Defensores das teorias do "capitalismo político" e do "capital monopolista" argumentam que o capitalismo está estagnado, cada vez mais improdutivo e dominado pela busca de rendas (rent-seeking). Trata-se de diagnósticos equivocados que colocam a estratégia socialista no caminho errado.
Stephen Maher e Scott Aquanno
Vivemos atualmente sob a forma mais agressiva de capitalismo da história. A circulação global de capitais força os Estados e os trabalhadores neles residentes a competir por investimentos e empregos — o que gera uma desigualdade galopante e corrói as proteções trabalhistas e ambientais. Paralelamente, os investimentos estão em alta, os gastos com P&D crescem, o desenvolvimento tecnológico avança rapidamente e os lucros atingiram patamares históricos. Esse cenário desafia argumentos de longa data segundo os quais a ascensão do setor financeiro estaria "esvaziando" a produção, minando a competitividade e conduzindo ao declínio econômico. Contradiz também, de forma contundente, teorias como as do "capitalismo político", "capitalismo monopolista" e outras formas de rentismo, que retratam o capitalismo como um sistema estagnado, cada vez mais improdutivo ou em uma fase decadente e "tardia".
Em uma série de artigos recentes, contestamos essas interpretações, argumentando que a concentração de capital, a financeirização e o papel crescente do Estado serviram para intensificar o que Anwar Shaikh denomina "concorrência real". Tais argumentos suscitaram respostas de Dylan Riley — que, juntamente com Robert Brenner, desenvolveu a teoria do "capitalismo político" — e de John Bellamy Foster e Brett Clark, editores da Monthly Review e principais expoentes da teoria do capitalismo monopolista. Riley sustenta que o investimento produtivo vem sendo substituído pela acumulação rentista, garantida pelo acesso privilegiado ao Estado, ao passo que Foster e Clark afirmam que a contínua concentração empresarial consolidou ainda mais o capitalismo monopolista.
Ambos os argumentos falham em seu propósito. Riley desvincula a renda (ou o rendimento) das dinâmicas competitivas de produção e distribuição, confundindo corrupção com o surgimento de um novo regime de acumulação. Já Foster e Clark tratam a ausência dos indicadores esperados de monopólio como algo irrelevante, estendendo o conceito de monopólio a ponto de torná-lo, na prática, infalsificável. Apesar de suas divergências, ambos têm dificuldade em conciliar as teorias da estagnação com a realidade de uma acumulação altamente lucrativa e intensamente competitiva — a qual, defendemos, constitui a causa principal das crises sociais, ecológicas e políticas que se desenrolam ao nosso redor.
Capitalismo político
Em um artigo recente na Sidecar, Dylan Riley reiterou seu argumento de que estamos testemunhando a ascensão do que ele e Robert Brenner chamaram de "capitalismo político". Nesse regime, segundo eles, a extração de renda por meio do controle do Estado está superando o investimento produtivo como o principal meio pelo qual a classe dominante acumula riqueza.
Os capitalistas, escreveu Riley, "prefeririam obter lucros por meio da busca de renda (rent-seeking) e da extração política, sem arriscar sua riqueza em investimentos incertos". Além disso, a situação chegou a tal ponto que "a ameaça mais óbvia ao capitalismo hoje não provém da classe trabalhadora, mas, paradoxalmente, dos capitalistas que, com sucesso crescente, descobriram como lucrar por meio da pilhagem em vez do investimento produtivo". Essas observações ecoam as afirmações abrangentes que Brenner e Riley fizeram em outros textos: a de que, "sob o capitalismo político, o poder político bruto — e não o investimento produtivo — é o principal determinante da taxa de retorno".
A concentração de capital, a financeirização e o papel crescente do Estado têm servido para intensificar o que Anwar Shaikh denomina "concorrência real".
Riley iniciou seu artigo na Sidecar insistindo, acertadamente, que a análise deve se concentrar nas "leis de movimento" do sistema. No entanto, como argumentamos em uma crítica publicada na Jacobin, sua própria análise parece desconectada de tal fundamento. A renda que os capitalistas supostamente extraem precisa vir de algum lugar. Assim como o lucro e os juros, a renda é uma reivindicação sobre um montante finito de mais-valia. Ela deriva do controle sobre alguma condição de produção ou circulação que confere a certos capitalistas o poder de se apropriar de riqueza produzida em outro lugar — uma vantagem que não pode ser eliminada pela concorrência. Se o acesso a essa condição estivesse disponível a todos os capitalistas, a renda desapareceria, uma vez que não conferiria mais uma vantagem exclusiva.
