Zongyuan Zoe Liu
Foreign Affairs
Diante da possibilidade de que, um dia, Washington torne o dólar um problema para a China, Pequim está elaborando sua própria solução. Em um discurso proferido em janeiro de 2024, o líder chinês Xi Jinping tornou esse esforço explícito, orientando altos funcionários provinciais e ministeriais a acelerar a transformação da China em uma “potência financeira de destaque”. Uma moeda forte, especificou ele, seria um dos pilares fundamentais desse poder. Quando a Qiushi — principal publicação do Partido Comunista Chinês — divulgou a íntegra do discurso em 2026, o padrão almejado por Xi tornou-se mais claro: para que uma moeda seja considerada “forte”, ela precisa ser amplamente utilizada no comércio internacional, em investimentos e nos mercados cambiais, além de ser reconhecida como uma moeda de reserva global.
O apelo de Xi é o episódio mais recente em uma longa história de esforços, por parte de grandes potências, para reduzir sua dependência do sistema financeiro global centrado no dólar. Em 1965, o ministro das Finanças da França, Valéry Giscard d’Estaing, cunhou a famosa expressão “privilégio exorbitante” para descrever as vantagens desproporcionais que o domínio do dólar confere aos Estados Unidos; naquele mesmo ano, a França começou a converter, de forma incisiva, uma parcela substancial de suas reservas em dólares em ouro, contribuindo para o colapso do sistema de Bretton Woods. Em 1999, o governo japonês divulgou um relatório sobre como promover uma maior utilização internacional do iene. Naquele mesmo ano, o lançamento do euro proporcionou à Europa o que viria a se tornar a segunda moeda internacional mais importante do mundo, conferindo-lhe maior autonomia monetária — ainda que o Banco Central Europeu tenha evitado, com cautela, qualquer sinalização de que pudesse desafiar o dólar.
O que distingue a ambição de Xi é o fato de a China — ao contrário da Europa ou do Japão — possuir o peso econômico, a capacidade militar e a vontade política para rivalizar com o poder geopolítico dos Estados Unidos. Desde a época em que Londres comandava um império global, a moeda de outro país não apresentava uma chance real de competir com o dólar. Uma transição financeira global — de In God We Trust para “Onde o Partido Lidera, Nós Seguimos” — já não pode ser descartada como mera fantasia.
A internacionalização do renminbi proporcionaria à China um certo grau de sobrevivência financeira, caso os Estados Unidos decidissem, em algum momento, utilizar o dólar como uma arma punitiva — tal como fizeram contra a Rússia após a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022. Os Estados Unidos controlam tanto a oferta da moeda de reserva global dominante quanto muitos dos pontos críticos da infraestrutura financeira por meio dos quais ela circula. Washington, se assim desejasse, poderia restringir severamente o acesso da China à liquidez em dólares, tornando proibitivo o custo de realizar transações com instituições chinesas — por exemplo, por meio do indiciamento ou da imposição de sanções a um grande banco chinês. Qualquer medida desse tipo causaria um choque no sistema financeiro chinês, elevaria os custos das transações comerciais e desferiria um duro golpe na competitividade do setor exportador da China, que responde por cerca de um quinto do seu PIB.
A capacidade de sobrevivência, contudo, é apenas um pré-requisito para uma dissuasão crível. Para impedir que os Estados Unidos utilizem o dólar como arma, Pequim necessita de uma capacidade de "segundo ataque" no âmbito financeiro. É preciso que o país seja capaz de redirecionar uma parcela substancial do comércio e das finanças globais para uma rede baseada no renminbi. A durabilidade dessa mudança depende de uma demanda global sólida por um ativo de referência precificado em renminbi. Para a China, a fonte mais provável de tal ativo reside em seu domínio sobre a economia verde.
Xi não deseja, necessariamente, que o renminbi substitua o dólar. Em seu discurso de 2024, ele defendeu a força, não a hegemonia. Ocupar uma respeitável segunda posição — ou até mesmo uma terceira posição relevante — seria suficiente para quebrar o monopólio efetivo do dólar e limitar a capacidade dos Estados Unidos de impor sanções financeiras de forma unilateral, poupando, ao mesmo tempo, a China do esforço e do custo de sustentar a supremacia monetária. Na perspectiva de Pequim, a missão é estabelecer o renminbi como a Pepsi em relação à Coca-Cola: nunca o líder de mercado, mas uma alternativa útil em momentos de necessidade e mais do que capaz de manter sob controle o ator dominante.
