8 de julho de 2026

O setor privado pode salvar o Vietnã?

Por que o Partido Comunista quer que as empresas prosperem

Edmund J. Malesky e Viktoria Zlomanova

Foreign Affairs


A cada cinco anos, em meio a bandeiras vermelhas, cerimônias coreografadas e discursos grandiosos de seu congresso partidário, o Partido Comunista do Vietnã divulga dois documentos oficiais de diretrizes: um relatório político e um plano de desenvolvimento socioeconômico. Embora permeados pela retórica do partido, esses textos são mais do que declarações ideológicas; eles definem a agenda de governo para o próximo ciclo político de cinco anos. Em um sistema onde a política formal é opaca, esses documentos oferecem a visão mais clara das intenções da liderança.

Os documentos mais recentes, divulgados no congresso do partido em janeiro, revelam que o Vietnã está seguindo uma nova direção. O partido está transformando o modelo político que regeu o país nas últimas quatro décadas. Os documentos para o período até 2026 ampliam o papel direto do partido na gestão dos assuntos nacionais, ao mesmo tempo em que abraçam o setor privado e deixam as empresas estatais em segundo plano. Os líderes vietnamitas apostam que o país precisa de um novo plano de crescimento — que combine controle político centralizado com desenvolvimento liderado pelo setor privado — na esperança de alcançar a ambiciosa meta de crescimento anual de 10% do PIB.

Essa reorientação ocorre em um momento delicado para o Vietnã e para o Partido Comunista governante. Desde o início das reformas de mercado no final da década de 1980, o Vietnã tem dependido de uma combinação de pequenas empresas privadas, que fabricam produtos de baixo custo principalmente para o mercado interno; corporações multinacionais, responsáveis ​​pela maior parte das exportações do país; e grandes empresas estatais, que, embora economicamente ineficientes, são utilizadas pelo partido para redistribuir recursos às regiões mais pobres. Esse modelo híbrido elevou a renda, reduziu a pobreza e integrou a indústria vietnamita às cadeias de suprimentos globais. No entanto, à medida que o Vietnã emergiu da pandemia de COVID-19 em 2021, as limitações desse arranjo tornaram-se cada vez mais evidentes. As empresas estatais não conseguiram alcançar competitividade global, e as empresas privadas careciam de capital para expandir operações, investir em tecnologia ou competir no exterior. Isso deixou o Vietnã dependente de corporações multinacionais. Surgiu, então, um consenso entre a liderança do país de que o modelo econômico vigente não seria mais capaz de sustentar um crescimento acelerado e distribuir seus benefícios.

Os formuladores de políticas experimentaram medidas pontuais para enfrentar essas fragilidades. Eles tentaram reestruturar as empresas estatais para torná-las mais competitivas, melhorar o ambiente de negócios simplificando regulamentações e aprofundar os mercados de capitais por meio do desenvolvimento do mercado de títulos corporativos e das bolsas de valores. No entanto, essas reformas estagnaram repetidamente. Poderosos interesses burocráticos e provinciais retardaram a implementação, pois se beneficiavam do papel que as empresas estatais desempenhavam na economia do Vietnã — e acreditavam nele.

Quando To Lam assumiu o cargo de secretário-geral do Partido Comunista em 2024, muitos observadores temiam que isso significasse o fim das tentativas do Vietnã de realizar reformas econômicas. Esperava-se que Lam, que anteriormente chefiava o Ministério da Segurança Pública, priorizasse objetivos de segurança nacional em detrimento de metas econômicas. Esses receios pareceram justificados quando Lam começou a consolidar seu poder e autoridade. Ele também se beneficiou de mudanças institucionais em curso que fortaleceram o controle do partido sobre a governança, bem como de uma campanha anticorrupção que enfraqueceu rivais políticos e suas redes de clientelismo. Em um período de 18 meses, Lam tornou-se o líder vietnamita mais poderoso das últimas quatro décadas.

