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29 de janeiro de 2026

Trabalho volta ao centro do projeto nacional de desenvolvimento

Perspectiva é de mais avanços no emprego formal, apoiado em valorização da renda e retomada de investimentos
Mais do que quantidade, houve avanços na qualidade do emprego, com aumento da formalização e maior inclusão

Luiz Marinho
Ministro do Trabalho e Emprego; foi presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e prefeito de São Bernardo do Campo (SP)


O ano de 2025 consolidou a reconstrução institucional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e reafirmou uma escolha política central: recolocar o trabalho no coração do projeto nacional de desenvolvimento. Após um período de esvaziamento das políticas trabalhistas, o Brasil voltou a combinar resultados expressivos no mercado de trabalho com uma agenda voltada à ampliação de oportunidades, à melhoria da qualidade do emprego e à redução das desigualdades.

Os indicadores sintetizam essa inflexão histórica. Em 2025, o país atingiu a menor taxa de desemprego da série iniciada em 2012, com cerca de 5,9 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente já registrado. A população ocupada alcançou 102,6 milhões de trabalhadores, o maior patamar da história, evidenciando a expansão consistente da participação no mercado de trabalho.

Loja anuncia vaga de emprego no Brás, em São Paulo - Zanone Fraissat - 12.ago.25/Folhapress

A geração de empregos formais reforçou esse movimento. Entre janeiro e novembro, foram criados aproximadamente 1,9 milhão de postos com carteira assinada, com saldo positivo em todos os grandes setores da economia. No acumulado de 12 meses, o saldo superou 1,3 milhão de vagas, elevando o estoque de vínculos celetistas para mais de 49 milhões —um novo recorde histórico. Desde janeiro de 2023, o país já ultrapassou a marca de 5 milhões de empregos formais criados.

Esses resultados foram alcançados em um contexto internacional adverso e de juros elevados, o que reforça a solidez do mercado de trabalho brasileiro. Mais do que quantidade, houve avanços na qualidade do emprego, com aumento da formalização, recuperação gradual da renda e maior inclusão de mulheres, jovens e grupos historicamente discriminados. A valorização real do salário mínimo e as políticas de distribuição de renda contribuíram para a redução das desigualdades.

Ao longo de 2025, o MTE atuou de forma articulada em múltiplas frentes: fortalecimento da fiscalização e do combate ao trabalho infantil e análogo ao de escravizado; ampliação da qualificação profissional e da intermediação de mão de obra; valorização do diálogo tripartite; e reposicionamento do trabalho como eixo estruturante do desenvolvimento. A aprendizagem profissional, com mais de 700 mil jovens inseridos no programa Jovem Aprendiz, é exemplo dessa estratégia de integração entre educação, trabalho e futuro.

No plano internacional, o Brasil voltou a afirmar que não há transição ecológica sustentável sem empregos, qualificação e proteção social. Justiça climática e justiça social são indissociáveis, e a transição para uma economia de baixo carbono precisa ser justa para trabalhadores e territórios.

Ao iniciar 2026, a perspectiva é de continuidade do crescimento do emprego formal, apoiado na valorização da renda, no fortalecimento do mercado interno e na retomada dos investimentos. Aos 95 anos, o Ministério do Trabalho e Emprego reafirma seu compromisso com o trabalho decente, a inclusão produtiva e o desenvolvimento nacional.

26 de janeiro de 2023

Os desafios do mundo do trabalho

Atualizaremos a legislação com um olhar para novos setores da economia

Luiz Marinho
Ministro do Trabalho e Emprego

Folha de S.Paulo

O Brasil já viveu os ares do pleno emprego. E não faz muito tempo. Foi no final de 2014, último ano do terceiro mandato do PT à frente da Presidência da República. Cenário que desenhamos a partir da implementação de inúmeras políticas iniciadas a partir de 2003, políticas que preservaram e ampliaram direitos, com estímulo à economia, o fortalecimento do mercado interno e a política de valorização do salário mínimo, entre outras medidas.

A realidade atual, contudo, é bastante diferente. Ainda que alguns índices apontem para uma redução do número de pessoas desempregadas, é importante deixarmos claro de que emprego estamos falando.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, durante entrevista à Folha em seu gabinete - Pedro Ladeira - 18.jan.23/Folhapress

Subemprego, trabalho temporário, meias jornadas, informalidade disfarçada de empreendedorismo e uso do instrumento do MEI como forma de contrato de trabalho e sem qualquer proteção social maquiam despudoradamente a triste realidade vivida por milhões de brasileiros.

Os desafios que se apresentam são imensos. A desinstitucionalização da área, promovida pelo governo anterior, foi um reflexo do seu pensamento sobre o emprego, os trabalhadores e as trabalhadoras, contribuindo sobremaneira para o país e o mundo do trabalho chegarem a tal situação. Pois anote: mudaremos esse quadro.

A partir de um amplo debate com representantes de centrais e sindicatos de trabalhadores e de organizações patronais, entre outros agentes, atualizaremos a legislação com um olhar para novos setores da economia. Setores que, por conta da natureza de suas relações, podem não encontrar no atual quadro legal a melhor solução. É, por exemplo, o caso dos trabalhadores por aplicativo. Precisamos construir, com diálogo tripartite, um marco que garanta proteção social, jornadas justas e salários dignos.

Vamos retomar o caráter original do FGTS e do FAT. A atitude patrocinada pelo governo anterior contra esses fundos que, vale ressaltar, são dos trabalhadores, beira o crime. Eles funcionam como poupanças para serem utilizadas pelos trabalhadores e trabalhadoras em momentos especiais e específicos. Por isso, a lógica de funcionarem como estimuladores do crescimento econômico —como no financiamento da habitação, recebendo, por isso, uma remuneração adequada— potencializa o valor dessa poupança, percorrendo um caminho contrário daquele seguido pelo governo anterior, que apostou na descapitalização desses fundos. Um exemplo é a autorização do saque dos recursos do FGTS no período de aniversário, o que acabou colocando trabalhadoras e trabalhadores numa verdadeira armadilha. Medida que iremos rever após ampla discussão com as centrais sindicais e o conselho curador do fundo.

A valorização do salário mínimo também merecerá especial atenção. A partir da nossa experiência anterior, que teve como referência o crescimento do PIB e garantiu um ganho real de 77,2% entre 2003 e 2016, vamos realizar ajustes na fórmula e retomar a recomposição real do salário, base da remuneração para expressivo contingente Brasil afora.

E, mesmo com tanta pauta urgente por superar, é importante afirmar que não haverá qualquer "canetaço". Os tempos são outros. Aquele comportamento marcado pela ausência de diálogo com a sociedade, levado a cabo pelo governo anterior, embarcou com ele naquele mesmo avião que fugiu para o exterior. O diálogo tripartite será meta e método da nossa gestão. Aprendi na minha vida, nas inúmeras mesas de negociação como sindicalista, que este é um jogo de "ganha-ganha".

E assim será feito.

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A Jacobin tem publicado conteúdo socialista em um ritmo acelerado desde 2010. Aqui está um guia prático de algumas das obras mais importante...