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20 de janeiro de 2026

O ano da anarquia de Trump

A presidência sem restrições e o fim da primazia americana

Daniel W. Drezner e Elizabeth N. Saunders


O presidente dos EUA, Donald Trump, em Dearborn, Michigan, em janeiro de 2026.
Evelyn Hockstein / Reuters

Para a maioria dos americanos e europeus vivos hoje, um mundo de anarquia provavelmente nunca pareceu totalmente real. Desde 1945, os Estados Unidos e seus aliados criaram e mantiveram uma ordem que, embora não fosse totalmente liberal nem totalmente internacional, estabeleceu regras que mantiveram a paz entre as grandes potências, promoveram um mundo de comércio relativamente aberto e facilitaram a cooperação internacional. Nas décadas que se seguiram, o mundo tornou-se mais estável e próspero.

Antes dessa longa paz entre as grandes potências, no entanto, a anarquia estava longe de ser uma abstração no mundo desenvolvido. Somente a primeira metade do século XX foi marcada por duas guerras mundiais, uma depressão global e uma pandemia mortal. Com regras globais frágeis e mecanismos de aplicação ainda mais fracos, a maioria dos Estados tinha pouca escolha a não ser se defender sozinha, muitas vezes recorrendo à força militar. Mas ainda havia limites para o que os Estados soberanos podiam fazer em um conflito. Os países estavam apenas começando a projetar poder militar além de suas fronteiras, e informações, mercadorias e pessoas circulavam com menos rapidez. Mesmo em períodos de desordem internacional, os Estados só podiam interferir uns nos outros até certo ponto sem arriscar sua própria destruição.

Hoje, o país mais poderoso está conduzindo o mundo a um tipo diferente de anarquia. Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, não tenha sido o único responsável pelo declínio da ordem pós-1945, em seu primeiro ano de mandato, ele acelerou e até mesmo abraçou esse declínio. O apetite de Trump por expansão territorial destrói a norma mais importante do período pós-1945: a de que as fronteiras não podem ser redesenhadas pela força das armas. E seu desrespeito pelas instituições nacionais permitiu que ele atropelasse qualquer tentativa interna de conter esses sonhos expansionistas estrangeiros.

A anarquia que está emergindo sob Trump, em outras palavras, é mais caótica. É mais próximo da anarquia mais primitiva do filósofo político Thomas Hobbes — um mundo de “todos contra todos”, onde o poder soberano não pode ser contestado interna ou internacionalmente. Nessa ordem hobbesiana, impulsionada por um líder que rejeita quaisquer restrições à sua capacidade de agir e que é encorajado pela tecnologia a se mover em um ritmo vertiginoso, tudo é permitido. A ordem pode eventualmente emergir dessa anarquia, mas é improvável que essa ordem seja liderada pelos Estados Unidos — ou que os beneficie.

VIVENDO NO MUNDO REAL

Vamos começar definindo o que é anarquia — e o que não é. A maioria dos estudiosos realistas das relações internacionais considera a anarquia o ponto de partida de suas teorias, e o próprio governo Trump afirma que suas políticas são baseadas em uma compreensão realista do mundo. Os realistas definem anarquia simplesmente como a ausência de autoridade no sistema internacional. Sem nenhuma autoridade para impor as regras globais do jogo, os países só podem contar com seu próprio poder e estratégia para sobreviver. Como disse o cientista político Kenneth Waltz, o sistema internacional é um sistema de autoajuda. Em um mundo de anarquia, a guerra é uma parte normal das relações internacionais.

Mas anarquia não significa caos. Os realistas argumentam que a ausência de uma autoridade central não significa necessariamente perturbações constantes no sistema internacional. A anarquia também funciona como uma poderosa restrição, forçando os Estados a agirem com prudência e a administrarem seus recursos. O risco de guerra pode fazer com que até mesmo as grandes potências pensem duas vezes antes de tomar medidas agressivas, a fim de evitar a formação de uma coalizão de equilíbrio. O cientista político realista Charles Glaser argumentou que essa visão de mundo não é necessariamente pessimista e que os países podem se autoajudar por meio da cooperação.

Os realistas, portanto, acreditam que a ordem e a estabilidade são possíveis em um mundo anárquico. De fato, embora os próprios realistas ainda debatam o que significa seguir uma política externa realista, eles concordam que a anarquia não deve significar abandonar a estratégia ou aproveitar todas as oportunidades para lutar ou interferir nos assuntos de outros países.

