October 19, 2026
Molly Judd
Jacobin
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| Detalhe de um mosaico romano representando o deus grego Dioniso, que diversos textos pagãos associam a Jesus Cristo. (Museu Arqueológico da Antiga Corinto) |
Resenha
Rome’s Age of Revolution: Augustus, Empire, and the Making of Christianity
Tim Whitmarsh
Bodley Head, 2026
No livro de Atos dos Apóstolos, os seguidores de Jesus Cristo são descritos, por diversas vezes, como pertencentes ao “Caminho”. No léxico cristão moderno, essa expressão é frequentemente compreendida como uma trajetória espiritual, e não física. Percorre-se o Caminho ao transitar de uma vida sem Cristo para uma vida com Ele. Ao retornar aos textos originais em grego antigo, o classicista Tim Whitmarsh ressalta que o termo que fundamenta a ideia de “Caminho” — hodos — pode, de fato, referir-se a uma trajetória espiritual, mas também — e com maior frequência — designa uma via física, ou uma jornada realizada ao longo dela.
Paulo e outros missionários cristãos primitivos empreendiam uma jornada espiritual, mas também realizavam o que Whitmarsh denomina uma “viagem por estradas” — no sentido literal —, percorrendo territórios que hoje correspondem à Turquia, Síria, Grécia e outras regiões, com o objetivo de converter todos aqueles que estivessem dispostos a ouvir. Essas viagens ocorriam em um mundo romano cuja rede viária fora drasticamente reorganizada e expandida sob o governo de Augusto, facilitando o deslocamento por todo o Império. A nova obra de Whitmarsh, Rome’s Age of Revolution: Augustus, Empire, and the Making of Christianity, questiona o quão revolucionária a religião cristã realmente foi. Para isso, o autor situa os textos originais no contexto em que surgiram — um cenário que, inclusive, favoreceu o seu sucesso: o Império Romano e a miríade de culturas que ele abarcava.
O debate sobre a influência do cristianismo costuma polarizar-se em extremos. De um lado, encontram-se os “novos ateus” dos anos 2000 — entre eles o falecido Christopher Hitchens (autor de Deus Não É Grande) e Richard Dawkins (autor de Deus, um Delírio* —, que viam a religião como um veneno a ser erradicado por meio da razão. Do outro, figuram autores como Tom Holland, cuja obra Dominion sustenta que o cristianismo rompeu com o mundo antigo e moldou as concepções ocidentais de moralidade, compaixão e dignidade humana — teses que ele tem levado a um público vasto por meio do podcast The Rest Is History.
Whitmarsh faz algo que nenhum desses dois grupos consegue realizar. Ele não se posiciona contra a crença cristã; Ele argumenta contra a ideia de uma singularidade cristã, utilizando a filologia — e não a polêmica — como sua ferramenta. Ao ler os textos em suas línguas originais, ele demonstra que grande parte do que parece distintivo na narrativa cristã deriva de tropos culturais que já circulavam no Império Romano, e que essa narrativa se propagou por meio da infraestrutura fornecida pelo próprio Império. Ao localizar a revolução em Roma, e não na Igreja, ele chega perto de desmantelar a tese de Holland — de que o cristianismo teria sido revolucionário —, sem precisar, contudo, refutar a fé em si: se as estradas, os idiomas e o fluxo constante de pessoas tornaram o cristianismo possível, então foi o Império, e não a nova religião, que transformou o mundo. Ele não é propriamente anticristão; é, antes, contrário ao excepcionalismo.
Ele desenvolve essa argumentação por meio de dois conceitos. O primeiro é o que ele chama de “redemoinho” (swirl) — o movimento sem precedentes de pessoas, mercadorias e ideias por todo o Império, o que permitiu que uma religião fundamentada nas culturas judaica, grega e romana pudesse florescer. O segundo conceito é o de “paradoxo”: a ideia de que a ordem romana, ao se estender por territórios tão vastos, tendia a provocar o seu oposto — como ocorreu no surgimento do cristianismo. É no conceito de “redemoinho” que Whitmarsh se mostra mais brilhante; seu domínio das línguas antigas permite que ele remonte às fontes originais.
