10 de outubro de 2018

A nova visão internacionalista de Bernie

O populismo de direita está avançando pelo mundo. Bernie Sanders quer contra-atacar

Meagan Day


Gage Skidmore / Flickr

Tradução / Bernie Sanders foi chamado de “ruim na política externa” por praticamente todos. Vindo daqueles à sua direita, isso tipicamente significa insuficientemente dócil com as garras do establishment da política externa. Sanders se opôs em seus pronunciamentos e votou contra a Guerra do Iraque, é mais crítico a Israel que qualquer outro politico americano expressivo, propôs cortes drásticos nas despesas militares, buscou acabar com o programa de armas nucleares dos EUA, opõe-se ao apoio dos EUA à ofensiva liderada pela Arábia Saudita no Iêmen, e expressou forte oposição aos golpes na América Latina e no Irã endossados pela CIA, entre outras posições pouco ortodoxas sobre a política externa.

Vindas da esquerda, as críticas frequentemente se fundaram na preocupação legítima de que a política externa de Sanders não se afastou do consenso bipartidário tanto quanto sua politica da economia doméstica. Por exemplo, enquanto o que foi colocado acima é verdadeiro, ele não apoia o movimento pelo Boicote, Desinvestimento e Sanção (BDS) contra Israel, e ele votou pela intervenção militar dos EUA diversas vezes durante seus mandatos de décadas no Senado. Ele falou algumas vezes sobre a necessidade de preservar o poder militar americano, mesmo que tenha atacado o desperdício e os abusos militares dos EUA em outras ocasiões.

Como jovem, Sanders buscou ser um opositor continente à Guerra do Vietnam, visitou a Cuba pôs-revolucionária, e articulou reuniões diplomáticas com Sandinistas. Mas seu mandato coincidiu com uma enorme ausência de um movimento antiguerra doméstico forte, e ele frequentemente se encontrou no limite da politica externa liberal, guardando sua dissidência para as lutas sobre a politica doméstica e grandes episódios da politica externa como a Guerra do Iraque.

Mas a vida e a tarefa de Sanders mudaram consideravelmente desde que sua campanha presidencial catapultou-o de uma relativa obscuridade para o holofote nacional há três anos atrás. Agora, Sanders parece estar levando mais a sério a responsabilidade que carrega de representar a esquerda na política externa americana. Essa responsabilidade envolve o uso de sua plataforma para diferenciar a abordagem da esquerda da abordagem liberal, como ele vinha fazendo na política interna.

É um trabalho pesado. Apesar de a necessidade estar colocada, não há uma única corrente forte de internacionalismo de esquerda nos Estados Unidos que não esteja deformada por velhas alianças subterrâneas, uma que tenha chance de persuadir uma porção significativa da população americana a se opor à guerra e criar uma solidariedade internacional em escala de massas. Nessa nova era de ressurgimento da esquerda, nós devemos construir um novo internacionalismo de esquerda com nossas próprias mãos.

O discurso de Sanders ontem, intitulado “Construindo um Movimento Democrático Global para Combater o Autoritarismo” e adaptado de um editorial que ele escreveu em The Guardian no mês passado, foi um parâmetro que mede seu progresso nesta tarefa até o momento. Nele, ele expôs uma dupla oposição ao autoritarismo e à oligarquia. Sanders enfatizou ao longo de seu discurso que a desigualdade econômica e a concentração de riqueza são corrosivas para a democracia e, por sua vez, para os direitos civis – um refrão que ouvimos dele muitas vezes no contexto doméstico. Precisamos desenvolver um movimento global contra o poder inexplicável do Estado e das empresas, que se reforçam mutuamente, disse ele.

Sanders identificou como uma grande ameaça a ascensão de líderes de direita, nomeando o turco Recep Tayyip Erdoğan, o filipino Rodrigo Duterte, o brasileiro Jair Bolsonaro, o russo Vladimir Putin e o húngaro Viktor Orbán, entre outros. Esses líderes diferem em muitos aspectos, disse ele, mas compartilham uma “intolerância em relação às minorias étnicas e religiosas, hostilidade em relação às normas democráticas, antagonismo em relação à imprensa livre, constante paranoia sobre conspirações estrangeiras e a crença de que os líderes do governo deveriam poder usar suas posições de poder para servir a seus próprios interesses financeiros egoístas ”.

“Eles não estão subindo ao poder do nada”, afirma Sanders. A nova direita autoritária é levada pelas falhas do capitalismo.

Vemos hoje a enorme e crescente desigualdade de renda e riqueza, onde o 1% mais ricos do mundo agora possui mais riqueza do que os 99% inferiores, onde um pequeno número de grandes instituições financeiras exercem enorme impacto sobre a vida de bilhões de pessoas. Frequentemente, temos líderes políticos que exploram esses medos ampliando ressentimentos, alimentando a intolerância e alimentando ódios étnicos e raciais entre os que estão em dificuldades. Nós vemos isso muito claramente em nosso próprio país. Está vindo do mais alto nível de nosso governo.

Sanders identificou a eleição de Trump como um fator acelerador na ascensão da direita autoritária e oligárquica global. A administração de Netanyahu e a monarquia saudita de Israel, segundo ele, foram encorajadas em seus abusos pela intensificação do apoio americano preexistente de Trump. Sanders também criticou o governo Trump por expressar seu apoio, por meio de seu embaixador na Alemanha, a partidos de extrema direita em toda a Europa. Em seguida, ele estabeleceu conexões entre os líderes políticos desses partidos e os interesses endinheirados que podem ganhar com sua política econômica de direita, inclusive aqui nos EUA.

“Muitos desses líderes também estão profundamente ligados a uma rede de oligarcas multibilionários que vêem o mundo como seu brinquedo econômico”, disse ele, destacando que tanto os irmãos Koch quanto a família real saudita gastam muito em Washington, enquanto a família Mercer esbalda dinheiro em eleições tanto em casa como na Europa.

Mas Trump não causou essa podridão no sistema, insistiu Sanders. Ele é uma consequência disso.

Como outros da direita autoritária, ele subiu ao poder alimentando o ódio e a divisão que já era endêmica em uma sociedade estratificada e hipercompetitiva, e explorando redes corporativas bem estabelecidas que também antecediam sua carreira política.

Portanto, disse Sanders, 

para efetivamente opor-se ao autoritarismo de direita, não podemos simplesmente ficar na defensiva. Precisamos ser pró-ativos e entender que apenas defender o status quo falido das últimas décadas não é bom o suficiente. Na verdade, precisamos reconhecer que os desafios que enfrentamos hoje são um produto desse status quo.

A tarefa da esquerda americana não é simplesmente se opor a líderes e movimentos específicos de direita em todo o mundo, embora isso seja certamente necessário. E certamente não é demitir os líderes com uma política externa intervencionista liderada pelos EUA que forçará ainda mais a hegemonia americana. A tarefa é construir um movimento internacional próprio contra as elites capitalistas, contra os homens fortes autoritários, pelos direitos civis e liberdades, e “por um futuro em que as políticas públicas e novas tecnologias e inovações trabalhem para beneficiar todas as pessoas, não apenas as poucos”. Em resumo, pela democracia e pelo socialismo.