Anarquia não significa caos.

Uma das teorias mais proeminentes sobre como a ordem emerge da anarquia é a "teoria da estabilidade hegemônica", ou a ideia de que o sistema internacional é mais estável quando um país domina. Por exemplo, o cientista político Robert Gilpin argumentou que o Estado hegemônico fornece bens públicos internacionais, como instituições monetárias ou alianças de segurança, cria e impõe regras (que geralmente beneficiam o hegemon) e facilita o intercâmbio econômico e a cooperação. Gilpin argumentou que tais ordens hegemônicas emergem de guerras globais e estavam destinadas a eventualmente cair à medida que a antiga potência hegemônica se expandia demais e novas potências surgiam e disputavam a dominância global.

À primeira vista, essa história parece descrever muito bem o momento atual. Pode-se argumentar que os Estados Unidos atingiram o ponto do que o historiador Paul Kennedy chamou de "excesso imperial" muito antes de Trump. As custosas e fracassadas invasões do Afeganistão e do Iraque levaram o poderio militar americano quase ao seu limite. Enquanto isso, a ascensão da China desafia os Estados Unidos pela liderança global, supremacia tecnológica e domínio econômico. Nessa perspectiva, a melhor estratégia de Washington é conservar seus recursos, manter sua rede de aliados e parceiros e se preparar para um possível confronto com seu adversário.

De fato, muitos observadores acreditavam que o governo Trump se concentraria novamente na China, inclusive retirando recursos da Europa e do Oriente Médio. Embora Trump não tenha herdado um ambiente internacional pacífico, ele ainda teve tempo para agir: mesmo com as guerras na Ucrânia, Gaza e Sudão em curso, nenhuma guerra global havia eclodido, e Washington tinha parceiros na Europa para ajudar a impedir que a Rússia, a potência revisionista mais próxima, conquistasse a Ucrânia após sua invasão em grande escala em 2022. Os Estados Unidos ainda possuíam uma poderosa rede de aliados, um aparato diplomático competente e extenso e a base de pesquisa científica mais forte do mundo.

Em um ano, no entanto, Trump desfez a maior parte dessas vantagens, eliminando-as ou abandonando-as, apesar de seu valor para os Estados Unidos em sua competição pela hegemonia entre as grandes potências. Em seu lugar, ele adotou a exploração, a corrupção e acordos transacionais que pode revisar à vontade.

TEORIA DA INSTABILIDADE HEGEMÔNICA

Ao longo do último ano, Trump interrompeu os esforços para preservar o que restava da ordem liderada pelos EUA, iniciou conflitos desnecessários e cada vez mais perigosos com aliados cruciais e minou os próprios fundamentos do poder americano. A guerra da Rússia na Ucrânia, pela qual Trump parece ter pouco interesse, e a competição com a China, sobre a qual a mais recente Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump permanece praticamente em silêncio, representam as ameaças mais sérias à ordem liberal liderada pelos EUA. Contudo, as forças armadas americanas estão se alastrando pelo Caribe e deslocando um porta-aviões do Mar da China Meridional para o Mediterrâneo após protestos no Irã. As ameaças de Trump à soberania da Groenlândia e da Dinamarca — e, com isso, sua evidente disposição de implodir a OTAN — antagonizaram desnecessariamente os países europeus, que, de outra forma, estão ansiosos para conceder a Washington o tipo de acesso que a maioria dos países só pode sonhar.

O resultado é uma hegemonia em declínio que não busca manter sua posição, mas sim se torna uma potência revisionista. Os Estados Unidos estão injetando agressão no sistema, aparentemente por si só, ao mesmo tempo que reduzem as capacidades que ajudaram a criar e manter a ordem da qual se beneficiaram. Como argumentaram Oona Hathaway e Scott Shapiro na revista Foreign Affairs, Trump está criando um mundo no qual “as regras não apenas seriam imprevisíveis, como também dependeriam inteiramente dos impulsos de quem detiver o maior poder coercitivo em um dado momento”.

