Chris Maisano
![]() |
| Eugene Debs in 1912. (Library of Congress) |
Markwayne Mullin é um congressista republicano ultraconservador do leste de Oklahoma. Ele detesta o socialismo e não tem receio de deixar isso claro.
“O socialismo não passa de uma democracia livre disfarçada; ou seja, fazem você acreditar que tem escolha, mas na verdade não tem”, alertou ele aos seus eleitores em 2019. O Green New Deal “não tem nada a ver com acabar com os puns das minhas vacas”, insistiu. “Tem a ver com o fato de a fazenda ser considerada um risco à saúde pública”, permitindo que o governo federal invoque o direito de desapropriação e “tome posse de nossas fazendas”. E se os socialistas e burocratas de Nova York e Washington, D.C., podem usar vacas que soltam gases como pretexto para confiscar fazendas, o que virá a seguir?
Donald Trump soube explorar com habilidade o medo do “socialismo” para obter margens expressivas de vitória em locais como o distrito congressional de Mullin — que, em 2020, deu a Trump a maior vantagem do estado (76% contra 22%).
No entanto, essa região predominantemente rural nem sempre foi um reduto de reacionarismo. Há um século, figuras socialistas combativas, como Kate Richards O’Hare, encontravam um público receptivo no leste de Oklahoma, e o estado ostentava a maior taxa de filiação per capita ao Partido Socialista (SP) em todo o país. Eugene Debs, candidato presidencial socialista por cinco vezes, via os agricultores do sudoeste como “verdadeiros socialistas... prontos para a ação; e, se chegar o momento em que homens sejam necessários no front para lutar e morrer pela causa, os agricultores do Texas e de Oklahoma estarão lá”.
![]() |
| Kate Richards O’Hare discursa em frente ao tribunal de St. Louis em 2 de maio de 1914. (Wikimedia Commons) |
Hoje, as palavras de Debs soam como uma transmissão vinda de outra dimensão. Embora socialistas, radicais e progressistas realizem trabalhos importantes em todo o país, a política de esquerda é — pelo menos por enquanto — amplamente associada às áreas mais urbanas e cosmopolitas dos Estados Unidos.
A seção de Nova York da organização Democratic Socialists of America (DSA) concentra cerca de 10% de todos os seus membros. O grupo de socialistas democráticos recém-eleitos para o Congresso vem de lugares como o Bronx e o Queens (Alexandria Ocasio-Cortez), os subúrbios ao norte de Nova York (Jamaal Bowman), Detroit (Rashida Tlaib) e St. Louis (Cori Bush). Até o momento, avanços eleitorais em legislativos estaduais ocorreram apenas em Nova York, e todos esses legisladores representam distritos da cidade de Nova York. Chicago conta com uma bancada socialista em sua câmara municipal, mas nenhuma outra cidade pode dizer o mesmo.
Este ano marca o 120º aniversário da fundação do Partido Socialista (SP). E, em seu auge, muitos dos principais redutos do movimento situavam-se nas áreas mais rurais do país. Como observa James Weinstein em The Decline of Socialism in America, 1912-1925, até 1918 "a maior força eleitoral relativa do movimento concentrava-se a oeste do rio Mississippi, nos estados onde predominavam a mineração, a exploração madeireira e o arrendamento agrícola".
No auge do movimento, muitos de seus principais redutos situavam-se nas áreas mais rurais do país.
Além de Oklahoma, os estados com as maiores proporções de eleitores do SP eram Nevada, Montana, Washington, Califórnia, Idaho, Flórida, Arizona e Wisconsin. Butte, em Montana — que elegeu um governo socialista liderado pelo prefeito Lewis Duncan em 1911 —, abriga um dos últimos vestígios públicos do antigo SP: o Socialist Hall. Mesmo em estados como Nova York, o partido costumava ter um desempenho tão bom em cidades menores do interior — como Schenectady, onde o prefeito socialista George Lunn foi eleito para dois mandatos na década de 1910 — quanto na cidade de Nova York.
Hoje, os socialistas das grandes cidades ainda têm muito trabalho a fazer em nossos bairros e locais de trabalho. Mas, se quisermos nos tornar um movimento verdadeiramente popular, precisamos encontrar maneiras de crescer para além de nossas bases nas áreas metropolitanas. Reexaminar a trajetória do SP na construção de poder nas zonas rurais e nas pequenas cidades dos EUA — incluindo uma avaliação franca de seus fracassos e deficiências — pode nos dar uma ideia de como esse legado poderia ser reconstruído nos dias de hoje.
