Ahmad Al-Sholi
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| As batalhas decisivas pela solidariedade à Palestina serão travadas, em última análise, dentro dos Estados Unidos. (Mehmet Eser / Middle East Images / AFP via Getty Images) |
Para os palestinos, a falta de poder de barganha sempre acompanhou sua luta secular pela autodeterminação. Sem capacidade para romper o status quo israelense — e enfrentando um Israel altamente resiliente, imune a choques externos e profundamente integrado à hegemonia imperial americana —, os palestinos dispõem de recursos limitados. Por isso, gerações de apoiadores internacionais se mobilizaram em prol da causa. No século XX, a Palestina atraiu solidariedade internacional em um nível superado apenas pelas Brigadas Internacionais na Guerra Civil Espanhola. Os palestinos mobilizaram voluntários internacionais para sua luta contínua em volumes que excederam o apoio recebido por argelinos, vietnamitas e sul-africanos em suas próprias campanhas vitoriosas.
Atuando agora em um cenário diferente, o movimento de solidariedade à Palestina no século XXI enfrenta uma missão ainda mais audaciosa: mobilizar as massas em um mundo neoliberal, em vez de depender da dissuasão e do vanguardismo de um mundo bipolar que já não existe. As mesmas transformações globais que prepararam o terreno para um genocídio palestino são também as que fazem dos Estados Unidos o principal polo de solidariedade internacional com a Palestina, justamente no momento em que seu povo mais precisa.
O histórico aponta para um caminho não militarista para a Palestina
Ao contrário do público israelense, as populações francesa e americana opuseram-se às aventuras imperiais de seus respectivos governos na Argélia e no Vietnã. O recrutamento de jovens para a máquina de guerra desempenhou um papel fundamental na construção dessa oposição interna. Embora, teoricamente, uma dinâmica semelhante devesse ocorrer com o público israelense, a ausência de uma força política progressista em Israel frustra esse potencial. O fato de 90% dos israelenses terem apoiado a campanha militar em Gaza — justamente quando o mundo acompanhava tribunais internacionais julgando o caso como genocídio — não é responsabilidade apenas do governo israelense, mas também de sua oposição política, que também se mostra suscetível a fantasias bíblicas. Todo o establishment israelense compartilha a culpa; eles se revezaram ao trair — com o consentimento público — cada concessão dolorosa feita pelos palestinos mais pragmáticos nas três décadas que antecederam o ataque de 7 de outubro. Várias figuras de destaque desse establishment só agora começam a entoar discursos de arrependimento.
Para os palestinos, essa realidade, por si só, deveria ter invalidado qualquer estratégia puramente militarista, uma vez que o objetivo principal de tais estratégias deveria ser questionar o status quo para a sociedade israelense — especialmente suas elites — ao mobilizar o público de Israel em prol da paz. A maneira específica como o ataque de 7 de outubro foi conduzido, bem como as diversas violações do direito internacional que o marcaram, evidenciam a ausência desse tipo de planejamento estratégico por parte do Hamas, visto que a ação gerou um efeito de união em torno da bandeira — fenômeno para o qual os israelenses estão mais predispostos do que outros povos.
A solidariedade com a Palestina no século XXI tem uma missão audaciosa: mobilizar as massas em um mundo neoliberal.
De fato, o Hamas planejou e esperava um confronto mais amplo, que mobilizasse toda a rede apoiada pelo Irã desde o primeiro dia para subjugar Israel militarmente; no entanto, precipitaram-se ao lançar o ataque antes de finalizar esses planos de coordenação. Contudo, investigar se um certo grau de capacidade militar é o fator decisivo em lutas anticoloniais convida a uma comparação significativa com o exemplo vietnamita.
