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21 de fevereiro de 2025

Uma estrela estranha

Em N.H. Pritchard.

Barry Schwabsky

Sidecar


A primeira coisa que eu deveria dizer sobre a poesia de N.H. Pritchard — mas já, mesmo antes de chegar a essa primeira coisa, há a coisa antes da primeira coisa: devo admitir que não tenho certeza de que poesia seja a coisa certa para chamá-la. Mas não importa, deixe-me começar de novo: uma das primeiras coisas que eu deveria dizer sobre a poesia de Pritchard é que eu não sei como lê-la. Agora, eu sei o que você está pensando. "A estratégia dele é fingir que não sabe como lê-la e, ao mesmo tempo, ele está planejando apresentar alguma leitura brilhante (ele acha) que nos deslumbrará ainda mais depois que ele diminuir nossas expectativas". Acredite em mim, não é isso que tenho em mente. É que levo a sério a estipulação que Pritchard fez no início do primeiro dos dois livros que publicou em vida: "As palavras são auxiliares do conteúdo". E como Kevin Young alertou, na primeira apreciação crítica completa da obra de Pritchard, "a frustração do leitor produz o poema".

Um dos recursos favoritos de Pritchard era usar o espaçamento entre letras para contradizer a legibilidade das palavras. Um verso típico em um dos poemas em Matrix diz (só posso aproximar as métricas do espaçamento de Pritchard): ‘am id the eth icks hift s stin t ofmo ans’. Sim, você pode desacelerar e juntar as peças novamente para ler: ‘amid the thick shifts tint of moans’. Mas você pode se perguntar se deveria deixar os pequenos grupos de letras como estão e aceitar as associações aleatórias que eles geram. Isso é ‘am id’ no sentido freudiano? E que ‘ética’ isso me permite? E assim por diante. Pritchard, eu acho, estava menos interessado em desacelerar a leitura, em torná-la difícil à maneira modernista, do que em frustrá-la (o que só pode acontecer quando quase parece possível). Concordo com Lillian-Yvonne Bertram que ‘nenhuma tentativa de “ler” os textos de Pritchard pode ser totalmente satisfatória ou representativa sem experimentar seus sons’ – mas como isso soa é precisamente a questão. Bertram cita o verso ‘an i m age less gleam in g’ e se pergunta se ele deve ser lido como ‘imageless gleaming’ ou ‘image less gleaming’, embora eu possa igualmente lê-lo como algo como ‘an I’m ageless gleam in G’ (seja sol maior ou sol menor, quem sabe). Duvido que haja uma única leitura correta.

Diante do enigma de como ler tal escrita, alguém procura contexto. Biografia? As informações disponíveis são escassas: Norman Henry Pritchard nasceu em uma família de imigrantes caribenhos em Nova York em 1939. Enquanto estudante na NYU, ele frequentava o Cedar Tavern, onde se misturava com os pintores expressionistas abstratos, uma geração mais velha, e na década de 1960 se envolveu com o grupo Umbra de escritores e poetas negros radicais. Seu trabalho apareceu em revistas, foi antologado e foi gravado para um LP de 'New Jazz Poets'. O primeiro livro de Pritchard, The Matrix, foi publicado pela Doubleday em 1970, e foi seguido por Eecchhooeess no ano seguinte, mas ambos foram ignorados pelos críticos. Suas aparições impressas logo diminuíram e nenhum outro livro apareceu. Pritchard foi perdido de vista, seu trabalho praticamente esquecido. Isso foi um acidente? A substância de sua obra, bem como a aparente casualidade de seu desaparecimento, parecem confirmar o "medo" de Charles Bernstein de sua insinuação de que "o contexto que dá significado ao nosso trabalho é tão frágil".