Por ser uma reivindicação sobre uma mais-valia finita, a renda não pode se expandir indefinidamente. Na medida em que é deduzida do lucro, ela não pode crescer a ponto de eliminar o incentivo ao investimento produtivo — o que minaria a própria fonte da renda, bem como a reprodução de todo o sistema. A "extração" pode enriquecer capitalistas específicos, mas simplesmente não pode substituir o investimento produtivo como base geral da acumulação. Como resultado, argumentamos que "a análise de Riley sugere, na prática, que o capitalismo está sendo substituído por alguma forma de 'neofeudalismo', à medida que a acumulação de riqueza por meio da 'pilhagem' mina a concorrência e leva à suspensão das 'leis de movimento' do capitalismo".
Em uma discussão um tanto intrigante sobre a renda, feita em resposta às nossas críticas, Riley tenta contornar esse limite à extração separando a captura de renda da dinâmica de acumulação — argumentando que "existem muitas formas de renda que nada têm a ver com mercados e, portanto, não dependem de monopólios". Mas é difícil ver como isso seria possível. O exemplo que ele oferece — contratos governamentais concedidos a aliados políticos de Trump — dificilmente esclarece a questão. Se o acesso privilegiado ao poder estatal confere a certos capitalistas vantagens indisponíveis a outros, permitindo-lhes extrair riqueza da economia produtiva (como afirma Riley), isso parece se enquadrar perfeitamente na definição de monopólio.
Além disso, os contratos estatais têm sido cruciais para a competitividade e a lucratividade das corporações multinacionais dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. Deve-se entender tudo isso simplesmente como "renda"? De fato, os gastos estatais desempenham, há muito tempo, um papel central na teoria do capital monopolista. Como argumentamos, se abandonarmos a conexão estabelecida por Karl Marx entre renda e monopólio — como Riley tenta fazer —, o conceito de renda torna-se tão amplo que “o lucro, enquanto categoria distinta, tende a desaparecer completamente na renda”. Como se para comprovar nosso argumento, Riley acaba chegando a uma definição que poderia abarcar praticamente qualquer política fiscal ou monetária estatal.
O argumento de Riley obscurece o fato de que o Estado não constitui uma fonte autônoma de valor, mas redistribui a riqueza produzida em outros âmbitos. Assim, ele não consegue escapar dos limites à expansão da renda que identificamos. Se a renda, a pilhagem e os valores de ativos inflados politicamente não representam reivindicações sobre a mais-valia, então sobre o que incidem? Se são vistos como fontes de riqueza independentes da produção, o argumento abandona a teoria do valor de Marx e transita para um terreno mais próximo do marginalismo neoclássico. Se, contudo, constituem reivindicações sobre a mais-valia, então as questões permanecem exatamente aquelas que levantamos: como o excedente é produzido, como é distribuído e por que essas formas de apropriação poderiam ser compreendidas como um novo regime de acumulação.
Em sua resposta, Riley salta de exemplos vívidos de corrupção política e enriquecimento pessoal da família Trump para uma afirmação muito mais ampla sobre o “capitalismo político”, no qual toda a economia é dominada por um “setor extrativo” indefinido e de contornos imprecisos. Assim como no artigo original da *Sidecar*, ele não identifica em que consiste esse “setor improdutivo, predatório e extrativo”, nem apresenta qualquer evidência de sua relevância econômica global. Apontar casos de corrupção flagrante é, naturalmente, muito diferente de demonstrar que a extração estatal constitui um regime ou uma lógica de acumulação inteiramente novos. No máximo, portanto, Riley identificou um conjunto específico de empresas que lucram por meio de conexões políticas corruptas, do tipo relatado diariamente em notícias como as que ele cita.
A estrutura analítica de Riley tende a retratar o Estado como um instrumento direto de uma oligarquia dominante restrita. No entanto, organizar o poder de uma classe dominante — cujos membros competem entre si e se preocupam primordialmente com seus próprios resultados financeiros, em vez de com uma estabilidade sistêmica ampla — exige que o Estado mantenha certa distância de capitalistas individuais; é o que teóricos marxistas do Estado chamam de "autonomia relativa". O Estado age de maneira capitalista não porque os capitalistas assim o determinam, mas em decorrência de imperativos estruturais. Precisamos de uma teoria mais sofisticada, que não trate o Estado meramente como corrupto ou capturado por interesses privados, mas sim como um Estado capitalista com funções sistêmicas de apoio à acumulação, garantia de legitimidade e exercício de coerção.