Nossa tarefa é lutar contra o poder corporativo em conjunto com trabalhadores de outros países. Isso significa construir laços através da luta com os trabalhadores do mundo inteiro lutando – como estamos aqui nos Estados Unidos – contra as corporações que estão destruindo o planeta; contra a corrupção política, incluindo a compra de eleições e supressão de eleitores; contra a extrema concentração de riqueza nas mãos do 1 por cento, enquanto o resto experimenta extrema pobreza ou, pelo menos, declínio dos padrões de vida; contra as políticas comerciais que aumentam os lucros das empresas e, ao mesmo tempo, devastam as vidas das pessoas que trabalham, aos milhões; e contra a aceitação do orçamento militar anual de US $ 1,7 trilhão do mundo, a maior parte dos quais dos Estados Unidos, que deveria ser redirecionado para fins pacíficos.

Sanders concluiu:

Enquanto o eixo autoritário está empenhado em derrubar uma ordem global pós-Segunda Guerra Mundial que eles vêem como limitando seu acesso ao poder e à riqueza, não é suficiente simplesmente defendermos essa ordem conforme ela existe. 
Devemos observar com honestidade como essa ordem não cumpriu muitas de suas promessas e como os autoritários exploraram habilmente esses fracassos a fim de obter apoio para sua agenda. Devemos aproveitar a oportunidade para reconceitualizar uma ordem global baseada na solidariedade humana, uma ordem que reconhece que cada pessoa neste planeta compartilha uma humanidade comum, que todos queremos que nossos filhos cresçam saudáveis, tenham uma boa educação, tenham empregos decentes. beba água limpa, respire ar puro e viva em paz. Nosso trabalho é alcançar aqueles em todos os cantos do mundo que compartilham esses valores e que estão lutando por um mundo melhor.

Um internacionalismo de esquerda popular é difícil, mas não é inatingível. É uma necessidade se tivermos alguma chance de assegurar paz e prosperidade para todas as pessoas, contra os interesses limitados da classe capitalista global. Afinal, as empresas não permitem que as fronteiras os detenham. Para combater a hegemonia corporativa, o movimento socialista democrático também não deveria.

9 de outubro de 2018

Ditadura e revisionismo

José Carlos Dias, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro, Pedro Dallari e Rosa Cardoso

Fala de Toffoli revela imensa ignorância histórica

Folha de S.Paulo

O presidente do STF, Dias Toffoli, em sessão solene no tribunal. Pedro Ladeira/Folhapress

Neste mês em que estamos ameaçados de a sociedade brasileira eleger um presidente apologista de todas as técnicas utilizadas pela ditadura no combate e desqualificação do opositor —tortura, fuzilamento, autorização para execuções arbitrárias e ilegais, discriminação das mulheres e homofobia—, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, aproveita-se de uma conferência sobre os 30 anos da Constituição de 1988 para dizer que o golpe, a ditadura, e o regime militar de 1964 foram apenas um movimento.

O revisionismo dessa interpretação vai além de tentar consolidar a ditadura de 1964 como experiência justificável em nossa história. O ministro, de fato, ratifica a negação dos crimes da ditadura que a democracia não conseguiu de todo desmontar.

Em 1979, o governo militar promulgou a Lei da Anistia, que concedia perdão (indulto) a militares envolvidos em violações aos direitos humanos anteriores àquela lei. Em virtude dessa lei, nenhum militar ou agente do Estado foi julgado ou condenado por seus crimes.

De certa forma, o presidente do Supremo manifesta-se pela total consagração da impunidade dos crimes da ditadura militar pelo Supremo, ao reconhecer como válida a autoanistia que os militares se concederam.

Essa confluência do presidente do Supremo com o negacionismo dos crimes da ditadura é reveladora de sua imensa ignorância sobre a história política do Brasil, massacrando a citação de um historiador e arguindo a autoridade, no caso inexistente, do atual ministro da Justiça.

Ao contrário do que Toffoli enunciou, é fato assentado documentalmente que de 1964 a 1985 prevaleceu no Brasil um regime de exceção que torturou, matou ou "fez desaparecer" milhares de pessoas —dentre elas, estudantes, militantes políticos e sindicalistas.

O ministro, pela ignorância crassa dos fatos, deve desculpas aos familiares dos assassinados, presos, torturados e desaparecidos. Mas essa ignorância ainda é mais grave porque revela um total desconhecimento do relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), escrito a partir dos depoimentos de centenas de vítimas e familiares, bem como do registro dos autores mais qualificados da historiografia nacional.

A CNV concluiu que a prática de detenções ilegais e arbitrárias não constituía "excessos" ou "abusos", mas sim resultou de uma política de Estado, com uma cadeia de comando que ia do general presidente até os Doi-Codis, os órgãos de inteligência e repressão subordinados às Forças Armadas.

Os chefes da tortura, como o coronel Ustra, tão exaltado pela extrema direita, eram lotados no gabinete do ministro do Exército.

Foram identificados 434 casos de mortes e desaparecimentos de pessoas sob a responsabilidade do Estado brasileiro durante o período de 1946-1988.

Em capítulo referente à autoria de graves violações de direitos humanos, enumeraram-se 377 agentes públicos envolvidos em distintos planos de participação: responsabilidade político-institucional, responsabilidade pelo controle e gestão de estruturas e procedimentos e responsabilidade pela autoria direta de condutas que materializaram as violações.

Uma onda autoritária se alastra desde o hemisfério norte, particularmente pela Europa —onde alguns partidos neofascistas e neonazistas integram as coalizões governamentais—, arriscando agora assolar o Brasil.

Esse revisionismo negacionista da ditadura de 1964 constrangedoramente vai ao encontro dessa onda.

Sobre os autores


Ex-integrantes da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

8 de outubro de 2018

Antissistema contra antiexploração

Ocasião favorece Bolsonaro; capacidade favorece Haddad

Alberto Carlos Almeida

Folha de S.Paulo

O segundo turno será uma disputa entre o candidato antissistema e o candidato antiexploração. Política é símbolo. Propostas e planos de governo não importam. O que vale é a visão que o eleitor tem de cada candidato.

Bolsonaro formou em torno de si a imagem do candidato que mudará para melhor tudo o que está aí. Fez questão de mostrar que está decidido, que tem pulso forte para fazer isso.

Ainda que tenha sido deputado por sete mandatos, teve a sua imagem pública absolvida pelo ministro aposentado do Supremo Joaquim Barbosa quanto ao envolvimento com corrupção. Eleitoralmente, isso vale muito mais do que uma proposta detalhada de reforma da Previdência.

Haddad tem em torno de si a imagem do candidato que irá restaurar direitos perdidos pelos trabalhadores, assim como aumentar a capacidade de consumo dos eleitores e o acesso a bens e serviços providos pelo governo e pelas empresas. Para isso, uma imagem com Lula vale mais do que mil palavras de um plano de governo.

Fica evidente que ser capaz de ganhar uma eleição é bem diferente do que ter a habilidade de governar. A democracia é esse sistema estranho que, por meio de eleições, seleciona quem nos governa por causa de sua imagem, por conta dos símbolos mobilizados por seu partido, seus aliados, sua fala, aparência e gestual. Parece um sistema falho, mas não é.

