11 de outubro de 2018

Capital e classe: desigualdade após a crise

David Ruccio e Jamie Morgan


Tradução / A premissa e a promessa do capitalismo, desde Adam Smith, foram que a riqueza global aumentaria e serviria como um benefício a toda a humanidade. No entanto, a experiência das últimas décadas tem desafiado essas afirmações: enquanto a riqueza global de fato cresceu, a maior parte desse aumento foi capturado por um pequeno grupo no topo. Isto tem continuado durante a "recuperação" nos Estados Unidos e globalmente. O resultado é que uma distribuição obscenamente desigual da riqueza do mundo tornou-se ainda mais desigual. Aqueles que estão no pequeno grupo do topo têm sido capazes de se distanciar de todos os outros precisamente porque foram capazes de capturar o excedente e depois converter a sua parcela do excedente em propriedade de riqueza. E os retornos da sua riqueza permitem-lhes capturar ainda mais do excedente produzido dentro do capitalismo global. Isto a par da crescente desigualdade de renda.

No entanto, embora as pessoas estejam cientes da desigualdade, normalmente não têm consciência da sua extensão real, e a economia dominante juntamente com a imprensa popular contribuem para essa situação, que por sua vez leva à reprodução do sistema que produz níveis de desigualdade cada vez mais grotescos.

Tanto classe quanto ideologia sustentam esta situação agravante. O minúsculo grupo no topo, tanto nacional como globalmente, tem tanto o interesse quanto os meios para manter as regras e instituições econômicas e sociais que lhes permitem capturar o excedente e, assim, criar mais distância entre eles e todos os outros. Enquanto isso, os principais discursos econômicos e políticos, dentro e fora da academia, tendem a ignorar as condições de classe e as consequências da desigualdade – e a minar a possibilidade de haver um debate real sobre os tipos de mudanças que são necessárias para dar à maioria das pessoas a possibilidade de dizer algo sobre como o excedente é utilizado.

Desigualdade global de riqueza

Desde que Thomas Piketty publicou O Capital no século XXI , o World Inequality Lab tornou-se uma das fontes mais conhecidas e confiáveis de dados sobre riqueza e desigualdade de rendas. Até agora, o laboratório recolheu dados razoavelmente bons para os Estados Unidos, a China e a Europa (que é representada no que se segue pela França, Espanha e Reino Unido) até 2015 e fornece projeções a partir daí. Globalmente, a riqueza é substancialmente mais concentrada do que o renda: os 10% mais ricos detêm mais de 70% da riqueza total. Só 1% dos indivíduos mais ricos possuem 33% da riqueza total em 2015. Esse número é de 28% em 1980. Os 50% no fundo da escala, por outro lado, não possuem quase nenhuma riqueza durante todo o período (menos de 2 por cento). A projeção para o futuro é igualmente dramática: de acordo com o World Inequality Lab, se as tendências atuais continuarem, a participação de cada um dos principais grupos – 1%, 0,1% superior e 0,01% – cresceria um ponto percentual a cada cinco anos. O que isso significa é que, até 2050, a participação de cada grupo aumentará dramaticamente. Em particular, a participação detida pelos 0,1% do topo acabaria por coincidir com a do grupo médio em declínio – com um quarto da riqueza global: [2]


Usando uma abordagem diferente, um relatório encomendado pelo deputado britânico Liam Byrne (presidente do All-Party Group on Inclusive Growth) oferece uma projeção ainda mais extrema. Com base nos dados compilados pelo Credit Suisse para 2008-2017, e assumindo que a riqueza total cresce ao mesmo ritmo que a taxa deste período, o relatório estima que em 2030 os 1% mais ricos do mundo poderiam possuir 64 por cento da riqueza: [3]


As projeções, é claro, são sempre contestáveis, mas os mecanismos subjacentes que surgiram não o são. [4] O que temos visto nas últimas décadas é que uma distribuição desigual da riqueza leva a ainda mais desigualdade, uma vez que a desigualdade de riqueza é ampliada à medida que a riqueza é concentrada nas mãos de um pequeno grupo no topo. A riqueza anterior é capitalizada a um ritmo mais rápido, já que a taxa de retorno sobre a riqueza é mais rápida do que a taxa de crescimento da economia. Além disso, este efeito é reforçado pelo fato de que as taxas de retorno tendem a aumentar com o nível de riqueza: as taxas de retorno disponíveis para grandes carteiras financeiras são geralmente muito maiores do que aquelas abertas a pequenos depósitos bancários e outros veículos de poupança disponíveis para todos outros. Não há sinais de que isto vá mudar a menos que mais pessoas sejam consciencializadas e estejam dispostas e sejam capazes de se organizar. A tendência não é apenas quantidades; é uma manifestação da dinâmica da classe capitalista.

