FBI e 18 meses de incansável massacre 'noticioso' suposto legal-jurídico, tudo isso, é construção erguida sobre diz-que-disse que a Rússia teria hackeado alguma coisa, mas nada garante?!

É. Como já disse aqui, é pirão muito ralo.

Mais um pouco, do Times: "Nenhuma prova apareceu de que o informante tivesse agido de modo impróprio quando o FBI pediu ajuda para reunir informação sobre os ex-conselheiros da campanha, ou de que os agentes afastaram-se das linhas mestras que regem as investigações do FBI e começaram alguma investigação politicamente motivada, que caracterizaria a ilegalidade" (New York Times).

Que espécie de loucura é essa?! O "informante agiu de modo impróprio" desde o instante em que invadiu a campanha de Trump com a intenção de recolher informação sobre o partido rival de Clinton. É possível que o Times esteja realmente argumentando para 'demonstrar' que espionar um adversário político seria moralmente, eticamente ou legalmente aceitável?

Nada mais ridículo. Trata-se de frágil tentativa de proteger o informante contra acusação ou processo que ele fatalmente enfrentará quando for obrigado a testemunhar diante de um grande júri e tiver de dar detalhes do trabalho que foi contratado para fazer, incluindo o nome de quem lhe ofereceu o emprego e deu-lhe instruções; sobre que informação devia reunir (e sobre quem); e quais outros funcionários ou diretores de agências estiveram envolvidos na operação de contrainteligência para sabotar o resultada da eleição. (Já se sabe que o ex-chefe da CIA John Brennan foi quem levou o caso ao FBI. Parece claro que tudo começou ali.)

O fato de o informante ter sido exposto é apenas o primeiro passo num longo processo que (esperemos) revelará as maquinações do aparelho do estado-profundo e sua conexão com os mandarins-empresários de fundo de beco, verdadeiros manipuladores dos bonecos-fantoches nesse fiasco político.

Mais bolhas do Times:

"Segundo pessoas bem informadas sobre a visita de [general Michael] Flynn ao seminário de inteligência, a fonte mostrou-se alarmada ante a visível intimidade entre o general e uma mulher russa também presente. A preocupação foi suficientemente forte a ponto de levar outra pessoa a comunicar a autoridades norte-americanas que o general Flynn podia ter sido cooptado pela inteligência russa, disseram duas pessoas que conhecem bem esse assunto."

Perceberam? Flynn falou com uma russa num seminário; e o Times 'noticia' que aí está fundamento suficiente para 'colar nele'; ou invadir a campanha de Trump; ou distribuir mandados baseados na lei FISA ou cartas da Segurança Nacional; ou para que todos se ponham a implantar as mais variadas modalidades de vigilância eletrônica no ex-diretor de campanha de Trump; ou para que se nomeie um Conselheiro Especial para meter o focinho em todos os assuntos privados de todos os eleitos; ou para saturar as ondas de rádio e TV com notícias inventadas, sem qualquer fundamento, durante praticamente 18 meses, ininterruptamente.

Até onde irá isso? A Rússia será para sempre a desculpa sempre à mão para todos os erros e perversões de todos, até que estejamos todos nós presos em alguma Guantánamo, vigiados 24 horas por dia? Será que os editores do Times também encontrarão justificativa para quando nos enjaularem, todos nós?

Não tenho dúvida alguma de que sim, eles encontrarão.

O New York Times publicou essa matéria numa noite de sexta-feira, com todos concentrados no casamento do príncipe, para minimizar a reação e qualquer eventual desgaste político. Quiseram observar a reação do público, mas limitaram a circulação. Foi um teste. Quiseram ver se ainda podiam controlar a narrativa, ante os novos detalhes comprometedores que haviam surgido. Sobretudo, quiseram ver se ainda conseguiriam desviar a atenção para bem longe do fato de que um poderoso grupo de persistentes insiders da administração e seus aliados golpistas no Comitê Nacional Democrata envolveram-se, sim, num golpe de estado para cancelar o resultado das eleições de 2016 e tirar do poder o presidente eleito. Está cada dia mais difícil ocultar toda a verdade, todo o tempo.

Correção: Numa versão anterior desse artigo afirmei que o FBI plantou um espião DENTRO da campanha de Trump. Está errado, motivo pelo qual pedi ao editor Ron Unz que retirasse da página aquela versão. O informante nunca foi parte da campanha, mas, sim, tentou arrancar informações de membros da campanha. Peço desculpas a todos que eu, involuntariamente, tenha induzido a erro. Mike Whitney.

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