De forma semelhante à lógica do ataque de 7 de outubro, o Escritório Central para o Vietnã do Sul planejou a Ofensiva do Tet, em janeiro de 1968, como um ataque surpresa. No entanto, apesar dos recursos muito superiores que os vietnamitas possuíam em comparação com os palestinos — incluindo o apoio de superpotências que os armavam e a capacidade de realizar ondas sucessivas de ataques —, a estratégia militar em si não conseguiu encerrar rapidamente uma guerra que já estava em pleno curso. Como potência imperial, os Estados Unidos dispunham de vastos recursos e intensificaram o conflito a novos patamares por mais seis anos. O que acabou funcionando para os vietnamitas foi o impacto que a ofensiva teve na política interna americana e na oposição antibélica que ela ajudou a catalisar. Nesse sentido, embora o ataque de 7 de outubro não tenha ocorrido em um momento de polarização na sociedade israelense em torno do próprio regime colonial, ele efetivamente pôs fim a uma polarização interna já existente em Israel sobre políticas judiciais domésticas.
Da mesma forma, na Argélia, os líderes anticoloniais não ignoraram as limitações da violência e das capacidades militares. As derrotas esmagadoras das milícias e guerrilhas urbanas argelinas na primeira metade da Guerra de Independência da Argélia acabaram deslocando a luta para os campos político e diplomático. Mais uma vez, a opinião pública francesa estava profundamente dividida em relação à Argélia, à medida que todo o regime colonial francês se aproximava do fim. O conflito não apenas levava à falência uma França devastada pela guerra do pós-1945, mas também irritava repetidamente o principal credor do país, os Estados Unidos, que buscavam alinhar os interesses ocidentais contra o comunismo internacional.
Ao contrário da supremacia militar, econômica e diplomática desfrutada por Israel desde, pelo menos, o fim da segunda Intifada em 2005, a França, naquela época, encontrava-se em uma posição de fragilidade e defensiva. Além disso, diferentemente das atuais políticas israelenses de apagamento da presença palestina, os franceses debatiam ativamente questões sobre assimilação versus independência para os argelinos. O que de fato garantiu a vitória dos argelinos foi uma campanha diplomática que tirou proveito das circunstâncias internacionais a seu favor, alicerçada em uma ampla mobilização da sociedade civil que contrabalançou as várias "cenouras" políticas oferecidas pela França à população argelina. Esses esforços combinados resultaram, na prática, na saída de cerca de um milhão de colonos europeus da Argélia, antes mesmo que o exército de libertação argelino chegasse às cidades costeiras onde eles residiam. Não foi apenas a escala do militarismo que se mostrou ineficaz para alcançar a independência da Argélia; foi a própria constatação dos limites do militarismo. Os colonos europeus, tendo menosprezado a sociedade argelina, acabaram por se retirar do país ao não conseguirem conceber a igualdade tal como ela estava sendo construída pelos argelinos no terreno.
Em outras palavras, o anticolonialismo de cunho militarista geralmente viabiliza um processo político, em vez de escapar dele. A questão passa a ser como uma campanha qualquer viabiliza um processo político que a ordem colonial havia eliminado.
Aqui, a África do Sul destaca a importância da alavancagem — e não apenas dos boicotes
É amplamente reconhecido que a luta da África do Sul contra o apartheid triunfou por meio de métodos civis — mais precisamente, através de uma campanha internacional que isolou o regime colonial, forçando-o à rendição. Ao imaginar um movimento de solidariedade igualmente bem-sucedido em prol dos palestinos, a análise da força e da influência alcançadas pela África do Sul ajuda a esclarecer o que tem faltado no contexto israelense.
Às vésperas do triunfo sul-africano, os palestinos também travavam uma luta de base civil semelhante contra a ocupação israelense: a Primeira Intifada, de 1987. Esse movimento contava com uma verdadeira base de massa, impulsionada pela organização popular. No entanto, diferentemente dos sul-africanos negros — que ocupavam uma posição estratégica nos principais setores produtivos da economia do apartheid —, os palestinos não conseguiram interromper os amplos processos de acumulação de capital ao retirar sua força de trabalho de pontos nevrálgicos do sistema. Os palestinos sempre estiveram à margem da economia de Israel; essa condição não apenas limitou seu impacto interno sobre o status quo israelense, mas também restringiu sua capacidade de atrair aliados internacionais poderosos e estrategicamente posicionados.
O anticolonialismo de caráter militarista geralmente facilita um processo político, em vez de escapar dele.