A luta de classes no velho sudoeste
O Partido Socialista (SP) não foi, de forma alguma, a primeira organização a fazer um apelo radical às regiões do interior do país. Nas últimas décadas do século XIX, os Knights of Labor, o Partido Popular (Populista) e outras organizações mobilizaram trabalhadores e agricultores contra o poder crescente de banqueiros, magnatas das ferrovias e especuladores de terras.
No entanto, quando o Partido Socialista foi fundado em 1901, não surgiu simplesmente como uma reencarnação do Populismo. Como observa James Green em Grass-Roots Socialism: Radical Movements in the Southwest, 1895–1943, embora muitos dos primeiros líderes do SP fossem ex-populistas, as principais áreas de apoio socialista na região situavam-se fora dos antigos redutos populistas, concentrando-se entre as fileiras crescentes de arrendatários rurais e trabalhadores industriais nas zonas de cultivo de algodão e mineração de carvão.
Além dos antigos "populistas", o movimento contou com um quadro experiente de organizadores trabalhistas, como o veterano militante dos Knights of Labor, Martin Irons — um escocês de semblante marcado pelo tempo que liderara uma enorme greve ferroviária em 1886 contra o magnata Jay Gould.
Radicais e socialistas da região obtinham grande parte de seu apoio de migrantes que haviam deixado suas casas em busca de terras. Em vez de um idílio de fronteira, esses migrantes descobriram que muitas das melhores terras já haviam sido apropriadas por ferrovias, especuladores e pecuaristas, e que o custo para estabelecer uma propriedade agrícola independente era, muitas vezes, proibitivo. Muitos agricultores nominalmente independentes tornaram-se profundamente dependentes de credores. Na virada do século, a maioria dos agricultores da região eram arrendatários e meeiros, e não os pequenos proprietários autossuficientes com que sonhavam.
![]() |
| Oscar Ameringer em 1920 (Wikimedia Commons). |
Alguns desses arrendatários eram cherokees, choctaws e outros indígenas que haviam tido suas terras tribais usurpadas. Alguns eram migrantes negros que buscavam escapar do regime de segregação racial conhecido como Jim Crow. A maioria era branca. Quase todos eram pobres, presos em formas exploratórias de financiamento agrícola, como o sistema de garantia sobre a colheita futura. Esse conjunto de relações de propriedade gerou intensas lutas de classe entre arrendatários rurais e proprietários de terras, permitindo aos socialistas explorar fissuras na base eleitoral do Partido Democrata. Além dos agricultores arrendatários, os organizadores socialistas foram bem recebidos entre os mineiros, trabalhadores madeireiros e ferroviários de Oklahoma, Texas, Arkansas, Kansas e do interior do Oeste. Eles obtiveram sucesso especial no recrutamento de mineiros militantes, que estabeleceram seções locais fortes do United Mine Workers (UMW) e da Western Federation of Mineworkers (WFM) por toda a região.
O UMW foi uma das principais fontes de recrutamento de negros para o socialismo no Sudoeste, sendo uma das poucas organizações que buscavam unir trabalhadores para além das divisões raciais. As seções locais do SP (Partido Socialista), no entanto, nem sempre estavam dispostas a fazer o mesmo. Muitos membros brancos do SP resistiam à cooperação com agricultores negros e indígenas, e podiam-se encontrar seções partidárias segregadas no Texas, na Louisiana e em outros lugares.
Ainda assim, vários líderes socialistas combateram o racismo e a supremacia branca dentro do movimento. O audacioso radical sulista Covington Hall organizou trabalhadores portuários de diferentes raças em Nova Orleans e foi um dos principais fundadores da organização interracial Brotherhood of Timber Workers (BTW — Irmandade dos Trabalhadores Madeireiros). Oscar Ameringer, uma das figuras mais subestimadas da história do socialismo americano, trabalhou para unir trabalhadores negros e brancos de cervejarias em Nova Orleans, enquanto atuava a serviço do Sindicato dos Trabalhadores de Cervejarias, liderado por socialistas. Quando se mudou para Oklahoma em 1907, rapidamente começou a fazer agitação em prol do socialismo entre agricultores arrendatários no Território Indígena. Juntamente com o secretário estadual do partido, Otto Branstetter — outro social-democrata alemão com laços estreitos com os socialistas de Milwaukee —, ele buscou reunir trabalhadores negros, brancos e indígenas em uma seção do SP forte e bem organizada.
