7 de outubro de 2026

O que vem depois da hiperpolítica?

Os argumentos apresentados em Hyperpolitics, de Anton Jäger — obra que surgiu inicialmente na Jacobin —, suscitaram debates em todo o espectro político. Aqui, o autor responde aos críticos e explora como uma “estratégia de paciência” poderia ajudar a esquerda a superar seu impasse hiperpolítico.

Anton Jäger


A esquerda tornou-se politicamente mais ativa sem se tornar mais poderosa. Em artigo para a Jacobin, Anton Jäger defende os argumentos que apresentou em Hyperpolitics e questiona o que a esquerda atual pode aprender com os partidos socialistas e comunistas do século passado. (Frederic J. Brown / AFP via Getty Images)

Antes do final deste ano, os Estados Unidos terão quebrado dois recordes políticos. Segundo estimativas dos próprios organizadores, o "No Kings Day", em 28 de março, foi o maior protesto de um único dia na história recente dos EUA. Simultaneamente, nenhum presidente americano conseguiu enriquecer tanto durante o mandato quanto Donald Trump — prevê-se que 2026 seja o ano mais lucrativo de sua carreira até o momento.

O conceito de "hiperpolítica" é uma tentativa de explicar esses fenômenos concomitantes. Ele descreve um processo de repolitização sem reinstitucionalização que permeou todas as camadas da sociedade na esteira da crise de 2008-2009. Essa onda de atividade política tem sido organizacionalmente desigual, de difícil comparação com precedentes históricos e — o que é mais preocupante — não garante qualquer efeito sobre as relações de poder entre elites e massas.

Em sua formulação atual, a ideia surgiu primeiramente neste veículo, onde suscitou um debate animado. Publicada posteriormente em formato de monografia, a obra Hyperpolitics também gerou reações diversas — tanto críticas quanto elogiosas — por parte de autores de todo o espectro político. Até mesmo as interpretações equivocadas mostraram-se produtivas.

Uma das razões para retomar essas críticas é que as discussões desencadeadas pelo livro não são de interesse meramente acadêmico. Pelo contrário, elas revestem-se de importância estratégica para a esquerda, visto que a obra culmina em uma questão fundamental: o que pode facilitar a reconstrução do poder de classe no novo século e o que mantém a esquerda aprisionada no atoleiro da hiperpolítica?

Generalidade e abstração

Hyperpolitics começou com uma observação anedótica que, posteriormente, serviu de base para uma teoria mais ampla. O livro buscou oferecer uma descrição, explicação e avaliação gerais de um problema geral, em um nível de generalidade adequado. O risco, naturalmente, é que tal generalização beire outra coisa: o abstracionismo — ou seja, um trabalho que examina o terreno social a tamanha distância que não tem nada de interessante a dizer sobre o nível meso ou micro.

É essa generalidade percebida em Hyperpolitics que tem incomodado um subgrupo de leitores. Não sendo nem um trabalho rigoroso de ciências sociais nem pura crítica cultural, o livro lhes parece algo indefinido, que não se enquadra em categoria alguma. "Se você não gosta dos meus princípios, tenho outros" talvez fosse a resposta marxiana mais convincente para isso; contudo, receio que o livro tenha de permanecer, antes de tudo, uma obra de divulgação. Caminhoneiros de longa distância não usam os mesmos mapas que trilheiros rurais. Em vez disso, Hyperpolitics oferece uma teoria geral sobre uma tendência geral — com todas as vantagens e desvantagens que a generalidade implica.

Para os críticos, essa queixa está frequentemente ligada a outra questão: a disposição de recorrer a ideias tanto de autores de direita quanto de esquerda. Uma resposta simples a essa acusação poderia ser aquela dada pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss quando questionado sobre sua dependência de Jean-Jacques Rousseau: "Por menos que eu me sinta atraído por seu pensamento político, a beleza de sua prosa me deslumbra... Ele diz em cinco palavras o que a mim levaria quinze".

