Thomas E. Graham
Thomas E. Graham atuou como o principal especialista em Rússia da Casa Branca durante o governo do presidente George W. Bush.
The New York Times
Thomas E. Graham atuou como o principal especialista em Rússia da Casa Branca durante o governo do presidente George W. Bush.
The New York Times
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| Reuters |
Enquanto o presidente Trump está concentrado no Irã, um momento propício para atuar como pacificador na guerra entre Rússia e Ucrânia pode estar escapando. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, deixaram claro nos últimos meses que desejam que os Estados Unidos voltem a se envolver e iniciem negociações intensas para encerrar os combates.
Eles não esperarão para sempre. Putin continua a falar de forma favorável sobre Trump, mas algumas autoridades de alto escalão, bem como comentaristas de destaque, estão ressaltando a assistência dos EUA ao esforço de guerra da Ucrânia e questionando se o presidente americano pode atuar como um intermediário eficaz e de confiança. Os ucranianos continuam trabalhando em estreita colaboração com os europeus nas táticas de negociação. Alguns em Kiev gostariam de vê-los mais diretamente envolvidos, o que ampliaria o fosso em relação a Moscou, diminuindo as chances de paz.
O argumento a favor de um reengajamento imediato dos EUA é convincente por duas razões.
Primeiro, o conflito entrou em uma perigosa espiral de escalada. A Ucrânia está intensificando seus ataques contra alvos cada vez mais profundos em território russo — incluindo infraestrutura energética e alvos militares — com grande eficácia. O país está isolando, aos poucos, a península da Crimeia do território continental russo. Pela primeira vez, russos distantes do front estão sentindo os efeitos diretos da guerra. O Kremlin pede calma, mas está claramente preocupado com a possibilidade de que os ataques de Kiev desmoralizem a sociedade russa, ao mesmo tempo em que promete retaliações cada vez mais severas contra o que classifica como ataques terroristas.
E a retaliação está acontecendo. A Rússia está intensificando rapidamente seus ataques aéreos contra cidades e infraestruturas vitais da Ucrânia, explorando, com efeitos devastadores, o estoque cada vez menor de interceptadores antimísseis ucranianos. A destruição se alastra e o número de mortes de civis aumenta, enquanto a Ucrânia corre contra o tempo para se preparar para o que teme ser mais um inverno de frio rigoroso. Ao mesmo tempo, crescem na Europa os receios de uma escalada do conflito, à medida que drones ucranianos e mísseis russos — deliberadamente ou não — violam o espaço aéreo de aliados da OTAN e o Kremlin ameaça agir contra os apoiadores europeus da Ucrânia. Moscou condena o que considera ser a militarização da Europa e os preparativos para a guerra, enquanto as capitais europeias argumentam que suas ações são uma resposta necessária à agressão russa e às ameaças à segurança da Europa.
A situação não é diretamente comparável à do verão de 1914, mas a obra Os Canhões de Agosto, de Barbara Tuchman, serve como um alerta sobre como se pode deslizar para um conflito global evitável, porém, em última análise, catastrófico.
Eles não esperarão para sempre. Putin continua a falar de forma favorável sobre Trump, mas algumas autoridades de alto escalão, bem como comentaristas de destaque, estão ressaltando a assistência dos EUA ao esforço de guerra da Ucrânia e questionando se o presidente americano pode atuar como um intermediário eficaz e de confiança. Os ucranianos continuam trabalhando em estreita colaboração com os europeus nas táticas de negociação. Alguns em Kiev gostariam de vê-los mais diretamente envolvidos, o que ampliaria o fosso em relação a Moscou, diminuindo as chances de paz.
O argumento a favor de um reengajamento imediato dos EUA é convincente por duas razões.
Primeiro, o conflito entrou em uma perigosa espiral de escalada. A Ucrânia está intensificando seus ataques contra alvos cada vez mais profundos em território russo — incluindo infraestrutura energética e alvos militares — com grande eficácia. O país está isolando, aos poucos, a península da Crimeia do território continental russo. Pela primeira vez, russos distantes do front estão sentindo os efeitos diretos da guerra. O Kremlin pede calma, mas está claramente preocupado com a possibilidade de que os ataques de Kiev desmoralizem a sociedade russa, ao mesmo tempo em que promete retaliações cada vez mais severas contra o que classifica como ataques terroristas.