Um exame atento dos fatores que levaram ao sucesso da campanha internacional contra o apartheid — como a aprovação da Lei Abrangente Anti-Apartheid (CAAA) dos Estados Unidos, em 1986 — revela que os parceiros internacionais tinham interesses concretos na libertação da África do Sul, indo além de uma mera adesão disciplinada aos direitos humanos, por mais vital que essa clareza moral tenha sido. Os sindicatos americanos viram na luta sul-africana uma oportunidade de conter o avanço do neoliberalismo incipiente, concentrando esforços contra as estratégias de investimento externo da indústria automobilística americana — estratégias que, em muitos casos, já se encontravam vulneráveis devido aos conflitos internos na própria África do Sul.
Esses mesmos sindicatos, setores industriais e regiões dos Estados Unidos constituíram a base da ascensão política dos afro-americanos no Partido Democrata, que exercia um papel decisivo na formulação de políticas. Em suma, a força de pressão interna da luta sul-africana contra o apartheid aliou-se ao poder estrutural do movimento trabalhista americano para ajudar a desmantelar o regime. Em contrapartida, os palestinos permanecem marginalizados na economia israelense, ao passo que seus apoiadores internacionais foram politicamente marginalizados pelo avanço implacável do neoliberalismo.
O peso esmagador de uma ordem neoliberal
Um exemplo imediato dessa falta de alavancagem proveniente de múltiplas fontes é evidente na campanha palestina de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Embora essa campanha tenha demonstrado uma expansão constante ao longo de suas duas décadas de existência, o genocídio iniciado em 2023 ampliou significativamente o seu alcance. No entanto, um monitoramento no site do BDS revela que o apoio dos sindicatos fica atrás da tendência geral de envolvimento mais amplo da sociedade civil, e a maior parte dessa participação trabalhista permanece concentrada na Europa, e não nos Estados Unidos.
Nem a longevidade nem a profundidade das iniciativas sindicais internacionais de apoio ao BDS alteraram, até o momento, os incentivos estratégicos de Israel. Por exemplo, a adesão do Sindicato Canadense de Trabalhadores dos Correios (CUPW) ao BDS em 2008 não afetou o volume de correspondências com Israel. Mais tarde, sindicatos britânicos e europeus adotaram resoluções do BDS, comprometendo seus membros a realizar boicotes e a reduzir os investimentos de seus fundos de pensão em Israel. Contudo, as demandas pró-Palestina desses sindicatos junto aos seus respectivos governos permanecem sem resposta, apesar de sua natureza recorrente — sem mencionar as tentativas contínuas do governo britânico de criminalizar o paciente trabalho de organização dedicado à causa no Reino Unido.
Mesmo a greve geral dos sindicatos italianos contra as transgressões de Israel — um feito notável para os ativistas do BDS — não conseguiu levar o governo italiano a agir legalmente. Em resposta, o movimento criou um sistema de monitoramento para coordenar logisticamente o bloqueio de remessas de armamentos para Israel. Ecoando uma ação sul-africana bem-sucedida de 2021 que bloqueou cargas militares israelenses, essa coalizão de sindicatos liderada por italianos tornou diversos portos do Mediterrâneo inacessíveis a cargas militares destinadas a Israel. Isso certamente complicou a logística da máquina de guerra, forçando algumas empresas de transporte marítimo com forte atuação em Israel a absorver prejuízos e a realizar fusões. No entanto, o fluxo de carga militar em si não diminuiu significativamente, uma vez que grande parte dele transitava sob prerrogativa soberana — especificamente a dos Estados Unidos, que deslocavam enormes navios da marinha para entregar armamentos diretamente a Israel, marginalizando assim as ações trabalhistas europeias. Em outras palavras, os vestígios de poder pré-neoliberal ainda existentes têm impacto marginal.
Mesmo quando mecanismos de mercado deveriam, teoricamente, alterar os incentivos israelenses, o poder extramercado dos Estados Unidos confere proteções adicionais.