Tal teoria esclarece tanto as possibilidades quanto os limites das reformas. Também nos ajuda a compreender como o Estado passou a expressar uma reação conservadora que fundiu a indignação dos trabalhadores com os custos de uma globalização (altamente lucrativa) a receios quanto à imigração e à erosão do patriarcado. Se o capital tivesse prevalecido, Kamala Harris — e não Trump — seria a presidente. A crise política que deu origem a Trump — e que suas ações caóticas no cargo apenas exacerbaram — decorre, em parte, do fato de que o capital não controla o Estado diretamente.
Há outros problemas fundamentais na noção de capitalismo político. Essa estrutura baseia-se na premissa de que a estagnação eliminou as oportunidades de investimento produtivo. Para Brenner e Riley, a crise da década de 1970 jamais foi superada, o que os obriga a tentar justificar — ou minimizar — o boom dos anos 1990, a recuperação pós-2008 e os atuais lucros recordes, bem como os elevados gastos em P&D e os investimentos em larga escala. Contudo, Riley admite que as Big Techs — tipicamente o alvo central das análises sobre "tecnofeudalismo" e capitalismo rentista — são competitivas, investem pesadamente, são tecnologicamente dinâmicas e não auferem rendas de monopólio. Se isso é verdade, parece restar pouco da tese de que "condições de soma zero" implicam que a acumulação só pode ocorrer por meio da extração.
Apontar casos de corrupção flagrante é, naturalmente, muito diferente de demonstrar que a extração estatal constitui um regime ou uma lógica de acumulação inteiramente novos.
Riley retruca que devemos considerar as taxas de crescimento fora do setor de tecnologia. Mas o que isso revela se a teoria só consegue se sustentar ao deixar de lado o setor mais dinâmico da economia? Devemos também ignorar os grandes investimentos em defesa, energia e logística? Mesmo que haja certo excesso de investimento, levando à desvalorização e à concentração de mercado — ou até mesmo a uma possível crise —, isso reflete a dinâmica normal do desenvolvimento tecnológico no capitalismo. Certamente, não indica um sistema esgotado e estagnado.
Capitalismo monopolista
John Bellamy Foster e Brett Clark, em artigo na nova edição da Monthly Review, responderam às críticas que fizemos à teoria do capital monopolista ao avançarem na direção oposta. Enquanto Riley tenta desvincular a renda do monopólio — acabando por adotar uma definição de renda excessivamente ampla —, Foster e Clark propõem uma definição expansiva de monopólio que, na prática, é infalsificável. Ao fazerem isso, eles confirmam nosso argumento central: diante de uma realidade que não se encaixa na teoria, os teóricos do capital monopolista ampliaram a definição de monopólio para acomodar os fatos. Demonstramos que a noção de concorrência real de Shaikh captura a dinâmica do capitalismo corporativo contemporâneo muito melhor do que o conceito de "capital monopolista".
Como mostramos, a teoria do capital monopolista está estreitamente ligada às teorias convencionais de "concorrência imperfeita", nas quais os mercados reais são avaliados em relação ao ideal de "concorrência perfeita" imaginado nos manuais de economia neoclássica. No cerne dessas teorias está a "teoria quantitativa da concorrência", segundo a qual a intensidade da concorrência é vista como resultado direto do número de empresas em um mercado. A concorrência situa-se em um espectro que tem, em um polo, a concorrência perfeita — caracterizada por inúmeras pequenas empresas — e, no outro, o monopólio perfeito — caracterizado por um único vendedor. À medida que os mercados passam a ser dominados por um número menor de empresas maiores, por meio de processos de concentração e centralização, a narrativa sustenta que o capitalismo deixa sua "fase competitiva" e entra em uma "fase monopolista". Na ausência da disciplina concorrencial, o resultado é baixo investimento, estagnação, preços elevados e superlucros.