Escrevendo em 1992 — em um ensaio que essencialmente relançou a reputação de Pritchard — Young se perguntou por que seu trabalho nunca foi mencionado, "especialmente estranho dado que Matrix foi publicado durante o auge dos movimentos internacionais concretos e das artes negras, dois movimentos amplamente separados, mas simultâneos" aos quais o trabalho de Pritchard parece estar conectado. Mais atenção se seguiu, principalmente de colegas poetas (Aldon Lynn Nielsen, Zachary Schomburg e Craig Dworkin, bem como Bernstein e Bertram e provavelmente outros que não conheço), mas o reconhecimento mais amplo só veio em 2021, quando Matrix foi republicado pela Ugly Duckling Presse e Primary Information, e Eecchhooeess pela DABA, uma editora administrada pelo artista Adam Pendleton. No mesmo ano, a Jacket2 publicou pela primeira vez uma longa entrevista com Pritchard, gravada por Judd Tully em 1978. Em 2022, Pritchard foi incluído na Bienal do Whitney, com uma exposição de trinta folhas de palavras digitadas e manuscritas, bem como desenhos coloridos e lineares.

Pritchard foi um dos poetas mais radicalmente abstratos de um momento em que a poesia radicalmente abstrata ou ‘parasemântica’ estava florescendo – inter alia, Aram Saroyan, Pages, 1969; Clark Coolidge, Space, 1970; Jackson Mac Low, Stanzas for Iris Lezak, 1971 – e também o mais difícil: compare a despreocupação de Sarayon sobre o significado diante da materialidade irredutível da palavra impressa com a sensação, inescapável em Pritchard, de que alguma visão cósmica vasta, mas irrecuperável, sustenta a superfície turva da linguagem. E o próprio homem permanece misterioso. Quase nada se sabe publicamente sobre sua vida nos anos entre 1978 e sua morte por câncer em 1996. Preenchendo essa ausência, um impulso compreensível foi interpretar a escrita de Pritchard em vista de sua associação ocasional com o Black Arts Movement, que favorecia a escrita com uma postura política clara, destacando a identidade étnica — sua ambição de "definir e legitimar a realidade dos negros (aquilo que é real para nós)", como Young cita Don Lee. O resultado é identificar uma consciência especificamente negra no cerne de uma obra que o próprio Pritchard alinhou com as de Joyce e Beckett (e que parece ainda mais conectada à arquitetura espacial de Un coup de dés de Mallarmé) do que com quaisquer confrades ou precursores afro-americanos.

Tais esforços para especificar uma negritude essencial parecem forçados, na melhor das hipóteses. Bertram, por exemplo, sugere que em Matrix o poema ‘Self’ usa ‘os tropos da escuridão e os significados de gíria de “cracker” para direcionar a atenção, ainda que obliquamente, para construções de raça e particularmente aquelas construções de branquitude’, o que pode estar certo – mas por que isso constitui o que o título indica como ‘self’, presumivelmente incluindo o próprio self do poeta? Não posso deixar de lembrar a observação de Darby English em 1971: A Year in the Life of Colour (2016) de que ‘textos de história da arte que abordam modernistas negros tendem a uma determinação singular de reconciliá-los com a própria ideologia da qual suas práticas escaparam’, isto é, uma ideologia identitária, e que tais comentários ‘procedem como se a assimetria básica do modernista negro com os modelos dominantes de subjetividade política negra fosse um problema que convida a uma solução ou um portal para toda uma classe de questões que nos dizem que não é do nosso interesse perseguir’. Provavelmente deveríamos aceitar que Pritchard era um modernista no sentido de que os pintores com os quais English estava preocupado — Peter Bradley, Raymond Saunders, et al. — eram modernistas, e que, como eles, ele estava determinado a dificultar em vez de facilitar a representação de qualquer tipo. Para afirmar sua liberdade, precisamente como um artista negro, de uma responsabilidade imposta de representar pontos de vista pré-identificados como negros.