E a retaliação está acontecendo. A Rússia está intensificando rapidamente seus ataques aéreos contra cidades e infraestruturas vitais da Ucrânia, explorando, com efeitos devastadores, o estoque cada vez menor de interceptadores antimísseis ucranianos. A destruição se alastra e o número de mortes de civis aumenta, enquanto a Ucrânia corre contra o tempo para se preparar para o que teme ser mais um inverno de frio rigoroso. Ao mesmo tempo, crescem na Europa os receios de uma escalada do conflito, à medida que drones ucranianos e mísseis russos — deliberadamente ou não — violam o espaço aéreo de aliados da OTAN e o Kremlin ameaça agir contra os apoiadores europeus da Ucrânia. Moscou condena o que considera ser a militarização da Europa e os preparativos para a guerra, enquanto as capitais europeias argumentam que suas ações são uma resposta necessária à agressão russa e às ameaças à segurança da Europa.
A situação não é diretamente comparável à do verão de 1914, mas a obra Os Canhões de Agosto, de Barbara Tuchman, serve como um alerta sobre como se pode deslizar para um conflito global evitável, porém, em última análise, catastrófico.
Em segundo lugar, e talvez de forma contraintuitiva, a guerra está madura para uma resolução. Ambos os lados precisam encerrar o conflito o mais rápido possível. Kiev está ficando sem combatentes e enfrenta dificuldades crescentes para mobilizar homens para as linhas de frente. Quanto mais a guerra se prolonga, menor a probabilidade de retorno dos milhões de ucranianos que fugiram para o exterior. A continuidade do conflito apenas elevará ainda mais os custos da reconstrução, que já chegam à casa das centenas de bilhões de dólares.
A Rússia enfrenta sua própria crise demográfica e dificuldades crescentes para manter efetivos nas linhas de frente. Os custos econômicos estão aumentando rapidamente e tornando-se mais evidentes à medida que a economia estagna. A falta de investimento em tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, significa que a Rússia está ficando cada vez mais atrás dos Estados Unidos e da China — os dois países com os quais ela mede seu valor como grande potência.
A cada dia que a guerra continua, o futuro parece mais sombrio. Se ela terminasse hoje, no entanto, ambos os lados poderiam reivindicar a vitória. Zelensky poderia, com razão, afirmar ter preservado o que é mais precioso para os ucranianos: sua independência, soberania e ambições europeias. Putin poderia exaltar o sucesso da Rússia em frustrar a tentativa do Ocidente de infligir uma derrota estratégica ao país e em "libertar" milhões de russos no leste da Ucrânia daquilo que ele descreve como um regime neonazista em Kiev.
Ambos os lados podem acreditar que a continuidade dos combates pode melhorar sua posição de negociação. No entanto, os custos da guerra estão reduzindo progressivamente o espaço político para buscar objetivos máximos e aumentando o valor de um desfecho negociado.
Nessas circunstâncias, negociações intensas são urgentemente necessárias para aproveitar o momento e encerrar o conflito. Apenas Washington possui a combinação de acesso, influência e peso político para liderar um esforço diplomático abrangente. Somente os EUA podem dialogar tanto com Moscou quanto com Kiev, bem como com as principais capitais europeias, conforme apropriado. A Ucrânia e a Rússia não conseguem fazer isso sozinhas — é por isso que querem que Washington retome seu engajamento. A Rússia não aceitará nenhuma nação europeia como interlocutora séria, dada a profunda animosidade antirrussa que ela percebe na Europa. Sem dúvida, uma coordenação estreita com os governos europeus será essencial — o apoio militar, os recursos econômicos, as políticas de sanções e o compromisso de longo prazo deles com a independência da Ucrânia são fundamentais para alcançar um acordo duradouro. No entanto, Washington deve liderar o esforço diplomático.
Trump deveria enviar imediatamente seus dois emissários, Steve Witkoff e Jared Kushner, a Kiev para retomar o contato visível com os ucranianos e, em seguida, a Moscou para conversas com Putin. Ninguém deve esperar um avanço imediato; a tarefa é preparar o terreno para um período intenso de diplomacia de vaivém, visando superar as enormes divergências entre os dois lados. Dadas as outras responsabilidades de Witkoff e Kushner, Trump deveria reforçar a atuação deles com especialistas adicionais para impulsionar as negociações.
O sucesso não é garantido, nem virá tão rapidamente quanto Trump gostaria. Mas a oportunidade é real e pode não durar. Se Washington pretende verificar se é possível encerrar essa guerra, deve agir agora, antes que uma escalada do conflito feche a brecha diplomática que o desgaste das partes começou a criar.
Thomas E. Graham é o Henry A. Kissinger Distinguished Fellow no Council on Foreign Relations.