A perda de força do movimento trabalhista e seu impacto na solidariedade à Palestina também permitiram que setores do capital profundamente entrelaçados com o regime colonial de Israel operassem praticamente sem contestação. A Caterpillar, por exemplo — a empresa que há mais tempo está no centro da polêmica em torno do movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) —, permanece financeiramente ilesa. Desinvestimentos em títulos de grande repercussão, realizados por diversos fundos sob a justificativa de responsabilidade social, não provocaram a queda das ações da empresa nem elevaram seus custos de endividamento.
A empresa mantém uma posição sólida graças aos seus avanços tecnológicos e à monopolização do mercado. Até mesmo a Autoridade Palestina — que colabora com a ocupação — escudou-se nesses monopólios para justificar a continuidade das compras junto à Caterpillar, mesmo enquanto a guerra genocida se desenrolava e grandes fundos globais adotavam ou ampliavam seus compromissos com o BDS. Para proteger ainda mais a empresa, o governo dos EUA continua canalizando as aquisições de Israel por meio do Departamento de Defesa e eliminando tarifas sobre suas operações, o que impulsiona seus lucros.
Assim, mesmo quando mecanismos de mercado deveriam, em teoria, alterar os incentivos de Israel, o poder extramercado dos Estados Unidos oferece proteções adicionais às práticas políticas habituais de Israel. Essa realidade deixa claro que as batalhas decisivas pela solidariedade à Palestina serão travadas, em última análise, dentro dos Estados Unidos.
O movimento estudantil e a Convenção Nacional Democrata (DNC)
A mudança radical que testemunhamos na opinião pública americana em relação a Israel e à Palestina representa uma transformação profunda, há muito esperada pelos palestinos. O empenho incansável de organizações estudantis e de ativistas em protestos, bem como o alto custo pessoal que assumiram, não passaram despercebidos pelos palestinos; até mesmo crianças em Gaza, sob fogo cruzado, encontraram momentos para expressar gratidão pelos acampamentos universitários. No entanto, essa mobilização ocorreu enquanto o mundo assistia ao desenrolar de um genocídio aterrador. Uma vez que a questão palestina retorne à sua posição habitual de segundo plano na política, existe o risco de que essa solidariedade perca força e se dissipe.
A libertação palestina não pode permanecer um sentimento popular alimentado apenas pelos horrores de um genocídio em curso que pode vir a diminuir de intensidade.
Essa é certamente a visão da cúpula do Partido Democrata, que trata o movimento como uma moda passageira fadada a perder força. Partindo dessa premissa, Kamala Harris não percebeu que a questão palestino-israelense está passando por mudanças em níveis mais profundos e se conectando a políticas sociais domésticas mais amplas. A derrota subsequente do partido forçou a cúpula a encarar a questão, diante de evidências documentadas de que a Palestina desempenhou um papel na derrota eleitoral de 2024. Agora, no entanto, políticos do establishment utilizam o tema de forma tão oportunista quanto qualquer outra pauta política. Isso é particularmente visível em potenciais candidatos para 2028, como Gavin Newsom, que têm oscilado de posição sobre o assunto.
Até o momento, a questão da Palestina e de Israel não desapareceu; pelo contrário, ganhou recentemente um impulso inesperado entre a extrema-direita populista. Essa incursão em narrativas de direita (distintas do conservadorismo mais amplo da população em geral) é indesejável, visto que a extrema-direita é, por natureza, o grupo menos comprometido com a organização de base ou com os direitos humanos universais. A direita certamente tentará limitar o potencial progressista dessa questão, travando tanto a solidariedade urgente de que os palestinos necessitam quanto o papel que a Palestina poderia desempenhar na agenda política doméstica mais ampla dos Estados Unidos.
A Palestina como bem público
Uma conquista bem-vinda é a medida de desinvestimento aprovada recentemente na 39ª convenção do sindicato United Auto Workers (UAW). Ela representa uma abertura genuína para a causa palestina junto à classe trabalhadora organizada dos EUA. No entanto, essa resolução foi significativamente atenuada em relação a uma proposta inicial mais abrangente, que visava não apenas reduzir investimentos em ativos israelenses, mas também bloquear o envio efetivo de armamentos por meio de ação industrial direta. Esse recuo é um exemplo claro de como a Palestina permanece uma questão externa para a classe trabalhadora americana em geral — vista, talvez, como uma questão de política externa distante das preocupações cotidianas, ou como uma questão de solidariedade baseada em princípios e universalismo, em vez de algo vinculado a uma utilidade doméstica imediata.