Se o antirrepresentacionalismo de Pritchard já não estava claro em Matrix e Eecchhooeess, tornou-se ainda mais evidente agora com a publicação — graças à Primary Information — de The Mundus. Este livro acrescenta imensamente à obra conhecida de Pritchard e dá a ideia mais clara até agora de seus objetivos e realizações, pelo menos em 1971, quando o projeto, iniciado em 1965, foi concluído ou abandonado. Paul Stephens, em um Posfácio, o chama de "magnum opus" do poeta, e esse é, sem dúvida, o caso — a menos que os arquivos contenham mais surpresas. Essa ressalva me leva a levantar uma reclamação: o Posfácio é estranhamente pouco comunicativo sobre o processo pelo qual o texto de The Mundus chegou à imprensa. Quando uma obra é publicada postumamente, o leitor pode querer saber algo sobre sua procedência e como o editor trabalhou a partir do manuscrito ou manuscritos disponíveis. Nesse caso, dada a centralidade do espaçamento para o efeito do texto, teria sido particularmente útil entender como a fonte (presumivelmente datilografada) foi transcrita em um arquivo digital para impressão. Também gostaríamos de saber se o arquivo abriga outros manuscritos. Pritchard parou de escrever ou apenas parou de publicar?

O texto que temos aqui é um ao qual Pritchard frequentemente se referia, não como um poema, mas como um romance — embora ele também o tenha chamado de "um haicai explodido", o que talvez queira dizer que ele era ambivalente quanto a se o texto era a compressão de algo vasto ou a expansão de algo minúsculo. Ele começa com o que pode não ser exatamente texto: seis páginas pontilhadas com dezenas de o's espalhados como bolhas. Essas letras são como letras, ou letras usadas para representar, por exemplo, uma multiplicidade de mundos? Ler isso envolveria repetir a palavra "o" centenas de vezes, ou essas páginas são simplesmente destinadas a serem vistas, a serem registradas pictoricamente, como o mapa de um mundo (talvez o do título do livro) preenchido com uma multidão de mundos menores? Algumas palavras fragmentadas começam a aparecer dentro deste campo de esferas na sétima página: ‘in m oment tso ft heg one on cesh’ (com as duas letras finais iniciando uma palavra que só é completada no verso) e por cerca de quarenta páginas vemos algumas linhas de palavras flutuando em meio a esta atmosfera ou fundo de bolhas o. Às vezes, as próprias palavras parecem ficar presas por páginas em uma gagueira assignificante: ‘poo poo oo opo oo poo poo poo poo’ – onde os o’s reiterados parecem querer se fundir com seus arredores.

Então os o’s diminuem e encontramos linhas de texto, começando com ‘t hein v isi blero peof tenswa ye’ e assim por diante, mas isso é interrompido após seis páginas por campos densos e sem margens das letras s e h, de cabeça para baixo e com o lado direito para cima, mais texto, mais repetições de s e h, mais texto, eventualmente com uma linha de shshshshsh (etc.) cruzando a página inteira cerca de um terço do caminho para cima, uma espécie de horizonte de silêncio que então se estende por dezoito páginas vazias até que o texto retorne acima dele. Vinte e quatro páginas inteiras de sh’s silenciosos seguem (interrompidas uma vez por uma página de texto), após o que as coisas diminuem em mais trinta páginas de O e o, aqui e ali, como antes com algum texto flutuando entre o campo de bolhas, a última linha das quais é ‘t ask oil b rit t leno tof.’

Se eu me concentrei aqui em como as palavras e letras aparecem em vez do que elas ‘dizem’, isso é em adesão ao ditado de Pritchard. Parte do conteúdo pode ser transmitida pelas palavras, mas apenas parte; e parte do conteúdo é dada aos olhos, parte aos ouvidos, algo parece ser contestado entre os dois, e a carga semântica de qualquer uma delas pode ser discutível. No posfácio, Stephens transcreve utilmente uma passagem que está espalhada entre os O's e os's da última seção do livro:

que reivindicação de vontade defendeu seu poleiro com olhos e céus para promover ganho buscando através das planícies de névoa permanecendo silenciosamente recuperando poderias ser se o que fosse dito deveria se espalhar de luz vida elevando sombrio para alturas de brilhante brou brou brou brou brou brou brou brou brou brou brou brou brou brou trazido de volta novamente para a sujeira de devemos vir gentil peregrino colocou issocopo por alguma estrela estranha e mais longe então se esforçou para cantar a busca da luz a verdade para trazer