Em nosso artigo para a Review of Radical Political Economics (RRPE), analisamos o caso da Amazon, frequentemente citada como exemplo emblemático de empresa monopolista. Teóricos do "tecnofeudalismo", por exemplo, sustentam que a Amazon e outras empresas de tecnologia extraem rendas monopolistas substanciais em virtude de seu controle sobre propriedade intelectual, plataformas e dados pessoais. Assim como no caso do "capitalismo político", a capacidade das empresas de tecnologia de extrair renda dependeria da posse de poder de monopólio: o controle sobre algo que confere uma vantagem de mercado que não pode ser eliminada pela concorrência. Caso contrário, lucros acima da média atrairiam investimentos de outros capitalistas, intensificando a concorrência e fazendo com que os lucros retornassem à média social.
Esse processo, pelo qual a taxa de lucro é equalizada concorrencialmente, é central para a teoria da concorrência real. Sob essa ótica, a concorrência não depende do número de empresas em um setor ou de seu porte, mas sim da mobilidade do capital. Grandes corporações, providas pelo grande capital financeiro do poder de fogo necessário sempre que preciso, estão mais bem equipadas para romper barreiras que protegem mercados geradores de retornos acima da média. Nessa perspectiva, a concorrência não é necessariamente enfraquecida à medida que as empresas crescem; pelo contrário, a concentração e a centralização amplificam a força da concorrência, uma vez que a "guerra entre empresas" passa a ocorrer em maior escala.
Como demonstramos, a Amazon precisa competir para atrair vendedores — reduzindo o tempo de rotação do capital e oferecendo acesso ampliado a mercados — e para atrair clientes, oferecendo preços baixos e entregas extremamente rápidas. Consequentemente, a empresa é compelida a maximizar a eficiência, intensificar o ritmo de trabalho, explorar a mão de obra e acelerar a circulação de mercadorias. Um ponto crucial é que também demonstramos que a Amazon não tem obtido, de forma persistente, lucros acima da média. Em nosso artigo recente para a Socialist Register, mostramos que o mesmo ocorre com as outras principais empresas de tecnologia. Em suma, não há evidências de que barreiras à mobilidade do capital tenham suspendido a equalização competitiva das taxas de lucro, como exigem as teorias do tecnofeudalismo ou do capital monopolista.
Foster e Clark não abordam essas evidências, nem nossa análise mais ampla sobre o desenvolvimento da Amazon ou os argumentos específicos dos teóricos do monopólio que criticamos. Em vez disso, eles saltam repetidamente da existência de corporações gigantes para a conclusão de que elas detêm poder de monopólio. Foster e Clark deslocam o foco das taxas de lucro para afirmações genéricas sobre o porte das empresas, concentração, centralidade de plataforma e planejamento estratégico, citando dados sobre concentração corporativa compilados por Foster, Robert W. McChesney e R. Jamil Jonna em 2011. No entanto, tal abordagem pressupõe justamente aquilo que precisa ser demonstrado. A existência de grandes empresas é, obviamente, um fato incontestável; o que questionamos é a afirmação de que a concentração equivale, por definição, a monopólio.
A existência de grandes empresas, naturalmente, não está em questão; o que contestamos é a afirmação de que a concentração equivale inerentemente a monopólio.
Para sustentar esse argumento, Foster e Clark deixam de lado as evidências empíricas para interpretar o que Marx realmente pensava, alegando que ele endossava a teoria quantitativa da concorrência. No entanto, a única passagem do Volume I de O Capital que eles citam foi retirada de seu contexto. A teoria da concorrência de Marx é desenvolvida ao longo dos três volumes de O Capital, e é somente no Volume III que ele examina plenamente o seu funcionamento em todo o sistema. Mesmo a passagem citada por Foster e Clark refere-se a uma situação específica no processo de desenvolvimento capitalista, na qual pequenos capitais — incapazes de atingir a escala mínima de investimento, que é crescente — são excluídos de setores transformados pela indústria moderna e se aglomeram em esferas onde ela penetrou apenas parcialmente. "Aqui", escreve Marx, "a concorrência grassa em proporção direta ao número e em proporção inversa à magnitude dos capitais rivais".
A palavra "aqui" é importante. Como observa Howard Botwinick, Marx está descrevendo a rivalidade desesperada entre numerosos pequenos capitais confinados a uma esfera econômica cada vez mais restrita, e não enunciando uma lei geral. Com o estabelecimento da indústria moderna, contudo, a concorrência passa a operar cada vez mais por meio da escala, do desenvolvimento tecnológico, do aumento da produtividade e da capacidade de ingressar em novos mercados — tudo isso facilitado pelo acesso ao crédito. Apenas algumas frases depois, Marx identifica a tendência mais ampla: "Na medida em que se desenvolvem a produção e a acumulação capitalistas, desenvolvem-se também as duas alavancas mais poderosas da centralização: a concorrência e o crédito". Em outras palavras, a concorrência e o crédito desenvolvem-se paralelamente à acumulação, ao mesmo tempo em que impulsionam a concentração e a centralização.