Disseminando a boa nova do socialismo
As organizações oficiais do partido não surgiram da noite para o dia. Nos primeiros anos do século XX, o Sudoeste estava coberto por uma vasta rede de atividades jornalísticas e de propaganda que atraía multidões para o movimento socialista — em muitos casos, antes mesmo que as organizações oficiais do partido, carentes de recursos, pudessem alcançá-las. Como relata Green em Grass-Roots Socialism, jornalistas radicais, intelectuais e propagandistas promoveram "um nível incomum de auto-organização e autoeducação entre os trabalhadores pobres que aderiram ao movimento".
Ninguém foi mais importante do que Julius Wayland, cujo jornal semanal, Appeal to Reason, foi fundamental para a educação e a organização socialista em lugares como Oklahoma e Texas. O "Exército do Appeal" — uma força de vendedores voluntários do jornal — espalhava-se pelo interior como pregadores itinerantes metodistas, oferecendo assinaturas e panfletos e lançando as sementes de organizações partidárias por onde passavam. Em 1912, escreve Green, "mais de seis mil voluntários do Appeal percorriam Oklahoma e Texas a pé, de bicicleta e de charrete, disseminando o evangelho socialista". Seus esforços garantiram ao jornal uma circulação nacional de cerca de 750.000 exemplares — a maior entre todas as publicações semanais do país. O Appeal, nas palavras de Green, “foi literalmente o único contato com o socialismo vivenciado por muitas pessoas na primeira década do século, e desempenhou um papel fundamental na conversão de agricultores e trabalhadores mais jovens” que não eram veteranos da organização Knights of Labor nem do movimento populista. Outros jornais não oficiais, porém alinhados ao socialismo — como o National Rip-Saw (St. Louis) e o Rebel (Hallettsville, Texas) —, cumpriram um papel semelhante, levando o socialismo às pessoas por meio de uma linguagem que combinava a luta de classes com o republicanismo americano e o cristianismo evangélico.
Jornais de orientação socialista levaram o socialismo ao povo em uma linguagem que mesclava a luta de classes com o republicanismo americano e o cristianismo evangélico.
Os organizadores socialistas também fizeram excelente uso dos acampamentos de massa, uma prática familiar associada tanto ao populismo quanto aos movimentos de reavivamento religioso. Os socialistas organizaram seu primeiro acampamento em 1904, na região de Grand Saline, no Texas, onde mil agricultores de toda a área compareceram para ouvir discursos e palestras por horas a fio. Como descreveu um relato na imprensa socialista: “Vá até a região de Grand Saline e veja antigos democratas... pregando o socialismo com o mesmo fervor com que os pentecostais pregavam o Novo Evangelho; talvez assim você tenha uma noção mais clara do que aquele acampamento alcançou”.
Esses acampamentos atraíram milhares de pessoas para o movimento porque “recorriam às tradições coletivas da fronteira e conferiam significado político a experiências cotidianas”. Pregadores e professores difundiam ideias socialistas utilizando uma linguagem bíblica e populista para justificar a luta contra aqueles que negavam aos trabalhadores — tanto braçais quanto intelectuais — o fruto integral de seu esforço.
Ameringer descreveu o impacto dos acampamentos em termos vívidos:
Para aquelas pessoas, o radicalismo não era um passatempo intelectual. Elas viviam sob pressão. Muitas de suas propriedades rurais já estavam hipotecadas. Algumas já haviam sido perdidas em execuções de hipoteca. Elas buscavam a libertação do monstro do Leste, cuja toca situavam em Wall Street. Abraçaram o socialismo como uma nova religião. E lutaram e se sacrificaram pela propagação dessa nova fé, tal como os mártires de outras crenças.
Os participantes ficavam fascinados pela oratória de líderes renomados como Mother Jones, mas também transformavam em pequenas celebridades figuras hoje esquecidas, como Walter Thomas Mills. Conhecido como o “pequeno professor”, esse polímata de baixa estatura fundou uma “Escola de Economia Social para Socialistas” e escreveu um livro didático popular intitulado The Struggle for Existence, que oferecia aos leitores uma mistura eclética de moralismo cristão e socialismo científico. Se um bom organizador é, nas palavras de Fred Ross, um “incendiário social que sai por aí inflamando as pessoas”, o antigo movimento socialista contava com muitos deles.