No entanto, essa resposta é superficial. Existe uma razão mais profunda pela qual a direita se mostra uma analista mais capaz da podridão burguesa do que a esquerda: os reacionários frequentemente têm uma percepção mais aguçada dos custos do progresso capitalista do que os esquerdistas liberais. Os próprios Karl Marx e Friedrich Engels preferiam os escritos de um arquir-reacionário como Honoré de Balzac para retratar o século XIX a optar pelos tratados piedosos da literatura proletária. Como o próprio Engels afirmou, “o fato de Balzac ter sido compelido a contrariar suas próprias simpatias de classe e preconceitos políticos” e de ter “descrito os nobres como pessoas que não mereciam destino melhor... considero uma de suas maiores qualidades”. A esquerda, dogmaticamente atrelada ao liberalismo, é frequentemente incapaz do tipo de curiosidade que Marx e Engels viam justamente como uma virtude intelectual.

Vantagem assimétrica

Uma crítica diferente é que o livro não oferece explicação sobre por que a extrema-direita aparentemente se saiu melhor do que a esquerda nesta nova fase hiperpolítica. De onde vem essa vantagem assimétrica? Vale a pena reiterar aqui três fatos que o livro já aborda, mas não aprofunda: dois estruturais e um mais contingente.

Primeiro, a sociedade de mercado confere à direita várias vantagens básicas, como observou Ralph Miliband em sua análise da “concorrência imperfeita” das democracias liberais. A primeira dessas vantagens é ideológica. Marx certa vez contrastou o “Partido do Progresso” com o “Partido da Ordem”: o primeiro tentava modificar os arranjos sociais existentes, escreveu ele, enquanto o segundo apenas queria estabilizá-los e consolidá-los. Preservar o status quo e garantir as relações de propriedade existentes constituem um parâmetro de sucesso muito menos exigente.

Um segundo fator relacionado é a disponibilidade de financiamento privado. Seja gasto em astroturfing (falsa mobilização popular) à moda antiga ou na contratação de influenciadores digitais, o dinheiro continua sendo uma ferramenta eficaz de mobilização para a direita, mas é escasso para a esquerda (a menos que contemos certos filantropos liberais que buscam moldar um socialismo favorável ao mercado). Na falta de patrocinadores naturais no Estado ou nos círculos capitalistas, os projetos de esquerda também geralmente tiveram de recorrer a doações dispersas e financeiramente mais modestas. A disponibilidade de dinheiro privado confere à direita uma capacidade de mobilização inigualável. A isso, podemos acrescentar a assimetria de poder na sociedade como um todo, como observou Perry Anderson:

Estruturalmente, devido ao seu menor contingente e aos seus maiores recursos, praticamente todas as classes dominantes desfrutam de uma vantagem sobre os dominados em sua capacidade de ação coletiva. Suas linhas internas de comunicação são mais compactas; sua riqueza oferece um meio de poder polivalente, conversível em inúmeras formas de dominação; seus sistemas de inteligência examinam o cenário político de uma posição mais elevada. Mais numerosas e dispersas, menos equipadas materialmente e menos armadas culturalmente, as classes subordinadas tendem sempre — na expressão do sociólogo Michael Mann — a ser “superadas organizacionalmente”.

No entanto, um terceiro fator, mais contingente, também deve ser mencionado. Nas fileiras da extrema-direita, inaugurou-se um debate muito mais ousado sobre a crise do liberalismo, com alguns setores da direita adotando uma posição conscientemente “pós-liberal”. Em contrapartida, a esquerda atual mantém uma afinidade sociológica com o liberalismo — em razão dos grupos sociais que a compõem e de sua recente academização —, o que tem retardado uma ruptura ideológica com ele. De todo modo, essa assimetria antecede a era hiperpolítica.