Se o reinado do "Rei Dólar" chegar ao fim, provavelmente não será porque a China usurpou o trono, mas sim porque os Estados Unidos o entregaram. Washington precisa se dar conta de que o ativo estratégico que sustentará a próxima ordem monetária talvez não seja o barril de petróleo, mas sim um ecossistema industrial. O perigo reside no fato de que os mercados financeiros podem oferecer poucos sinais de alerta de que tal transição está em curso. Os mercados podem passar longos períodos ignorando evidências crescentes de mudança, até que um catalisador — como um impasse político em torno do aumento do limite da dívida dos EUA — force, finalmente, um ajuste nos modelos e provoque oscilações bruscas nos preços. As autoridades americanas relutam em planejar cenários para a erosão da dominância do dólar, por receio de que isso sinalize ao mercado que tal declínio é inevitável. Contudo, a insistência em apontar para gráficos de preços como prova da resiliência do dólar sugere que as lições da última crise financeira talvez já tenham sido esquecidas. Os Estados Unidos precisam elaborar planos de contingência antes que o "privilégio exorbitante" do dólar esteja visivelmente desgastado e que se tornem claros os sinais de busca por proteção contra ele. A essa altura, pode ser impossível conter os danos.
![]() |
| Nathalie Lees |
Em 1971, quando o sistema monetário internacional estava à beira do colapso, o secretário do Tesouro dos EUA, John Connally, disse a um grupo de ministros das Finanças europeus — que estavam preocupados — que o dólar era “nossa moeda, mas um problema de vocês”. O dólar havia se tornado a moeda de reserva oficial daquele sistema em 1944, sob o acordo de Bretton Woods, deixando os signatários sujeitos aos caprichos da política monetária dos EUA. Mesmo após o colapso de Bretton Woods e a adoção de regimes de câmbio flutuante por muitas moedas, o dólar continuou a predominar. No último meio século, o poder da moeda norte-americana apenas se expandiu, à medida que mais países se integraram à economia global e, consequentemente, passaram a depender do dólar. A China, que depende de um crescimento impulsionado pelas exportações, é o principal exemplo disso.
Diante da possibilidade de que, um dia, Washington torne o dólar um problema para a China, Pequim está elaborando sua própria solução. Em um discurso proferido em janeiro de 2024, o líder chinês Xi Jinping tornou esse esforço explícito, orientando altos funcionários provinciais e ministeriais a acelerar a transformação da China em uma “potência financeira de destaque”. Uma moeda forte, especificou ele, seria um dos pilares fundamentais desse poder. Quando a Qiushi — principal publicação do Partido Comunista Chinês — divulgou a íntegra do discurso em 2026, o padrão almejado por Xi tornou-se mais claro: para que uma moeda seja considerada “forte”, ela precisa ser amplamente utilizada no comércio internacional, em investimentos e nos mercados cambiais, além de ser reconhecida como uma moeda de reserva global.
O apelo de Xi é o episódio mais recente em uma longa história de esforços, por parte de grandes potências, para reduzir sua dependência do sistema financeiro global centrado no dólar. Em 1965, o ministro das Finanças da França, Valéry Giscard d’Estaing, cunhou a famosa expressão “privilégio exorbitante” para descrever as vantagens desproporcionais que o domínio do dólar confere aos Estados Unidos; naquele mesmo ano, a França começou a converter, de forma incisiva, uma parcela substancial de suas reservas em dólares em ouro, contribuindo para o colapso do sistema de Bretton Woods. Em 1999, o governo japonês divulgou um relatório sobre como promover uma maior utilização internacional do iene. Naquele mesmo ano, o lançamento do euro proporcionou à Europa o que viria a se tornar a segunda moeda internacional mais importante do mundo, conferindo-lhe maior autonomia monetária — ainda que o Banco Central Europeu tenha evitado, com cautela, qualquer sinalização de que pudesse desafiar o dólar.
O que distingue a ambição de Xi é o fato de a China — ao contrário da Europa ou do Japão — possuir o peso econômico, a capacidade militar e a vontade política para rivalizar com o poder geopolítico dos Estados Unidos. Desde a época em que Londres comandava um império global, a moeda de outro país não apresentava uma chance real de competir com o dólar. Uma transição financeira global — de In God We Trust para “Onde o Partido Lidera, Nós Seguimos” — já não pode ser descartada como mera fantasia.
A internacionalização do renminbi proporcionaria à China um certo grau de sobrevivência financeira, caso os Estados Unidos decidissem, em algum momento, utilizar o dólar como uma arma punitiva — tal como fizeram contra a Rússia após a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022. Os Estados Unidos controlam tanto a oferta da moeda de reserva global dominante quanto muitos dos pontos críticos da infraestrutura financeira por meio dos quais ela circula. Washington, se assim desejasse, poderia restringir severamente o acesso da China à liquidez em dólares, tornando proibitivo o custo de realizar transações com instituições chinesas — por exemplo, por meio do indiciamento ou da imposição de sanções a um grande banco chinês. Qualquer medida desse tipo causaria um choque no sistema financeiro chinês, elevaria os custos das transações comerciais e desferiria um duro golpe na competitividade do setor exportador da China, que responde por cerca de um quinto do seu PIB.