A conexão entre a capacidade de ganhar uma eleição e de governar é feita porque a eleição funciona como um teste de liderança. É possível que alguém vença sem passar nessa prova; isso ocorre muitas vezes com candidatos indicados por líderes fortes. É possível também que alguém que tire boas notas não vença a eleição. Porém, o mais comum é que o vencedor seja alguém que passou no teste de liderança com as notas mais elevadas. Maquiavel denominou isso de "virtù".

Liderar uma campanha testa o candidato em muitas habilidades. Ele tem a decisão última do que e como falar, monta a equipe junto com seu partido, escolhe os principais interlocutores. Enfim, cabe a ele tomar decisões variadas e manter a tropa unida em torno de seu nome.

Porém, isso não basta. Há aqueles grandes líderes que se prepararam a vida inteira para se tornarem presidentes. Todavia, disputaram várias eleições e perderam. Há, por outro lado, quem nunca se preparou para isso, até que a oportunidade surgiu e o levou ao cargo de mandatário máximo da nação.

Os seres humanos desprezam com frequência o enorme papel da sorte e do acaso —a fortuna de Maquiavel— quando explicam seu próprio sucesso. Se soubéssemos o que nos tornaria muito ricos, não estaríamos hoje trabalhando no que fazemos.

Convém ao líder político, portanto, estar preparado para aproveitar a ocasião quando ela se apresentar.

A ocasião favorece Bolsonaro. Já se vão quatro anos com cenas diárias na televisão de maços de dinheiro saindo de tubulação de esgoto e associando-se isso aos políticos. A política foi criminalizada. Até mesmo recursos legais para campanha foram considerados pagamento para votações no plenário da Câmara e do Senado. Se isso é crime, tudo o mais será.

Para mudar rumo ao paraíso, só mesmo alguém que admite ser do baixo clero, despreparado, consequentemente, para governar. Fomos convencidos de que todo o sistema está podre; então, que venha um líder forte e diretamente conectado com a massa, sem mediação de partidos, para mudá-lo.

A capacidade favorece Haddad. Treinado que foi na arte da política ao ocupar dois cargos executivos, tendo vultosos recursos financeiros a administrar, teve que negociar, ser intransigente e ceder, avançar e recuar, ouvir e encontrar o caminho de menor resistência. O teste de liderança exige mais de Haddad do que de Bolsonaro, uma vez que a ocasião parece ser menos favorável a ele do que ao líder sem partido.

No final, como em toda democracia, o eleitor decidirá quem governará o país nos próximos quatro anos —se a fortuna ou a "virtù".

Sobre o autor


Cientista político e autor de "A Cabeça do Brasileiro" (Record).

7 de outubro de 2018

Mercado, urna e democracia

É preciso combinar ajuste e estímulo na sequência correta

Nelson Barbosa

Folha de S.Paulo

Chegou o dia da votação, e a Folha me convidou para escrever sobre os desafios econômicos do próximo governo. É difícil falar de economia quando a continuação da democracia pode estar em votação, mas aceitei a tarefa.

As pesquisas mais recentes indicaram crescimento das intenções de voto na extrema direita, e o mercado financeiro respondeu com euforia. Alguns podem tomar isso como sinal de melhora econômica, mas a questão pode ser outra.

O mercado antecipou que, em um eventual governo ultraliberal que cogita "autogolpe", os direitos dos trabalhadores serão reduzidos, os salários crescerão menos do que a produtividade e, portanto, os lucros das empresas absorverão uma parcela maior da renda, mesmo que seja com lento crescimento da economia.

Como o preço das ações reflete o valor presente dos lucros esperados, o índice Ibovespa subiu.

Nesse cálculo o mercado não foi bom ou mau. O mercado foi pragmático, entendendo que a proposta da extrema direita aumenta o valor presente dos lucros em relação aos salários. Bom para uma pequena parcela da população, que vive de renda do capital. Provavelmente ruim para a maioria restante, que vive de salários, sobretudo se o crescimento continuar lento (vide euforia inicial com Macri e Argentina hoje).

Seria possível aumentar o valor presente de lucros e salários com mais crescimento e geração de empregos? Teoricamente sim, mas isso exige capacidade de coordenação, não de conflito. Este é o maior desafio para o próximo presidente.

Acabamos de sair de uma grande recessão, fruto de choques externos, erros internos e conflagração política. Vivemos a mais lenta recuperação após uma grande recessão devido à continuação da crise política, com intervenção judicial no funcionamento do governo e nas eleições. Para sair desse impasse com democracia será necessário construir consensos.

Nosso principal problema econômico é o alto desemprego. Há capacidade ociosa na economia e podemos crescer mais rapidamente com estabilidade da inflação. Para que isso aconteça, é preciso diminuir a incerteza econômica e insegurança jurídica que se abateram sobre o país desde 2013.

O reequilíbrio do Orçamento público é uma ação necessária, mas não suficiente, para recuperar o emprego. Também será preciso estimular o crescimento diretamente, via aumento do investimento público, mas isso só será possível mediante reformas fiscais estruturais, no gasto e na receita.

Só ajuste não funciona. Só estímulo também não funciona. É preciso combinar as duas coisas na sequência correta, daí a necessidade de coordenação e diálogo.

Do lado positivo, a inflação está sob controle, a taxa de juro real está baixa, o governo tem elevado estoque de reservas internacionais e o país tem baixo déficit em conta corrente com o resto do mundo. Há uma gama de investimentos represados, esperando mais previsibilidade econômica para se concretizarem. Se nos entendermos sobre a divisão da conta fiscal, o resto fluirá mais facilmente.

O problema fiscal é eminentemente interno, de coordenação entre o que queremos do Estado e o quanto estamos dispostos a pagar em impostos.

O Orçamento público é uma das formas de conflito distributivo na sociedade.

É normal existir divergências em uma democracia, sobretudo em uma sociedade tão desigual como a nossa, em que uma parcela da população paga mais ou se beneficia mais do que a outra em suas relações com o governo.

O que não é normal é querer resolver conflitos com "tiro, porrada e bomba", pois isso nega a própria democracia, além de piorar a situação econômica e social mais à frente, como comprova o fim da ditadura militar no Brasil (sim, foi ditadura) nos anos 1980.

A solução de nossos problemas está na "conversa, acordo e compromisso", como defendem quase todos os candidatos a presidente neste ano. Voto pela democracia e boa eleição para todos!

Sobre o autor


Doutor em economia e professor da FGV e da UnB; ex-ministro da Fazenda e do Planejamento (2015-2016, governo Dilma Rousseff).

6 de outubro de 2018

A virada repressiva do Syriza

O governo de Alexis Tsipras prometeu acabar com a austeridade. Agora está defendendo os bancos contra pessoas expulsas de suas casas - e perseguindo aqueles que protestam.

Stathis Kouvelakis e Costas Lapavitsas


O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, chega ao Conselho da União Européia para o primeiro dia da cúpula de líderes do Conselho Europeu em 22 de março de 2018 em Bruxelas, na Bélgica. Jack Taylor / Getty

Tradução / Muitos na esquerda internacional creem que as coisas na Grécia estariam melhorando devagar, e que o governo do Syriza ainda seria força de esquerda que protegeria os interesses de trabalhadores e dos pobres, mesmo nas difíceis condições atuais. Para os que ainda pensam assim, recentes desenvolvimentos no país serão terrível surpresa.