Reestimando a desigualdade de riqueza nos Estados Unidos

Se retornarmos ao World Inequality Lab, a fatia dos 1% mais ricos nos Estados Unidos é maior que a fatia global. Foi, por exemplo, uns espantosos 41,8% em 2012 e 35% em 2014 (comparado a 45,3% para os 90% dos domicílios). No entanto, dependendo de como é medida, a desigualdade real de riqueza pode ser ainda maior. Tanto o World Inequality Lab quanto o Federal Reserve (no Survey of Consumer Finances) incluem habitação e pensões de reforma na riqueza das famílias – e essas duas categorias compreendem a maior parte da dita riqueza da maioria dos americanos. O ponto importante é que estas pessoas não têm muita riqueza financeira ou comercial. Vivem nas suas casas e reformam-se com base nas contribuições dos seus salários e vencimentos ao longo das suas vidas profissionais. Possuem pouco em termos de acções, créditos de rendimento fixo e activos de negócios, aos quais podemos referir-nos como riqueza real (na medida em que essa riqueza é algo de que eles podem depender adicionalmente além de produtos de reforma específicos ou das suas casas). Se excluirmos habitação e pensões e calcularmos apenas as parcelas de riqueza financeira ou comercial – e, portanto, acções, direitos a rendimentos fixo e activos de negócios – o grau de desigualdade é muito, muito pior. De acordo com meus cálculos, em 2014, os 1% mais ricos possuíam quase dois terços da riqueza financeira ou comercial, enquanto os 90% no fundo da escala tinham apenas 6%. Isto representa uma enorme mudança relativamente à situação já desigual em 1978, quando as fatias estavam muito mais próximas (28,6% para os 1% e 23,2% para os 90% inferiores): [5]


O que é que isto significa? A maioria não tem a capacidade de acumular qualquer riqueza real; noutras palavras, produzem a maior parte da riqueza, mas não levam para casa nenhum excedente. Para o pequeno grupo no topo, as coisas são bem diferentes. Obtêm uma fatia do excedente, que eles usam, não apenas para adquirir habitação e pôr de parte nas suas reformas, mas para acumular riqueza real, para si e para suas famílias. Além disso, como a participação do trabalho diminui e a participação nos lucros aumenta, isto é exacerbado. Este é o pano de fundo contra o qual os salários e os rendimentos estagnam ou caem para a maioria, uma tendência que continuou durante a "recuperação" desde a crise financeira global.

Desigualdade contínua de rendimento

A Direção de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE apresenta o seguinte resumo da sua Perspectiva de Emprego 2018: [6]

"Pela primeira vez desde o início da crise financeira global em 2008, há mais pessoas com um emprego na área da OCDE do que antes da crise. As taxas de desemprego estão abaixo ou perto dos níveis pré-crise em quase todos os países... No entanto, o crescimento salarial continua desaparecido em combate... Ainda mais preocupante, esta estagnação salarial sem precedentes não é distribuída uniformemente entre os trabalhadores. O rendimento real da mão-de-obra dos 1% do topo aumentou muito mais rapidamente do que a média dos trabalhadores em tempo inteiro nos últimos anos, reforçando uma tendência de longa data. Isto, por sua vez, está a contribuir para uma crescente insatisfação de muitos sobre a natureza da recuperação, senão a sua força: apesar de os empregos estarem finalmente de volta, apenas alguns poucos afortunados no topo também estão a desfrutar de melhorias nos ganhos e na qualidade do trabalho.

O número de empregos aumentou e as taxas de desemprego caíram. No entanto, os trabalhadores ainda estão a ser deixados para trás porque o crescimento salarial "continua desaparecido em combate". Os salários dos trabalhadores ficaram estagnados na última década nos 36 países que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O problema tem sido particularmente agudo nos Estados Unidos, onde a taxa de "baixos rendimentos" é alta (apenas superada por dois países, Grécia e Espanha) e a "desigualdade de rendimentos" ainda pior (seguindo-se apenas a Israel): [7]