A capacidade de sobrevivência, contudo, é apenas um pré-requisito para uma dissuasão crível. Para impedir que os Estados Unidos utilizem o dólar como arma, Pequim necessita de uma capacidade de "segundo ataque" no âmbito financeiro. É preciso que o país seja capaz de redirecionar uma parcela substancial do comércio e das finanças globais para uma rede baseada no renminbi. A durabilidade dessa mudança depende de uma demanda global sólida por um ativo de referência precificado em renminbi. Para a China, a fonte mais provável de tal ativo reside em seu domínio sobre a economia verde.
Xi não deseja, necessariamente, que o renminbi substitua o dólar. Em seu discurso de 2024, ele defendeu a força, não a hegemonia. Ocupar uma respeitável segunda posição — ou até mesmo uma terceira posição relevante — seria suficiente para quebrar o monopólio efetivo do dólar e limitar a capacidade dos Estados Unidos de impor sanções financeiras de forma unilateral, poupando, ao mesmo tempo, a China do esforço e do custo de sustentar a supremacia monetária. Na perspectiva de Pequim, a missão é estabelecer o renminbi como a Pepsi em relação à Coca-Cola: nunca o líder de mercado, mas uma alternativa útil em momentos de necessidade e mais do que capaz de manter sob controle o ator dominante.
O SEGUNDO LUGAR É O MELHOR
A aceitação quase universal do dólar americano beneficia, possivelmente, a China mais do que qualquer outro país. A economia chinesa depende de exportações, e os produtos chineses — precificados e financiados em dólares — conseguem encontrar compradores prontos em praticamente qualquer lugar. Os lucros obtidos podem, então, ser investidos em quase qualquer parte e convertidos em recursos líquidos com rapidez. Isso é conveniente para Pequim: a China desfruta dos benefícios da liquidez global sem arcar com o ônus de sustentá-la. Para preservar o sistema global baseado no dólar, os Estados Unidos precisam tolerar a posse, por parte de estrangeiros, de um volume crescente de ativos denominados em dólares, à medida que os países realizam cada vez mais transações nessa moeda. Os mercados americanos ficam expostos à volatilidade internacional, e investidores estrangeiros exercem certa influência sobre as corporações dos EUA. O Federal Reserve, emissor do dólar, atua como garantidor do sistema, expandindo seu balanço em períodos de estresse financeiro — momentos em que governos e empresas privadas acumulam dólares para assegurar o pagamento de suas dívidas e a compra de mercadorias. Essa abertura e exposição representaram pouca ameaça à economia americana, uma vez que os acionistas estrangeiros, de modo geral, buscaram operar dentro das normas empresariais dos EUA, em vez de tentar alterá-las; além disso, os bancos americanos obtiveram lucros expressivos ao intermediar os fluxos globais de capital por meio de Nova York e Londres.
Os líderes chineses não têm qualquer interesse em fazer esse tipo de concessão. Manter um sistema global baseado no renminbi seria fundamentalmente incompatível com o modelo econômico chinês, conduzido pelo Estado. Para que o renminbi desempenhasse as mesmas funções que o dólar, a China precisaria criar canais financeiros amplos e de mão dupla, permitindo que detentores estrangeiros da moeda reinvestissem esses recursos na economia chinesa. O consequente influxo de capital transformaria, de forma estrutural, os mercados financeiros domésticos da China. Seria impraticável para Pequim restringir os investidores estrangeiros a um grupo limitado de ativos autorizados, como ocorre atualmente. Uma vez que investidores estrangeiros tivessem amplo acesso aos mercados chineses, eles explorariam as distorções geradas pela repressão financeira e pela alocação de capital orientada por critérios políticos. Tal concorrência minaria um dos mecanismos mais eficazes de Pequim para garantir a lealdade da classe empresarial chinesa: o controle sobre quem tem acesso ao capital, sob quais condições e para quais finalidades.
Para muitos cidadãos chineses ricos, incluindo alguns membros do próprio Partido Comunista, o dólar constitui uma forma indispensável de seguro contra riscos políticos. Rivalidades políticas internas podem levar ao confisco de bens ou até mesmo à prisão, com pouca observância do devido processo legal. Depósitos em dólar no exterior e estruturas corporativas estrangeiras permitem que as elites diversifiquem seu patrimônio entre diferentes moedas e jurisdições. O controle de uma empresa listada no exterior — especialmente nos Estados Unidos — oferece aos chineses abastados muito mais do que prestígio e acesso ao capital global; as obrigações de transparência, os deveres para com os acionistas e a visibilidade internacional — elementos que escapam ao controle do Partido — podem conferir aos executivos chineses um poder de barganha contra exigências arbitrárias de autoridades em seu país de origem. Embora tais restrições não consigam impedir a interferência de autoridades de alto escalão decididas a perseguir seus alvos, elas podem elevar o custo dessa interferência, retardar sua execução e abrir espaço para negociações. O sistema baseado no dólar serve como um refúgio para as elites chinesas que caem em desgraça; e, como a posição de ninguém é totalmente garantida, poucos desejam ver esse refúgio desaparecer.