Compromissos e renúncias

Um aspecto diferente da tese — que o livro não chega a teorizar — diz respeito às correlações entre seus dois eixos analíticos: o político e o institucional. Como observaram os críticos, dificilmente se pode afirmar que eles evoluam de forma independente. Jasper Bernes, por exemplo, argumentou de maneira convincente que, ao longo do século XX, a institucionalização frequentemente ocorreu à custa da despolitização, ao passo que a repolitização muitas vezes corroeu estruturas institucionais existentes. Em suma, ele apresenta um dilema entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade, ambas de matriz weberiana: institucionalizar pode tornar a política de esquerda mais duradoura, porém potencialmente menos revolucionária; por outro lado, uma política de curta duração pode ser libidinalmente gratificante, mas revela-se incapaz de derrubar as estruturas de poder vigentes.

Na década de 1970, o movimento trabalhista foi atropelado pela contrarrevolução neoliberal porque privilegiou a esfera institucional em detrimento da política e não conseguiu oferecer um desafio convincente ao recuo do capital em relação ao pacto do pós-guerra.

Trata-se de dilemas complexos; dois estudos de caso podem ilustrar o porquê. A campanha de Mao Tsé-Tung contra a burocracia do partido utilizou a politização de choque para promover a desinstitucionalização, mas acabou inaugurando um período de despolitização mais tarde naquele século. Inversamente, a reação dos partidos comunistas francês e italiano ao longo ciclo de 1968 em seus respectivos países — uma sequência que eles encaravam como uma revolta anti-institucional de consequências políticas perigosas — provavelmente acelerou a esclerose dessas agremiações enquanto partidos de massa na década de 1980. Isso também os tornou particularmente vulneráveis ​​à ofensiva neoliberal.

Como demonstra Bernes, essas oscilações podem, portanto, ser mutuamente co-constitutivas. Na década de 1970, o movimento operário foi facilmente subjugado pela contrarrevolução neoliberal justamente por privilegiar a esfera institucional em detrimento da política, mostrando-se incapaz de oferecer um desafio convincente à retirada do capital do pacto do pós-guerra.

Daí o desafio geral proposto pelo livro: reinstitucionalizar adequadamente a energia liberada pelo momento hiperpolítico.

Na visão de Bernes, tal reinstitucionalização poderia ser encarada sob uma perspectiva comunitária ou baseada em interesses. No primeiro caso, o declínio da vida cívica desde a década de 1990 nos confronta com uma tarefa que é pré-política, e não política. "O que Jäger talvez esteja propondo", observa ele, "é uma política de taverna sem a organização sindical no local de trabalho." Essa leitura valida a intuição de Bernes de que, "pelo menos na minha experiência, os meios de esquerda preservam formas de vida social e convivência que estão desaparecendo rapidamente em outros lugares". A tarefa primordial seria, então, reconstruir "um senso de pertencimento, comunidade e, em muitos casos, a satisfação de necessidades materiais reais". Em uma perspectiva tocquevilliana, isso permitiria a reinstitucionalização sem a repolitização — oferecendo, por exemplo, um antídoto para a nossa epidemia contemporânea de solidão ou oportunidades de socialização.

No entanto, até mesmo clubes de boliche exigem recursos, e é pouco provável que os membros permaneçam em um sindicato se este for incapaz de lhes oferecer qualquer aumento salarial. “Se tais instituições não conseguem melhorar as condições materiais da vasta maioria de forma duradoura”, indaga Bernes, “que sucesso podem reivindicar?” Na era da longa estagnação, é de fato mais difícil reconstruir instituições prometendo benefícios diretos aos membros. Contudo, como disse Vladimir Lenin, não existe situação impossível: os últimos dez anos demonstraram que uma esquerda desprovida de um movimento trabalhista robusto é capaz de se colocar no mapa político, mas geralmente carece das alavancas necessárias para impor mudanças políticas claras à sociedade. Como observou Sam Gindin, as chances de conquistas materiais para os trabalhadores podem ser menores hoje, “mas o que mais você faria da sua vida?”