O mundo que Trump está criando não é a anarquia sobre a qual os realistas contemporâneos escrevem, na qual os Estados devem fazer escolhas prudentes sobre quando e onde agir, com quem e contra quem se aliar, e como e em que medida impor sua vontade aos outros. Nesse mundo, a ordem ainda é possível. Trump, por outro lado, toma decisões críticas com pouco ou nenhum processo, em momentos aparentemente aleatórios — sem ser motivado por emergências. Ao se apropriar das ferramentas da hegemonia, Trump está agindo agressivamente em múltiplas regiões simultaneamente, a uma velocidade que nenhuma grande potência anterior poderia contemplar. Ao longo de apenas uma semana em janeiro, o governo Trump executou uma missão militar em Caracas para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, ameaçou seus aliados da OTAN com a possibilidade de tomar a Groenlândia e intensificou o envio de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para Minneapolis, apesar dos protestos generalizados.

Nenhuma outra potência hegemônica na história teve a capacidade de projeção de poder que os Estados Unidos ainda possuem, nem a velocidade e o alcance de comunicação possibilitados pela era digital. No próximo mês, é tão possível que Trump decida bombardear o Irã novamente — ou fechar um acordo com os clérigos iranianos para obter concessões petrolíferas. Talvez ele reafirme o compromisso dos EUA com a OTAN — ou invada a Groenlândia. Se a imprevisibilidade tem algum valor como tática geopolítica, ela deve ser usada estrategicamente e com parcimônia. Os impulsos voláteis de Trump, sobre os quais ele pode agir com mais rapidez e facilidade do que qualquer outro líder na história, representam um novo nível de caos.

CONSTRUIR UM LEVIATÃ

A nova anarquia trumpiana difere em outro aspecto importante: em nenhum outro momento da história uma potência dominante que, durante séculos, consolidou-se como uma democracia (ainda que nunca plena) começou a retroceder e a desmantelar suas instituições democráticas tão rapidamente. O Reino Unido, por exemplo, perdeu seu status de grande potência à medida que se tornava mais democrático no século XIX, e não menos. Hoje, os Estados Unidos estão rasgando as antigas regras internacionais e tentando derrubar suas restrições institucionais internas e os fundamentos do poder no espaço de um ano vertiginoso.

Nesse sentido, a visão de mundo de Trump se aproxima mais da compreensão de anarquia de Hobbes do que da dos realistas. Embora a maioria dos realistas considere Hobbes parte de sua tradição intelectual, sua visão de ordem se estendia mais profundamente à esfera doméstica do que a maioria dos realistas se atreve a admitir. Ele descreveu a anarquia como uma guerra de "todos contra todos", na qual a vida é "desagradável, brutal e curta". Menos conhecida é sua crença de que, para uma comunidade política sobreviver em um mundo tão brutal, um soberano precisa ser capaz de exercer poder praticamente irrestrito em seu próprio território. Hobbes desprezava qualquer separação de poderes ou qualquer aglomeração de poder interna fora do próprio soberano.

No primeiro ano de seu segundo mandato, Trump tentou consolidar sua autoridade tanto internacional quanto doméstica. No âmbito internacional, deixou claro que não se considera limitado por nenhuma forma de lei ou norma internacional. Em entrevista ao The New York Times, declarou que sua própria moralidade é a única restrição às suas ações. "Não preciso de direito internacional", disse aos repórteres. Seu governo agiu de acordo. Pouco depois de sua confirmação, o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, demitiu os principais advogados das Forças Armadas, deixando claro que acredita que as limitações legais à guerra representam um obstáculo ao poder dos EUA. Hegseth agora é acusado de violar o direito internacional após os ataques dos Estados Unidos a supostos barcos de tráfico de drogas no Caribe e a operação para depor Maduro na Venezuela.