USE OU PERCA
A China está perfeitamente disposta a continuar vivendo em um mundo que gira em torno do dólar. No entanto, não pode tolerar a instrumentalização do dólar como arma, e o renminbi ainda tem um longo caminho a percorrer antes de se tornar forte o suficiente para neutralizar essa ameaça. Para que mais países e empresas adotem o renminbi, é preciso, antes de tudo, uma infraestrutura financeira global que viabilize seu uso. A China já lançou as bases ao facilitar o uso da moeda entre empresas em mais de cem países e em uma gama crescente de mercados de commodities, permitindo a liquidação de transações, a obtenção de financiamento para comércio e investimentos, e a proteção contra riscos (hedge). Nesse contexto, a abrangência é muito mais importante do que a profundidade. Mesmo volumes diários modestos de transações em renminbi são suficientes para manter operacionais os canais de pagamento, preservar relações financeiras e sustentar a expertise jurídica e administrativa necessária para operar um sistema financeiro alternativo.
Pequim necessita de uma capacidade financeira de "segundo ataque" (capacidade de resposta).
Como a força econômica relativa da China reside no fluxo de bens manufaturados — o país respondeu por 20% das exportações globais de manufaturados em 2025 —, Pequim concentrou seus esforços na construção de uma rede de pagamentos que facilite os fluxos comerciais gerados por sua máquina industrial. Em 2005, Zhou Xiaochuan, então governador do Banco do Povo da China (PBOC), incentivou publicamente o uso — que já vinha crescendo — de moedas locais entre os parceiros comerciais do país. Em 2009, o PBOC lançou um programa-piloto para a liquidação de transações transfronteiriças em renminbi, seguido, em 2015, pela criação do Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS, na sigla em inglês) — a espinha dorsal da rede internacional de renminbi da China. O CIPS começou com 195 participantes em 50 países; em junho de 2026, contava com 1.829 participantes e era capaz de processar pagamentos para mais de 5.200 instituições bancárias em 191 países. Contudo, o CIPS permanece muito menor do que os sistemas de pagamentos de atacado, já consolidados, que sustentam o dólar e o euro. Em 2025, o Clearing House Interbank Payments System, sediado nos EUA, processou um volume de pagamentos internacionais cerca de 19 vezes maior do que o CIPS, enquanto o sistema europeu de liquidação bruta em tempo real, denominado T2, processou um volume aproximadamente 14 vezes superior.
No entanto, os pagamentos, por si só, são uma medida enganosa do poder de uma moeda. Uma transação internacional envolve muito mais do que a transferência de valor econômico; ela requer um conjunto de serviços financeiros que se desdobra em cinco etapas interligadas: precificação, financiamento, transferência de risco, pagamento e reinvestimento. O dólar domina o comércio e as finanças internacionais porque é a moeda padrão em todas essas etapas, sendo que sua força em cada uma delas reforça sua posição nas demais. Para que o renminbi suplante o dólar, ele precisaria se tornar competitivo em todas as fases do ciclo de transação, e não apenas nos pagamentos.
Os líderes chineses reconhecem que a influência dos centros financeiros de Londres, Nova York e Tóquio não reside apenas na capacidade de movimentar dinheiro, mas também na aptidão de suas instituições para criar crédito, definir preços, oferecer seguros para remessas e reciclar poupanças. É por isso que as empresas estatais chinesas estão impulsionando a expansão da rede do renminbi. Ao denominar faturas, contratos e financiamentos de projetos no exterior em renminbi, essas empresas criam uma base de demanda recorrente pela moeda — uma base em torno da qual bancos, seguradoras e outras instituições financeiras chinesas podem desenvolver linhas de negócios competitivas sob controle chinês. Para fortalecer essa base, o Partido Comunista estabeleceu um plano de ação que orienta as empresas estatais a priorizar a liquidação em renminbi, em vez de dólares, sempre que negociarem com fornecedores e clientes estrangeiros. Essa estratégia já está fomentando uma rede regional para o uso do renminbi no Sudeste Asiático. Em 2024, os pagamentos em renminbi envolvendo economias da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) cresceram 19%, sendo que dois terços dessas transações ocorreram entre os próprios países da ASEAN.