No entanto, como ficou evidente no congresso do partido deste ano, Lam está utilizando seu poder recém-adquirido de maneiras inesperadas. A liderança do Vietnã está se posicionando para impulsionar uma transformação econômica que promova o setor privado e reduza o papel das empresas estatais — uma mudança drástica em relação à abordagem de crescimento adotada pelo país no passado. Trata-se de uma aposta ousada e arriscada, capaz tanto de liberar o potencial latente do país quanto de deixá-lo exposto aos riscos de degradação interna que afetaram muitos regimes políticos altamente centralizados em outras partes do mundo. Diante de um cenário de comércio global cada vez mais incerto, o Vietnã aposta que uma nova forma de capitalismo liderado pelo partido guiará o país rumo ao futuro.

O ARTÍFICE DO PODER

Durante grande parte do período pós-Guerra Fria, o Vietnã manteve um sistema de liderança coletiva concebido para impedir que qualquer político dominasse o Estado. O Vietnã dividia a autoridade política entre quatro pilares: o secretário-geral do Partido Comunista, o presidente, o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia Nacional. O poder também era distribuído entre interesses regionais por meio de blocos de votação no Comitê Central do partido — seu órgão decisório mais importante —, no qual as províncias detinham quase metade das cadeiras. Esse sistema frequentemente avançava de forma lenta, mas provou ser muito estável.

O sistema de liderança coletiva foi severamente enfraquecido. Lam chegou ao congresso do partido em janeiro em uma posição dominante, resultado de uma consolidação ocorrida desde que assumiu o cargo e de tendências mais amplas na política vietnamita ao longo da última década. Em 2016, o partido lançou uma campanha anticorrupção abrangente, conhecida oficialmente como "Fornalha Ardente" (*Blazing Furnace*). A iniciativa puniu mais de 168.000 membros do partido e afastou mais de 100 altos funcionários, incluindo dois presidentes em exercício e numerosos vice-primeiros-ministros, líderes provinciais, ministros e membros do Politburo. Lam, que participou de muitas dessas investigações enquanto ministro da Segurança Pública, beneficiou-se dessa campanha desde que se tornou secretário-geral. Ao marginalizar rivais políticos, desmantelar redes de clientelismo arraigadas e endurecer o controle do partido sobre seus membros, a campanha anticorrupção deslocou o poder para o topo da hierarquia partidária.

A autoridade de Lam também aumentou à medida que as instituições controladas pelo partido passaram a se envolver mais diretamente na formulação e na implementação de políticas. Desde dezembro de 2024, um comitê diretivo central liderado pelo Politburo — e não os ministérios estatais — coordena a política nacional de ciência, tecnologia e inovação. As resoluções do Politburo ganharam maior destaque na formulação de políticas econômicas. Além disso, novas diretrizes partidárias, como o Regulamento 196 aprovado em junho, fortalecem a autoridade dos comitês do partido dentro das empresas estatais, reforçando o controle partidário sobre a governança corporativa.

O sistema de liderança coletiva foi severamente enfraquecido.

Os documentos de diretrizes do congresso partidário de 2026 mostram como o partido está assumindo um papel de maior destaque. Utilizando análise de texto assistida por aprendizado de máquina, avaliamos a frequência e a relevância de palavras-chave e conceitos nos relatórios políticos e nos planos de desenvolvimento socioeconômico de cada congresso partidário do último quarto de século. Como esses documentos definem a agenda de governo, a frequência com que mencionam o partido sinaliza o grau de influência direta que a legenda pretende exercer sobre as políticas públicas. As menções ao partido em relatórios políticos oficiais subiram de menos de 80 por 10.000 palavras em 2021 para quase 100 por 10.000 palavras em 2026. No plano de desenvolvimento socioeconômico, a frequência aumentou de cerca de quatro menções por 10.000 palavras para mais de dez no mesmo período.

O sinal mais claro da dimensão do poder consolidado por Lam surgiu em abril, quando a Assembleia Nacional rompeu com precedentes e o nomeou presidente do país para um mandato completo de cinco anos, cumulativamente ao cargo de secretário-geral do partido. No passado, o Vietnã havia adotado tal arranjo apenas temporariamente após crises, como no caso da morte inesperada de um presidente em exercício. Embora a presidência esteja constitucionalmente subordinada à liderança do partido, ela envolve responsabilidades importantes nas áreas de diplomacia e segurança nacional. A nomeação de Lam consolidou formalmente seu controle tanto sobre o partido quanto sobre o Estado, criando um nível de autoridade pessoal sem precedentes desde que o partido empreendeu grandes reformas econômicas e políticas — conhecidas como *Doi Moi* — na década de 1980.