A iniciativa bem-sucedida na convenção do UAW foi impulsionada por seções locais ativistas da cidade de Nova York, em aliança com seções locais de Michigan compostas majoritariamente por árabes-americanos. Essa grande vitória para ativistas dedicados só foi possível graças a uma aliança muito específica e de difícil replicação, resultando, ainda assim, em uma resolução de alcance mais limitado. Essa dinâmica guarda semelhanças com vitórias progressistas recentes nas primárias do Partido Democrata. Nessas disputas, candidatos pró-Israel com grandes recursos financeiros ficaram muito próximos dos progressistas (como visto no 13º distrito de Nova York), ou dois candidatos pró-Israel somaram mais votos do que o único candidato progressista vencedor (como ocorreu no 3º distrito da Pensilvânia), impulsionados por importantes apoios sindicais. Em suma, embora uma maioria crescente de americanos defenda agora os direitos dos palestinos, essa defesa baseia-se principalmente em princípios morais. Grande parte da classe trabalhadora americana rejeita as políticas adotadas por Israel; no entanto, candidatos que apoiam o status quo israelense ainda obtêm resultados que não refletem esses sentimentos populares.
Para superar essa lacuna e acelerar a transformação das legislaturas americanas em baluartes do direito internacional que respeitem os direitos inalienáveis dos palestinos, o movimento precisa estar ancorado em uma agenda doméstica popular voltada para a classe trabalhadora americana. Ele não pode permanecer apenas como um sentimento popular que atravessa as divisões de classe de forma aleatória, alimentado unicamente pelos horrores de um genocídio em curso — situação que poderia sofrer uma desescalada devido a manobras políticas pragmáticas. Tal agenda deveria visar diretamente o imperialismo americano e os danos que ele causa internamente: como inibe investimentos públicos em diversos setores, limita a geração de empregos e canaliza enormes volumes de capital para ciclos de lucratividade restrita, prejudicando a expansão da capacidade produtiva dos setores civis.
Na ausência disso, comentaristas conservadores — que atualmente ganham destaque com essa questão — continuarão a apresentar uma explicação aparentemente clara para o apoio persistente do establishment dos EUA a Israel. O cenário que esses comentaristas pintam ressoa cada dia mais com o grande público: uma imagem na qual um Israel minúsculo arrasta o imperialismo americano — retratado como benevolente e ingênuo — a adotar sua própria agenda. É uma imagem de uma pirâmide de cabeça para baixo, que oculta o papel funcional desempenhado por Israel na hegemonia americana e em sua postura geopolítica global. Nessa narrativa, a atual política de confrontação extrema de Israel não é explicada pela posição confortável de seu establishment como agente de uma superpotência; em vez disso, ela é envolta nas piores formas de antissemitismo para justificar como a cauda pode acabar balançando o cachorro. Para remover mais obstáculos ao direito palestino à autodeterminação, a própria causa deve agora servir de referência para propostas de política interna. O que a recente convenção do UAW e as primárias democratas em cidades como Nova York e Filadélfia demonstraram é que não é mais possível superar a lacuna entre o sentimento antibélico e as políticas ou candidatos antibélicos. São certas correntes conservadoras que agora se beneficiam ao continuar tratando Israel como uma questão isolada e singular — uma forma de racismo que retira o poder do público ao não vincular o tema, de maneira abrangente, ao contexto mais amplo.
Encarar a Palestina como um bem público significa que inúmeros incentivos jogam, de forma avassaladora, contra ela. Somente ao vincular a libertação palestina a questões mais amplas é que se poderá gerar impulso suficiente em seu benefício.
Este artigo foi adaptado de Catalyst 9, no. 4.
Colaborador
Ahmad al-Sholi leciona na Faculdade de Humanidades e Ciências da Universidade Thomas Jefferson. Sua pesquisa concentra-se em relações industriais e movimentos de massa no mundo árabe.



