Quando Aliens, de James Cameron, foi lançado, há 40 anos, os críticos de cinema o descartaram como um blockbuster vazio, uma defesa do patriarcado e um reflexo da política militar de "terra arrasada" dos EUA. Eles estavam errados em todos os pontos.
Aliens (1986), de James Cameron, celebra seu quadragésimo aniversário neste mês de julho. Ao longo de gerações, essa obra-prima inovadora que mistura ação e terror conquistou fãs graças ao seu grupo de fuzileiros navais durões — cujas falas se tornaram memoráveis com facilidade — e à sua protagonista feroz e de vontade inabalável: Sigourney Weaver no papel de Ellen Ripley.
No entanto, Aliens também gerou opiniões divergentes. Críticos como Pauline Kael, Roger Ebert, Sheila Benson e Richard Schickel ficaram divididos sobre como interpretar a mistura — então considerada curiosa — de ação e terror do filme. Mesmo aqueles que elogiam suas emoções intensas e sua competência no gênero de ação o veem apenas como uma sequência feita para agradar o grande público, em contraste com o filme original de Ridley Scott, Alien (1979), que possuía um caráter muito mais artístico.
Analistas também se obcecaram em encontrar mensagens políticas ocultas no filme. Aliens já foi descrito de tudo: desde uma obra detalhada de teoria marxista e uma alegoria queer subversiva até um ataque de viés reaganista aos imigrantes e uma defesa dos massacres de civis durante a Guerra do Vietnã. Mas o filme não precisa de uma chave de decifração mágica; tudo está ali, na superfície. É uma epopeia da classe trabalhadora — com monstros, metralhadoras e tudo o mais.
Aliens conta a história de um grupo de trabalhadores tratados como recursos descartáveis, enviados para o inferno e deixados à própria sorte. Apesar de tudo, eles se unem em uma poderosa demonstração de solidariedade, impulsionados por sua líder destemida, Ripley.
Quarenta anos depois, essa imagem permanece tão atual quanto sempre. A seguir, veja o que os críticos escreveram sobre o filme em 1986 — e o que Aliens realmente tem a dizer.
Argumentos contra Aliens
Os críticos nunca souberam muito bem como avaliar Aliens. A grande crítica Pauline Kael estava entre os primeiros a demonstrar ceticismo, descartando o filme como um "exemplo inflado de gótico formulaico" com "o visual de uma história em quadrinhos para adultos".
Por outro lado, Roger Ebert escreveu sobre Aliens com uma admiração atônita, confessando que o "filme é tão intenso que cria um problema para mim como crítico".
Uma parte significativa do debate em torno do filme concentrou-se na transição dos recursos de horror mais sutis do original de Ridley Scott para a ação mais frenética da sequência. Como observou um crítico, o filme é "ação de disparos a laser, não horror gótico futurista", sendo "tão vazio quanto rápido e barulhento". Segundo outro, Cameron era o "artesão habilidoso" em contraste com o "artista" que era Scott.
A crítica original da The New Yorker sobre Aliens menosprezou o foco do filme em "tipos desleixados e figuras grotescas" que usam "palavrões muito parecidos com os que se ouvem atualmente na Times Square".
Aliens também atraiu críticas devido à sua abordagem de gênero, tornando-se um tema recorrente na crítica cinematográfica feminista. Embora alguns autores tenham elogiado a atuação poderosa de Weaver como protagonista, o filme também foi interpretado como uma "marcação conservadora de Ripley como feminina, baseada em seus sentimentos maternos pela menina Newt".
O aparente militarismo de Aliens incomodou especialmente os críticos que veem o filme como uma defesa irrestrita da violência tecnológica desenfreada. Kael descreveu o filme como "viciado em armamentos 'avançados' e equipamentos militares", e outro analista observou que Cameron escreveu o primeiro rascunho de Rambo: First Blood Part II (1985) — filme em que Sylvester Stallone dizimava inimigos enquanto resgatava prisioneiros de guerra do Vietnã.
Uma das críticas mais contundentes ao militarismo de Aliens vem de um ensaio de Noah Berlatsky, que interpreta o filme inteiro como uma alegoria da Guerra do Vietnã. Retomando um argumento apresentado pela primeira vez em 1987 por Jim Naureckas, Berlatsky afirma que Cameron transpõe o conflito entre os Estados Unidos e o Vietnã para a luta entre os fuzileiros navais e as criaturas alienígenas.
"Os Estados Unidos não conseguiram conquistar o Vietnã", escreve ele. "Mas conseguiram conquistar a memória do Vietnã e criar filmes nos quais a guerra não era um exercício embaraçoso e desastrado de ambição imperial excessiva, mas sim uma luta vitoriosa contra adversários desumanos."
A tese peculiar de Berlatsky é que espectadores com senso crítico deveriam ficar do lado dos alienígenas, que "se sacrificam repetidamente para ferir os invasores, espirrando seu sangue ácido sobre os atacantes em um ato final e heroico de desafio".