E ninguém no movimento inflamava mais as pessoas do que Eugene Debs, indiscutivelmente o orador mais popular dos acampamentos do Sudoeste. Debs imprimia uma intensidade tanto profética quanto intelectual aos seus discursos e transmitia uma fé inabalável na capacidade de as pessoas mais pobres e marginalizadas mudarem o mundo. Refletindo sobre o sucesso dos acampamentos, Debs descreveu como os agricultores e suas famílias voltavam para casa “sentindo-se revigorados em uma fonte de entusiasmo”, prontos e capazes de levar “as boas novas do dia que se avizinha” aos seus amigos e vizinhos.
Aliança entre trabalhadores e agricultores
Uma imprensa vibrante e táticas de organização eficazes, como os acampamentos, foram fundamentais para o sucesso dos socialistas nas áreas rurais. No entanto, o movimento não teria encontrado um terreno tão fértil se não tivesse apelado diretamente aos interesses materiais das pessoas — mesmo que estes divergissem das prescrições marxistas ortodoxas.
Os partidos do Texas e de Oklahoma, por exemplo, apoiaram as reivindicações — essencialmente populistas — dos agricultores arrendatários pela propriedade privada de terras agrícolas em pequena escala, apesar da oposição de membros do partido de outras regiões do país. Os críticos argumentavam que as pequenas propriedades familiares eram ineficientes e obsoletas, e que apenas as reivindicações de coletivização da terra eram compatíveis com o verdadeiro socialismo.
O movimento não teria encontrado terreno tão fértil se não apelasse diretamente aos interesses materiais das pessoas — mesmo que isso significasse divergir das prescrições marxistas ortodoxas.
Outros socialistas discordavam. Em seu influente estudo de 1902, The American Farmer, Algie Simons insistia que os pequenos agricultores não apenas não estavam desaparecendo, mas que o poder crescente do capital corporativo fazia deles um público em potencial para os socialistas.
O argumento principal de Simons tinha duas vertentes. Primeiro, "o pequeno proprietário rural é um fator permanente na vida agrícola da América e constitui a maior parcela homogênea da classe produtora"; segundo, "qualquer movimento que busque atuar com ou em prol da classe produtora deve levá-lo em consideração". Em sua visão, os trabalhadores industriais não poderiam transformar a sociedade sem que as massas de pequenos agricultores estivessem ao seu lado, tanto nas urnas quanto no campo do conflito de classes.
Os argumentos de Simons ganharam força adicional após os resultados decepcionantes do partido nas eleições de 1908, quando este não apresentou nenhum programa agrário além de um apelo vago pela propriedade coletiva de todas as terras. Em 1912, o congresso nacional do partido adotou um programa agrário que incorporava demandas há muito defendidas por Simons e pelos socialistas do Sudoeste: cooperativas apoiadas pelo Estado; propriedade pública de instalações de transporte, armazenamento e processamento; impostos progressivos sobre a terra; e a expansão de arrendamentos de terras a baixo custo e com garantia governamental para agricultores familiares.
O novo programa marcou um momento importante no desenvolvimento do movimento. Como Simons escreveu após a convenção de 1912: "As condições na agricultura, no partido e nas opiniões dos delegados mudaram com o passar dos anos; agora, o Partido Socialista avança com uma declaração clara de sua posição em relação ao agricultor, o que deverá significar um crescimento tremendo nas localidades agrícolas em um futuro próximo".
Ele estava certo. Em 1912, Debs recebeu um total de oitenta mil votos (cerca de um décimo de seu total nacional) provenientes de Oklahoma, Texas, Louisiana e Arkansas. No auge de sua força, em meados da década, o partido em Oklahoma contava com cerca de dez mil membros — a maior quantidade de membros per capita entre todos os estados do país. Em 1914 e 1915 — ano em que o Partido Socialista (SP) teve o maior número de legisladores estaduais em exercício —, os estados a oeste do rio Mississippi respondiam por dezenove dos trinta e três legisladores. Somente Oklahoma foi responsável por seis — ficando atrás apenas dos nove de Wisconsin — e elegeu um total de 175 socialistas para cargos locais e de condado.