A amarga realidade é que, desde que se rendeu à Troika dos credores da Grécia (UE, Banco Central Europeu (BCE), FMI) em julho de 2015, Tsipras e seu governo têm seguido as mesmas políticas neoliberais radicais implementadas por todos os governos gregos desde 2010, quando foi assinado o primeiro acordo de resgate com a Troika.

O governo Tsipras promoveu cortes drásticos no gasto público, fez avançar a desregulação e estendeu as privatizações, além de arrochar salários, aposentadorias e benefícios sociais. Reduziu especialmente o investimento público, ao mesmo tempo em que elevou a níveis sem precedentes a taxação direta e indireta, o que feriu terrivelmente as famílias de renda média e baixa.

A única diferença em relação a governos anteriores é que Tsipras e seu partido foram eleitos em janeiro de 2015 precisamente para reverter essas políticas. Essa extraordinária virada no verão de 2015 — apenas dias depois de um referendo em que 61% do eleitorado rejeitou a imposição de ainda mais austeridade – foi choque traumático para o público grego. Nos três anos seguintes, o cinismo do governo Tsipras levou à desmoralização profunda que já contaminou todas as vias da vida pública. Passividade e desalento são os principais fatores que permitem ao governo implementar um novo resgate, já sem encontrar grande oposição.

O Syriza está pois prestando excelente serviço à Troika. Contudo, essas políticas de arrocho, desregulação e privatização, que agridem a maioria da população, são de fato impossíveis de implementar sem muita repressão e em contexto de coerção violenta. É impossível implantar todos os cortes nos serviços públicos, redução em pensões e em salários, aumentos de impostos, e condições de extraordinária exploração do trabalho, sem levantar oposição ativa e sem gerar medo do que possa acontecer a quem não se submeta.

É coisa já amplamente confirmada pela experiência política da Europa Ocidental, mas também dos EUA e de vários outros países nas últimas quatro décadas. De 2010 a 2015, a própria Grécia também assistiu a uma extraordinária proliferação de medidas repressivas e autoritárias, a cada novo governo e seus pacotes de resgate. Lentamente – e inevitavelmente – também o governo de Alexis Tsipras tomou o mesmo rumo.

Especialmente violento, nos últimos meses, é o modo como a pressão sobre os bancos gregos levou ao aumento no número de despejos e retomada de casas de moradia, pelos credores. Se um dia o Syriza levantou a bandeira do “nenhuma moradia na mão de bancos”, hoje já ataca furiosamente manifestantes que tentam fazer parar os leilões de moradias. Novas leis ameaçam de prisão os que interfiram no processo dos leilões – na verdade, já começaram as prisões políticas, de críticos do governo.

Apertando os parafusos


Para compreender a crescente importância política da batalha para deter os despejos das famílias, deve-se considerar a situação precária em que estão os bancos gregos, e a pressão que exercem sobre o governo e, de modo mais amplo, sobre toda a sociedade grega. De fato, foi precisamente para impedir mais um surto de instabilidade dos bancos, que o governo recorreu a métodos cada vez mais repressivos.

Ao longo da crise, o sistema bancário grego veio a ser dominado por quatro bancos “sistêmicos” que controlam mais de 90% de todos os depósitos e ativos. Esses bancos foram os maiores apoiadores das estratégias de resgate desde 2010 e usaram o enorme poder econômico e social que têm para forças sucessivos governos gregos, inclusive o do Syriza, a aceitar as exigências dos credores, para evitar colapso de bancos e para se autoproteger da possível nacionalização.

Desde o começo da crise, houve duas grandes recapitalizações dos bancos, uma das quais já em governo do Syriza. Os custos totais passaram de €45 bilhões. Tudo financiado inteiramente por empréstimos a serem pagos pelos contribuintes. Apesar dessa extraordinária imposição sobre os ombros do povo grego, os bancos mesmo assim mantêm o recorde europeu de “maus empréstimos” e efetivamente já pararam de apoiar ativamente a atividade econômica. Esses “maus empréstimos” incluem Non-Performing Loans (NPLs), mas também Non-Performing Equity (NPEs), categoria mais ampla, que inclui empréstimos que não se espera que sejam inteiramente honrados, mesmo que ainda não haja atraso formal nos pagamentos.

Reduzir a exposição dos bancos gregos a NPEs e NPLs há anos é alta prioridade para o Banco Central Europeu (BCE). Desde 2016, o governo Tsipras acedeu obedientemente, facilitando uma onda de retomada de imóveis, inclusive casas de moradia, além de vendas de pacotes de empréstimos a preços baixos a fundos abutres. Leilões de imóveis tiveram, nisso, papel importante.

Não há absolutamente mistério algum quanto ao fracasso dos bancos, que não conseguiram controlar esse problema, por razões que começam no próprio acordo de resgate que Tsipras assinou. Em resumo, os bancos gregos esperam limpar gradualmente seus balanços varrendo de lá os maus empréstimos mediante leilões, vendas e práticas violentas de retomada e despejo, processo que com certeza demorará vários anos. Ao mesmo tempo, espera-se que os bancos apoiem a atividade econômica com oferta de novos créditos. Mas, como seria de esperar, os bancos tenderam a reduzir os novos empréstimos, ao mesmo tempo em que tentam sanear os respectivos balanços. O corte nos novos empréstimos já fez gorar a retomada do crescimento, o que tornou o problema dos maus empréstimos ainda mais grave para a economia. O declínio geral nos empréstimos também significa que maus empréstimos passam a ter maior peso relativo no total. É exemplo perfeito do nonsense econômico que jaz no coração do resgate concebido por Tsipras.

O fracasso dos bancos gregos, em relação aos maus empréstimos levou a um colapso das respectivas ações na bolsa de valores de Atenas desde o início do verão de 2018, que virou queda livre mês passado. Com efeito, todo o setor bancário grego foi dramaticamente desvalorizado desde que Tsipras assinou o acordo de resgate. Resultado disso, ouvem-se crescentes rumores sobre a necessidade de nova rodada de recapitalização. Se acontecer, será total desastre para o governo, que enfrentará eleições nacionais em 2019.

Assim sendo, acelerar o programa de faxina de maus empréstimos passou para o topo da agenda da Troika, e de seus obedientes executores dentro do governo de Tsipras. E dado que o problema parece ser mais persistente entre empréstimo para compra de imóveis e para o consumo, fixou-se meta muito ambiciosa para retomada de imóveis e leilão, que passou, de 8-10 mil imóveis para 2018, para 50 mil em 2019.

Repressão aos atos de protesto


Desde a meia-volta do Syriza, a questão da retomada de moradias tornou-se o mais espinhoso problema político para Tsipras e seu partido. Até 2015 o slogan “nenhum lar entregue aos bancos” era o grito que mais se ouvia nos comícios do Syriza. Mas ante as pressões geradas pelo resgate que ele próprio inventou, o governo de Tsipras aprovou leis para punir qualquer ação que vise a impedir leilões de moradias de famílias endividadas, com penas que variam de três a seis meses de prisão.