SALVANDO A INICIATIVA PRIVADA

Essa consolidação de poder, no entanto, não é um fim em si mesma. O partido está agora em condições de desempenhar um papel mais ativo na coordenação de políticas, na gestão da burocracia e na condução da economia do que no passado. Em particular, a administração de Lam utiliza seu poder para implementar uma estratégia econômica centrada na modernização industrial e na expansão da iniciativa privada nacional. A adoção de tal estratégia era extremamente desafiadora sob o antigo sistema político, no qual o poder era altamente fragmentado e grandes mudanças nas políticas exigiam negociações entre grupos rivais de grande influência. Contudo, com Lam firmemente no comando, ele consegue promover mudanças econômicas mais significativas.

Os documentos de diretrizes do congresso partidário de janeiro deixam essa mudança evidente: as referências ao setor privado aumentaram drasticamente, enquanto as menções ao setor estatal diminuíram. Documentos de congressos partidários anteriores descreviam consistentemente as empresas estatais como a força motriz da economia do Vietnã; no entanto, desde maio de 2025 — quando o Politburo divulgou a Resolução 68, um documento importante de incentivo ao desenvolvimento da iniciativa privada —, o partido adotou a ideia de que as empresas privadas nacionais, e não o setor estatal, são "a força motriz mais importante" da economia. O número de trechos relacionados à atividade econômica do setor privado nos documentos do congresso partidário deste ano foi mais que o dobro do registrado nos documentos de 2021.

Desde as reformas *Doi Moi*, o sucesso do Vietnã como exportador tem dependido de corporações multinacionais estrangeiras, e não de empresas nacionais. As empresas estrangeiras respondem por quase 70% das exportações vietnamitas; embora isso tenha impulsionado o PIB do país, não criou uma base estável para o crescimento a longo prazo. As empresas estrangeiras frequentemente dependem mais de insumos intermediários importados em sua produção do que as empresas nacionais e são menos propensas a transferir tecnologia e conhecimento que poderiam elevar a produtividade das empresas locais. Além disso, investidores estrangeiros no Vietnã tendem a deixar o país caso os custos locais aumentem, o que desestimula investimentos de capital e prejudica o crescimento de empresas nacionais inovadoras — empresas que, de outra forma, poderiam ascender na cadeia de valor e competir com base em tecnologia. Somado a isso, o setor privado vietnamita permanece fragmentado: é composto por inúmeras pequenas empresas que carecem de capacidade para investir em pesquisa e desenvolvimento e para atender aos padrões de qualidade exigidos para integrar cadeias globais de suprimentos.

A liderança do Vietnã vê o setor privado como o principal motor de crescimento do país.

A nova abordagem do partido consiste em cultivar um grupo de "campeões nacionais" enraizados no setor privado, em vez de promover conglomerados estatais ineficientes. Hanói abriu à concorrência privada muitos setores anteriormente dominados por monopólios estatais. Grandes projetos de infraestrutura tradicionalmente reservados a empresas estatais — incluindo ferrovias, aeroportos e instalações de geração de energia — estão agora abertos a licitações de empreiteiras privadas. Embora as empresas estatais continuem sendo importantes em setores como finanças e telecomunicações, o país vem adotando o que os economistas vietnamitas chamam de "equitização" (ou *equitization*): a reestruturação de certas estatais mediante sua transformação em sociedades por ações com participação de acionistas privados. Isso obriga as empresas a operar com maior disciplina de mercado e permite ao governo monitorar e coibir, de forma mais eficaz, o desperdício e o uso indevido de recursos públicos.