![]() |
| Eugene Debs discursando em 1908. (Wikimedia Commons) |
As divergências internas do partido sobre a melhor forma de abordar as massas rurais assemelhavam-se aos debates ocorridos em outros partidos da Segunda Internacional. Em sua resenha do livro de Simons, o teórico alemão Karl Kautsky observou que a questão agrária era um dos temas "mais difíceis e controversos" no Partido Social-Democrata Alemão, colocando em lados opostos os bávaros e outros sulistas — que desejavam atrair camponeses pobres e de classe média — e os nortistas, que pretendiam recrutar apenas trabalhadores agrícolas sem terra de grandes propriedades.
Essa questão também representava uma importante linha divisória na social-democracia russa: o apoio de Lênin a uma aliança com o campesinato russo o colocou em conflito com os mencheviques, que concentravam sua atuação principalmente nas classes trabalhadoras urbanas e nos liberais burgueses.
O declínio dos pequenos agricultores enquanto classe social significa que os socialistas contemporâneos não enfrentam a mesma "questão agrária" que nossos antecessores. No entanto, o dilema das "posições de classe contraditórias" permanece muito atual, como demonstra claramente o debate — frequentemente acalorado — em torno da "questão da PMC" (classe profissional-gerencial). O desafio hoje é conciliar dois grupos social e politicamente isolados um do outro: trabalhadores assalariados progressistas e com alta escolaridade, de um lado, e as massas de trabalhadores com salários mais baixos e menor qualificação formal, de outro.
Contradictions and Failures
Similar dynamics played out on organizational questions and white supremacy. Left-wingers dominated the Oklahoma party’s ranks, but for years its social democratic leaders like Branstetter and Ameringer sought to reproduce the more centralized methods of Victor Berger’s Milwaukee organization. Local radicals denounced this “German form of organization” and sought greater organizational decentralization wherever possible.
The degree of commitment to interracial organizing did not tend to break down along neatly defined left-right lines either. In general, the Oklahoma Socialists took a firmer stand against white supremacy than their counterparts in Texas and elsewhere. Even the most radical elements of the movement could be weak on the question of racial equality. When Rebel editor Tom Hickey and other left-wing Texas Socialists formed a Land Renters’ Union in 1911 they barred blacks from joining the organization.
The union eventually organized black and brown tenants, but into separate locals. As Green notes, many of the poor white tenant farmers of the region “pitted themselves against landlords and businessmen on one hand, and against black sharecroppers and brown migrants on the other.” Otherwise radical leaders like Hickey did not combat this racism. Some of them, like Rebel publisher E. O. Meitzen, were blatant race-baiters and nativists.
To their credit, leaders like Ameringer, Branstetter, and Tenant Farmer editor Pat Nagle defended the rights of black and brown people and courted their support. In 1912, they and others successfully campaigned to add an explicitly anti-racist plank to the party’s platform through a membership referendum. Two years earlier, in 1910, Oklahoma party leaders campaigned against the Democrats’ successful referendum to disenfranchise black voters in the state. Some party members voted for it, but Green concludes that a majority of Oklahoma Socialists voted against it.
In light of these struggles, Ameringer denounced “the bitter race hatred that has been a nightmare to every clear-seeing Socialist working man in the South.” Many rank-and-file Socialists agreed with him. There were some important examples of interracial organizing in the region, particularly among miners and timber workers oriented toward industrial unionism.
The BTW, which organized black and white workers in the piney woods spanning west Louisiana and east Texas, was exemplary in this regard. It proved much harder, however, to convince white tenant farmers to unite with blacks in common organizations instead of fearing them as competitors. The movement as a whole was weaker than it should have been as a result.
Rebellion, Repression, Retreat
The SP maintained a fairly steady level of membership and electoral strength in the Southwest and interior West until the United States entered World War I in 1917. But the combination of repression and a severe cotton crisis triggered by the war arrested the movement’s growth and set the stage for its eventual defeat.
The organized strength of Socialism stirred the region’s ruling classes to wage a reactionary countermovement. Timber workers, miners, and tenant farmers clashed with bosses and landlords in bitter strikes and confrontations. At the same time, left-wing “Reds” in the Oklahoma party took aim at social democratic “Yellows” like Ameringer and Branstetter, and ousted them from their positions in 1913.
A força organizada do socialismo levou as classes dominantes da região a promover um contra-movimento reacionário.
These dynamics inverted the story that was playing out elsewhere in the movement at the time. As Green observes, the heightening of Southwestern class conflict around 1913 boosted the fortunes of local left-wingers and direct-actionists at the same time the likes of Haywood were being ousted from national leadership positions.