O CUSTO DE ENTRADA
Pequim concluiu, em grande parte, a primeira fase de sua estratégia — estabelecendo uma base nos pagamentos — e agora está expandindo sua atuação para as etapas anteriores (precificação, financiamento e transferência de risco) e, de forma cautelosa, para as etapas posteriores (reinvestimento). Somente recentemente Pequim começou a compreender o quanto a moeda utilizada na precificação de mercadorias influencia as etapas subsequentes do ciclo de transação. Historicamente, a China contentou-se em precificar os bens que importa e exporta, em sua maioria, em dólares. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), apenas 6,5% das exportações da China foram faturadas em renminbi em 2023. Estatísticas do governo chinês indicam que quase 30% do comércio de bens da China é liquidado em renminbi; contudo, grande parte disso é, na verdade, uma transação em dólares disfarçada de transação em renminbi: os exportadores chineses emitem faturas em dólares, os compradores obtêm financiamento em dólares e têm suas contas debitadas nessa moeda, sendo os recursos convertidos para renminbi apenas pouco antes de chegarem à China continental.
O governo busca reverter esse padrão promovendo o que chama de “preços China”: preços de referência denominados em renminbi, listados em bolsas locais para as principais commodities importadas pelo país. Uma maior autonomia na formação de preços significa que as empresas chinesas podem adquirir insumos e gerenciar sua exposição às oscilações de preços nos mercados globais sem precisar recorrer ao dólar. Isso também confere às autoridades chinesas maior influência sobre os preços de referência usados para definir os termos de contratos de fornecimento para a entrega física dessas commodities. Esse poder de influência é vital para a China, uma vez que o fluxo constante de insumos é essencial para o bom funcionamento de seu aparato industrial.
A autonomia na formação de preços é particularmente importante no caso de minerais críticos, que abastecem as indústrias voltadas à transição ecológica — setores que, na visão de Xi, são fundamentais para o futuro econômico da China. O país produz mais de 80% das baterias do mundo e consome mais de 75% do lítio, 70% do cobalto e cerca de 60% do níquel produzidos globalmente. Contudo, a posição da China nos mercados mundiais de cada um desses minerais ainda não reflete seu domínio na produção e no consumo. Até o momento, a China avançou mais no setor de lítio: mais de 90% das negociações globais de contratos futuros de carbonato de lítio ocorrem na Bolsa de Futuros de Guangzhou, onde os contratos são denominados em renminbi. Em julho, a bolsa passou a permitir que operadores estrangeiros negociassem diretamente contratos futuros de carbonato de lítio, anunciando, com grande alarde, a entrada de várias “empresas líderes” internacionais no mercado. A China está, agora, em condições de se tornar — talvez pela primeira vez na história moderna — o principal centro financeiro para uma commodity de relevância global. O níquel e o cobalto, por outro lado, permanecem atrelados a preços de referência em dólar, definidos em Londres e Chicago. Embora a China seja a maior consumidora desses dois minerais, ela ainda não atua como a referência financeira para seus respectivos mercados. É justamente esse tipo de descompasso que a iniciativa de promover os “preços China” pretende corrigir.
![]() |
| Contagem de notas em um banco em Bangcoc, janeiro de 2023. Athit Perawongmetha / Reuters |
A etapa de financiamento da estratégia de Pequim para o renminbi está ganhando força. Em 2023, o governo chinês orientou as instituições financeiras do país a expandir suas operações de financiamento em renminbi no exterior. Instituições financeiras com apoio estatal, como o Export-Import Bank of China, ampliaram a concessão de empréstimos em renminbi para projetos de infraestrutura e comércio no exterior; paralelamente, bancos comerciais têm ofertado, de forma crescente, financiamento ao comércio nessa mesma moeda. Entre 2023 e meados de 2026, as instituições financeiras chinesas mais do que dobraram o volume de empréstimos em renminbi para tomadores estrangeiros, passando de 1,3 trilhão para 2,9 trilhões de yuans (US$ 428 bilhões). O Banco do Povo da China (PBOC), por sua vez, estabeleceu acordos de swap cambial com 32 bancos centrais e autoridades monetárias estrangeiras — incluindo os da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, bem como o Banco Central Europeu. Em seus estágios iniciais, logo após a crise financeira global, essas linhas de swap tinham um caráter majoritariamente simbólico e eram pouco utilizadas; contudo, nos últimos anos, algumas passaram a oferecer suporte direto a atividades comerciais. Em 2025, empresas turcas tomaram empréstimos de quatro bilhões de yuans (US$ 557 milhões) para pagar fornecedores chineses, utilizando um mecanismo lastreado por uma linha de swap do PBOC — um montante 70% superior ao registrado no ano anterior. Esse esforço para transformar o renminbi em uma moeda de financiamento começa a ganhar força: em maio de 2026, a moeda chinesa representava 7% do valor das mensagens de financiamento comercial no SWIFT — a principal plataforma global para a troca de instruções de pagamento. Esse índice, que era de 5,1% dois anos antes, foi suficiente para superar o euro e assumir a segunda posição, embora o dólar permaneça muito à frente, com uma participação de 82,5%.