Lidas dessa forma, as palavras transmitem tanto uma aspiração intensa à transcendência quanto um tropismo indisciplinado em direção a um tipo de estagnação na materialidade básica (todas aquelas páginas de "cocô") que subjaz, mas também impede o fluxo comunicativo da linguagem. Essa é realmente "alguma estrela estranha". Mas como Stephens certamente entende, tal reorganização do texto de Pritchard — despojado das quebras aparentemente irracionais que lhe dão sua especificidade — o transforma em uma sombra muda de si mesmo. Ishmael Reed certa vez relembrou uma leitura na qual, "questionado sobre sua própria definição de poesia, N. H. Pritchard proferiu grunhidos e gemidos guturais, bestiais e primitivos". Foi o ato de definição, ou a própria poesia, que provocou essas expressões cruas e dolorosas? Ou isso foi uma zombaria da própria questão? Pritchard desmonta a linguagem e, embora possa ser tentador tomar os pedaços quebrados como constituintes de um quebra-cabeça que o leitor é chamado a montar novamente, parece-me que The Mundus cria um espaço de desarticulação que nos incita apenas a observar, com qualquer pena ou alegria que isso possa provocar em nós, os restos dispersos de alguma violência divina.

3 de dezembro de 2021

Destino secreto

Reavaliando a escrita artística de Sartre.

Barry Schwabsky



Parte do que fez de Jean-Paul Sartre uma figura tão inelutável na vida cultural de seu tempo pode ser responsável pelo subsequente declínio do interesse em seus escritos: seu alcance extraordinário e quantidade proibitiva. Sartre não só alcançou renome mundial como filósofo, romancista, dramaturgo, até mesmo um tipo idiossincrático de biógrafo (embora um livro como Saint Genet possa ser melhor descrito como um romance de não ficção), mas em cada gênero em que ele triunfou — exceto no teatro — Sartre posteriormente se lançou em empreendimentos cuja própria escala parece ter sido calculada para colocar seus leitores, e talvez ele mesmo acima de tudo, à prova. A qualidade desajeitada de seus maiores esforços, tanto quanto a notória rejeição dele como um homem tardio do século XIX por Michel Foucault, pode ser responsável pelo eclipse de Sartre.

Assim, O Ser e o Nada, apesar de todo o seu brilhantismo em partes, era um monstro folgado cuja estrutura poderia ter usado uma poda criteriosa. Hoje, parece mais valioso por suas peças de cenário novelísticas; a tensão entre as ambições totalizantes de Sartre e sua evocação da experiência concreta deu uma urgência ao seu pensamento que mantém o livro vivo. A segunda grande obra filosófica de Sartre, sua Crítica da Razão Dialética, enquanto isso, nunca foi concluída e nunca realmente teve uma recepção coerente. Podemos concordar com István Mészáros que "havia algumas razões muito boas pelas quais este projeto nunca poderia ser levado nem perto de sua conclusão prometida", que tinham a ver com a impossibilidade de sintetizar abstração e particularidade, necessidade e liberdade.

Da mesma forma, enquanto o primeiro romance de Sartre, Nausea, mantém seu status canônico, sua trilogia do pós-guerra The Roads to Freedom, igualmente bem recebida na época, perdeu importância, talvez porque sua estrutura elaborada exponha mais descaradamente o problema típico do romance de ideias, a saber, uma sobredeterminação restritiva que impede que forma e conteúdo se mantenham em sincronia. Como Sianne Ngai disse recentemente, o gênero "tende a curto-circuitar ou dissipar a tensão entre história e discurso que torna a narrativa tão inesgotávelmente rica". (O fato de The Roads to Freedom não estar entre a dúzia de exemplos em sua Theory of the Gimmick é mais uma evidência de que a série praticamente desapareceu de vista.) Aqui, também, devemos notar que este também foi um grande projeto deixado inacabado; Sartre pretendia não uma trilogia, mas um quarteto. Assim como no segundo volume da Crítica, os restos do quarto romance foram publicados postumamente.