The Greek novel is Whitmarsh’s final argumentative device, and though successful, as an art historian I am left wondering if he has neglected the visual culture in which early Christianity was operating. Rome’s Age of Revolution is primarily concerned with textual analysis, though if it does have a visual signature, it’s the cover: a detail from a Roman mosaic of Dionysus, found in a Roman villa excavated at Corinth. It’s a striking choice — the kaleidoscopic mosaic tiles presenting a literal manifestation of the swirl of which Whitmarsh writes. The content of the mosaic speaks directly to Whitmarsh’s argument: Corinth was a Greek city remade under the Roman Empire, and Dionysus was a Greek god displayed here within a Roman urban setting. Whitmarsh shows (without referencing the cover) that several pagan texts, even those written as late as the second century CE, align Dionysus with Jesus: he had a divine father and mortal mother, could turn water into wine, performed supernatural wonders, and died before coming back to life. But beyond the cover and a few brief mentions of material culture in the book, Whitmarsh excludes this visual line of enquiry. This is understandable, given he is not an art historian, but there are many times when a brief interlude may have added to his argument.
On a recent trip to Rome, a label in the Vatican Museums taught me that the Good Shepherd motif so central to early Christian iconography was modeled on the kriophoros, or ram-bearer, a figure already centuries old in Greek art and closely associated with the god Hermes. The label went further, suggesting Christians adopted this borrowed imagery partly because its familiarity let them worship somewhat covertly under Roman eyes — the same shepherd could read as Hermes to a suspicious neighbor and as Christ to a fellow believer.
It’s a tidy story but I found myself doubting it, and Whitmarsh’s dismantling of the Hollywood image of relentless persecution gave me reason to look deeper. Many scholars of early Christian art are now cautious about treating such imagery primarily as a form of disguise: Christians may instead have been adapting a visual language their neighbors already knew how to read, recasting an image associated with care and safe passage within a new theology, rather than smuggling one past the authorities. If that’s right, the Good Shepherd isn’t evidence of a persecuted religion in hiding — it’s another instance of exactly the kind of confident, opportunistic repurposing that Whitmarsh traces through Christian texts.
Whitmarsh gives us a masterclass in tracing swirl through language, translation, and narrative and a more tentative case for paradox. But the book’s real achievement is to ask how revolutionary Christianity was without taking either of the usual sides. Christianity, he shows, can be taken seriously as a historical force without being treated as an exception to history. The mosaic on the cover makes the point better than any argument: like the empire itself, it is assembled from borrowed pieces and is no less striking for it. It repays close looking, and so does this book.
Colaborador
Molly Judd é pesquisadora de doutorado em história da arte na Universidade de Cambridge e foi bolsista do programa Jill Franklin Fellowship de 2025 na British School at Rome.
Bodley Head, 2026
No livro de Atos dos Apóstolos, os seguidores de Jesus Cristo são descritos, por diversas vezes, como pertencentes ao “Caminho”. No léxico cristão moderno, essa expressão é frequentemente compreendida como uma trajetória espiritual, e não física. Percorre-se o Caminho ao transitar de uma vida sem Cristo para uma vida com Ele. Ao retornar aos textos originais em grego antigo, o classicista Tim Whitmarsh ressalta que o termo que fundamenta a ideia de “Caminho” — hodos — pode, de fato, referir-se a uma trajetória espiritual, mas também — e com maior frequência — designa uma via física, ou uma jornada realizada ao longo dela.
Paulo e outros missionários cristãos primitivos empreendiam uma jornada espiritual, mas também realizavam o que Whitmarsh denomina uma “viagem por estradas” — no sentido literal —, percorrendo territórios que hoje correspondem à Turquia, Síria, Grécia e outras regiões, com o objetivo de converter todos aqueles que estivessem dispostos a ouvir. Essas viagens ocorriam em um mundo romano cuja rede viária fora drasticamente reorganizada e expandida sob o governo de Augusto, facilitando o deslocamento por todo o Império. A nova obra de Whitmarsh, Rome’s Age of Revolution: Augustus, Empire, and the Making of Christianity, questiona o quão revolucionária a religião cristã realmente foi. Para isso, o autor situa os textos originais no contexto em que surgiram — um cenário que, inclusive, favoreceu o seu sucesso: o Império Romano e a miríade de culturas que ele abarcava.