The Oklahoma Socialists made solid gains at the ballot box in 1914, when UMW militant Fred Holt stood as the party’s gubernatorial candidate. With the state’s cotton farming districts racked by drought and a collapse in prices, the party waged a robust campaign against the Democrats and Republicans. Holt won 21 percent of the statewide vote, polling more votes than Debs in his 1912 presidential campaign. His coattails, and those of other effective candidates like Nagle, swept a wave of Socialists into office at the state, county, and local levels throughout Oklahoma.
While the party made big gains in Oklahoma and held ground in Texas, it did not fare as well elsewhere. In 1914, lumber barons smashed the BTW in Louisiana, which effectively defeated the Socialist movement in the state. At the same time, Democrat-sponsored suffrage restrictions and election “reforms,” combined with the devastating cotton crisis, pushed increasingly desperate tenant farmers to adopt guerrilla tactics.
In 1915, an underground conspiratorial organization called the Working Class Union (WCU) began dynamiting vats in protest of Oklahoma’s tick eradication law, which fell hardest on poor tenants. (The vats were used to dip cattle in arsenic to kill ticks, but only wealthier farmers and cattlemen could afford to comply with the rule.)
These and other militant actions like night-riding were understandable, even predictable, responses to economic hardship and political repression. But as Green notes, the turn to social banditry brought repression “where the party had already suffered serious losses as a result of blacklisting campaigns organized by Democratic businessmen, landlords, and politicians.”
To its lasting credit, the SP — unlike many of the other parties of the Second International — took a strong stand against entering World War I. Their reward was ruthless repression. The most damaging anti-Socialist measures came from the postmaster general, who removed party papers from the mail, impacting nearly every Socialist periodical of importance in the country. For the movement in rural areas — which relied heavily on the mail to organize, educate, and agitate — the postal crackdown was especially devastating.
The Oklahoma Socialists made solid gains at the ballot box in 1914, when UMW militant Fred Holt stood as the party’s gubernatorial candidate. With the state’s cotton farming districts racked by drought and a collapse in prices, the party waged a robust campaign against the Democrats and Republicans. Holt won 21 percent of the statewide vote, polling more votes than Debs in his 1912 presidential campaign. His coattails, and those of other effective candidates like Nagle, swept a wave of Socialists into office at the state, county, and local levels throughout Oklahoma.
While the party made big gains in Oklahoma and held ground in Texas, it did not fare as well elsewhere. In 1914, lumber barons smashed the BTW in Louisiana, which effectively defeated the Socialist movement in the state. At the same time, Democrat-sponsored suffrage restrictions and election “reforms,” combined with the devastating cotton crisis, pushed increasingly desperate tenant farmers to adopt guerrilla tactics.
In 1915, an underground conspiratorial organization called the Working Class Union (WCU) began dynamiting vats in protest of Oklahoma’s tick eradication law, which fell hardest on poor tenants. (The vats were used to dip cattle in arsenic to kill ticks, but only wealthier farmers and cattlemen could afford to comply with the rule.)
These and other militant actions like night-riding were understandable, even predictable, responses to economic hardship and political repression. But as Green notes, the turn to social banditry brought repression “where the party had already suffered serious losses as a result of blacklisting campaigns organized by Democratic businessmen, landlords, and politicians.”
To its lasting credit, the SP — unlike many of the other parties of the Second International — took a strong stand against entering World War I. Their reward was ruthless repression. The most damaging anti-Socialist measures came from the postmaster general, who removed party papers from the mail, impacting nearly every Socialist periodical of importance in the country. For the movement in rural areas — which relied heavily on the mail to organize, educate, and agitate — the postal crackdown was especially devastating.
As medidas antissocialistas mais prejudiciais partiram do Diretor-Geral dos Correios, que retirou as publicações partidárias da circulação postal, afetando praticamente todos os periódicos socialistas de relevância no país.
Oklahoma foi o palco da atividade antiguerra mais militante, incluindo um levante armado fracassado em 1917, conhecido como a Green Corn Rebellion. O Partido Socialista (SP) posicionava-se oficialmente contra tais táticas; no entanto, como muitos de seus membros estavam envolvidos na resistência armada, os Democratas que governavel o estado atacaram os socialistas em uma onda de repressão patriótica furiosa. Em 1918, o outrora poderoso Partido Socialista de Oklahoma estava aniquilado.