E então há a biografia. Tendo escrito um livro importante sobre Jean Genet, bem como o autobiográfico The Words, Sartre começou e abandonou os estudos de Mallarmé e Tintoretto, embora ambos tenham resultado em ensaios publicados, e finalmente empreendeu mais de uma década de trabalho em The Family Idiot, uma vasta imersão na vida de Flaubert que, após cinco volumes, ainda assim permaneceu incompleta. Era, como Fredric Jameson observou quando a tradução para o inglês começou, "à primeira vista um projeto tão incômodo e proibitivo" - e assim permaneceu após sucessivos olhares. No fragmento publicado de seu livro projetado sobre Tintoretto, Sartre compara brevemente o pintor veneziano workaholic, para quem "nenhum campo era vasto demais, nenhum sotto portico obscuro demais para que ele não desejasse adorná-los", a "outro glutão por trabalho, Michelangelo", que regularmente "ficava enojado, começando uma obra, que ele abandonaria, inacabada. Tintoretto sempre terminava tudo, com a aplicação aterrorizante de um homem determinado a completar sua frase". Sartre, pode-se dizer, era um Michelangelo da prosa. Mas ele era Tintorettesco pelo menos nisso: "É difícil decidir se ele estava tentando se encontrar ou fugir de si mesmo através de sua obra".

Perhaps there’s another way to approach Sartre’s oeuvre, one that brackets, at least temporarily, the urge to an impossible totalization that ran his greatest projects aground – through his essays, which he collected in ten numbered volumes under the rubric Situations. It’s as if the partial, fragmentary perspectives the essay allows made that genre the secret destination of Sartre’s totalizing projects. The resourceful Seagull Books, which published three hardcover collections of his essays in translations by Chris Turner a decade ago, has recently repackaged them in a dozen slender paperbacks: On Bataille and Blanchot, On Camus, On Poetry, On Revolution, and so on. Sartre’s essays have often been translated before, but these editions represent the most comprehensive gathering available in English, far more copious than the nearest competition, the volume published in 2013 by New York Review Books under the title We Have Only This Life to Live: The Selected Essays of Jean-Paul Sartre 1939-1975.

As an art critic, I was most attracted, among the new Seagull paperbacks, to volume seven, On Modern Art. All the more so because the essays it contains were mostly unfamiliar to me; I’d early on let myself be warned off Sartre’s writings on art by a denunciation that turns out to have been false. More about that later. On Modern Art contains half a dozen pieces on artists who were more or less Sartre’s contemporaries and who like him lived in Paris – which is to say that they are all clearly the fruit of personal acquaintance and not just familiarity with the artists’ work. Two of the essays are on Alberto Giacometti ­­– as sculptor and painter – and the others are on Alexander Calder, André Masson, the German painter and photographer Wols, and the now forgotten painter Robert Lapoujade. All but those on Wols and Lapoujade were previously translated in the 1960s. I should perhaps add that there are some stray occasional writings on artists that were not included in the French Situations – I know of texts on David Hare and Paul Rebeyrolle – and it’s a shame that none of these have been included. (The Tintoretto essay can be found in Seagull’s volume six, Venice and Rome.)

The Anglophone art world, should it happen to take notice of this collection, is bound to be surprised, and not only because, behind the times as usual, it may still be under the spell of Foucault’s repudiation. The last it heard of Sartre in any authoritative way was back in 1986, when – under the guise of a review in October of Hubert Damisch’s book Fenêtre jaune cadmium, ou, Les dessous de la peinture (1984) – Yve-Alain Bois published a manifesto of sorts for his own structuralist-inflected form of art history, whose significance was emphasized when Bois took its title for the influential book he would publish four years later, Painting as Model. What Bois, following Damisch, set his face against was ‘that typically French genre, inaugurated on the one hand by Baudelaire and on the other probably by Sartre, of the text about art by a literary writer or philosopher, each doing his little number, a seemingly obligatory exercise in France if one is to reach the pantheon of letters.’