Assim se formou o cenário para terrível batalha entre o governo e um movimento muito ativo que se pôs contra os leilões de propriedades executadas pelos bancos. Esse movimento, na verdade, ganhou novo ímpeto depois que os leilões recomeçaram no outono de 2016. Durante muitos meses, a mobilização de grupos de ativistas determinados, presentes em locais de julgamento dos casos de retomada de imóveis já conseguiu cancelar centenas desses leilões, o que conseguiu desacelerar significativamente o processo. Essa sem dúvida é uma das causas de os bancos não terem conseguido cumprir as próprias metas.

A reação do governo, ao se curvar à pressão da Troika, foi transferir o procedimento dos leilões, depois do verão de 2017, para uma plataforma eletrônica ativada pelos leiloeiros de dentro de seus escritórios, com portas fechada, em vez de manter os leilões públicos. Claro que, com isso, ficou mais difícil organizar os protestos nos locais dos leilões. Mesmo assim, continuaram os protestos, embora em menor escala, a impedir vários leilões, com considerável impacto negativo sobre a disposição dos leiloeiros para participar do processo.

Durante esse período começaram a se intensificar os confrontos com a Polícia, na entrada dos prédios dos escritórios dos leiloeiros. Durante os protestos, ativistas foram filmados e formalmente acusados de praticar atos de agitação social. Desde o início do ano, dúzias de ativistas enfrentaram acusações formais feitas pela Polícia. Dentre esses, Elias Smilios, conselheiro municipal na região de Ambelokipi-Menemeni, na cidade de Thessaloniki, a segunda maior cidade da Grécia, e também membro da Antarsya, uma coalizão de organizações de extrema esquerda. Na pequena cidade provincial de Volos, nada menos de 20 ativistas estão sendo investigados, além de outros 15 nas cidades de Argos e Nafplio. Três ativistas começaram a ser julgados em Atenas, dia 21 de setembro.

A intensificação da repressão judicial relacionada a leilões de casas de moradia é apenas a instância mais óbvia das práticas autoritárias às quais o governo de Tsipras tem recorrido. A repressão judicial também está sendo usada contra os que tentam defender o meio ambiente, como no caso da repressão policial contra manifestantes que protestavam contra o projeto de mineração a céu aberto operado por uma empresa do Canadá em Skouries, norte da Grécia. Mais amplamente, o governo usou força direta para suprimir todos os protestos contra suas políticas, especialmente quando há possibilidade de o movimento disseminar-se. O uso da Polícia antitumultos contra aposentados é apenas o exemplo mais repugnante. Por fim, há relatos frequentes de funcionários públicos, inclusive policiais, mobilizados para fazer cumprir as políticas do governo no setor de eletricidade e outros. Começa a emergir um padrão bem claro, pelo qual o governo confia nos mecanismos de repressão do “estado profundo” para defender as duras realidades criadas pelo ‘resgate’ dos bancos concebido por Tsipras.

Lafazanis


Um limite simbólico na escalada da repressão foi derrubado dia 26 de setembro, quando Panagiotis Lafazanis, veterano resistente da esquerda radical grega foi acusado de participar em movimentos de agitação nas ações semanais de protesto contra os leilões de imóveis de moradia.

Lafazanis foi ministro de Energia do governo do Syriza antes da meia volta para trás, e principal figura da “Plataforma de Esquerda,” que naquele momento mobilizava a maior parte da ala esquerda do Syriza. Hoje é secretário da Unidade Popular, uma frente política criada no verão de 2015 principalmente pelas forças da Plataforma de Esquerda que se separaram do Syriza e foram acompanhadas por várias outras organizações da esquerda radical.

É a primeira vez desde a derrubada da ditadura nos anos 1970 — quando Lafazanis foi perseguido por atividade clandestina no movimento estudantil e na organização da juventude do então ilegal Partido Comunista – que um líder de partido de esquerda é outra vez processado por atividade política. Está sendo acusado de infringir nada menos que 15 artigos do Código Penal, com penas que podem chegar a dois anos de prisão. Se for considerado culpado em todas as acusações, a sentença pode chegar a nove anos.

Também notável é que os procedimentos acusatórios partiram do “Departamento para Proteção do Estado e da Ordem Política Democrática” – braço especial dos Serviços de Segurança da Grécia, encarregado de atividades de terrorismo ou outras que se entende que ameacem a democracia. O departamento foi criado em 2000, no tempo de uma onda de “modernização” na Grécia, quando o país preparava-se para se integrar à União Monetária Europeia, e foi reforçado em 2011, depois de o país entrar no regime de ‘resgate’ dos bancos. Sempre operou sistematicamente como agência para monitorar protestos de rua, e, no governo do Syriza teve as suas funções ampliadas para atividades de vigilância mais ampla. Notável que, desde que foi criado, o departamento jamais agiu contra o Partido Alvorada Dourada, nem qualquer outro partido da extrema direita ou organização terrorista.

Lafazanis não é o único ativista visado pelo departamento. Quatro outros, dentre os quais um membro da Unidade Popular e duas conhecidas figuras da rede “Não Pago”,” Leonidas e Elias Papadopoulos, também foram acusados de longa lista de crimes. Já se sabe também que Lafazanis foi seguido e mantido sob vigilância por uma equipe de policiais disfarçados de jornalistas que filmavam as ações de protesto. Esse material foi complementado por fotos e vídeo que o Departamento requisitou das empresas de TV. Mensagens de Facebook também foram usadas para identificar ativistas em várias ações de protesto.

E agora? O que virá?


A maré montante dos processos judiciais forçou a mídia-empresa grega a dar alguma atenção à escalada da repressão pelo Estado. Também provocou alguma reação pública, inclusive um questionamento encaminhado ao Ministro da Justiça por 43 Parlamentares do Syriza. Na verdade, essas reações ganharam impulso com os desenvolvimentos muito graves que se veem nos intestinos do Estado grego sob governo do Syriza, e os Parlamentares tentam salvar o que ainda reste da postura moral da coalizão governante. Contudo, a posição oficial do governo é que a questão pertence inteiramente ao âmbito do Judiciário e da Polícia, sem nada a ver com decisões políticas.

Seja como for, fato é que a iniciativa para as acusações e processos não partiu do Judiciário, mas do “estado profundo”, a saber, do “Departamento para Proteção do Estado e da Ordem Política Democrática”, submetido ao Ministro da Ordem Pública. Não há como escapar da evidência de que o governo do Syriza está envolvido e é cúmplice, envolvimento e cumplicidades que são diretamente relacionados ao terceiro ‘resgate’ e à mais recente outra crise dos bancos gregos.

Não há resgate neoliberal de bancos sem repressão contra a população. O governo do Syriza não escapa a essa regra. A democracia grega já foi duramente ferida até aqui, e as coisas devem tornar-se ainda mais graves nos próximos meses, conforme se aproximem as eleições e os problemas dos bancos muito provavelmente virem o centro das atenções. O desastre econômico e social causado pela capitulação de Tsipras já é perfeitamente visível para camadas cada vez mais amplas do eleitorado, e os sentimentos de frustração alastram-se.