Foster e Clark nos criticam por não reconhecermos que a rivalidade persiste no capitalismo monopolista — uma característica daquilo que eles denominam "monopólio real". Mas essa é precisamente a questão abordada em nosso artigo na RRPE. Como apontamos, essas teorias reconhecem a rivalidade oligopolística dentro de um sistema de conluio, fixação de preços, estagnação e lucros extraordinários. Contudo, isso não corresponde à realidade do capitalismo moderno. É em resposta a essa realidade que uma nova geração de teóricos do monopólio — de Lina Khan aos defensores do tecnofeudalismo — expandiu o conceito de monopólio para abarcar a própria concorrência. Assim, Khan apresenta a Amazon, de forma célebre, como um "paradoxo": por um lado, é uma empresa gigante que opera em um mercado concentrado, mas, por outro, adota um comportamento aparentemente competitivo. A solução delas é tornar a teoria quantitativa verdadeira por definição: grandes empresas são consideradas monopólios, quer aumentem ou reduzam preços, expandam ou estagnem, invistam ou não. Se abandonarmos a teoria quantitativa, no entanto, o paradoxo também desaparece: a explicação mais simples é que essas empresas estão competindo, exatamente como a teoria da concorrência real preveria.
A resposta de Foster e Clarke confirma em grande parte essa tendência, chegando a creditar Khan como um teórico do "monopólio real". Elas reconhecem que empresas monopolistas competem para reduzir custos e expandir vendas, podendo até investir em escala enorme. Mas é difícil perceber como tal comportamento de "monopólio" pode ser distinguido da concorrência. Como argumentam, lucros elevados contam como evidência de rendas de monopólio, enquanto lucros baixos são atribuídos a uma estratégia de monopólio de longo prazo; o subinvestimento confirma a estagnação do monopólio, e o alto investimento confirma a consolidação do monopólio. Qualquer resultado corrobora a teoria. A distinção decisiva que Foster e Clarke estabelecem entre concorrência real e "monopólio real" é que as empresas monopolistas evitam a redução de preços. No entanto, elas não abordam as evidências que apresentamos de que a concorrência de preços está, de fato, ocorrendo. Tampouco confrontam as implicações de sua própria afirmação: se as empresas estivessem praticando preços de monopólio, deveriam obter lucros acima da média — mas, como demonstramos, isso não acontece.
O único indicador que Foster e Clark apresentam em defesa da tese do capitalismo monopolista é a inflação. No entanto, a inflação não é uma medida de monopólio nem um índice direto da estrutura de mercado. Os preços podem subir devido à demanda e à criação de crédito, aos salários e à luta de classes, a interrupções na oferta e choques cambiais, à política fiscal e monetária e a inúmeros outros fatores. O poder de mercado pode permitir que as empresas mantenham margens de lucro (markups) mais elevadas e, consequentemente, um nível de preços mais alto, mas não consegue explicar uma inflação persistente, a menos que essas próprias margens continuem a aumentar. Portanto, a persistência da inflação não demonstra o desaparecimento da concorrência de preços. O argumento de Foster e Clark falha no nível mais básico: a inflação, por si só, não nos diz se as empresas detêm poder de monopólio, coordenam preços ou permanecem sujeitas à concorrência.
Foster e Clark encerram com uma longa citação de um ensaio de 1981 de Paul Sweezy, a qual, segundo eles, "expõe uma teoria do monopólio real". Contudo, essa passagem estabelece expectativas muito mais definidas do que o conceito elástico de Foster e Clark sugere. A teoria do capital monopolista, escreve Sweezy, confronta-se com as "realidades" do capitalismo maduro: "sobreacumulação e estagnação, capacidade produtiva ociosa e subinvestimento, lucros excedentes e subconsumo". É difícil conciliar isso com o reconhecimento, por parte de Foster e Clark, de que as empresas de tecnologia apresentam investimentos maciços, rápido desenvolvimento tecnológico, expansão da capacidade, reestruturação dos processos de trabalho e ausência de superlucros monopolistas consistentes.
