2 de julho de 2026

O socialismo foi central para o pensamento de W. E. B. Du Bois

O proeminente intelectual negro e defensor da liberdade W. E. B. Du Bois foi, por muito tempo, um socialista convicto e, por fim, um marxista — compromissos que foram centrais em sua vida e obra. Os liberais estão determinados a suprimir esse aspecto de seu legado.

Jeff Goodwin

Jacobin

W. E. B. Du Bois participa de uma coletiva de imprensa no Congresso Mundial pela Paz, realizado em Paris em abril de 1949 — uma iniciativa amplamente dirigida pelos soviéticos. (Bettmann Archive via Getty Images)

Em 1935, W. E. B. Du Bois disse ao seu amigo George Streator: “Acredito em Karl Marx. Sou um opositor declarado da exploração capitalista moderna do trabalho. Acredito no triunfo final do socialismo em um prazo razoável — e, por socialismo, refiro-me à propriedade estatal do capital e das máquinas, bem como à igualdade de renda”. Seria difícil encontrar um resumo mais claro e conciso da perspectiva política de Du Bois.

Du Bois tinha sessenta e sete anos quando escreveu essas palavras, encontrando-se no auge de sua influência e de sua capacidade intelectual. Ele havia completado recentemente um quarto de século à frente da edição da The Crisis, a influente revista da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP) — organização de direitos civis que ele ajudara a fundar em 1909. Na semana anterior, Du Bois havia entregue à editora as provas finais de sua obra-prima, Black Reconstruction in America, sua contribuição magistral para o que ficou conhecido como a tradição marxista negra — um livro que provocou, nas palavras de seu biógrafo David Levering Lewis, “uma daquelas genuínas mudanças de paradigma vivenciadas periodicamente em um campo do saber; uma mudança que divide as interpretações vigentes em um ‘antes’ e um ‘depois’ de seu surgimento repentino e desconcertante”.

Rebelde com que causa?

O novo e abrangente documentário da PBS dirigido por Rita Coburn, W. E. B. Du Bois: Rebel With a Cause, lançado no mês passado, é repleto de palavras: as palavras de Du Bois, lidas de forma dramática por vários atores; as palavras de seus contemporâneos; as palavras de uma narradora onisciente, a atriz e produtora Viola Davis; e as palavras de comentaristas — muitos e muitos comentaristas acadêmicos. No entanto, a carta de Du Bois a Streator não é mencionada. De fato, o espectador jamais ouvirá, nem sequer uma vez, uma palavra sequer sobre a guinada intelectual de Du Bois em direção ao marxismo no início da década de 1930, os motivos por trás dela ou como isso moldou suas ideias sobre raça, a Black Reconstruction ou quaisquer de seus escritos e atividades posteriores.

O documentário de Coburn reconhece, de fato, a adesão de Du Bois ao movimento comunista após a Segunda Guerra Mundial e o fato de ele ter ingressado no Partido Comunista em 1961, aos noventa e três anos — dois anos antes de sua morte. No entanto, não há qualquer discussão sobre suas convicções socialistas de longa data — que remontam, pelo menos, a 1907 — nem sobre as razões que o levaram a se interessar pelo socialismo e, posteriormente, pelo comunismo. Tampouco se aborda como as visões marxistas e socialistas de Du Bois moldaram sua perspectiva sobre raça, opressão racial e a libertação dos negros. Pelo contrário, o documentário oculta sistematicamente o radicalismo de Du Bois para apresentá-lo como um liberal e "pioneiro dos direitos civis" que, já idoso, abraçou o comunismo de forma ingênua.

O espectador jamais ouvirá, nem sequer uma vez, uma palavra sequer sobre a guinada intelectual de Du Bois em direção ao marxismo no início da década de 1930.

Rebel With a Cause é, na verdade, uma obra brilhante de propaganda liberal. O documentário tem ritmo acelerado e quase duas horas de duração. Está repleto de fatos e observações sobre a longa vida de Du Bois. Dá a impressão de que cada um dos noventa e cinco anos de Du Bois recebe alguma menção. Abundam fotografias, cinejornais, gravações de áudio, leituras dramáticas e comentários. Quem não está familiarizado com a vida e os escritos de Du Bois provavelmente sentirá que este é um retrato do homem baseado em uma pesquisa exaustiva.

E, no entanto, por meio de uma infinidade de omissões, Coburn apresenta uma imagem fundamentalmente distorcida e enganosa de Du Bois. Seus compromissos socialistas e marxistas foram sistematicamente apagados. Não surpreende que o pequeno exército de comentaristas acadêmicos do documentário não inclua nenhum intelectual contemporâneo de esquerda que tenha escrito sobre Du Bois, como Adolph Reed Jr., Gerald Horne, Charisse Burden-Stelly, Bill Mullen, Zine Magubane ou Zophia Edwards.

Apagando a guinada marxista de Du Bois

O que exatamente Coburn omitiu?

