Tom Cutterham
No final de 1776, com a Guerra da Independência em andamento nas colônias americanas, um pintor de casas de vinte e quatro anos chamado James Aitken entrou no estaleiro naval mais importante da Grã-Bretanha e ateou fogo a ele. O dano foi significativo: as estimativas para os reparos foram o dobro do valor do chá destruído no porto de Boston três anos antes.
O sentimento de ameaça experimentado pela elite governante da Grã-Bretanha também foi profundo. Poucas pessoas hoje se lembram dos atos de sabotagem de Aitken contra a máquina de guerra britânica. Mas eles merecem reconhecimento como parte da luta mais ampla dos trabalhadores transatlânticos que ajudou a fazer a Revolução Americana.
Conduta Decidida
Três anos antes, Aitken estivera em Filadélfia. Lá, a classe trabalhadora da cidade vinha assumindo gradualmente a liderança política desde meados da década de 1760. Algumas pessoas ficavam horrorizadas com o confiante senso de igualdade deles. Nas palavras de um clérigo: “O trabalhador mais pobre na margem do Delaware julga-se no direito de expressar seus sentimentos em assuntos de religião ou política com tanta liberdade quanto o cavalheiro ou o acadêmico”.
Organizados em comitês patriotas que trabalhavam conscientemente para superar divisões étnicas e religiosas, os trabalhadores de Filadélfia impulsionaram o conflito com o poder imperial britânico.
Organizados em comitês patriotas que trabalhavam conscientemente para superar divisões étnicas e religiosas, os trabalhadores de Filadélfia impulsionaram o conflito com o poder imperial britânico. Como seus camaradas em Boston e em outras cidades portuárias, eles viam a causa da liberdade colonial como uma chance de reequilibrar a balança do poder social.
Aitken provavelmente estava na multidão quando oito mil filadelfos, aproximadamente um quarto da população da cidade, compareceram para manifestar-se contra “o detestável plano do chá” da Companhia Britânica das Índias Orientais, que havia (nas palavras de “Um Mecânico”, escrevendo na Philadelphia Gazette) reduzido “províncias inteiras” na Índia “às aflições da opressão, da escravidão, da fome e da espada”.
Os filadelfos já sabiam que uma multidão em Boston havia despejado sua própria remessa de chá no porto. Agora, comerciantes e advogados da ala moderada do movimento patriota esperavam evitar esse tipo de violação indisciplinada da propriedade. Para sua consternação, a multidão de Filadélfia manteve a lealdade aos seus homólogos de Boston, endossando sua “conduta decidida em destruir o chá deles”.
Aprendendo com Londres
Esse tipo de desordem pública dificilmente era exclusividade das colônias. Pelo contrário, os organizadores da classe trabalhadora na costa da América do Norte aprenderam seus passos com companheiros de viagem em Londres. Lá, no coração do império, a agitação contra a corrupção e a tirania do governo era liderada por uma coalizão semelhante de trabalhadores, artesãos e seus aliados de classe média.
John Wilkes, um líder da multidão de Londres desde 1762, era um símbolo da oposição popular em ambos os lados do oceano. Houve tumultos quando ele foi preso por difamação em 1768, com vários apoiadores mortos por tropas reais. Em 1774, Wilkes era tanto membro do Parlamento quanto lorde prefeito de Londres, uma eterna pedra no sapato do governo e uma inspiração para muitos patriotas do outro lado do Atlântico.
Pelo contrário, os organizadores da classe trabalhadora na costa da América do Norte aprenderam seus passos com companheiros de viagem em Londres.
Quando James Aitken retornou à Inglaterra na primavera de 1775, a crise nas colônias havia se transformado em uma guerra armada, e um exército estava sendo reunido para reprimir a rebelião. Desembarcando em Liverpool, Aitken fez o seu caminho de volta a Londres, em parte, alistando-se em regimentos recém-formados, para depois embolsar o bônus e fugir.
Grande parte das conversas nas vilas e cidades inglesas girava em torno de quão negativamente a guerra impactaria o comércio transatlântico — o que significava, por sua vez, os empregos e o sustento dos trabalhadores. Enquanto os comerciantes estavam divididos, grande parte do apoio mais consistente aos rebeldes americanos vinha daqueles, incluindo os pobres, que viam na luta algo mais do que apenas os altos e baixos do comércio.