Dado que este governo já vendeu sua alma ao comprometer-se com os credores, não terá remorso em aumentar a repressão contra todos aqueles que se opõem a ela. Toda a solidariedade internacional é urgentemente necessária para deter essa perigosa deriva na Grécia. Rapidamente se vai configurando a necessidade imperiosa de defender a democracia grega.

Sobre os autores


Stathis Kouvelakis leciona Teoria Política no King’s College em Londres. Foi membro do Comitê Central do Syriza.

Costas Lapavitsas leciona Economia na SOAS. Foi deputado eleito ao Parlamento grego.

4 de outubro de 2018

O efeito Bolsonaro

O que significa um simpatizante fascista de extrema direita ser um dos principais candidatos às eleições presidenciais no Brasil neste domingo?

Rosana Pinheiro-Machado e Lucia Mury Scalco

Jacobin

Um vendedor ambulante vendendo bugigangas anti-Lula em um comício para Jair Bolsonaro em 30 de setembro de 2018. Jacobin / Flickr

Jair Bolsonaro é um nome inevitável na política brasileira hoje em dia. De fato, tem sido por alguns anos. Poucos dias antes do dia das eleições, em 7 de outubro, as pesquisas mais recentes indicam que Bolsonaro é agora o principal candidato na corrida presidencial, seguido por Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT).

A linguagem política de Bolsonaro é o ódio. Ele freqüentemente pede a aniquilação da esquerda. Poucos dias depois de falar em matar os partidários do PT com uma metralhadora em um comício de campanha, um homem o esfaqueou no estômago. À medida que a situação no Brasil aumenta, e a possibilidade de Bolsonaro se tornar presidente aumenta, é importante entender mais sobre o candidato da extrema-direita.

O "voto de protesto"

Jair Bolsonaro é um ex-oficial militar do pequeno Partido Social Liberal (PSL) e agora serve como deputado federal. Ele é um político de extrema direita que combina posições econômicas liberais com declarações inflamadas contra os direitos humanos. Ele é anticomunista e apologista do uso da tortura pela ditadura. Seu lema de segurança pública é “bandido bom é bandido morto”. Quando se trata de economia, ele se dirige ao economista neoliberal Paulo Guedes, a quem escolheu para comandar  a política econômica em um governo de Bolsonaro.

Embora o estereotipado eleitor de Bolsonaro seja sexista, racista e alinhado com a política de extrema-direita, nem sempre é esse o caso. Para muitos, votar em Bolsonaro significa uma renovação da esperança e da energia política. Alguns até chamam isso de "revolucionário" ou "voto de protesto". Nossa pesquisa mostra uma surpreendente diversidade de pessoas e ideologia entre sua base de eleitores.

Recentemente, estávamos discutindo política com um grupo de jovens em um restaurante na periferia empobrecida de Porto Alegre, no sul do Brasil. Dois garçons interromperam a conversa para declarar espontaneamente seu voto a Bolsonaro. Dois outros homens da mesa ao lado pularam na conversa para gritar com orgulho “eu também!” Em questão de segundos, outros estavam entrando na conversa, dizendo com entusiasmo que pela primeira vez poderiam apoiar a campanha de um candidato baseada na “fé”, “amor” e “esperança”, em vez de em troca de dinheiro ou empregos - uma prática padrão na política clientelista ainda predominante em muitas partes do Brasil.

Os eleitores americanos estão familiarizados com as razões que fazem os políticos como Bolsonaro um fenômeno. Como Donald Trump, ele emprega o ódio como mobilizador político e até mesmo incita a violência diretamente contra seus concorrentes políticos. Ele também, como Trump, é hábil em fingir ser um outsider anti-establishment.

No entanto, Bolsonaro não é de modo algum novo no cenário político. Ele é um congressista desde 1991, junto com seu irmão e filhos. Passou a maior parte de sua carreira política no Partido Progressista (PP), do qual o ex-governador de São Paulo Paulo Maluf é uma figura chave. Maluf é o arquétipo do político brasileiro corrupto, incorporando o famoso slogan “rouba mas faz”.

Apesar de sua história e associações, Bolsonaro tem sido amplamente visto como uma novidade nesta eleição, um candidato sinônimo de renovação e honestidade. Embora ele tenha acumulado privilégios políticos e tenha se aproveitado deles, ainda não há escândalos significativos de corrupção pairando sobre ele. Sua formação militar e a promessa de disciplina e ordem são atraentes em meio ao clima político caótico. E depois do golpe suave que tirou do poder a presidente do PT, Dilma Rousseff, seus pedidos de intervenção militar não são mais tabus.

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) costumava desfrutar da hegemonia da direita como a principal oposição do Partido dos Trabalhadores. O PSDB tentou retardar a ascensão de Bolsonaro afirmando ser o verdadeiro garantidor da eficiência e do bem-estar da classe empresarial. No entanto, seu candidato, Geraldo Alckmin, continua atrás de seu colega de extrema-direita.

O caráter de extrema-direita de Bolsonaro é mais evidente quando ele está agitando contra os direitos humanos básicos. Quando ele votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016, ele o fez em homenagem à memória do general Carlos Brilhante Ustra. Ustra é conhecido como um dos torturadores mais cruéis da era da ditadura no Brasil. Ele ordenou a tortura de Dilma Rousseff quando ela foi presa como uma militante anti-ditadura em sua juventude, e ficou notório por inventar técnicas horripilantes de tortura, como inserir ratos nas vaginas das mulheres.

Tais controvérsias fazem parte da estratégia de Bolsonaro para permanecer no centro das atenções. Quando um jornalista o confrontou sobre suas opiniões inflamadas, ele simplesmente riu. "O ponto é esquecer esses pequenos deslizes do passado e focar no futuro", disse ele no conhecido programa de entrevistas Roda Viva. Em uma greve, ele pode atacar a grande mídia e dizer algo significativo para os brasileiros desesperados por uma mudança de curso.

Bolsonaro sabe aproveitar as mídias sociais e sua capacidade de disseminar informações falsas. Ele acumulou 6,6 milhões de seguidores no Facebook (um milhão apenas nas últimas três semanas), comparado aos 3,5 milhões de Lula e aos seiscentos mil e duzentos de Haddad. Ele é visto como "engraçado", "autêntico" e é admirado por "dizer o que pensa", encorajando outros a expressarem seus preconceitos também. Sua campanha on-line é uma máquina de notícias falsas, rumores e difamação. Uma análise recente fornecida pelo Monitor de Debates Políticos mostra que 80% de seu conteúdo on-line está focado em atacar a ala esquerda, o feminismo e o gigantesco conglomerado de TV Globo.

Tudo o que ele diz é transformado em memes virais. Bolsonaro não é apenas um fenômeno da Internet. De fato, sem Lula na disputa, ele ocupou o primeiro lugar em todas as pesquisas presidenciais, com 31% das intenções dos eleitores, de acordo com a última pesquisa do Ibope. Lula está preso e impossibilitado de disputar, com seu sucessor Fernando Haddad assumindo seu lugar como candidato do PT. Mais importante do que as pesquisas, no entanto, é a legião de fãs que Bolsonaro acumulou, que lotam aeroportos, cantam e choram quando ele chega a qualquer cidade.