Trump também tomou medidas para eliminar as restrições internas ao seu poder. Durante seu primeiro mandato, Trump se irritou com diversos mecanismos internos que se opunham aos seus impulsos e preferências políticas: o Congresso, o Judiciário e até mesmo os chamados "adultos na sala" dentro de sua própria administração. Em seu segundo mandato, no entanto, Trump ignorou, contornou ou atropelou quaisquer restrições legais ou institucionais. Com pouca oposição do Congresso ou da Suprema Corte, ele declarou dez estados de emergência diferentes durante seu primeiro ano no cargo, em assuntos tão variados quanto energia, imigração e o Tribunal Penal Internacional, ações que ampliam o poder do Executivo. Ele promulgou um regime tarifário de duvidosa origem constitucional, numa tentativa de remodelar a economia global e reconstruir o setor manufatureiro dos EUA. Ele mobilizou agentes federais e tropas da Guarda Nacional em cidades, desafiando diretamente os desejos dos líderes locais, para acelerar sua campanha de deportação em massa. Demitiu e tentou demitir funcionários do Poder Executivo que antes eram considerados independentes da prerrogativa presidencial. Transformou o Departamento de Justiça em arma para perseguir suas vinganças políticas. E atacou os fundamentos do poder nacional, cortando drasticamente o financiamento para pesquisa científica e expertise diplomática.

Em junho, um de nós (Saunders) argumentou na revista Foreign Affairs que os Estados Unidos têm uma política externa de uma ditadura personalista. Hoje, tanto no âmbito nacional quanto internacional, o presidente dos Estados Unidos age com poucas restrições. Os cidadãos dos Estados Unidos agora se veem sujeitos à mesma anarquia hobbesiana que Trump desencadeou no resto do mundo. Juízes, júris e cidadãos estão reagindo e podem, em última instância, impedir que Trump alcance a autocracia consolidada que ele parece buscar. Mas reconstruir a confiança nas instituições americanas em nível nacional, muito menos em nível internacional, será um processo difícil e demorado.

DESPREOCUPANTE, BRUTAL E MÍOPE

O cientista político Alexander Wendt argumentou certa vez que “a anarquia é o que os Estados fazem dela”. O governo Trump se apropriou dos vastos poderes concedidos ao presidente dos Estados Unidos, ainda dominantes, para criar uma versão de anarquia que é hobbesiana em todos os sentidos. Chamou sua estratégia de “paz pela força” e declarou uma política externa de “realismo flexível”, que seus autores entendem como sendo “realista sobre o que é possível e desejável buscar em suas relações com outras nações”.

Os apoiadores de Trump argumentariam que essa abordagem fortaleceu a hegemonia dos EUA. De fato, com suas ações frenéticas ao redor do mundo, Trump destacou todas as vantagens que os Estados Unidos acumularam ao longo do século americano. Sua administração, no entanto, está usando-as de maneiras que nenhum realista recomendaria.

Os alicerces do poder americano estão enraizados no Estado de Direito em território nacional e em um compromisso crível no exterior, justamente o que Trump tentou desmantelar. O desmantelamento da ajuda externa e da infraestrutura da supremacia científica e tecnológica dos EUA, seu perigoso confronto com aliados europeus inabaláveis ​​e, o mais prejudicial de tudo, o uso das forças armadas e das forças de segurança federais para consolidar sua autoridade interna, a longo prazo, minarão o poder americano. Aliados em conflito já estão buscando contato com a China e entre si para se protegerem de um Estados Unidos errático. Independentemente do sucesso dessas ações, elas enfraquecem os Estados Unidos e tornam a China relativamente mais atraente para potências menores em busca de segurança. Na ordem global de soma zero de Trump, serão os Estados Unidos que, em última análise, pagarão o preço.

12 de novembro de 2024

O fim do excepcionalismo americano

A reeleição de Trump redefinirá o poder dos EUA

Daniel W. Drezner

https://www.foreignaffairs.com/united-states/end-american-exceptionalism

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, sobe ao palco na noite da eleição, West Palm Beach, Flórida, novembro de 2024
Callaghan O'Hare / Reuters

A única coisa incontroversa sobre Donald Trump é como ele ganhou seu segundo mandato. Apesar das pesquisas mostrarem um empate estatístico e temores de uma longa e prolongada espera pelos resultados das eleições, Trump foi declarado vencedor na manhã da última quarta-feira. Ao contrário de 2016, ele ganhou o voto popular, bem como o Colégio Eleitoral, melhorando suas margens em quase todos os grupos demográficos. Os republicanos ganharam uma forte maioria no Senado de 53 cadeiras e parecem propensos a manter o controle da Câmara dos Representantes. Para o resto do mundo, a imagem deve ser clara: o movimento "Make America Great Again" (MAGA) de Trump definirá a política externa dos EUA pelos próximos quatro anos.