Autoridade Legítima
O ímpeto igualitário e democrático por trás da revolução expressou-se em momentos de ação da multidão em docas, ruas e mercados, mas também se cristalizou em uma série de textos revolucionários. Escritores como o professor James Burgh protestaram na imprensa contra o acúmulo de poder político nas mãos de uma classe governante minúscula e contra a subversão do governo representativo pelo clientelismo e suborno do executivo.
Escritores como o professor James Burgh protestaram na imprensa contra o acúmulo de poder político nas mãos de uma classe governante minúscula.
“Toda autoridade legítima”, escreveu Burgh, “origina-se do povo”. No entanto, os pobres, observou ele, eram “totalmente privados” de sua parcela de poder. No volume final de seu tratado, publicado em 1775, Burgh clamou por uma transformação total do Estado britânico. “Quando o povo toma a reparação em suas próprias mãos”, alertou ele, “ai dos tiranos”.
Outros, como a historiadora Catharine Macaulay, fizeram apelos revolucionários semelhantes. “Despertem, meus compatriotas!”, escreveu ela em um panfleto que previa a propagação da tirania das colônias para a pátria-mãe, “Despertem! E unam-se em um esforço geral.”
Foi com uma retórica como essa que Aitken deparou-se ao voltar para casa após seu breve período nas colônias, e que o ajudou a conceber sua própria contribuição para a derrubada da tirania imperial. “Uma revolução importante nos assuntos deste reino parece estar se aproximando”, escreveu o economista político e pregador Richard Price no início de 1776. Era talvez uma última chance de restaurar a liberdade perdida dos cidadãos comuns.
O sentimento de ameaça experimentado pela elite governante da Grã-Bretanha também foi profundo. Poucas pessoas hoje se lembram dos atos de sabotagem de Aitken contra a máquina de guerra britânica. Mas eles merecem reconhecimento como parte da luta mais ampla dos trabalhadores transatlânticos que ajudou a fazer a Revolução Americana.
Conduta Decidida
Três anos antes, Aitken estivera em Filadélfia. Lá, a classe trabalhadora da cidade vinha assumindo gradualmente a liderança política desde meados da década de 1760. Algumas pessoas ficavam horrorizadas com o confiante senso de igualdade deles. Nas palavras de um clérigo: “O trabalhador mais pobre na margem do Delaware julga-se no direito de expressar seus sentimentos em assuntos de religião ou política com tanta liberdade quanto o cavalheiro ou o acadêmico”.
Organizados em comitês patriotas que trabalhavam conscientemente para superar divisões étnicas e religiosas, os trabalhadores de Filadélfia impulsionaram o conflito com o poder imperial britânico.
Organizados em comitês patriotas que trabalhavam conscientemente para superar divisões étnicas e religiosas, os trabalhadores de Filadélfia impulsionaram o conflito com o poder imperial britânico. Como seus camaradas em Boston e em outras cidades portuárias, eles viam a causa da liberdade colonial como uma chance de reequilibrar a balança do poder social.
Aitken provavelmente estava na multidão quando oito mil filadelfos, aproximadamente um quarto da população da cidade, compareceram para manifestar-se contra “o detestável plano do chá” da Companhia Britânica das Índias Orientais, que havia (nas palavras de “Um Mecânico”, escrevendo na Philadelphia Gazette) reduzido “províncias inteiras” na Índia “às aflições da opressão, da escravidão, da fome e da espada”.
Os filadelfos já sabiam que uma multidão em Boston havia despejado sua própria remessa de chá no porto. Agora, comerciantes e advogados da ala moderada do movimento patriota esperavam evitar esse tipo de violação indisciplinada da propriedade. Para sua consternação, a multidão de Filadélfia manteve a lealdade aos seus homólogos de Boston, endossando sua “conduta decidida em destruir o chá deles”.
Aprendendo com Londres
Esse tipo de desordem pública dificilmente era exclusividade das colônias. Pelo contrário, os organizadores da classe trabalhadora na costa da América do Norte aprenderam seus passos com companheiros de viagem em Londres. Lá, no coração do império, a agitação contra a corrupção e a tirania do governo era liderada por uma coalizão semelhante de trabalhadores, artesãos e seus aliados de classe média.