O debate sobre a influência do cristianismo costuma polarizar-se em extremos. De um lado, encontram-se os “novos ateus” dos anos 2000 — entre eles o falecido Christopher Hitchens (autor de Deus Não É Grande) e Richard Dawkins (autor de Deus, um Delírio* —, que viam a religião como um veneno a ser erradicado por meio da razão. Do outro, figuram autores como Tom Holland, cuja obra Dominion sustenta que o cristianismo rompeu com o mundo antigo e moldou as concepções ocidentais de moralidade, compaixão e dignidade humana — teses que ele tem levado a um público vasto por meio do podcast The Rest Is History.
Whitmarsh faz algo que nenhum desses dois grupos consegue realizar. Ele não se posiciona contra a crença cristã; Ele argumenta contra a ideia de uma singularidade cristã, utilizando a filologia — e não a polêmica — como sua ferramenta. Ao ler os textos em suas línguas originais, ele demonstra que grande parte do que parece distintivo na narrativa cristã deriva de tropos culturais que já circulavam no Império Romano, e que essa narrativa se propagou por meio da infraestrutura fornecida pelo próprio Império. Ao localizar a revolução em Roma, e não na Igreja, ele chega perto de desmantelar a tese de Holland — de que o cristianismo teria sido revolucionário —, sem precisar, contudo, refutar a fé em si: se as estradas, os idiomas e o fluxo constante de pessoas tornaram o cristianismo possível, então foi o Império, e não a nova religião, que transformou o mundo. Ele não é propriamente anticristão; é, antes, contrário ao excepcionalismo.
Ele desenvolve essa argumentação por meio de dois conceitos. O primeiro é o que ele chama de “redemoinho” (swirl) — o movimento sem precedentes de pessoas, mercadorias e ideias por todo o Império, o que permitiu que uma religião fundamentada nas culturas judaica, grega e romana pudesse florescer. O segundo conceito é o de “paradoxo”: a ideia de que a ordem romana, ao se estender por territórios tão vastos, tendia a provocar o seu oposto — como ocorreu no surgimento do cristianismo. É no conceito de “redemoinho” que Whitmarsh se mostra mais brilhante; seu domínio das línguas antigas permite que ele remonte às fontes originais.
O nascimento de um menino
Há cerca de dois mil anos, um biógrafo relatou a história de um menino cujo nascimento foi precedido por um presságio que anunciava que a natureza estava grávida de um rei; em seguida, os líderes da cidade, temendo perder o poder, ordenaram que todos os recém-nascidos do sexo masculino fossem mortos. Seria compreensível pensar que se trata da história do nascimento de Jesus, dada a semelhança com o massacre dos inocentes ordenado por Herodes. Na verdade, esse relato não provém dos Evangelhos, mas de Suetônio — e o menino em questão era Augusto.
Encontramos relatos semelhantes na poesia da época. A Quarta Écloga de Virgílio, composta por volta de 40 a.C., profetiza uma era de ouro inaugurada pelo nascimento de um menino, que chegaria no momento em que Virgo (a “virgem”, evocando Astreia, deusa da justiça) retornasse. Whitmarsh não sugere uma ligação direta entre Virgílio e os Evangelhos; ele propõe, antes, que o poema pode ser um elemento dentro de um contexto mais amplo de representações sobre o nascimento de um salvador, que circulavam no mundo romano — representações das quais os escritores cristãos viriam a se valer, mais tarde, de forma independente. Em uma análise mais especulativa, ele remonta a narrativa de nascimento presente no poema a fontes ainda mais antigas: as histórias sobre o nascimento de Alexandre, o Grande, e as escrituras judaicas.
