3 de agosto de 2026

Chegou o momento de Trump acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia

Há uma pequena chance de um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia antes que a situação piore drasticamente.

Thomas E. Graham
Thomas E. Graham atuou como o principal especialista em Rússia da Casa Branca durante o governo do presidente George W. Bush.

The New York Times

Reuters

Enquanto o presidente Trump está concentrado no Irã, um momento propício para atuar como pacificador na guerra entre Rússia e Ucrânia pode estar escapando. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, deixaram claro nos últimos meses que desejam que os Estados Unidos voltem a se envolver e iniciem negociações intensas para encerrar os combates.

Eles não esperarão para sempre. Putin continua a falar de forma favorável sobre Trump, mas algumas autoridades de alto escalão, bem como comentaristas de destaque, estão ressaltando a assistência dos EUA ao esforço de guerra da Ucrânia e questionando se o presidente americano pode atuar como um intermediário eficaz e de confiança. Os ucranianos continuam trabalhando em estreita colaboração com os europeus nas táticas de negociação. Alguns em Kiev gostariam de vê-los mais diretamente envolvidos, o que ampliaria o fosso em relação a Moscou, diminuindo as chances de paz.

O argumento a favor de um reengajamento imediato dos EUA é convincente por duas razões.

Primeiro, o conflito entrou em uma perigosa espiral de escalada. A Ucrânia está intensificando seus ataques contra alvos cada vez mais profundos em território russo — incluindo infraestrutura energética e alvos militares — com grande eficácia. O país está isolando, aos poucos, a península da Crimeia do território continental russo. Pela primeira vez, russos distantes do front estão sentindo os efeitos diretos da guerra. O Kremlin pede calma, mas está claramente preocupado com a possibilidade de que os ataques de Kiev desmoralizem a sociedade russa, ao mesmo tempo em que promete retaliações cada vez mais severas contra o que classifica como ataques terroristas.

E a retaliação está acontecendo. A Rússia está intensificando rapidamente seus ataques aéreos contra cidades e infraestruturas vitais da Ucrânia, explorando, com efeitos devastadores, o estoque cada vez menor de interceptadores antimísseis ucranianos. A destruição se alastra e o número de mortes de civis aumenta, enquanto a Ucrânia corre contra o tempo para se preparar para o que teme ser mais um inverno de frio rigoroso. Ao mesmo tempo, crescem na Europa os receios de uma escalada do conflito, à medida que drones ucranianos e mísseis russos — deliberadamente ou não — violam o espaço aéreo de aliados da OTAN e o Kremlin ameaça agir contra os apoiadores europeus da Ucrânia. Moscou condena o que considera ser a militarização da Europa e os preparativos para a guerra, enquanto as capitais europeias argumentam que suas ações são uma resposta necessária à agressão russa e às ameaças à segurança da Europa.

A situação não é diretamente comparável à do verão de 1914, mas a obra Os Canhões de Agosto, de Barbara Tuchman, serve como um alerta sobre como se pode deslizar para um conflito global evitável, porém, em última análise, catastrófico.

Em segundo lugar, e talvez de forma contraintuitiva, a guerra está madura para uma resolução. Ambos os lados precisam encerrar o conflito o mais rápido possível. Kiev está ficando sem combatentes e enfrenta dificuldades crescentes para mobilizar homens para as linhas de frente. Quanto mais a guerra se prolonga, menor a probabilidade de retorno dos milhões de ucranianos que fugiram para o exterior. A continuidade do conflito apenas elevará ainda mais os custos da reconstrução, que já chegam à casa das centenas de bilhões de dólares.

A Rússia enfrenta sua própria crise demográfica e dificuldades crescentes para manter efetivos nas linhas de frente. Os custos econômicos estão aumentando rapidamente e tornando-se mais evidentes à medida que a economia estagna. A falta de investimento em tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, significa que a Rússia está ficando cada vez mais atrás dos Estados Unidos e da China — os dois países com os quais ela mede seu valor como grande potência.

A cada dia que a guerra continua, o futuro parece mais sombrio. Se ela terminasse hoje, no entanto, ambos os lados poderiam reivindicar a vitória. Zelensky poderia, com razão, afirmar ter preservado o que é mais precioso para os ucranianos: sua independência, soberania e ambições europeias. Putin poderia exaltar o sucesso da Rússia em frustrar a tentativa do Ocidente de infligir uma derrota estratégica ao país e em "libertar" milhões de russos no leste da Ucrânia daquilo que ele descreve como um regime neonazista em Kiev.

Ambos os lados podem acreditar que a continuidade dos combates pode melhorar sua posição de negociação. No entanto, os custos da guerra estão reduzindo progressivamente o espaço político para buscar objetivos máximos e aumentando o valor de um desfecho negociado.

Nessas circunstâncias, negociações intensas são urgentemente necessárias para aproveitar o momento e encerrar o conflito. Apenas Washington possui a combinação de acesso, influência e peso político para liderar um esforço diplomático abrangente. Somente os EUA podem dialogar tanto com Moscou quanto com Kiev, bem como com as principais capitais europeias, conforme apropriado. A Ucrânia e a Rússia não conseguem fazer isso sozinhas — é por isso que querem que Washington retome seu engajamento. A Rússia não aceitará nenhuma nação europeia como interlocutora séria, dada a profunda animosidade antirrussa que ela percebe na Europa. Sem dúvida, uma coordenação estreita com os governos europeus será essencial — o apoio militar, os recursos econômicos, as políticas de sanções e o compromisso de longo prazo deles com a independência da Ucrânia são fundamentais para alcançar um acordo duradouro. No entanto, Washington deve liderar o esforço diplomático.

Trump deveria enviar imediatamente seus dois emissários, Steve Witkoff e Jared Kushner, a Kiev para retomar o contato visível com os ucranianos e, em seguida, a Moscou para conversas com Putin. Ninguém deve esperar um avanço imediato; a tarefa é preparar o terreno para um período intenso de diplomacia de vaivém, visando superar as enormes divergências entre os dois lados. Dadas as outras responsabilidades de Witkoff e Kushner, Trump deveria reforçar a atuação deles com especialistas adicionais para impulsionar as negociações.

O sucesso não é garantido, nem virá tão rapidamente quanto Trump gostaria. Mas a oportunidade é real e pode não durar. Se Washington pretende verificar se é possível encerrar essa guerra, deve agir agora, antes que uma escalada do conflito feche a brecha diplomática que o desgaste das partes começou a criar.

Thomas E. Graham é o Henry A. Kissinger Distinguished Fellow no Council on Foreign Relations.

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