A narrativa odiosa e misógina de Bolsonaro é mais bem sucedida em atrair homens, que compõem dois terços de seus eleitores em potencial. Essa estratégia, no entanto, levou à sua esmagadora rejeição entre as mulheres. Pesquisas recentes sugerem que cerca de 50% das mulheres "nunca votariam nele". É a mais feroz discrepância de gênero nos últimos vinte e quatro anos da democracia brasileira.

Nossa pesquisa também identificou uma forte afinidade por Bolsonaro entre os jovens eleitores. Figuras conservadoras e autoritárias são geralmente associadas à nostalgia de um passado perdido. Mas para muitos jovens brasileiros, Bolsonaro representa o oposto: uma mudança radical, uma saída para as crises atuais e a possibilidade de um futuro melhor. Muitos eleitores declararam que vêem o PT e o PSDB amigável aos negócios como mais do mesmo. Isso se deve tanto à fragmentação da direita quanto ao forte sentimento anti-PT, impulsionado pela percepção da associação do partido com a corrupção.

Da esperança ao ódio

Bolsonaro ganhou muita força ao discutir a violência urbana. Nos arredores das grandes cidades brasileiras, espaços coletivos onde as pessoas poderiam discutir problemas comunitários estão ausentes. As pessoas sabem que, independentemente de representarem a esquerda ou a direita do espectro, os políticos só aparecerão nas suas comunidades durante as eleições, oferecendo cerca de vinte dólares para as pessoas distribuírem panfletos.

Bolsonaro rapidamente ganhou popularidade em meio a esse vácuo democrático oferecendo soluções punitivas, abraçando descaradamente o ditado popular de que "bandido bom é bandido morto". Ele promete soluções simplistas para problemas complexos, como a adoção de políticas que permitam o armamento da população em geral, aumento das penas no código penal, e castração química de estupradores.

O bolsonarismo também faz parte de uma reação social mais ampla contra os direitos das mulheres. As manifestações em massa de junho de 2013 constituíram um marco na política brasileira, marcada pelo surgimento e proliferação de grupos feministas autônomos, queer e anti-racistas, especialmente entre os jovens. Em 2016, adolescentes de baixa renda ocuparam escolas secundárias públicas em todo o país. Meninas adolescentes foram as principais protagonistas deste movimento, dando origem ao agora famoso slogan lute como uma garota.

Por outro lado, os rapazes que procuram Bolsonaro o chamam de “mito” ou “lenda”. Ele se tornou um símbolo da autoridade masculina.

Este cenário levou muitos, incluindo a esquerda, a identificar todos os partidários de Bolsonaro como homens ultraconservadores. No entanto, com base em nossa pesquisa, além do fato de que a maioria de seus apoiadores serem de fato homens, ainda precisamos identificar qualquer outro padrão discernível. Há jovens e idosos, trabalhadores formais e informais, cantores de funk, protestantes, católicos e assim por diante. Em suma, eles não são os "fascistas" que os retratos da mídia social fizeram deles.

É claro que o esteriótipo do homem racista, misógino, homofóbico e raivoso aparece entre as fileiras de Bolsonaro. Mas ele não é de modo algum a regra. Muitos partidários acham Bolsonaro excessivamente extremo ou muito misógino, mas estão convencidos de que não há outra alternativa. Já encontramos pessoas que votariam em Lula se ele estivesse livre, mas recorrem a Bolsonaro como seu plano B. Em ambos os casos, esses eleitores não estão necessariamente julgando os candidatos pelo quão de direita ou de esquerda são. Em vez disso, eles estão procurando por um salvador nacional.

Muitos apoiadores de Bolsonaro são inegavelmente conduzidos por preconceitos de gênero, sexual e racial. Mas não podemos descartar o peso pesado da estabilidade econômica como um fator que impulsiona sua popularidade. O crescimento econômico brasileiro despencou de 7,5% em 2010 para -3,77% em 2015, exacerbando uma crise política e institucional que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

A administração de Michel Temer estabeleceu uma intensa agenda de austeridade neoliberal, priorizando cortes na educação e saúde públicas. Esse cenário cria uma mistura complexa, embora ainda pouco clara, de fatores econômicos, políticos e sociais que impulsionam o efeito Bolsonaro.

Nos últimos dez anos, o Brasil passou por um ciclo que chamamos “da esperança ao ódio”. 2010 foi o auge do lulismo, marcado pelo crescimento econômico amplamente baseado no consumo interno e na inclusão financeira. As políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, estimularam o consumo e um senso de autoestima individual entre os mais pobres.

Enquanto o lulismo trouxe melhorias sociais dramáticas, ele também sistematicamente desmobilizou sua base para sustentar as contradições políticas do seu período no governo. O PT pagou um alto preço por isso. A partir de 2014, a economia piorou e a população se tornou cada vez mais endividada à medida que o desemprego cresce e os bens e serviços públicos são atacados. Sob os cortes de Temer na rede de segurança social, a qualidade de vida diminuiu drasticamente.

Os protestos de junho de 2013 inauguraram um período de instabilidade política, que, combinado à crise econômica, abriu a janela para a ofensiva da direita contra o PT. Esse processo acabou no impeachment de Dilma alguns anos depois. Desde então, os sistemas políticos e judiciários tornaram-se desonestos e a vida cotidiana das pessoas se deteriorou.

A reação do senso comum, graças à profunda desconfiança em relação aos políticos, tem sido culpar a corrupção, e não da economia neoliberal ou da economia subdesenvolvida do Brasil. Bolsonaro e sua narrativa autoritária ganharam espaço precisamente em meio a esse limbo nacional e à sensação de caos. Pesquisas mostram que desde o impeachment e o escândalo de corrupção que afetou o ex-candidato do PSDB, Aécio Neves, em maio de 2017, as intenções de voto de Bolsonaro saltaram de 8% para 31%. Ele ganhou terreno com algumas pessoas que se decepcionaram com o PT. Mas principalmente o aumento foi encontrado entre os eleitores de direita que mudaram suas lealdades partidárias. O efeito Bolsonaro é a reorganização e radicalização dos polos ideológicos na sociedade brasileira.

Por empregar freqüentemente a expressão “isso é uma pouca vergonha”, Bolsonaro se apresenta como um homem honesto que está ansioso para resolver, através da disciplina militar, todas essas questões estruturais nacionais complexas. Essa linha de raciocínio impulsionou os protestos contra Dilma Rousseff em 2015-16, ajudando a polarizar os que se enfureceram com os escândalos de corrupção em apoio a Bolsonaro e contra a esquerda.

Reorganizando a esquerda

O fenômeno do bolsonarismo vai além de um único candidato: representa o surgimento de um zeitgeist conservador em um tempo de profunda transformação social, política e econômica. Todas as análises de hoje prevêem que o segundo turno da corrida presidencial será altamente polarizada, com Bolsonaro e Haddad enfrentando altas taxas de rejeição. Independentemente do resultado, o Brasil passará por mais alguns anos de instabilidade política.

Os desafios para a esquerda são enormes. Em primeiro lugar, é preciso admitir os problemas do modelo de desenvolvimento lulista, que resultou na desmobilização da base popular do PT e deslocou a ênfase da esquerda dos direitos sociais coletivos para a inclusão financeira individual.