Pequim também tomou medidas — ainda que modestas — para ampliar a presença do renminbi nos mercados de seguros e resseguros. Em 2025, o Bank of China, um banco estatal, e a PICC, uma seguradora estatal de ramos elementares (danos e responsabilidades), estabeleceram novas condições que permitem que prêmios e indenizações referentes ao transporte de cargas sejam liquidados em renminbi. Essas condições também definem Xangai como o foro preferencial para arbitragem, integrando um esforço mais amplo para reduzir a dependência do mercado de seguros marítimos em relação à liquidação em dólares e ao direito comercial inglês — que, por muito tempo, constituíram a base padrão para contratos de transporte internacional e seguros marítimos.
A etapa final do ciclo de transações — o reinvestimento — fecha o circuito pelo qual mercadorias e valor circulam na economia global. Os recebedores dos pagamentos precisam decidir o que fazer com os recursos: mantê-los em uma conta de curto prazo, investi-los em ativos de longo prazo ou convertê-los para outra moeda. Um ecossistema monetário robusto só se torna sustentável em larga escala quando os agentes estão dispostos a manter e reinvestir seus saldos, em vez de convertê-los rotineiramente.
A China não vê qualquer problema em viver em um mundo que gira em torno do dólar.
Na última década, Pequim ofereceu aos detentores estrangeiros de renminbi mais opções para reinvestir seus saldos. Os programas *Stock Connect* e *Bond Connect* — cujas versões iniciais surgiram, respectivamente, em 2014 e 2017 — foram ampliados, permitindo que um leque muito mais vasto de investidores fora da China utilize o renminbi para adquirir ações e títulos emitidos na China continental. Antes desses programas, o acesso direto aos mercados chineses era limitado por exigências de licenciamento e cotas; em 2013, apenas cerca de 228 grandes investidores institucionais possuíam essas cotas, enquanto hoje esse número chega a aproximadamente 1.000 investidores. Em 2025, as negociações realizadas por estrangeiros por meio do *Stock Connect* atingiram uma média de 212 bilhões de yuans (US$ 29,5 bilhões) por dia, ao passo que, no *Bond Connect*, a média foi de 39 bilhões de yuans (US$ 5,4 bilhões) diários. Também houve uma expansão nos instrumentos disponíveis para a gestão dos riscos associados a esses investimentos. O Swap Connect, lançado em 2023, permite que investidores estrangeiros realizem operações de hedge (proteção) contra oscilações nas taxas de juros do renminbi no mercado interno chinês.
O acesso aos mercados financeiros da China já não é o maior obstáculo enfrentado pelos investidores estrangeiros; contudo, persiste a preocupação de que os controles de capital — imprevisíveis e impostos por Pequim — possam, um dia, deixar seus recursos retidos no país. Uma pesquisa realizada em 2023 pela Insurance Asset Management Association of China (Associação de Gestão de Ativos de Seguros da China) em parceria com a J.P. Morgan Asset Management revelou que cerca de dois terços dos diretores de investimentos de seguradoras sediadas fora da China apontam os controles sobre o fluxo de capital — de entrada e saída do país — como uma das suas principais preocupações ao investir no mercado chinês. Apesar de o acesso estar mais amplo do que nunca, os investidores estrangeiros continuam relutantes em manter ativos chineses em grande escala. Em março de 2026, eles detinham apenas 3,2 trilhões de yuans (US$ 448 bilhões), o equivalente a 1,6% do mercado de títulos chinês — um contraste expressivo em relação aos cerca de US$ 15,5 trilhões (27%) que compõem o mercado de títulos dos Estados Unidos. Os dados sobre reservas cambiais registrados junto ao FMI revelam uma disparidade ainda maior: no primeiro trimestre de 2026, o renminbi representava pouco menos de 2% das reservas cambiais globais, enquanto o dólar respondia por 57%. Sem um volume muito mais expressivo de ativos denominados em renminbi que possam ser livremente comprados e vendidos por estrangeiros, a moeda chinesa dificilmente chegará perto de substituir o dólar.
PADRÃO VERDE
Para que a China exerça um poder monetário que se aproxime do dos Estados Unidos, o renminbi precisa dominar o comércio de um bem que a China controle e do qual o restante do mundo não consiga abrir mão facilmente. No sistema baseado no dólar, o comércio global de petróleo desempenha esse papel há muito tempo — daí o termo “petrodólar”. Em um sistema em que o renminbi ganha protagonismo, o elemento central de sustentação poderia ser composto por minerais críticos, equipamentos de energia limpa e infraestrutura elétrica — componentes fundamentais para a tecnologia de energia verde. Se a China consolidar seu domínio sobre esse ecossistema industrial, utilizando sua escala e vantagens de custo para impedir que concorrentes a alcancem, ela poderá obter poder de negociação suficiente para precificar essas exportações essenciais — e de difícil substituição — em renminbi. Isso criaria a base para um “yuan verde”, que, com o tempo, poderia substituir o petrodólar.