Disdain for the supposedly superficial and dilettantish nature of ‘literary’ art criticism is an age-old theme, but Bois had a more specific charge to lodge against Sartre. This stemmed not from his writing about artists but from his philosophy, specifically, his early work The Imaginary: A Phenomenological Psychology of the Imagination. According to the Bois/Damisch reading of Sartre’s aesthetic, based on the latter’s analysis of the image, ‘a portrait, a landscape, a form only allows itself to be recognized in painting insofar as we cease to view the painting for what it is, materially speaking, and insofar as consciousness steps back in relation to reality to produce as an image the object represented’. As a consequence ‘Sartre’s aesthetic is an aesthetic of mimesis, in the most traditional sense of the word’. For this reason, Sartre becomes the bogey man thanks to whose influence generations of historians and critics have taken abstract paintings as oblique representations.

Even if this were indeed a consequence of Sartre’s thought, it is self-evidently not the necessary or most obvious one. It’s clear that every understanding of a representational painting depends on a consciousness of the dichotomy between the painted image and its material substrate: that’s why a painting is not a hallucination, and why admirers of representational art acclaim the skill of a painter who conjures a vivid and telling resemblance. Does Sartre ignore the materiality of the art object? – he who proclaims that ‘the serious changes in all the arts are material first and the form comes last: it is the quintessence of matter’? But for consciousness to recognize a work of art, it has to form a mental representation of the physical thing – and this is the case whether or not the work itself depicts something.

In any case, the artwork is subject to what Sartre calls ‘the great “irrealizing” function of consciousness’. It is only in my mind that a painting by Mondrian becomes a work of art, not on the wall. As Sartre writes of Lapoujade, though the statement counts for Sartre as a general truth, ‘the paths traced out by the painter for our eyes are paths that we must find and undertake to travel along; it is up to us to embrace these sudden expansions of colour, these condensings of matter; we must stir up echoes and rhythms’. Seeing the street grid or subway map of New York in Broadway Boogie Woogie is one way to do this, but so is seeing the painting as home to what Damisch calls ‘some more secret activity of consciousness, an activity by definition without assignable end’, such as Bois’s passion for finding the expression of a model or system – remember that he is from the generation that followed the path of which Foucault was one of the pioneers.

The collection in fact offers abundant proof that Sartre’s method had nothing to do with a reduction of the artwork to what it might offer an image of. Consider his essay on Calder’s mobiles. How does he characterize these? Mainly through metaphor: ‘a little local fiesta; an object defined by its movement and non-existent without it; a flower that withers as soon as it comes to a standstill; a pure stream of movement in the same way as there are pure streams of light’. Do I really need to point out that he does not say that a mobile is really a picture of a festival, or of a flower, or of a stream? With the fiesta the mobile shares its multiplicity, with the blossom its temporality, the sense of gradual opening up; with the running brook its identity in motion. The sculpture functions, not representationally, but affectively. And Sartre affirms this: ‘His mobiles signify nothing, refer to nothing other than themselves. They simply are: they are absolutes.’

The nonreferential absolute was for Sartre the destiny of the artwork. Remember that he rejected the age-old ut pictura poesis: for him, writing was an affair of meaning, of ideas, while painting (representational or abstract), like music, was a matter of things. Thus, we read in ‘What Is Writing?’: ‘For the artist, the colour, the bouquet, the tinkling of the spoon on the saucer, are things, in the highest degree. He stops at the quality of the sound or the form…It is this colour-object that he is going to transfer to his canvas, and the only modification he will make it undergo is that he will transform it into an imaginary object.’ The wonder of Calder’s mobiles, in Sartre’s eyes, was that, with their movements caused by random breezes, they were neither lifelike nor mechanical, but unpredictable and therefore, in a sense, unknowable.