John Wilkes, um líder da multidão de Londres desde 1762, era um símbolo da oposição popular em ambos os lados do oceano. Houve tumultos quando ele foi preso por difamação em 1768, com vários apoiadores mortos por tropas reais. Em 1774, Wilkes era tanto membro do Parlamento quanto lorde prefeito de Londres, uma eterna pedra no sapato do governo e uma inspiração para muitos patriotas do outro lado do Atlântico.
Pelo contrário, os organizadores da classe trabalhadora na costa da América do Norte aprenderam seus passos com companheiros de viagem em Londres.
Quando James Aitken retornou à Inglaterra na primavera de 1775, a crise nas colônias havia se transformado em uma guerra armada, e um exército estava sendo reunido para reprimir a rebelião. Desembarcando em Liverpool, Aitken fez o seu caminho de volta a Londres, em parte, alistando-se em regimentos recém-formados, para depois embolsar o bônus e fugir.
Grande parte das conversas nas vilas e cidades inglesas girava em torno de quão negativamente a guerra impactaria o comércio transatlântico — o que significava, por sua vez, os empregos e o sustento dos trabalhadores. Enquanto os comerciantes estavam divididos, grande parte do apoio mais consistente aos rebeldes americanos vinha daqueles, incluindo os pobres, que viam na luta algo mais do que apenas os altos e baixos do comércio.
Autoridade Legítima
O ímpeto igualitário e democrático por trás da revolução expressou-se em momentos de ação da multidão em docas, ruas e mercados, mas também se cristalizou em uma série de textos revolucionários. Escritores como o professor James Burgh protestaram na imprensa contra o acúmulo de poder político nas mãos de uma classe governante minúscula e contra a subversão do governo representativo pelo clientelismo e suborno do executivo.
Escritores como o professor James Burgh protestaram na imprensa contra o acúmulo de poder político nas mãos de uma classe governante minúscula.
“Toda autoridade legítima”, escreveu Burgh, “origina-se do povo”. No entanto, os pobres, observou ele, eram “totalmente privados” de sua parcela de poder. No volume final de seu tratado, publicado em 1775, Burgh clamou por uma transformação total do Estado britânico. “Quando o povo toma a reparação em suas próprias mãos”, alertou ele, “ai dos tiranos”.
Outros, como a historiadora Catharine Macaulay, fizeram apelos revolucionários semelhantes. “Despertem, meus compatriotas!”, escreveu ela em um panfleto que previa a propagação da tirania das colônias para a pátria-mãe, “Despertem! E unam-se em um esforço geral.”
Foi com uma retórica como essa que Aitken deparou-se ao voltar para casa após seu breve período nas colônias, e que o ajudou a conceber sua própria contribuição para a derrubada da tirania imperial. “Uma revolução importante nos assuntos deste reino parece estar se aproximando”, escreveu o economista político e pregador Richard Price no início de 1776. Era talvez uma última chance de restaurar a liberdade perdida dos cidadãos comuns.
O Inseto Mais Insignificante
Os historiadores às vezes minimizaram a natureza revolucionária desses textos britânicos, comparando-os desfavoravelmente ao ataque direto à monarquia que Thomas Paine — ele próprio um migrante recente — publicou em Filadélfia sob o título de Common Sense (Senso Comum). Em seu contexto, porém, eles eram igualmente incendiários.
Escritos para evitar as acusações de sedição que haviam atormentado Wilkes na década de 1760, eles eram facilmente interpretados por aqueles dispostos a compreender sua mensagem mal disfarçada. Aitken foi um desses leitores. Em meados de 1776, ele se preparava para se juntar à luta.
Os historiadores às vezes minimizaram a natureza revolucionária desses textos britânicos, comparando-os desfavoravelmente ao ataque direto à monarquia que Thomas Paine — ele próprio um migrante recente — publicou em Filadélfia sob o título de Common Sense (Senso Comum). Em seu contexto, porém, eles eram igualmente incendiários.