A primeira vez que Du Bois discutiu suas simpatias socialistas de forma mais detalhada foi em 1907, pouco antes de se tornar editor da revista The Crisis, em um ensaio intitulado "The Negro and Socialism", publicado na revista Horizon — texto que mais tarde foi republicado sob o título "Socialism and the Negro Problem". O documentário de Coburn não faz menção a isso. Coburn aborda, contudo, uma coletânea de escritos de Du Bois intitulada Darkwater: Voices From Within the Veil, publicada em 1920. Darkwater inclui um ensaio intitulado "Of Work and Wealth", no qual Du Bois escreveu que "estamos nos aproximando rapidamente do dia em que repudiaremos toda propriedade privada de matérias-primas e ferramentas, e exigiremos que a distribuição dependa não do poder daqueles que monopolizam os materiais, mas das necessidades da massa de homens". Du Bois sugeriu que, com "essa futura socialização da indústria", a jornada de trabalho poderia ser reduzida para algo entre três e seis horas, deixando "tempo abundante para lazer, exercícios, estudo e atividades de interesse pessoal".

Em outro ensaio de Darkwater, "Of the Ruling of Men", Du Bois defendeu "o aumento cuidadoso e constante da propriedade pública e democrática da indústria". Para esse fim, Du Bois ressaltou a necessidade de igualdade social e solidariedade entre raças, cores e credos, escrevendo que “talvez a maior contribuição do socialismo atual para o mundo não seja nem a sua luz nem o seu dogma, mas a ideia por trás da sua única palavra poderosa: Camarada!”

A breve discussão sobre Darkwater em Rebel With a Cause concentra-se principalmente em uma pequena obra de ficção contida no volume. Não há menção à visão de Du Bois sobre o socialismo — mais fabiano do que marxista naquela época — nem à sua exaltação da camaradagem. Du Bois manteve a convicção de que o socialismo era irrefreável por mais de quarenta anos, até sua morte em 1963. Coburn jamais menciona isso.

Rebel With a Cause é, na verdade, uma obra brilhante de propaganda liberal.

Em 1926, Du Bois passou algum tempo viajando pela União Soviética. A viagem acabou sendo um marco importante para ele. Segundo Levering Lewis: “Nunca antes na vida ele havia se sentido tão comovido quanto ficou com os dois meses passados ​​na Rússia”. “Eis um povo”, escreveu Du Bois em um editorial da revista Crisis, “em busca de um novo modo de vida por meio do conhecimento e da verdade”. Du Bois acrescentou que poderia estar “parcialmente enganado e mal informado” a respeito da Rússia, mas que, se aquilo que vira ali era o bolchevismo, “então eu sou bolchevique”. Coburn não faz qualquer menção à viagem de Du Bois à União Soviética nem a essa declaração política ousada.

Levering Lewis também observa que, em 1933, enquanto a Grande Depressão se prolongava, Du Bois “impôs a si mesmo a tarefa monumental de assimilar de forma abrangente os escritos de Marx”. Nessa empreitada, Du Bois buscou orientação junto a alguns dos chamados “Jovens Turcos” da NAACP — um grupo de socialistas, sediado principalmente na Universidade Howard, que desafiara a associação a desenvolver um programa econômico (e laços mais estreitos com o movimento trabalhista) que fosse além de seu foco tradicional na segregação e na discriminação. O objetivo de Du Bois era ler os “melhores livros que o marxista perfeito deve conhecer”. Ele se orgulhava de ter reunido, na Universidade de Atlanta, uma biblioteca pessoal que, a seu ver, continha o acervo mais vasto de literatura socialista e comunista do Sul. Rebel With a Cause não menciona os Jovens Turcos, a coleção de livros de Du Bois nem seu curso intensivo de marxismo.

O estranho obscurecimento de Black Reconstruction

O fruto imediato da guinada marxista de Du Bois foi Black Reconstruction in America (1935), sua obra-prima e um marco na história e na literatura do século XX. Du Bois argumentava que a Guerra Civil desencadeou uma grande revolução — equiparável às revoluções Francesa e Russa — impulsionada por uma "greve geral" de trabalhadores escravizados que fugiam das plantações para se juntar aos exércitos da União. A vitória da União — atribuída pelo próprio Abraham Lincoln à atuação dos libertos — foi profundamente revolucionária, resultando na abolição da escravidão e na democratização dos estados do Sul.

Du Bois descreveu a era da Reconstrução do pós-guerra como um "grande experimento de marxismo", que viu a ascensão de governos apoiados pelos trabalhadores no Sul. No entanto, esse experimento acabou sendo derrubado por uma "contrarrevolução da propriedade" liderada pelos latifundiários sulistas e apoiada pelos capitalistas do Norte; uma contrarrevolução que privou os trabalhadores negros de seus direitos políticos e criou uma divisão na classe trabalhadora do Sul. O clímax retórico de Black Reconstruction ocorre ao final do capítulo sobre essa contrarrevolução, quando Du Bois faz um apelo veemente por uma futura "ditadura do proletariado" democrática, voltada para "escravos negros, pardos, amarelos e brancos" — em outras palavras, um socialismo democrático multirracial.