It’s curious that these mobiles are the only works that Sartre describes without trying to fathom why the artist made them as they are. For Sartre, art writing is more a subcategory of biographical writings than criticism. It’s a mistake to believe that he does not look at the paintings or the sculpture. But he believes that understanding them has nothing to do with pretending they are constellations of forms that simply appeared suddenly on a wall as if decreed by nature. Each one was made by someone, and for a reason. To understand the artist’s project is the way toward a deeper, less arbitrary engagement with the work. He therefore begins his essay on Giacometti’s sculpture, not by looking at a bronze in a gallery, or even a plaster in the artist’s studio, but rather by looking at ‘Giacometti’s antediluvian face…’ Sartre is going to assume this oeuvre amounts to a sort of portrait of the artist, but not in any representational sense. He does not presume to find an image of this face in each of Giacometti’s figures. Rather, he is attempting to follow the path of a man who looks, incessantly, at faces: ‘I know no one else so sensitive as he to the magic of faces and gestures’. Giacometti begins from what he sees, but what he tries to extract is not a depiction. ‘For him, to sculpt is to trim the fat from space’; ‘he would like the canvas to be like still water and us to see his figures in the picture the way Rimbaud saw a drawing room in a lake – showing through it’. Giacometti in search of his image is like Achilles trying to catch up with the tortoise; the only image turns out to be the successive traces of motion toward an unattainable proximity.

Of these different artists, it’s evident that Giacometti is the one who most fascinated Sartre. That’s because Giacometti was the most purely a wordless phenomenologist. He’s also undoubtedly the one of whom posterity has, so far, confirmed Sartre’s high regard. And yet to understand Sartre as an art writer, it might make more sense to attend to what he wrote about a painter who means nothing today, about whom one has no opinions, no preconceptions. The 1961 exhibition of Lapoujade’s work that attracted Sartre’s attention was titled, worryingly enough, Peintures sur le thème des Emeutes, Tryptique sur la torture, Hiroshima (Paintings on the Theme of Riots, Triptych on Torture, Hiroshima). One immediately imagines the flayed and tormented figures, but no, Sartre explains, ‘figurative art wasn’t appropriate for manifesting these presences’, and ‘Lapoujade, obeying the very demands of “abstraction”, achieved what the figurative has never managed to pull off’. Without representing the figure, the painting itself, as such and in its very beauty, conjures a presence, that of suffering flesh. How does Lapoujade achieve such a thing? Sartre does not try to describe the paintings, only to convey a sense of their material complexity – ‘Compact in places, rarefied in others, laid on thick at times and liquid at others, the matter of the painting doesn’t claim to make the invisible visible….By its texture and its itineraries, it merely suggests’ – and also of the effort of which they are the outcome, the project of an artist ‘who has reduced painting to the sumptuous austerity of its essence’. But the individual painting never makes an appearance; we cannot answer the question, ‘What does it look like?’Perhaps, for Sartre, it hardly matters. He is far more concerned with what the painting is meant to do for the person who makes it than for the one who looks at it. ‘It’s the true rapport of the artist with the imaginary which is the work of art’, Sartre once told an interviewer. And the rapport of the viewer? That remains unexplained. Does Sartre cheat us, in some degree, out of the description of the artwork, the ekphrasis we may feel he owes us, when he would only undertake such a thing in an effort to articulate the necessity that drove the painter to resort to that form and not some other? Is there some evasion in his being less fascinated by paintings, finally, than he is by painting – less by what has been made than by the act of making it? Before rendering a judgement, one might seek to act as he said we should with Tintoretto: ‘Oh you lofty, troubled souls, who use the dead to edify the living, and above all, to edify yourselves, try, if you can, to find in his excesses, the shining proof of his passion."

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