Aliens como filme de guerra
Embora Aliens tenha seus críticos, muitos esquerdistas também defenderam o filme. Pelo menos um crítico afirmou que a obra é um exemplo puro de marxismo, enquanto outro sustenta que os dois primeiros filmes da franquia Alien “oferecem comentários tanto sobre a ideologia de Ayn Rand, à direita... quanto sobre a ideologia posadista, à esquerda”.
Aliens dificilmente pode ser considerado um filme marxista, muito menos um que chegue ao ponto de defender o comunismo galáctico ou de se envolver em debates trotskistas. Por outro lado, também não é aquele filme de ação bélica desenfreada que outros críticos sugerem.
Na verdade, o filme aborda a guerra com muito mais nuances do que pode parecer à primeira vista.
Não há qualquer evidência de que Cameron tenha concebido o filme como uma alegoria estendida da violência contra civis vietnamitas — especialmente porque sua premissa básica envolve um grupo que parte para resgatar civis reais de uma zona de conflito.
Ainda assim, Cameron associou o filme à Guerra do Vietnã, comparando a impotência dos fuzileiros navais à crença equivocada de que o puro poderio militar poderia garantir a vitória dos Estados Unidos: “O treinamento e a tecnologia deles são inadequados para as circunstâncias específicas, e isso pode ser visto como uma analogia à incapacidade do poder de fogo superior americano de vencer o inimigo invisível no Vietnã: muito poder de fogo e pouca sabedoria, e não funcionou”.
Mesmo assim, Cameron deixou claro que Aliens não é uma apologia à violência desenfreada. Ele se distanciou repetidamente de Rambo II: A Missão, filme que passou por uma reescrita significativa feita pelo conservador Sylvester Stallone após a saída de Cameron do projeto. Em entrevista à revista Starlog em setembro de 1986, Cameron posicionou Aliens explicitamente como o antídoto para aquele projeto:
Depois de Rambo, não tenho muito interesse em fazer um filme em que as pessoas correm atirando umas nas outras e se envolvem em dilemas morais do tipo “bem, só porque eles usam um uniforme diferente de outro país, tudo bem”, apenas para se sentirem com a consciência limpa e imaculada diante da destruição causada aos corpos alheios por armas balísticas de alta velocidade. Portanto, nenhum ser humano mata outro ser humano neste filme.
É claro que ainda é fácil perceber paralelos com a Guerra do Vietnã nos fuzileiros navais de Cameron: lançados em uma terra distante, eles caem repetidamente em emboscadas nas quais seu poder de fogo superior pouco ajuda. Dizer simplesmente que eles estão apenas cumprindo ordens não seria suficiente para blindar o filme de críticas ao militarismo.
No entanto, os fuzileiros de Cameron não se limitam a cumprir ordens. Eles descobrem que a corporação que os enviou pretende utilizar essas criaturas como poderosas armas biológicas, representando um perigo imensurável para a Terra e seus bilhões de civis. No fim das contas, a decisão de destruir os alienígenas é um ato de desafio — uma recusa em obedecer a ordens que inevitavelmente colocariam humanos inocentes na linha de fogo.
Ripley como heroína da classe trabalhadora
Por mais impactante que essa decisão seja, Aliens ganha força sobretudo pela forma como aborda a questão de classe. No entanto, essa abordagem remonta ao filme original, com sua representação singular de "caminhoneiros espaciais" comerciais transportando minério pela galáxia e membros da tripulação reclamando da "questão dos bônus". Em 1979, tanto a crítica quanto o público não deixaram de notar isso. Em sua crítica na New Yorker, Brendan Gill — formado em Yale e membro da sociedade secreta Skull and Bones — sugeriu que o espaço não era lugar para uma "pessoa de berço", menosprezando o foco em "tipos desleixados e grosseiros" que usavam "palavrões muito parecidos com os que se ouvem atualmente na Times Square".
É claro que Aliens — ainda mais do que Alien — é, de fato, o filme perfeito para quem simpatiza com esses "tipos desleixados e grosseiros" que transportam matérias-primas, lutam guerras em nome de terceiros e sofrem no processo.
Essa dimensão de classe é articulada, em particular, por meio de sua protagonista, a Tenente Ellen Louise Ripley.
Fakhry Al-Serdawi questionou o status de Ripley como membro da classe trabalhadora, classificando-a, em vez disso, entre os "administradores da Nostromo... os operadores de painel dessa grande operação do capitalismo industrial".
No entanto, Ripley é uma suboficial, integrante daquela camada que Vivek Chibber chama de "trabalhadores de elite": tipicamente, profissionais técnicos que ascenderam para gerenciar operações em naves. E, na época de Aliens, Ripley foi rebaixada a uma funcionária de armazém, possuindo apenas a certificação de Classe 2 que lhe permite operar empilhadeiras mecanizadas. Ela é a trabalhadora americana típica dos anos 1980: uma profissional técnica que sofreu uma queda na escala social e luta apenas para sobreviver.