Reinstitucionalização

Afinal, a hiperpolítica é apenas uma tendência entre outras, e há claros sinais de que a reinstitucionalização já está em curso. A esquerda ocidental — se é que a colagem heterogênea de organizações e subculturas atualmente agrupadas sob esse rótulo pode ser considerada uma força unitária — encontra-se em uma situação contraditória em 2026. Muitas de suas causas contam com crescente apoio popular, mas não existe força institucional correspondente capaz de traduzir essas causas em concessões diretas por parte do capital. Desde 2008, o consenso político da era neoliberal sofreu uma clara fragmentação, mas isso pouco contribuiu para aumentar o poder dos trabalhadores ou da esquerda enquanto tal; a maioria dos movimentos sociais surgidos na década de 2010 mostrou-se incapaz de reverter essas tendências.

Essa retomada desigual estimulou duas tendências de esquerda concorrentes, embora não necessariamente irreconciliáveis. A primeira é o que poderíamos chamar de "imediatismo". Essa vertente insiste na ideia de que as novas energias geradas pelas plataformas online podem servir de base para o retorno da política de massas, organizada em torno de respostas a diversos fenômenos virais da internet — capazes de repolitizar uma massa atomizada e presa às telas — e voltada para uma ofensiva insurrecional contra o Estado capitalista.

Essa proposta goza de grande aceitação entre alguns pequenos grupos pós-trotskistas, bem como entre comunistas de esquerda e anarquistas, cujas concepções políticas nunca pressupuseram a existência de um movimento operário solidamente organizado. Muitas dessas propostas não são exatamente novas e remetem à crítica feita por Alexander Herzen ao radical russo Mikhail Bakunin, a quem se atribuía a tendência de "confundir o segundo mês de gravidez com o nono".

Uma segunda tendência reconhece, ao menos, a necessidade de reinstitucionalização, mas busca personalizá-la: trata-se do populismo de esquerda proposto, sobretudo, por Chantal Mouffe e Ernesto Laclau, que buscavam oferecer uma variante de esquerda para o personalismo de liderança. A influência dessas ideias é visível no "partido gasoso" construído por Jean-Luc Mélenchon ou nas movimentações em torno do *Your Party* de Jeremy Corbyn. O que une ambas as abordagens é o desejo de conjurar magicamente uma forma de política que a esquerda levou décadas para construir no final do século XIX e início do XX, mas sem o correspondente poder de classe.

Como seria, na prática, uma reinstitucionalização mais lenta? Em contraposição à impaciência da "hiperpolítica", muitos têm defendido um retorno à "estratégia da paciência" original de Karl Kautsky, formulada antes da Primeira Guerra Mundial. Na visão de Kautsky, a institucionalização e a politização desenvolvem-se em duas linhas temporais sobrepostas: uma de longo prazo e outra de curto prazo. Quanto à primeira, agentes institucionais claros — cooperativas, sindicatos, partidos — podem ser acionados em momentos de acirramento da tensão de classe, mas, fora desses períodos, precisam aguardar o momento certo, mantendo-se nas trincheiras. Tal abordagem equilibraria espontaneidade e organização. Ela também parece útil em nossa época de crescente politização desprovida de peso institucional correspondente.

Naturalmente, a defesa dessa abordagem neokautskista deve ser estritamente condicionada. O próprio Kautsky acabou se tornando um fura-greve antibolchevique, demonstrando que apelos contra a impaciência podem facilmente descambar para uma acomodação reformista. A institucionalização, como vemos aqui, não é de forma alguma intrinsecamente revolucionária. Como apontou Bernes, ela pode até ter sido a razão pela qual não se alcançou um avanço revolucionário no país e na época de Kautsky: as lideranças do movimento operário buscavam conter a base por considerarem que a construção de instituições no âmbito do capitalismo era mais importante do que rupturas políticas com o sistema. A fossilização foi a consequência mais provável.

Manipulação genética

Poucos desses dinossauros institucionais sobrevivem hoje, como Bernes também observa. Existem alguns partidos de massa que resistiram à era glacial pós-política e ao degelo hiperpolítico — pode-se pensar no Partido Comunista da Grécia —, mas eles despertam interesse principalmente como curiosidades históricas.