Ao longo de décadas, a China montou, de forma metódica, as cadeias de suprimentos que a tornaram a principal produtora mundial de tecnologias e equipamentos de energia verde. Pequim está, agora, prestes a assumir uma posição de comando em um conjunto de bens dos quais o mundo decidiu que não pode prescindir. A estratégia chinesa baseia-se na integração vertical de praticamente toda a cadeia de suprimentos de energia limpa. O país é o maior refinador de 19 dos 20 minerais estratégicos relacionados à energia monitorados pela Agência Internacional de Energia, detendo uma participação média de 70% no mercado. A China responde por cerca de 85% da capacidade global de fabricação de painéis solares e fornece 78% da capacidade de turbinas eólicas instaladas em todo o mundo. Em 2025, o país produziu cerca de 70% dos veículos elétricos do planeta.
Após garantir, de forma decisiva, a vantagem de quem chega primeiro ao mercado, Pequim está consolidando sua posição, utilizando economias de escala para superar potenciais rivais e promover padrões técnicos baseados em tecnologias pertencentes a empresas chinesas. A economia de energia verde é mais dispersa do que o sistema de combustíveis fósseis que pretende substituir — e, portanto, mais difícil de controlar. Contudo, a China já começa a transformar sua liderança em participação de mercado em vantagens estruturais, capazes de excluir concorrentes e consolidar seu domínio.
Até pouco tempo atrás, Pequim concentrava-se mais em ampliar sua liderança industrial no setor de energia verde do que em converter essa vantagem em poder financeiro. Mas isso está começando a mudar. A proliferação de mandatos de investimento neutros em carbono criou, de forma não intencional, um setor de finanças verdes quase feito sob medida para a China. Em 2022, Pequim publicou seus “Princípios para Títulos Verdes” (Green Bond Principles), que exigem que os emissores desses títulos destinem 100% dos recursos captados a projetos verdes elegíveis.
Até o final de 2025, os fundos dedicados a investimentos sustentáveis somavam US$ 4,13 trilhões em todo o mundo, e a previsão era de que os ativos geridos com base em critérios de sustentabilidade atingissem US$ 40 trilhões até 2030. Paralelamente, as entidades chinesas já contabilizavam 47,2 trilhões de yuans (US$ 6,7 trilhões) em empréstimos e títulos verdes em circulação — um montante que supera, de longe, o de qualquer outro país —, embora restrito, em grande parte, ao sistema doméstico em renminbi. Em 2024, as instituições estrangeiras detinham apenas 3,2 bilhões de yuans (US$ 445 milhões) do mercado chinês de títulos verdes, que totaliza 2,2 trilhões de yuans (US$ 306 bilhões) — uma parcela ínfima de 0,15%.
É provável que essa participação estrangeira, atualmente reduzida, aumente. As autoridades chinesas estão trabalhando para transformar parte do vasto volume de dívida verde do país — termo que abrange empréstimos e títulos emitidos para projetos com impacto ambiental positivo, originalmente voltados para investidores locais — em valores mobiliários negociáveis. O objetivo é permitir que investidores estrangeiros os incluam em seus portfólios, em conformidade com os mandatos internacionais de sustentabilidade. A meta é criar uma ampla classe de ativos denominados em renminbi que sejam acessíveis a investidores internacionais, vinculados a projetos verdes e integrados ao ecossistema mais amplo do renminbi, no que diz respeito à precificação, liquidação e outros serviços financeiros.
Cerca de 17% do mercado chinês de títulos verdes já passou por uma triagem baseada em critérios técnicos alinhados às estruturas de finanças verdes europeias. Isso torna esses títulos mais facilmente reconhecíveis para investidores estrangeiros e provedores de índices, facilitando sua inclusão em portfólios internacionais. O Ministério das Finanças começou a emitir títulos soberanos verdes denominados em renminbi fora da China. A primeira emissão captou seis bilhões de yuans (US$ 834 milhões) em Londres, em abril de 2025, seguida por uma segunda emissão, também de seis bilhões de yuans, em Hong Kong, em maio passado — ocasião em que a demanda superou a oferta em dez vezes. Embora essas emissões sejam pequenas se comparadas ao mercado interno chinês, elas estabelecem referências de precificação que facilitam, para outras entidades, a emissão de dívida verde denominada em renminbi no futuro. A emissão realizada pelo Paquistão, em maio, de um "Panda bond" verde no valor de 1,75 bilhão de yuans (US$ 258 milhões) — termo utilizado para dívidas denominadas em renminbi emitidas na China por tomadores estrangeiros — oferece um vislumbre de um futuro no qual entidades estrangeiras captarão recursos rotineiramente em renminbi, na China, para financiar seu desenvolvimento sustentável.