Desde maio de 2025, quando o Politburo divulgou a Resolução 68 sobre a necessidade de desenvolver o setor privado, os formuladores de políticas públicas aprovaram medidas concretas para melhorar as condições de atuação das empresas privadas. Tais medidas incluem isenções de impostos corporativos para atividades de pesquisa e desenvolvimento, acesso privilegiado e com desconto a terrenos industriais, maior apoio ao crédito, limites a inspeções e auditorias, simplificação de processos de licenciamento e proteções jurídicas mais robustas contra a aplicação arbitrária de regulamentações. As reformas visam explicitamente grandes empresas privadas, em um esforço para torná-las competitivas internacionalmente. Ao contrário das estatais, que estão isoladas das pressões do mercado, esses campeões nacionais permanecem sujeitos à concorrência, a restrições orçamentárias e aos incentivos inerentes à propriedade privada. O Estado pode oferecer apoio e, ao mesmo tempo, valer-se de mecanismos de mercado para alocar capital e recompensar a inovação.

O Vietnã também está redirecionando sua política industrial para setores de maior valor agregado, incluindo semicondutores, infraestrutura digital, energia renovável e manufatura avançada. O governo comprometeu pelo menos 3% do orçamento estatal com ciência, tecnologia, inovação e modernização administrativa, estabelecendo, inclusive, a meta de formar 50.000 engenheiros de semicondutores até 2030. O país tem oferecido incentivos fiscais para investimentos em projeto, encapsulamento e testes de chips, além de retomar planos de expansão da energia nuclear — projetos que haviam sido suspensos devido a preocupações com a segurança após o derretimento do núcleo do reator de Fukushima, no Japão, em 2011. No passado, as políticas industriais do Vietnã baseavam-se principalmente em incentivos fiscais e mão de obra de baixo custo para impulsionar o crescimento. Agora, o foco em áreas como a energia nuclear visa reduzir os principais gargalos de infraestrutura que têm dificultado a modernização industrial. O partido também está reformulando sua estrutura burocrática para apoiar o setor privado. Para reduzir a burocracia e aumentar a eficiência governamental, os líderes fundiram ministérios (reduzindo o número de 18 para 14), consolidaram províncias (de 63 para 34) e digitalizaram procedimentos administrativos. Entre o final de 2024 e meados de 2025, o Vietnã dispensou ou ofereceu aposentadoria antecipada a mais de 100.000 servidores públicos. A expectativa é que a redução dos custos para fazer negócios e a aceleração da implementação de políticas incentivem o investimento privado e permitam que as reformas se consolidem antes que grupos de interesse arraigados — que podem sair perdendo com essas mudanças — consigam articular uma resistência política. Em abril, a Assembleia Nacional deu novo impulso a essas reformas ao eleger Le Minh Hung, um tecnocrata e ex-dirigente do banco central, como primeiro-ministro — uma escolha que reforça a ênfase da liderança na gestão macroeconômica, na estabilidade financeira e na capacidade estatal.

ABRINDO NOVOS CAMINHOS

Muitos observadores traçaram paralelos entre Lam e o líder chinês Xi Jinping; ambos consolidaram a autoridade política, fortaleceram o controle do partido sobre o Estado e impulsionaram campanhas anticorrupção de grande escala que remodelaram a política das elites e marginalizaram parte da oposição política. Observadores frequentemente tratam o Vietnã como uma réplica da China, presumindo que Hanói segue os passos de Pequim.

No entanto, quando se trata de estratégia econômica, o Vietnã está trilhando seu próprio caminho. Sob a liderança de Xi, a China abraçou o setor estatal. Pequim promoveu a consolidação de conglomerados estatais em "campeões nacionais", ampliou a influência do partido dentro de empresas privadas e direcionou enormes fluxos de crédito e apoio industrial para setores dominados pelo Estado, como semicondutores e telecomunicações. Analistas na China resumem essa tendência com a frase "o Estado avança, o setor privado recua" — uma inversão das reformas orientadas pelo mercado que muitos acreditavam que Xi buscaria ao assumir o poder, em 2012.

A liderança do Vietnã, em contrapartida, vê cada vez mais o setor privado como o principal motor de crescimento do país. O Vietnã está abraçando o setor privado por necessidade. Seus líderes compreendem que o país carece de muitas das vantagens estruturais da China — um enorme mercado interno, grandes bancos de fomento e capital abundante, além de um vasto ecossistema manufatureiro —, as quais permitiram a Pequim construir gigantes apoiados pelo Estado, globalmente competitivos e capazes de dominar setores inteiros. A economia do Vietnã é muito menor, mais dependente do comércio exterior e mais atrelada a cadeias de suprimentos estrangeiras. Tentar construir um modelo de desenvolvimento centrado principalmente em empresas estatais exerceria uma enorme pressão fiscal sobre o governo, ao mesmo tempo em que desaceleraria a inovação e o crescimento da produtividade.