Nas escrituras judaicas, Isaías prediz que um período de prosperidade seria precedido por um sinal: uma mulher conceberia e daria à luz um filho chamado Emanuel (7:14). Ao examinar o texto original em hebraico, Whitmarsh aponta que o termo usado para descrever a mulher é almah, que, de modo geral, refere-se a uma jovem em idade fértil, e não especificamente a uma virgem. No Antigo Testamento em grego, esse termo foi traduzido como parthenos — palavra que pode significar “virgem” e que, mais tarde, Mateus utiliza ao citar Isaías em seu relato sobre o nascimento de Jesus. Whitmarsh vai além, questionando se Virgílio (que sabia ler em grego) poderia ter tido contato com versões dessa tradição judaica, bem como com narrativas sobre o nascimento de Alexandre, o Grande. Ao reunir esses fios, Whitmarsh sugere que a narrativa cristã do nascimento virginal surgiu, em parte, por meio desse trânsito entre idiomas: escrituras judaicas traduzidas para o grego, reinterpretadas por autores cristãos e lidas no contexto da mesma efervescente cultura de língua grega em que o próprio Virgílio viveu. Sob essa ótica, a relação entre Virgílio e Mateus não é tanto de causa e efeito, mas, sim, a de dois autores que, de forma independente, recorrem a um mesmo repertório de material greco-judaico — a virgo de Virgílio, que já carregava os múltiplos significados associados a Astreia e à justiça, acaba, nesse processo, absorvendo potencialmente mais uma ressonância. É um exemplo notável desse dinamismo cultural em pleno funcionamento.
Espaços imaginativos
Whitmarsh está em terreno firme ao tratar de linguagem e traduções, mas seus argumentos tornam-se um tanto mais frágeis quando ele se volta para hipóteses mais amplas. Ele propõe que o domínio de Augusto, tanto nas esferas física quanto política, provocou uma contrarreação sob a forma de uma busca por espaços imaginativos alternativos. Observando a tendência da literatura grega do século II de olhar para cima ou para baixo — aventurando-se em novos espaços, seja por meio de narrativas sobre mergulhos em grandes profundezas oceânicas ou viagens à Lua —, Whitmarsh argumenta que esse fascínio por encontrar novos espaços, fora do controle governamental, estendeu-se também aos primeiros cristãos.
A literatura cristã primitiva transmite um senso marcante de espaço e deslocamento — seja nas viagens de Paulo, relatadas em Atos, ou nas descrições, nos Evangelhos, de lugares distantes e desconhecidos. Com o tempo, seria o deserto que passaria a dominar o cenário do imaginário cristão, como se vê na Vida de Antão. É aqui, contudo, que a precisão textual de Whitmarsh dá lugar a uma abordagem menos rigorosa. Por exemplo, a tese de que toda uma geografia imaginativa — que vai de viagens lunares aos Padres do Deserto — pode ser interpretada como uma contrarreação à ordem augustana é apenas sugerida, e não propriamente demonstrada; Rome’s Age of Revolution exige que o leitor aceite uma boa dose de inferência, em um livro que, fora isso, é extremamente cuidadoso ao expor seus fundamentos. O conceito de "paradoxo", diferentemente do de "turbilhão" (swirl), é mais difícil de sustentar com base nas fontes.
Uma abordagem ao estilo do romance
Nas seções finais do livro, Whitmarsh deixa de focar em Augusto e suas revoluções para dissecar a cultura de língua grega do Império oriental e seu papel como incubadora do cristianismo primitivo. É aqui que ele apresenta seus argumentos mais contundentes, demonstrando como o "turbilhão" e o "paradoxo" se manifestam. Ele contesta a "imagem hollywoodiana" de uma oposição estrutural e persistente entre cristãos e romanos. Execuções e perseguições, de fato, ocorreram, explica ele; contudo, os relatos de martírio exageraram e dramatizaram esses eventos, valendo-se de formas narrativas tomadas emprestadas do gênero, então emergente, do romance grego.
O cristianismo, mostra ele, pode ser levado a sério como uma força histórica sem ser tratado como uma exceção à história.