As causas são claras: os trabalhadores sofrem quando muitos dos novos empregos que são forçados a ter a liberdade de assumir estão no nível mais baixo da escala salarial, os trabalhadores desempregados e em risco recebem muito pouco apoio do governo e trabalhadores empregados são impedidos por um sistema fraco de negociação coletiva. E é importante lembrar que o crescimento dos lucros corporativos é uma condição e consequência da estagnação dos salários dos trabalhadores. Os empregadores puderam usar esses lucros para efectuar recompras das suas ações, aumentando por sua vez o valor dos activos financeiros mantidos por poucos (um mecanismo exacerbado pelos cortes de impostos corporativos, já que os investimentos não cresceram proporcionalmente), mas os lucros não têm sido usado para aumentar o salário dos trabalhadores (excepto CEOs e outros executivos corporativos cujo pagamento é, na verdade, uma distribuição desses lucros). O investimento que ocorre utiliza novas tecnologias para tirar proveito dos padrões nacionais e globais de produção e comércio a fim de manter desempregados e empregados numa posição precária . Essa precariedade, mesmo quando o emprego se expandiu, serve para manter os salários baixos – e os lucros crescendo.


O que estamos a assistir então, especialmente nos Estados Unidos, é um ciclo de altos lucros, baixos salários e lucros ainda maiores, que se auto-reforçam. É por isso que a fatia do trabalho no rendimento das empresas tem vindo a cair ao longo da chamada "recuperação":[8]


Eric Levitz num artigo de julho de 2018 na New York Magazine afirma que no fim de contas, isto é político, já que "os políticos americanos escolheram projetar um sistema econômico que deixa os trabalhadores desesperados e sem poder, a fim de direcionar uma parcela maior do crescimento econômico para chefes e acionistas". [9] A produtividade, automação, etc na qual os economistas se concentram são simplesmente questões dentro desse sistema. Os trabalhadores americanos (e os trabalhadores em geral) estão a ser "roubados" ("ripped off"). Em lado nenhum isto é visto com mais clareza do que nos rácios de remuneração entre os CEO e o trabalhador médio.

Rácios de remuneração entre os CEO e o trabalhador médio

De acordo com um relatório do Instituto de Política Económica de 2017, o rácio de pagamentos entre o CEO medio e o trabalhador médio entre as 350 maiores corporações nos EUA foi de 271 para 1. [10] Há diferentes maneiras de calcular este índice e pode ser difícil obter dados apropriados devido à maneira pela qual as corporações escolhem (e são capazes) de relatar os números relevantes e foi apenas recentemente que uma mudança nos regulamentos passou a exigir que as corporações dos EUA forneçam realmente tais dados. No entanto, o que é indiscutível é que os rácios indicam extrema desigualdade e que tem havido uma tendência ascendente ao longo de décadas. Por exemplo, de acordo com o relatório do Economic Policy Institute: [11


Podemos também examinar empresas individuais e comparar o rácio entre o pagamento médio do trabalhador e a linha da pobreza. A Amazon informou uma compensação média para os seus variados trabalhadores, sobretudo de armazém (e agora, com a Whole Foods, mercearia), de 28 446 dólares por ano. O governo federal define a sua directriz de pobreza para uma família de quatro pessoas em 25 100 dólares. Assim, o salário médio da Amazon cai facilmente dentro de 150% da linha da pobreza – e representa cerca de metade dos rendimentos familiares médios nos Estados Unidos. O único empregador privado maior que o gigante do comércio electrónico é o Walmart, seu concorrente de vendas a retalho, cujos trabalhadores têm uma média de apenas 19 177 de dólares por ano, colocando-os longe das linhas federais da pobreza. [12] Além disso, o rácio entre o pagamento do trabalhador médio com o do CEO da Walmart, Doug McMillon, que arrecadou US$22,8 milhões no ano passado, foi um impressionante 1.188 para 1. E os números extraordinários continuam por toda a economia. A Royal Caribbean Cruises: 728-1. A Regeneron Pharmaceuticals: 215-1. A Netflix: 133- 1. A Live Nation Entertainment: 2.893-1. A Honeywell International: 333-1. A Fidelity National Information Services: 654-1. O Grupo UnitedHealth: 298-1. E assim por diante. Cada um desses rácios indica o nível obsceno de desigualdade nos Estados Unidos, com base no montante de excedente extraído dos trabalhadores e distribuído àqueles que dirigem corporações americanas em nome de seus conselhos de administração.