É também crucial reavaliar as alianças políticas que foram forjadas por Lula e Dilma Rousseff em nome da governabilidade. A popularidade de Lula reflete seu carisma individual e sua associação com os bons tempos econômicos, mais do que a lealdade generalizada ao PT ou à esquerda.

A esquerda, já fragmentada no Brasil, sofreu grandes perdas após o impeachment de Rousseff em junho de 2016. A maioria das organizações não conseguiu criar novos líderes credíveis, e o PT se concentrou quase exclusivamente em denunciar o golpe suave e o crescimento do fascismo. Essa postura antifascista é, obviamente, crucial. No entanto, a falta de um programa positivo pode criar um vácuo político. A esquerda precisa primeiro construir uma agenda política nova e radical que permita um diálogo com as pessoas e suas preocupações e, em segundo lugar, seja capaz de abordar e mobilizar a base popular.

Em relação à primeira questão, a ascensão do bolsonarismo tornou claro que a falta de segurança nas áreas urbanas e a corrupção são questões fundamentais a serem abordadas na agenda política. Isso requer linguagem simples, mas não simplista, que possa atingir os cidadãos comuns. Os grandes partidos de esquerda, paralisados pela polarização que define as redes sociais brasileiras, negligenciaram esses assuntos, permitindo que a direita se apropriasse cinicamente deles.

A segunda questão é um pouco mais complexa, pois exige o abandono de um modo hierárquico ultrapassado de fazer política, abraçando novos atores políticos, às vezes imprevisíveis. Esse é o caso dos novos movimentos juvenis que demandam políticas descentralizadas e diversidade social em épocas em que os encontros políticos de esquerda permanecem anacronicamente o domínio dos homens brancos.

Este é também o caso das novas mobilizações precárias, que funcionam de maneira ambígua, às vezes denunciando o sistema político, às vezes solicitando intervenção militar. Na recente greve dos caminhoneiros que paralisou o país, a reação do PT foi criticar o movimento como um bloqueio liderado por grupos autoritários. Em tempos de uberização e automatização, essa postura é altamente arriscada. Bolsonaro, por outro lado, visitou a greve e declarou seu apoio aos motoristas. Sua atitude forneceu uma lição básica à esquerda: os trabalhadores devem ser apoiados, uma vez que a consciência de classe exige investimento político.

Desde 2013, o que temos visto é uma esquerda paralisada que rejeita todos os grupos que ela não consegue entender nem lidar. Este é um erro estratégico. O bolsonarismo nos mostra como a frustração radical sobre o sistema pode ser aproveitada para ganhos políticos. Ativistas de esquerda devem entender e abraçar essa insatisfação, agindo através das lacunas das contradições do capitalismo, ao mesmo tempo em que oferece uma agenda radical alternativa que faz sentido para os cidadãos comuns.

Em meio a esse cenário pessimista, parece que a reorganização radical da esquerda pode emergir do movimento feminista. Foram os esforços de organização das mulheres que ajudaram a remover Eduardo Cunha, o presidente corrupto da Câmara dos Deputados que orquestrou o impeachment. Militantes feministas também são as líderes por trás do movimento # elenão, que pressiona por uma aliança nacional contra o Bolsonaro. Elas estão conseguindo fomentar uma frente antifascista no Brasil da maneira que os partidos de esquerda falaram, mas não conseguiram produzir. No último sábado, milhões de mulheres e outras minorias tomaram as ruas e marcharam contra o fascismo. Esse movimento de base sem precedentes e extraordinário, espalhado por todo o tecido social, on-line e off-line, transcende a fragmentação da esquerda e tem o potencial de reorganizar o campo nos turbulentos anos vindouros.

Tréplica: Há diferentes visões e um passado no setor financeiro

O que interessa é que um dos maiores problemas do Brasil é a injusta distribuição de renda

Paulo Feldmann e Marcio Pochmann

Folha de S.Paulo

Fila sob o Viaduto do Chá, no centro de São Paulo, para o segundo mutirão do emprego; sindicato calculou 5.500 candidatos. Rivaldo Gomes/Folhapress

O economista Alexandre Schwartsman resolveu nos atacar, mas não achamos razoável cansar o leitor com xingamentos ou desqualificações porque não é assim que se debate.

Por mais que os temas econômicos devam ser tratados de forma técnica ou científica quando possível, é inegável que economistas têm visões de mundo diferentes.

E essa é a grande diferença que temos em relação a Alexandre Schwartsman. Por isso não vamos nos ater às estatísticas por ele citadas para saber se o desemprego em maio de 2016 era de 11% ou de 10,9%, pois apenas cansaria o leitor.

O que interessa é que, para nós, um dos maiores problemas econômicos do Brasil é a injusta distribuição de renda que nos coloca na lista dos dez piores países do mundo ao lado de oito países africanos bem pobres.

Esse é o problema principal que precisa ser atacado e nada melhor do que alterando a nossa estrutura tributária.

Nossa visão é que existem rendimentos altamente concentrados na mão de muitos poucos, que, se taxados devidamente, poderiam contribuir para atenuar o déficit fiscal estimado em R$ 160 bilhões neste ano.

Ou seja, a chave para o Brasil voltar a crescer está em promover mudanças no nosso injusto sistema de Imposto de Renda.

No artigo anterior, Alexandre nos critica porque propomos cobrar mais impostos de apenas 0,14% da população brasileira, justamente aquela que tem rendimentos mensais acima de R$ 160 mil por mês.

Alexandre, por favor, nos responda sem ódio e sem agressão: onde está o erro em querer taxar tão poucos, em benefício da quase totalidade da população brasileira?

Mas há outras mudanças no Imposto de Renda que poderiam ser feitas.

Considere-se o lucro dos bancos no Brasil. A estimativa é que neste ano ele atinja R$ 100 bilhões.

Ao contrário de outros países onde há um grande número de bancos competindo entre si, no Brasil não apenas o lucro é muito mais alto mas está concentrado em apenas quatro bancos.

A própria revista The Economist questionou o descalabro do lucro dos bancos no Brasil em 2017. E, apesar de o país estar em crise profunda, os bancos continuam aumentando os seus ganhos a cada ano.

Não deveria haver um imposto especial sobre o lucro para que os bancos dessem sua contribuição? Há países que fizeram isso —por exemplo, a Hungria em 2011— e se deram muito bem. Conseguiram zerar seu déficit fiscal.

Claro que Alexandre não vai concordar, mas é aí que dissemos que há diferentes visões de mundo por parte dos economistas.

Alexandre tem todo um passado ligado ao setor financeiro, tendo sido diretor do Banco Central. Por essa visão taxas de juros devem ser altas para combater a inflação.

É por esse falso argumento que faz mais de 20 anos que estamos entre os países que praticam as mais altas taxas de juros no mundo.

Apenas no Brasil, por que não há hoje nenhum país sério que ainda acredite nessa história.

Enfim, nosso objetivo foi aproveitar esta oportunidade que a Folha nos dá para expor ao leitor que existem, sim, alternativas, relativamente fáceis, para debelar a crise fiscal que nos assola.

Mas o que se faz necessário é coragem para enfrentar justamente os mais poderosos, que, por sinal e felizmente, são poucos.

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