Tomemos, por exemplo, o relato de martírio A Paixão de Perpétua e Felicidade, que narra a prisão e a execução pública da jovem nobre Perpétua — que ainda amamentava seu filho — e de sua companheira cristã Felicidade, que dera à luz pouco antes da execução, ocorrida em 203 d.C. É fundamental notar que o texto foi produzido em um mundo no qual o cristianismo não estava sujeito a uma proibição direta em todo o Império. Paradoxalmente, a estabilidade da ordem romana proporcionou aos cristãos o espaço necessário para registrar histórias de perseguição e permitir que tais relatos florescessem.
Whitmarsh argumenta — contra aqueles que interpretam o relato como um testemunho ocular — que o texto se vale de estratégias emprestadas do romance grego: compaixão, tensão e, acima de tudo, erotismo. Na arena, observa ele, as mulheres são despidas e colocadas dentro de redes; a multidão recua ao ver os seios de Perpétua, que ainda produzem leite. Em seguida, elas são lançadas diante de uma “vaca feroz” — um animal escolhido, segundo o texto, por ser condizente com o sexo delas. Perpétua é arremessada pelo animal e vê-se obrigada a ajeitar suas vestes para cobrir as coxas. Mais tarde, a multidão exige que os mártires sejam levados ao centro da arena, para que “possam contemplar a espada que lhes atravessa o corpo”. O texto é permeado por insinuações e imagens de cunho sexual, que atraem o leitor e lhe permitem desfrutar do conteúdo sob o pretexto de uma homenagem ao martírio cristão.
Notes on the visual
The Greek novel is Whitmarsh’s final argumentative device, and though successful, as an art historian I am left wondering if he has neglected the visual culture in which early Christianity was operating. Rome’s Age of Revolution is primarily concerned with textual analysis, though if it does have a visual signature, it’s the cover: a detail from a Roman mosaic of Dionysus, found in a Roman villa excavated at Corinth. It’s a striking choice — the kaleidoscopic mosaic tiles presenting a literal manifestation of the swirl of which Whitmarsh writes. The content of the mosaic speaks directly to Whitmarsh’s argument: Corinth was a Greek city remade under the Roman Empire, and Dionysus was a Greek god displayed here within a Roman urban setting. Whitmarsh shows (without referencing the cover) that several pagan texts, even those written as late as the second century CE, align Dionysus with Jesus: he had a divine father and mortal mother, could turn water into wine, performed supernatural wonders, and died before coming back to life. But beyond the cover and a few brief mentions of material culture in the book, Whitmarsh excludes this visual line of enquiry. This is understandable, given he is not an art historian, but there are many times when a brief interlude may have added to his argument.
On a recent trip to Rome, a label in the Vatican Museums taught me that the Good Shepherd motif so central to early Christian iconography was modeled on the kriophoros, or ram-bearer, a figure already centuries old in Greek art and closely associated with the god Hermes. The label went further, suggesting Christians adopted this borrowed imagery partly because its familiarity let them worship somewhat covertly under Roman eyes — the same shepherd could read as Hermes to a suspicious neighbor and as Christ to a fellow believer.
It’s a tidy story but I found myself doubting it, and Whitmarsh’s dismantling of the Hollywood image of relentless persecution gave me reason to look deeper. Many scholars of early Christian art are now cautious about treating such imagery primarily as a form of disguise: Christians may instead have been adapting a visual language their neighbors already knew how to read, recasting an image associated with care and safe passage within a new theology, rather than smuggling one past the authorities. If that’s right, the Good Shepherd isn’t evidence of a persecuted religion in hiding — it’s another instance of exactly the kind of confident, opportunistic repurposing that Whitmarsh traces through Christian texts.
Whitmarsh gives us a masterclass in tracing swirl through language, translation, and narrative and a more tentative case for paradox. But the book’s real achievement is to ask how revolutionary Christianity was without taking either of the usual sides. Christianity, he shows, can be taken seriously as a historical force without being treated as an exception to history. The mosaic on the cover makes the point better than any argument: like the empire itself, it is assembled from borrowed pieces and is no less striking for it. It repays close looking, and so does this book.
Colaborador
Molly Judd é pesquisadora de doutorado em história da arte na Universidade de Cambridge e foi bolsista do programa Jill Franklin Fellowship de 2025 na British School at Rome.

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