Qualquer observador atento do primeiro mandato de Trump deve estar familiarizado com suas preferências de política externa, bem como com seu processo de política externa. No entanto, é provável que haja três diferenças significativas entre as políticas externas do primeiro e do segundo mandato de Trump. Primeiro, Trump assumirá o cargo com uma equipe de segurança nacional mais homogênea do que tinha em 2017. Segundo, o estado do mundo em 2025 é bem diferente do que era em 2017. E terceiro, atores estrangeiros terão uma leitura muito melhor de Donald Trump.

Trump navegará pela política mundial com mais confiança desta vez. Se ele terá mais sorte em dobrar o mundo para sua marca "América em primeiro lugar" é outra questão completamente diferente. O que é certo, no entanto, é que a era do excepcionalismo americano acabou. Sob Trump, a política externa dos EUA deixará de promover ideais americanos de longa data. Isso, combinado com uma onda esperada de práticas corruptas de política externa, deixará os Estados Unidos parecendo uma grande potência comum.

AS REGRAS DO JOGO

A visão de mundo da política externa de Trump tem sido clara desde que ele entrou na vida política. Ele acredita que a ordem internacional liberal criada pelos EUA, ao longo do tempo, empilhou o baralho contra os Estados Unidos. Para mudar esse desequilíbrio, Trump quer restringir os fluxos econômicos internos, como importações e imigrantes (embora ele goste de investimento estrangeiro direto interno). Ele quer que os aliados assumam mais o fardo de sua própria defesa. E ele acredita que pode fechar acordos com autocratas, como Vladimir Putin da Rússia ou Kim Jong Un da ​​Coreia do Norte, que reduzirão as tensões em pontos de conflito globais e permitirão que os Estados Unidos se concentrem internamente.

Equally clear are Trump’s preferred means of getting what he wants in world politics. The former and future president is a strong believer in using coercion, such as economic sanctions, to pressure other actors. He also subscribes to the “madman theory,” in which he will threaten massive tariff increases or “fire and fury” against other countries in the firm belief that such threats will compel them into offering greater concessions than they otherwise would. At the same time, however, Trump also practices a transactional view of foreign policy, demonstrating a willingness during his first term to link disparate issues to secure economic concessions. On China, for example, Trump displayed a recurring willingness to give ground on other issues—the crackdown in Hong Kong, the repression in Xinjiang, the arrest of a senior executive of the Chinese tech company Huawei—in return for a better bilateral trade deal.

Trump’s foreign policy track record during his first term was decidedly mixed. If one looks at the renegotiated deals for the South Korea Free Trade Agreement or the North American Free Trade Agreement (rebranded as the United States-Mexico-Canada Agreement, or USMCA), his attempts at coercion produced meager results. The same is true with his summitry with Kim Jong Un. But one can argue that this might have been because of the rather chaotic nature of the Trump White House. There were plenty of times when Trump seemed at war with his own administration, often leading to the characterization of his more mainstream foreign policy advisers (such as Secretary of Defense Jim Mattis and National Security Adviser H. R. McMaster) as the “adults in the room.” The result was a lot of personnel churn and inconstancy in foreign policy positioning, which degraded Trump’s ability to achieve his aims.

That should not be an issue for Trump’s second term. Over the past eight years, he has collected enough acolytes to staff his foreign policy and national security team with like-minded officials. He is far less likely to meet resistance from his own political appointees. Other checks on Trump’s policy will also be far weaker. The legislative and judicial branches of government are now more MAGA-friendly than they were in 2017. Trump has indicated numerous times that he intends to purge the military and bureaucracy of professionals who oppose his policies, and he will likely use Schedule F—a measure to reclassify civil service positions as political slots—to force them out. For the next few years, the United States will speak with one voice on foreign policy, and that voice will be Trump’s.

Although Trump’s ability to command the foreign policy machinery will be enhanced, his ability to improve the United States’ place in the world is another matter. The most prominent U.S. entanglements are in Ukraine and Gaza. During the 2024 campaign, Trump criticized Biden for the chaotic 2021 U.S. withdrawal from Afghanistan, asserting that “the humiliation in Afghanistan set off the collapse of American credibility and respect all around the world.” A similar outcome in Ukraine would create similar political problems for Trump. In Gaza, Trump has urged Benjamin Netanyahu to “finish the job” and destroy Hamas. Netanyahu’s lack of strategic vision to accomplish this task, however, suggests that Israel will be prosecuting an ongoing war that has alienated many potential U.S. partners in the world. The reality is that Trump will find it more difficult to withdraw the United States from these conflicts than he claimed on the campaign trail.