A organização partidária dissolveu-se por medo de maior repressão, e muitos de seus principais líderes e militantes fugiram do estado. Somente em 1918, observa Weinstein, "cerca de 1.500 das mais de 5.000 seções locais do Partido Socialista foram destruídas, principalmente em pequenas comunidades" e, de forma desproporcional, em áreas a oeste do Mississippi. Quando ocorreu a cisão de 1918–19 — que dizimou o SP e deu origem a dois partidos comunistas rivais —, o movimento em Oklahoma e na região a oeste do Mississippi, de modo geral, já havia sido esmagado pela violenta repressão do período de guerra.
Um tom de vermelho mais intenso?
O socialismo rural continuou a se manifestar nas Nonpartisan Leagues e nos movimentos Farmer-Labor do Meio-Oeste. No entanto, nas décadas seguintes, o socialismo tornou-se um fenômeno predominantemente urbano, à medida que comunistas e diversos grupos trotskistas concentravam grande parte de sua atenção nos trabalhadores das indústrias de produção em massa.
Os comunistas desempenharam um papel importante nos primeiros anos do Movimento pelos Direitos Civis no Sul, conforme documentado por Robin Kelley em Hammer and Hoe, e o Partido Comunista obteve alguns avanços limitados entre os agricultores do Meio-Oeste — particularmente nas Dakotas, em meio aos protestos rurais da década de 1930. Socialistas lideraram a formação do Southern Tenant Farmers’ Union (STFU — Sindicato dos Agricultores Arrendatários do Sul), fundado em 1934 para unir arrendatários negros e brancos nos antigos redutos do Partido Socialista no Sudoeste.
O sindicato recrutou dezenas de milhares de membros até o final da década de 1930, mas acabou não resistindo às pressões combinadas dos programas de auxílio agrícola do New Deal, da repressão violenta por parte dos proprietários de terras e da crescente mecanização da agricultura, que reduziu drasticamente tanto o trabalho assalariado no campo quanto o sistema de arrendamento agrícola. Nas últimas décadas do século XX, os estratos sociais que formavam a base do socialismo americano clássico estavam em franco declínio.
Milhares de propriedades familiares foram extintas permanentemente na década de 1980, levando consigo as comunidades rurais. A desindustrialização e os ataques aos direitos trabalhistas dizimaram as fileiras do UMW (Sindicato dos Trabalhadores em Minas de Carvão) e de outros sindicatos com presença rural. A base econômica da América rural deslocou-se, em grande medida, da agricultura, mineração e manufatura para o setor de serviços, especialmente nas áreas de saúde e alimentação.
Pelo menos nesse aspecto, as áreas urbanas e rurais tornaram-se mais semelhantes — o que, potencialmente, facilita a elaboração de demandas e programas capazes de superar divisões geográficas aparentemente intransponíveis. De qualquer modo, a transformação drástica do coração dos Estados Unidos significa que os contornos da política socialista democrática nessas regiões apresentarão um perfil muito diferente hoje em dia.
A transformação dramática do coração dos Estados Unidos significa que os contornos da política socialista democrática nessas regiões serão muito diferentes hoje.
Muitas áreas rurais encontram-se em situação crítica. Como descreve Marc Edelman em sua análise sóbria da América rural, desde a década de 1980, "caixas econômicas mútuas e cooperativas de crédito, cooperativas, pequenos negócios familiares, indústrias e jornais locais, instalações de saúde e de assistência a idosos, escolas e bibliotecas — todos foram vítimas de políticas de austeridade implacáveis ou de predadores do setor de private equity". A desintegração das comunidades rurais abriu caminho para demagogos reacionários como Donald Trump e Markwayne Mullin, que apontam o dedo para todos, exceto para aqueles que realmente merecem a culpa: os interesses corporativos que saquearam e abandonaram o comércio e a vida comunitária das pequenas cidades americanas.
A esquerda tem um duplo imperativo de reconstruir sua base nas pequenas cidades dos EUA. O grave sofrimento e a privação que predominam exigem medidas de alívio por si sós. As pessoas estão sofrendo, e a esquerda deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para aliviar esse sofrimento.
Há também uma razão mais prática: o sistema de representação política dos Estados Unidos é estruturalmente enviesado contra áreas urbanas e metropolitanas. Organizações como a DSA estão aumentando seu número de membros e construindo poder nos distritos mais urbanizados do país, mas as cidades muitas vezes carecem de capacidade econômica e política para resolver seus próprios problemas. Elas precisarão de apoio dos estados e do governo federal — apoio que provavelmente não virá se os representantes das áreas rurais e das pequenas cidades não estiverem dispostos a concedê-lo. Considere, por exemplo, a onda de leis de preempção (leis estaduais que anulam legislações municipais) aprovadas por governos estaduais de direita para impedir que municípios aumentem salários, implementem normas antidiscriminação, limitem o poder policial ou criem sistemas municipais de banda larga.