"Roubado" começa a ter um significado real quando confrontado com estas proporções. Não é de admirar que a Amazon seja propriedade e gerida literalmente pelo homem mais rico do mundo, Jeff Bezos. Enquanto ele tecnicamente "fez" apenas 1,7 milhões de dólares no ano passado, vale 127 mil milhões de dólares. A imprensa de negócios louva muito a ideia dos inovadores indispensáveis, dos criadores de riqueza, mas normalmente omite o facto de que a realidade de trabalhar para uma grande corporação envolve uma obstinada extracção de riqueza. Jeff Bezos recebeu recentemente uma recepção hostil dos trabalhadores quando chegou a Berlim a fim de receber um prémio de inovação. Como Frank Bsirske, dirigente do sindicato Verdi, explicou: "Temos um chefe que quer impor condições de trabalho americanas ao mundo e levar-nos de volta ao século XIX". [13] Enquanto isso, nos Estados Unidos, a Amazon informou que os seus lucros mais que duplicaram, para 1,6 mil milhões de dólares no primeiro trimestre de 2018, fazendo subir as suas ações para um recorde histórico.

Apesar de os valores das remunerações dos CEO em relação ao trabalhador médio serem reportados na imprensa de negócios, eles não são e não foram amplamente discutidos nos media de referência ou pelos políticos do país. Esta é uma situação encontrável em muitos países; isto importa porque cria uma situação de ignorância sistemática da extensão real da desigualdade, embora as pessoas comuns estejam cientes de que há desigualdade (crescente) e que ela é criada por esquemas económicos que são fundamentalmente injustos. A falta de consciencialização serve para minar ou impedir a indignação esperada e reduzir o impulso para organizar e pressionar por mudanças – seguindo o comentário de Levitz, para obrigar quem cria tais políticas a actuarem de forma diferente ou a serem substituídos.

A subestimação da desigualdade e a teoria econômica dominante como ideologia

Num estudo de 2014, Sorapop Kiatongsan e Michael Norton perguntaram a cerca de 55 mil pessoas em todo o mundo, incluindo 1581 nos Estados Unidos, quanto dinheiro achavam que os CEOs das empresas ganhavam em comparação com trabalhadores fabris não qualificados. [14] Perguntaram em seguida quanto pagamento a mais achavam que os CEOs deveriam ganhar. Os entrevistados americanos estimaram que os executivos superavam os trabalhadores de fábrica por um factor de aproximadamente 30-para-1. Como também indicado pelo relatório do Instituto de Política Económica, isto é exponencialmente menor do que o valor contemporâneo, e na verdade é sensivelmente o mesmo rácio da década de 1960.

Segundo o estudo, os americanos acreditavam que a proporção ideal deveria ser de cerca de 7-para-1. [15] Para além disso, os americanos não responderam à pesquisa de maneira muito diferente dos participantes de outros países. Os australianos acreditavam que cerca de 8-para-1 seria uma boa proporção; os franceses estabeleceram em cerca de 7-para-1; e os alemães preferiam cerca de 6-para-1. Em todos os países, o índice de pay-gap do CEO era muito maior do que as pessoas assumiam. E embora não concordassem precisamente sobre o que seria justo, tanto conservadores quanto liberais em todo o mundo também concordaram em que a diferença salarial deveria ser menor. As pessoas também estavam de acordo entre os vários níveis de rendimento e educação, assim como entre os diferentes grupos etários.

Claramente, as representações da economia que minimizam a existência de desigualdade ou os problemas associados à desigualdade estão fadadas a reforçar as percepções equivocadas sistemáticas encontradas por Norton e outros. Como tem sido amplamente notado desde a O Capital no século XXI de Piketty, anteriormente a teoria económica dominante tinha relativamente pouco a dizer sobre a desigualdade. A teoria económica dominante tende em geral a desviar a atenção da existência de desigualdade (por exemplo, focando o crescimento, a produção e o nível de preços versus distribuição) e dos problemas económicos e sociais criados pela desigualdade (atribuindo a lacuna crescente entre os ricos e os pobres a forças como a globalização e a mudança tecnológica que estão além do nosso controle, ou apelando a mais a educação como a única solução).

A teoria económica dominante continua a fazer parte do que outros, como Vladimir Gimpelson e Daniel Treisman no documento de trabalho do NBER, "Misperceiving inequality", referem-se a "ideologia", algo que "pode predispor as pessoas a 'ver' o nível de desigualdade que suas crenças e valores os convencem que devem existir. " [16] O domínio da Economia dominante nos Estados Unidos - em faculdades e universidades, bem como na media, think tanks e no governo - e em todo o mundo é uma das principais razões pelas quais os americanos, tal como pessoas de outros países, tendem a não ver o grau de desigualdade existente. É claro que nenhuma ideologia pode ser completa, e esse também é o caso da Economia dominante. Destoa com a nossa experiência do mundo e nas nossas aspirações em relação ao mundo em que queremos viver. É por isso que os americanos e cidadãos do mundo inteiro percebem que o grau de desigualdade criado pelos esquemas económicos existentes é fundamentalmente injusto.