Washington deveria avaliar se o petrodólar ainda cumpre sua finalidade.
É assim que o domínio industrial começa a se transformar em poder financeiro. O governo chinês não tem planos formais para criar um "yuan verde", mas os elementos que comporiam tal sistema já começam a surgir. O ativo de referência para um yuan verde não seria a tecnologia verde em si, mas um conjunto crescente de instrumentos financeiros denominados em renminbi, vinculados à economia verde. Os títulos verdes (*green bonds*) formariam o núcleo negociável dessa economia, conectando a vantagem industrial da China à crescente demanda global por ativos sustentáveis.
Grande parte do mundo estabeleceu prazos para a substituição de combustíveis fósseis que não poderão ser cumpridos sem a economia verde da China. Mesmo que a vontade política de combater as mudanças climáticas diminua, a dependência global de energia importada criou vulnerabilidades geopolíticas que, provavelmente, continuarão a sustentar a demanda por fontes renováveis — as quais praticamente qualquer país pode implementar para gerar mais energia internamente. Para nações e empresas que buscam ingressar na economia verde, aceitar financiamento em renminbi e adotar padrões técnicos chineses pode, com o tempo, tornar-se parte do "preço de entrada" habitual. O resultado seria um ciclo autossustentável de bens e finanças verdes, em grande parte denominados em renminbi.
Para Washington, a perspectiva de um yuan verde não deveria soar como um alarme sobre uma iminente supremacia do renminbi. Em vez disso, deveria suscitar uma questão mais profunda: será que o petrodólar já não cumpre mais sua finalidade? E qual classe de ativos, tecnologia ou sistema industrial poderia sustentar o poder do dólar como moeda no futuro? O dólar apoia-se em muito mais do que apenas na capacidade dos Estados Unidos de garantir os fluxos globais de energia e em seus laços com os principais países produtores de petróleo; contudo, seria um erro, por parte dos formuladores de políticas, considerar essa supremacia como algo permanente.
DE OLHO NO TRONO
Pequim não está tramando para destronar o dólar; o Partido Comunista, quase certamente, não deseja a abertura financeira que tal vitória exigiria. Independentemente de o yuan verde vir a se tornar realidade ou não, o valor mais imediato de um renminbi internacionalizado para o Partido reside no seu potencial de dissuadir os setores mais hostis à China em Washington — impedindo-os de transformar a atual dependência chinesa em relação ao dólar em uma arma geopolítica. À medida que o sistema chinês baseado no renminbi se fortalece, aumenta também a capacidade de Pequim de resistir ao impacto de eventuais sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos. Por sua vez, a ameaça de Washington de aplicar tais sanções perderá parte de sua eficácia. Essa mudança na dinâmica de poder econômico provavelmente tornará Pequim mais disposta a desafiar Washington — algo que, talvez, ela já esteja fazendo. Em maio, a China emitiu sua primeira ordem de bloqueio, instruindo empresas no país a não cumprirem sanções norte-americanas impostas a cinco refinarias de petróleo chinesas, acusadas de serem grandes compradoras de petróleo iraniano.
Se o reinado do "Rei Dólar" chegar ao fim, provavelmente não será porque a China usurpou o trono, mas sim porque os Estados Unidos o entregaram. Washington precisa se dar conta de que o ativo estratégico que sustentará a próxima ordem monetária talvez não seja o barril de petróleo, mas sim um ecossistema industrial. O perigo reside no fato de que os mercados financeiros podem oferecer poucos sinais de alerta de que tal transição está em curso. Os mercados podem passar longos períodos ignorando evidências crescentes de mudança, até que um catalisador — como um impasse político em torno do aumento do limite da dívida dos EUA — force, finalmente, um ajuste nos modelos e provoque oscilações bruscas nos preços. As autoridades americanas relutam em planejar cenários para a erosão da dominância do dólar, por receio de que isso sinalize ao mercado que tal declínio é inevitável. Contudo, a insistência em apontar para gráficos de preços como prova da resiliência do dólar sugere que as lições da última crise financeira talvez já tenham sido esquecidas. Os Estados Unidos precisam elaborar planos de contingência antes que o "privilégio exorbitante" do dólar esteja visivelmente desgastado e que se tornem claros os sinais de busca por proteção contra ele. A essa altura, pode ser impossível conter os danos.
Zongyuan Zoe Liu é pesquisadora sênior (Maurice R. Greenberg Senior Fellow) em Estudos sobre a China no Council on Foreign Relations e pesquisadora sênior no Institute for Global Politics da School of International and Public Affairs da Universidade Columbia. É autora de Sovereign Funds: How the Communist Party of China Finances Its Global Ambitions.


Nenhum comentário:
Postar um comentário