As evidências, portanto, contradizem as tendências identificadas por Sweezy de forma muito mais direta do que Foster e Clark admitem. Em vez de um capitalismo monopolista maduro que escapa à disciplina da concorrência — como Sweezy e Paul Baran teriam esperado —, a Amazon exemplifica a concorrência intensificada prevista por Marx e Shaikh.
Concorrência e lucros
O grande valor político da teoria da concorrência real reside na clareza que ela proporciona sobre a luta por uma alternativa ao capitalismo que seja mais sustentável e democrática. Ao ler a resposta de Foster e Clark, pergunta-se por que é tão importante fazer malabarismos teóricos para fundamentar nossa análise no "capital monopolista". Argumentamos que tratar o mau funcionamento do capitalismo — em vez de seu funcionamento rotineiro — como o problema central pode apontar para uma política restrita de revitalização do capitalismo, em vez de construir as capacidades necessárias para superá-lo. Isso não significa que todo teórico ou agente que tenha invocado o conceito de monopólio — de Che Guevara e Vladimir Lenin a Sweezy e Foster — seja reformista. O problema é que, ao obscurecer o papel central da concorrência como motor da acumulação de capital, da exploração do trabalho e da destruição ambiental, a estrutura teórica do capital monopolista também pode obscurecer a importância fundamental, para a estratégia socialista, de romper com a concorrência.
A Amazon é prejudicial aos trabalhadores não por ser um monopólio, mas por ser uma empresa capitalista implacavelmente competitiva.
A própria resposta de Foster e Clark reflete essa ambiguidade. Por um lado, eles insistem que o monopólio é indissociável do próprio capitalismo e que as políticas anticapitalistas e antimonopolistas estão intrinsecamente ligadas. Por outro lado, apresentam medidas antitruste que intensificariam a concorrência como potencialmente benéficas para os trabalhadores. No entanto, a Amazon já é ferozmente competitiva. Seus preços baixos e entregas rápidas são alcançados por meio de uma pressão implacável para reduzir custos, acelerar a circulação, disciplinar fornecedores e intensificar o trabalho. A Amazon é prejudicial aos trabalhadores não por ser um monopólio, mas por ser uma empresa capitalista implacavelmente competitiva. A automação, a vigilância e a disciplina no trabalho são mais bem compreendidas como armas na luta belicosa entre capitalistas por lucros do que como consequências do poder monopolista. E, como Paul Burkett — colaborador ocasional de Foster — demonstrou de forma contundente, esses mesmos imperativos competitivos impulsionam a destruição ambiental.
Isso ressalta a necessidade de uma transformação sistêmica. A questão, nesse sentido, não é se devemos buscar reformas, mas sim que tipo de reformas deve ser priorizado e por quê. Para os socialistas, a resposta a essas perguntas depende da capacidade de integrar essas ações a uma luta mais ampla para transferir poder aos trabalhadores, construir capacidades democráticas e abrir caminho para além da disciplina do mercado capitalista. Como escreveram Leo Panitch e Sam Gindin, devemos "nos libertar da noção de que é apenas por meio da competitividade que podemos enfrentar o desenvolvimento de nossas capacidades produtivas". De fato, "aceitar a concorrência como objetivo... é desistir do projeto socialista antes mesmo de começar". Isso significa revitalizar e transformar o movimento trabalhista como eixo central de uma política de classe mais ampla e, não menos importante, imaginar e construir instituições capazes de ampliar o controle democrático sobre os investimentos. À medida que a crise climática se acelera, a falha de investidores e estados capitalistas em promover uma transição verde torna mais evidente do que nunca a necessidade de alocar recursos de acordo com as necessidades sociais e ecológicas, em vez de seguir imperativos competitivos de mercado.
Colaboradores
Stephen Maher é professor assistente de economia na SUNY Cortland e coeditor da Socialist Register. É coautor de The Fall and Rise of American Finance: From J. P. Morgan to BlackRock, com Scott Aquanno, e autor de Corporate Capitalism and the Integral State: General Electric and a Century of American Power.
Scott Aquanno é professor assistente de ciência política na Ontario Tech University. É coautor de The Fall and Rise of American Finance: From J. P. Morgan to BlackRock, com Stephen Maher, e autor de Crisis of Risk: Subprime Debt and US Financial Power from 1944 to Present.

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