Escritos para evitar as acusações de sedição que haviam atormentado Wilkes na década de 1760, eles eram facilmente interpretados por aqueles dispostos a compreender sua mensagem mal disfarçada. Aitken foi um desses leitores. Em meados de 1776, ele se preparava para se juntar à luta.
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| Um retrato do revolucionário e sabotador britânico James Aitken (1752–1777), vulgo “John, o Pintor” |
Aitken não era um lobo solitário. Antes de seguir em frente com sua campanha de sabotagem, ele viajou a Paris para consultar o enviado dos patriotas na Europa, um comerciante de Connecticut chamado Silas Deane. Lá, ele teve uma conversa com Deane que ajuda a revelar a motivação básica subjacente que sustentou tantos revolucionários. É correto, perguntou Aitken a Deane, buscar vingança contra aqueles que o oprimem?
“Vá aos campos”, respondeu Deane, “e pise no inseto mais insignificante, e veja se ele não tenta, pelo menos, voltar-se contra você”. A imagem, que remonta ao século XVI e à primeira grande era de cercamentos nos campos ingleses, evoca a bandeira da cascavel usada pelo revolucionário da Carolina do Carolina do Sul, Christopher Gadsden. Mesmo os fracos, isso implica, têm um instinto natural de resistência. Era isso o que Aitken queria ouvir.
“Adeus Aristocracia”
As elites coloniais, é claro, tinham suas próprias ideias, às vezes baseadas no mesmo imaginário profundamente enraizado. Considere o advogado de Nova York, Gouverneur Morris, que mais tarde escreveria o preâmbulo da Constituição. Ele conseguia ver em 1774 que a crise colonial tendia para um aumento no poder da classe trabalhadora.
“A turba começa a pensar e a raciocinar. Pobres répteis!”, escreveu ele em uma famosa carta ao governador da Pensilvânia (e neto do fundador da colônia), John Penn. “Antes do meio-dia eles morderão, pode apostar”, continuou ele — e depois, “adeus aristocracia”.
Morris e homens como ele, incluindo muitos dos senhores de escravos mais prósperos e dos capitalistas mais ricos das colônias, acabaram encontrando maneiras de se beneficiar das convulsões da revolução. Eles construíram um governo que ajudou a consolidar o sistema escravista, facilitar sua expansão para o oeste e manter o poder das elites endinheiradas no topo da sociedade americana.
Com o apoio de muitas pessoas brancas e pobres ansiosas pelo acesso à terra e pela segurança econômica que acreditavam vir com ela, eles também intensificaram a guerra genocida dos colonos contra os indígenas americanos. No entanto, desde o início, homens como Morris sabiam que sua luta tinha de ser travada em duas frentes: contra a Grã-Bretanha e contra a democracia.
Desferindo um Golpe Desse Tipo
Richard Price, Catharine Macaulay e seus amigos, por outro lado, entendiam a luta dos colonos como um caminho para novas possibilidades democráticas na Grã-Bretanha e além. O foco deles estava menos na construção de novos Estados independentes do outro lado do oceano e muito mais em minar o impressionante poder da classe governante imperial britânica.
Os ministros do rei tiveram de enfrentar o fato de que muitas pessoas comuns torciam por sua derrota na guerra.
Esse era o programa em que Aitken estava engajado quando se propôs a incendiar o estaleiro de Portsmouth. Todos sabiam que a marinha era o ponto central do poder britânico. Ao destruir sua capacidade de construir e reparar navios, ele esperava “desferir um golpe desse tipo que não necessitará de repetição”.
Como se viu, o incêndio em Portsmouth — e outros que Aitken provocou em Bristol, a segunda cidade do comércio de escravos britânico — teve um impacto menos que decisivo na capacidade da Grã-Bretanha de travar a guerra. Foi a perda de um exército em Saratoga, seguida pela entrada total da França no conflito em 1778, que realmente colocou os britânicos em desvantagem.
Por um tempo, porém, os ataques incendiários de Aitken causaram medo no establishment britânico. À medida que relatos de mais tentativas de atos de sabotagem chegavam de todo o país, os ministros do rei tiveram de enfrentar o fato de que muitas pessoas comuns torciam por sua derrota na guerra. Quando uma corda crucial foi cortada a bordo do navio que transportava Lorde Carlisle (Frederick Howard) para a América para negociações de paz, o conde temeu ser a próxima vítima de sabotagem revolucionária.