A identidade de classe de Ripley torna-se explícita por meio de seus conflitos com a onipresente "Companhia", a multinacional Weyland-Yutani. Ao longo de Aliens, vemos a empresa como a extensão de um poder corporativo indiferente à vida e obcecado pelo lucro — um empreendimento monopolista paradigmático que invadiu quase todos os aspectos da existência humana. Sob seu domínio, homens, mulheres, crianças e criaturas tornaram-se recursos descartáveis para alimentar sua ânsia de expansão. No filme Alien original, é esse contexto que, em última análise, motiva as ações de Ripley, as quais frequentemente a levam a conflitos com a Companhia e seus agentes hierarquicamente superiores: Dallas (Tom Skerritt) e Ash (Ian Holm) no primeiro filme; Burke (Paul Reiser) e o Tenente Gorman (William Hope) no segundo.
Muito se discutiu sobre a suposta tentativa de Ripley de se igualar aos homens ou, inversamente, sobre sua necessidade feminina de restaurar simbolicamente a família nuclear. Ora, não vejo nada de particularmente problemático no fato de Ripley enfrentar os homens de igual para igual ou de assumir uma postura maternal; na verdade, há algo de poderoso na justaposição simultânea desses dois tropos aparentemente contraditórios. Como Sheila Benson observou de forma espirituosa em sua crítica de 1986 para o LA Times, ela se tornou "uma imagem extraída das estatísticas atuais: a mãe solteira triunfante... A supermãe por excelência".
Aliens foi interpretado de diversas formas: desde uma obra detalhada de teoria marxista e uma alegoria queer subversiva até um ataque aos imigrantes alinhado à era Reagan e uma defesa de massacres de civis durante a Guerra do Vietnã.
Mas Ripley faz mais do que brandir sua enorme arma e cuidar de uma criança. Ao falar sobre a força de Ripley em 1986, Weaver explicou que ela é movida pelo desejo de ajudar os outros: “Ripley ainda se sente responsável pelo que aconteceu na Nostromo... Há tantos fantasmas em sua vida. E, no entanto, ela aceita enfrentar o horror mais uma vez”.
Como Benson bem observou, a personagem Ripley se destaca, acima de tudo, por sua “compaixão pelos outros seres humanos”.
Essa sempre foi a força da franquia Alien, que aborda com ousadia os males da humanidade — ganância, desigualdade, covardia, brutalidade — e se posiciona firmemente em defesa do bem existente nas pessoas da classe trabalhadora.
Por que Aliens permanece relevante
No fim das contas, Aliens não é uma obra de teoria marxista disfarçada de cinema — se é isso que você procura, assista aos melhores filmes de Costa-Gavras ou a A Batalha de Argel.
Mas também não é uma parábola reacionária. E Aliens tampouco é apenas uma sequência feita para agradar ao grande público, em contraste com um original de "arte" supostamente superior. É aquele raro blockbuster de Hollywood que demonstra profunda empatia pela classe trabalhadora e suas dores.
Escrevendo para a revista Time em 1986, Richard Schickel identificou com precisão o que torna o filme tão excepcional em seu gênero; para ele, Aliens representava "o resgate de algo como uma sensibilidade adulta no filme de ação — uma crença, compartilhada por clássicos do gênero como John Ford e Howard Hawks, de que, além de contar uma história empolgante em um ritmo frenético, filmes desse tipo podem carregar um tema e até mesmo — uma palavra chocante nos dias de hoje — uma lição moral".
Essa lição moral permanece atual, especialmente num momento em que a esquerda ainda cobra da mídia que leve a sério as pessoas da classe trabalhadora. Aliens e sua protagonista continuam a falar conosco — não por meio de metáforas ou códigos secretos, mas de forma clara e direta.
Ripley é uma mulher durona, mãe solteira e operadora de empilhadeira certificada, que parte para o espaço para resgatar civis inocentes, arriscando a própria vida no processo. Ela lidera combinando inteligência, força física, sarcasmo e sensibilidade, rejeitando papéis de gênero rígidos e suas subversões superficiais.
Apesar da voz em sua cabeça que lhe diz para se proteger, Ripley é a personificação da solidariedade. Ela une um grupo heterogêneo de fuzileiros navais traumatizados e uma criança corajosa para desafiar uma megacorporação gigantesca, disposta a jogá-los todos num moedor de carne — salvando, no processo, toda a humanidade de uma ameaça aterrorizante.
Para nós, Ripley é uma heroína da classe trabalhadora. Ponto final.
Colaborador
Jarek Paul Ervin é escritor e editor radicado na Filadélfia. Seus trabalhos foram publicados na The Baffler, Damage, Critique e Popular Music & Society.

Nenhum comentário:
Postar um comentário