Todos concordam que não se pode clonar um dinossauro. No entanto, como os cientistas sabem, a manipulação genética também não é impossível, embora seja necessário compreender o material com o qual se trabalha. Como observou Dylan Riley, a tarefa da esquerda contemporânea é a "criação de um novo príncipe moderno adaptado à era das redes sociais, da viralização e da inteligência artificial, além da onipresente indústria cultural", que não sucumbisse imediatamente à nova liquidez.

Aqui, a trajetória recente do Partido dos Trabalhadores da Bélgica (PTB/PVDA) merece, no mínimo, uma menção. O PTB é modelado com base em um partido de quadros maoista. Ele mantém a previsível proibição "marxista-leninista" de facções, um modelo de filiação em múltiplos níveis e números recordes nas redes sociais belgas.

Contudo, de forma singular entre os partidos belgas e europeus, o PTB obteve sucesso mensurável na ampliação de sua base nos últimos anos. Estabeleceu laços mais estreitos com o movimento sindical belga, que ainda é multitudinário. Enxerga seu papel parlamentar como o de um tribuno popular, e não como o de um candidato ao poder. Também barrou as tentativas de vários governos de concluir a reestruturação neoliberal da sociedade belga — processo já finalizado há muito tempo nos países vizinhos. Apesar de todas as suas patologias, o partido prova que a paciência compensa. (É historicamente revelador, claro, que o PTB ficaria horrorizado com a ideia de ser rotulado como "kautskista", o que atesta o século de mudanças que ficou para trás.)

O kautskismo dos Socialistas Democráticos da América (DSA) é algo completamente diferente. Oficialmente, o DSA nem sequer é um partido, mas sim uma "organização socialista", como seus membros não cansam de ressaltar. Como Joe Todd observou em um estudo comparativo entre ambos, o PTB e o DSA também apresentam diferenças radicais, ainda que sejam frequentemente citados em conjunto. Ao contrário da estrutura de poder mais centralizada do PTB, a organização da DSA é distribuída de forma informal entre seus capítulos e grupos internos (caucuses). Essa ausência de centralismo rígido também significa que a organização enfrenta maior dificuldade para traçar uma linha divisória entre o debate interno e a comunicação externa. Diferentemente do PTB, seu modelo de adesão é horizontal, e não hierarquizado, o que facilita o ingresso de novos membros. Sua liderança também é relativamente flexível, e seus grupos internos desfrutam de um grau de autonomia muito maior do que as seções locais do PTB. Muito provavelmente, o histórico antistalinista da DSA é o responsável por essa relativa falta de centralismo.

Tanto o PTB quanto a DSA registraram um crescimento significativo na última década, tanto em número de membros quanto em influência na sociedade em geral. No entanto, a questão fundamental — como sempre — é a de Lênin: quem lidera quem? Isso é particularmente importante para a perspectiva de uma eventual candidatura presidencial de Alexandria Ocasio-Cortez. A DSA acabará servindo como veículo de campanha para membros do Congresso de esquerda que almejam carreiras no DNC, ou atuará como uma força disciplinadora para legisladores que utilizam o Partido Democrata como mera plataforma, mas mantêm sua independência política? Ainda não há um veredito sobre essa questão, mas vale a pena explicitar os riscos de ambos os modelos.

Como qualquer obra de ciências sociais, Hyperpolitics não é um manual de autoajuda nem um horóscopo para o nosso futuro político. Tudo o que se pode fazer é apontar tendências e probabilidades; não existe uma lei férrea que decrete a persistência ou o desaparecimento repentino da "hiperpolítica" nos dias de hoje. A reinstitucionalização é um processo difícil, especialmente no atual cenário econômico, em que o crescimento se concentra no topo da pirâmide social e os concorrentes do programa social da esquerda dispõem de grandes recursos financeiros e estão confortavelmente estabelecidos no poder. Ainda assim, a corrida pela reinstitucionalização já começou; o objetivo principal de Hyperpolitics foi justamente esclarecer a diferença entre vias de escape e becos sem saída.

Colaborador

Anton Jäger é pesquisador de pós-doutorado na Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, e coautor de The Populist Moment: The Left After the Great Recession.

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