O Esforço Geral
A vulnerabilidade britânica em tempos de guerra criou oportunidades para os trabalhadores e seus aliados em todo o império. Na Irlanda, multidões de artesãos de Dublin ajudaram a forçar concessões sobre o livre comércio e, mais tarde, a independência legislativa. No entanto, os líderes britânicos encontraram uma resposta eficaz — abrindo uma fresta entre os trabalhadores organizados e seus aliados de classe média no movimento patriota irlandês. Ao atacar os sindicatos incipientes de Dublin (alegadas “fontes de ociosidade, embriaguez e crueldade”), eles conquistaram o apoio da comunidade empresarial e afastaram a ameaça iminente de revolta.
A vulnerabilidade britânica em tempos de guerra criou oportunidades para os trabalhadores e seus aliados em todo o império.
Em Londres também, a colaboração de longa data entre trabalhadores, artesãos e a classe média comercial revelou-se um ponto de fratura à medida que a possibilidade de uma revolução aproximava-se demais para trazer conforto. Quando grandes multidões tomaram as ruas no verão de 1780, incendiando a casa do Lorde Chefe de Justiça, escancarando os portões das prisões e atacando centros de poder imperial, como os escritórios da Companhia das Índias Orientais, parecia que o “esforço geral” pelo qual Macaulay havia clamado poderia finalmente estar próximo.
Por dias, os magistrados da cidade mantiveram-se firmes em seus princípios e recusaram-se a permitir que as tropas reprimissem a insurreição. Quando o momento chegou, no entanto, até mesmo John Wilkes preferiu aliar-se ao establishment — ele ocupou as barricadas defensivas enquanto a multidão tentava destruir o Banco da Inglaterra, matando a tiros dois manifestantes com sua própria arma. Nesse ponto, o exército marchou para dentro, ignorando os magistrados e esmagando a rebelião.
Mesmo nas próprias colônias — agora Estados republicanos independentes —, a coalizão entre diferentes classes dos patriotas às vezes desmoronava em violência declarada. Um tiroteio em Filadélfia, conhecido como a Batalha de Fort Wilson, ocorreu em 1779 entre milicianos da classe trabalhadora e um grupo de chamados republicanos que visavam substituir a constituição democrática da Pensilvânia.
À medida que a ameaça britânica imediata recuava durante a década de 1780, o conflito de classes emergia com crescente ferocidade, eclodindo em uma rebelião armada em 1786. Muitos historiadores veem a Constituição do ano seguinte como a resposta das elites americanas à ameaça da política democrática redistributiva.
Pombas Bicam
Como tantos momentos na história da classe trabalhadora, então, a Revolução Americana merece ser compreendida nem como uma vitória nem como uma derrota, mas como uma passagem em uma luta contínua. A revolução não precisa ser descartada simplesmente como uma história de origem dos Estados Unidos e, portanto, da opressão e do terror que os Estados Unidos provocaram. Alexandria Ocasio-Cortez estava pelo menos um pouco certa quando disse, no início deste ano, que os revolucionários lutaram “contra os bilionários de seu tempo”.
Homens como James Aitken encontram seus sucessores modernos naquelas que, como Ruby Montoya e Jessica Reznicek, usaram dispositivos incendiários para sabotar os instrumentos de destruição ambiental. Ou naqueles que, como os ativistas do grupo britânico Palestine Action, trabalharam para incapacitar a maquinaria de guerra usada para promover o genocídio contra o povo de Gaza.
A revolução na qual estão envolvidos vai além de quaisquer fronteiras nacionais. Ela decorre do instinto animal básico de liberdade e autodefesa coletiva. Como William Shakespeare expressou, em palavras familiares a Silas Deane e James Aitken, “o menor verme se voltará ao ser pisado / e as pombas bicarão em salvaguarda de sua ninhada”.
Colaborador
Tom Cutterham é professor de História dos EUA na Universidade de Birmingham, no Reino Unido. Seu livro mais recente é Empire Ablaze: The American Revolution and the Atlantic Working Class.


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