Conclusão

Tendências na renda global e concentração de riqueza sugerem inequivocamente que, a menos que mudanças econômicas radicais sejam feitas dentro das nações, as desigualdades existentes criadas pelo capitalismo contemporâneo representam tanto a premissa quanto a promessa de uma distribuição ainda mais desigual de rendimento e riqueza nas próximas décadas. E as consequências da crescente desigualdade – para o minúsculo grupo no topo, bem como para a grande maioria na base, embora de maneiras diferentes – tornam esse caso ainda mais atraente. Nenhum grupo pode escapar à lógica existente e seus efeitos, a menos que as regras e práticas existentes sejam fundamentalmente transformadas. Ao mesmo tempo, o sentido geral de injustiça fundamental, que é apenas parcialmente mascarado pela Economia e Política dominante, pode servir como um alerta para uma crítica sem piedade e re-imaginação das instituições econômicas e sociais contemporâneas.

Notas 

[1] A "riqueza das nações" à qual Smith se referia era a produção actual ou, como actualmente é medido, o Produto Interno Bruto. Isto é, a "imensa acumulação de mercadorias" produzida e trocada na economia de um país durante um determinado período de tempo. Hoje, a riqueza refere-se à propriedade de activos financeiros (acções, títulos, etc.) e não financeiros (especialmente à habitação) - em relação ao rendimento (fluxos de valor associados a fazer ou possuir) ou somas de transacções (que é o que é capturado no PIB). Os economistas mainstream muitas vezes afirmam que a desigualdade no capitalismo global está a diminuir, por causa da "convergência", isto é, as taxas de crescimento nos países em desenvolvimento do Sul Global são mais rápidas do que no Norte desenvolvido e a lacuna no PIB per capita está a fechar.
[2] anticap.files.wordpress.com/2018/05/global-wealth.jpg
[3] anticap.files.wordpress.com/2018/06/byrne.jpg
[4] Note-se, porém, que: "Danny Dorling, professor de geografia na Universidade de Oxford, disse que o cenário em que os super-ricos acumulavam mais riqueza até 2030 era realista: 'Mesmo que o rendimento das pessoas mais ricas do mundo pare de aumentar dramaticamente no futuro, a sua riqueza ainda crescerá por algum tempo ", disse ele. "O último pico de desigualdade de rendimento foi em 1913. Estamos outra vez perto disso, mas mesmo se reduzirmos a desigualdade agora ela continuará a crescer por mais uma ou duas décadas." Veja: M. Savage '1% mais ricos a caminho de possuir dois terços de toda a riqueza até 2030 'The Guardian 7 de abril de 2018
www.theguardian.com/...
[5] anticap.files.wordpress.com/2018/02/wealth-inequality.jpg
[6] read.oecd-ilibrary.org/...
[7] anticap.files.wordpress.com/2018/07/left-behind.jpg
[8] anticap.files.wordpress.com/2018/07/fredgraph.png . O gráfico mapeia o declínio acentuado na divisão do trabalho durante a última década (de 103,3 no primeiro trimestre de 2008 para 97,1 no primeiro trimestre de 2018, com 2009 igual a 100), mas a tendência é maior: de 114 em 1960 ou 112 em 1970 ou mesmo 110,2 em 2001.
[9] nymag.com/...
[10] www.epi.org/files/pdf/130354.pdf
[11] anticap.files.wordpress.com/2018/04/ceo.jpg
[12] www.bloomberg.com/graphics/ceo-pay-ratio/
[13] qz.com/1261701/amazon-jeff-bezos-booed-in-berlin-by-workers/
[14] www.hbs.edu/...
[15] Isto segue um artigo de 2010 no mesmo jornal em que Michael Norton e Dan Ariely também descobrem que os americanos têm uma noção de justiça económica que é notavelmente mais igualitária que a realidade actual, e mais igualitária até do que sua própria sub-estimativa do grau de desigualdade.www.people.hbs.edu/mnorton/norton%20ariely%20in%20press.pdf
[16] www.nber.org/papers/w21174

[*] Respectivamente da Universidade de Notre Dame, IN, EUA e Universidade Beckett de Leeds, RU. Contactos: druccio@nd.edu e jamiea.morgan@hotmail.co.uk .

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