Furthermore, the global rules of the game have changed since 2017, when existing U.S. initiatives, coalitions, and institutions still had a lot of juice. In the interim, other great powers have become more active in creating and bolstering their own structures independent of the United States. These range from the BRICS+ to OPEC+ to the Shanghai Cooperation Organization. More informally, one can see a “coalition of the sanctioned,” in which China, North Korea, and Iran are happy to help Russia disrupt global order. Trump may very well want to join some of these groupings rather than create compelling substitutes for them. His stated efforts to divide these groupings will likely fail. Autocrats might distrust each other, but they will distrust Donald Trump more.

The most important difference between Trump 2.0 and Trump 1.0, however, is also the simplest: Donald Trump is now a known commodity on the global stage. As the Columbia professor Elizabeth Saunders recently observed, “In the 2016 election, Trump’s foreign policy was somewhat mysterious. . . . In 2024, however, Trump’s actions are far easier to predict. The candidate who wanted to be the ‘madman’ and loved the idea of keeping other countries guessing has become a politician with a pretty predictable agenda.” Leaders such as Xi, Putin, Kim, Turkish President Recep Tayyip Erdogan, and even French President Emmanuel Macron have seen Trump’s schtick before. Both great powers and smaller states know by now that the best way to deal with Trump is to shower him with pomp and circumstance, abstain from fact-checking him in public, make flashy but token concessions, and remain secure that by and large their core interests will be preserved. Trump’s negotiating style yielded minimal concrete gains in his first term; it will yield less than that in his second term.

NO LONGER AN EXCEPTION

Does all of this mean Trump 2.0 will just be more of the same? Not exactly. Trump’s reelection augurs two trends in U.S. foreign policy that will be difficult to reverse. The first is the inevitable corruption that will compromise U.S. policies. Former policy principals in prior administrations, from Henry Kissinger to Hillary Clinton, have profited from their public service through book deals, keynote speeches, and geopolitical consulting. Former Trump officials have taken this to a whole new level, however. Advisers such as Trump’s son-in-law and White House aide Jared Kushner and Richard Grenell, a former ambassador and acting director of national intelligence, leveraged the ties they made as policymakers to secure billions in foreign investment (including from foreign government investment funds) and real estate deals almost immediately after they left office. It will not be surprising if foreign benefactors approach Trump’s coterie of advisers with implicit and explicit promises of lucrative deals after their time in office—as long as they play ball while in power. Combine this with the expected role that billionaires such as Elon Musk will play in Trump 2.0, and one can foresee a dramatic increase in the corruption of U.S. foreign policy.

The other trend that Trump 2.0 will accelerate is the end of American exceptionalism. From Harry Truman to Joe Biden, U.S. presidents have embraced the notion that American values and ideals play an important role in U.S. foreign policy. This claim has been contested at various times, but promoting democracy and advancing human rights has been identified as in the national interest for quite some time. The political scientist Joseph Nye has argued that these American ideals are a core component of U.S. soft power.

U.S. policy blunders, as well as Russian “whataboutism”—deflecting criticism of one’s own bad behavior by pointing to another’s bad behavior—have eroded the power of American exceptionalism. Trump 2.0 will bury it. Indeed, Trump himself embraces a version of whataboutism when it comes to American values. Early in his first term he noted, “We’ve got a lot of killers. What do you think—our country’s so innocent?”

Back then, foreign audiences could rationalize that most Americans did not believe this, given that Trump did not win the popular vote. The 2024 election shatters that belief. During the campaign, Trump promised to bomb Mexico and to deport legal immigrants, called opposition politicians the “enemies from within,” and claimed that migrants were “poisoning the blood” of the country. Despite all this—or perhaps because of it—Trump won a popular majority. When the rest of the world looks at Trump, they will no longer see an aberrant exception to American exceptionalism; they will see what America stands for in the twenty-first century.

DANIEL W. DREZNER is Distinguished Professor of International Politics at the Fletcher School of Law and Diplomacy at Tufts University and the author of the newsletter Drezner’s World.

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