O antigo movimento socialista fez muitas de suas primeiras incursões no meio rural utilizando com habilidade a mídia de massa, particularmente os jornais. A esquerda atual deveria tentar replicar isso desenvolvendo meios de comunicação voltados especificamente para o público rural e de pequenas cidades.
O declínio da mídia impressa local abriu um vácuo que foi preenchido pela Fox News e por radialistas de direita; no entanto, a esquerda pode alcançar pessoas que buscam uma alternativa a essa dieta constante de demagogia reacionária. Uma onda de greves de professores de escolas públicas varreu estados dominados pelo Partido Republicano, como Oklahoma, entre 2018 e 2019; isso reavivou brevemente uma tradição militante adormecida e apontou para uma possível abertura política entre educadores e outros trabalhadores do serviço público.
A desintegração das comunidades rurais trouxe consequências sociais terríveis. Ao mesmo tempo, isso oferece à esquerda a oportunidade de criar núcleos — mesmo que pequenos — que proporcionem às pessoas um espaço de convivência social e um ponto de referência para a vida comunitária. Como observa Green em Grass-Roots Socialism, “em muitas áreas rurais do Sudoeste, o núcleo local do partido funcionava como uma pequena comunidade socialista, uma espécie de substituto para a ‘comunidade rural’ tradicional que estava em declínio”.
Os socialistas de outrora também souberam capitalizar o descontentamento das pessoas com as denominações cristãs estabelecidas, que serviam aos interesses de seus exploradores. O “evangelho da prosperidade”, tão popular hoje em dia, exige um novo “evangelho social” que ressoe onde o cristianismo evangélico é um aspecto central do cotidiano.
Devemos articular apelos sociais e espirituais a um programa de reivindicações materiais, incluindo a reforma agrária. Como argumentou Levi Van Sant, um programa de reforma agrária que conteste a concentração fundiária e a agricultura corporativa ecologicamente destrutiva poderia superar divisões geográficas e servir de base para uma aliança multirracial da classe trabalhadora.
Costuma-se presumir que as áreas rurais sejam homogeneamente brancas, mas essa percepção está longe da realidade. Imigrantes da América Latina, da África e de outras regiões trabalham em fazendas e frigoríficos, e comunidades significativas de nativos americanos, negros e latinos vivem em toda a zona rural dos Estados Unidos. Uma mensagem forte e consistente de igualdade racial deve ser parte integrante dessa agenda — não apenas para combater o racismo e o nativismo da direita, mas também para atrair segmentos fundamentais da nossa base potencial.
![]() |
| Milhares de pessoas se reúnem em Oklahoma City, em frente ao Capitólio estadual, durante uma paralisação da educação em todo o estado em 2018. (Scott Heins / Getty Images) |
Além da questão fundiária, um programa de esquerda apoiaria o financiamento de escolas e bibliotecas públicas, a ampliação da elegibilidade para o Medicare e o Medicaid, serviços de saúde mental e tratamento de dependência química, investimentos em transporte que reduzam a dependência de automóveis, banda larga de alta velocidade e a expansão do Serviço Postal dos EUA — incluindo o restabelecimento de serviços bancários postais para combater serviços predatórios de descontos de cheques e credores de empréstimos de curto prazo. Comunidades urbanas marginalizadas compartilham muitos desses mesmos interesses, o que poderia tornar mais fácil do que parece à primeira vista unir a periferia e os grandes centros urbanos em torno de um programa comum.
Não podemos simplesmente transpor para os dias de hoje o que os socialistas fizeram cento e vinte anos atrás. Mas há muito a aprender com essa história, especialmente no que diz respeito à construção de um movimento radical em territórios aparentemente hostis. O legado de Ameringer, Hall e Debs pode nos ajudar a tingir de um vermelho mais intenso algumas das áreas da América republicana que parecem mais refratárias a essa ideia.
Colaborador
Chris Maisano é editor colaborador da Jacobin e membro da Democratic Socialists of America (Socialistas Democráticos da América).





Nenhum comentário:
Postar um comentário