O modelo distinto que o Vietnã está desenvolvendo utiliza a autoridade política centralizada para apoiar a expansão do setor privado, o aprimoramento tecnológico e a integração aos mercados globais. Em vez de se assemelhar à China de Xi, o modelo emergente do Vietnã guarda maior semelhança com os Estados desenvolvimentistas do Leste Asiático, como Coreia do Sul e Cingapura, combinando autoridade política centralizada com uma estratégia explícita de fomentar empresas privadas globalmente competitivas. Diferentemente dos Estados desenvolvimentistas clássicos do Leste Asiático, liderados por burocracias politicamente isoladas, o Vietnã coloca o próprio Partido Comunista no centro de sua estratégia. No Vietnã, as instituições partidárias — e não agências tecnocráticas — são responsáveis ​​por alinhar ministérios, governos locais e empresas estatais aos objetivos nacionais de desenvolvimento.

SOLITÁRIO NO TOPO

O ambiente em que o Vietnã busca um novo modelo de crescimento é menos favorável do que seus líderes poderiam desejar. A mesma abertura que impulsionou a ascensão do país nas últimas quatro décadas agora gera vulnerabilidades crescentes. A economia vietnamita depende fortemente de exportações, investimentos estrangeiros e cadeias de suprimentos globais, o que a deixa excepcionalmente exposta a choques geopolíticos e perturbações no comércio mundial.

O novo modelo de crescimento também traz seus próprios perigos inerentes. O sistema anterior de liderança coletiva do Vietnã — que distribuía a autoridade entre regiões, ministérios e instituições partidárias — tornava a tomada de decisões mais lenta, mas também forçava interesses concorrentes dentro do partido a negociar e chegar a consensos. Líderes provinciais, tecnocratas e diferentes blocos internos do partido detinham influência suficiente para frear políticas às quais se opunham. Como nenhuma facção podia agir sem um apoio mais amplo, os líderes precisavam distribuir os ganhos econômicos de forma abrangente para preservar a estabilidade política durante as décadas de crescimento.

A autoridade centralizada permitirá ao governo implementar reformas com mais rapidez e conduzir políticas industriais de forma mais agressiva, uma vez que há menos restrições ao seu poder. No entanto, isso reduz o número de mecanismos institucionais de controle que ajudam as autoridades a corrigir erros de política e a lidar com insatisfações regionais. À medida que o poder se concentra, o sistema pode perder a capacidade de responder a choques econômicos ou a resultados de desenvolvimento desiguais. Outros regimes desenvolvimentistas altamente centralizados — como os das Filipinas sob o presidente Ferdinand Marcos e da Indonésia sob o presidente Suharto, na segunda metade do século XX — geraram rápido crescimento nos anos imediatamente posteriores à consolidação política, mas vacilaram quando líderes com poder irrestrito cometeram erros custosos e de difícil correção.

O Partido Comunista do Vietnã justificou décadas de governo de partido único com a elevação do padrão de vida e o crescimento sustentado. Agora, sua liderança tenta realizar uma das transições político-econômicas mais ambiciosas — e arriscadas — da história recente da Ásia. O país estabeleceu a meta de manter um crescimento anual do PIB de cerca de 10% até 2030. Se o novo capitalismo liderado pelo partido obtiver sucesso, o Vietnã poderá finalmente se tornar uma potência econômica no Sudeste Asiático. Mas, se fracassar, o país poderá enfrentar estagnação econômica, e seu sistema político poderá entrar em colapso. Com a autoridade agora concentrada no topo, o futuro do Vietnã depende de saber se uma liderança mais forte promoverá reformas duradouras ou se enfraquecerá os mecanismos de autocorreção que estabilizaram o país durante suas décadas de crescimento.

EDMUND J. MALESKY é professor de Economia Política na Universidade Duke e diretor científico do Centro de Transformação Verde e Inteligente da VinUniversity.

VIKTORIA ZLOMANOVA é doutoranda em Ciência Política na Universidade Duke.

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