Du Bois descreveu a era da Reconstrução do pós-guerra como um "grande experimento de marxismo", que viu a ascensão de governos apoiados pelos trabalhadores no Sul.

Dizer que Rebel With a Cause não faz justiça a Black Reconstruction seria um eufemismo. Curiosamente, o documentário dedica apenas alguns minutos ao livro — menos tempo do que dedica a The Philadelphia Negro (1899) e Darkwater (1920), e muito menos do que reserva para The Souls of Black Folk (1903), uma coletânea de ensaios escrita por um Du Bois muito mais jovem, que via nos direitos civis e na educação de negros talentosos ("o décimo talentoso") o caminho a seguir. Mais curioso ainda é que a discussão sobre Black Reconstruction no documentário enfatiza principalmente como os governos da Reconstrução no Sul promoveram a educação pública — uma conquista de enorme importância, sem dúvida, mas que dificilmente constitui o tema central do livro ou a base de sua relevância duradoura. Coburn não menciona a linhagem marxista do livro, a dialética da revolução e da contrarrevolução, a greve geral dos escravizados, "o grande experimento do marxismo", a contrarrevolução da propriedade ou a democracia socialista almejada. Tudo isso é muito estranho. Imagine, se quiser, uma análise de Moby Dick que se concentrasse na abordagem do livro sobre a indústria baleeira — assunto que Melville de fato discute extensamente —, mas que jamais mencionasse a obsessão de Ahab pela grande baleia branca.

Branqueando a fase tardia de Du Bois

Após Black Reconstruction, Du Bois escreveu muitos outros livros (incluindo vários romances históricos), artigos e discursos ao longo do quarto de século seguinte, todos profundamente influenciados pelo marxismo. Assim como outros intérpretes liberais de Du Bois, Coburn praticamente ignora esses escritos. Não há menção, por exemplo, a Dusk of Dawn (1940) ou à sua teoria marxista sobre o racismo, que Du Bois via como uma poderosa justificativa ideológica para a exploração do trabalho, bem como uma ferramenta para dividir a classe trabalhadora. Além disso, a discussão mais extensa de Du Bois sobre o colonialismo — Color and Democracy: Colonies and Peace (1945), obra que argumentava que o capitalismo era a base da "linha de cor" global — também é ignorada.

Coburn nada diz sobre o discurso de Du Bois em 1946 perante o Southern Negro Youth Congress (SNYC) — organização de esquerda voltada para a juventude negra do Sul —, intitulado "Behold the Land"; o texto é descrito por Levering Lewis como um "clássico instantâneo da esquerda" e foi amplamente distribuído como panfleto pelo SNYC. O documentário também ignora o discurso de 1948 de Du Bois na Universidade Wilberforce, intitulado "Talented Tenth Memorial Address", no qual ele declarou à plateia que rejeitava, naquele momento, a própria ideia de um "décimo talentoso" (talented tenth) entre os negros americanos. O discurso começava assim: "Karl Marx enfatizou o fato de que não apenas a classe alta, mas a massa dos homens, constituía o verdadeiro povo do mundo".

Rebel With a Cause não menciona o manuscrito de 1950 de Du Bois, Russia and America: An Interpretation, que a editora Harcourt Brace se recusou a publicar por considerá-lo excessivamente favorável à União Soviética e crítico demais em relação aos Estados Unidos. (A obra permanece inédita.) Tampouco menciona que Du Bois lecionou por vários anos na Jefferson School of Social Science, em Manhattan — uma escola de educação para adultos fundada pelo Partido Comunista —, onde a dramaturga Lorraine Hansberry foi uma de suas alunas.

Du Bois clamou veementemente por uma futura "ditadura do proletariado" democrática "para escravos negros, pardos, amarelos e brancos" — em outras palavras, um socialismo democrático multirracial.

Coburn utiliza alguns trechos de uma gravação de áudio de um discurso que Du Bois proferiu na Universidade de Wisconsin em 1960 — "Socialismo e o Negro Americano" — mas o tema e os principais argumentos do discurso jamais são mencionados. Foi o último grande discurso que Du Bois fez nos Estados Unidos antes de partir para Gana, no ano seguinte. O anfitrião de Du Bois em Gana, o presidente Kwame Nkrumah, é descrito no documentário como um pan-africanista, mas não também como um marxista e socialista que desenvolveu laços com a União Soviética e a China. (Nkrumah foi deposto em um golpe militar em 1966, três anos após a morte de Du Bois; um golpe incentivado e apoiado pelos Estados Unidos.)

O comunismo de Du Bois

Rebel With a Cause reconhece a forte adesão de Du Bois ao comunismo após a Segunda Guerra Mundial. No entanto, Coburn demonstra pouco interesse em tentar compreender o que atraiu Du Bois para o movimento comunista. Como o documentário não aborda as convicções socialistas de longa data de Du Bois, sua viagem à União Soviética ou sua guinada para o marxismo, sua atração pelo comunismo parece bastante intrigante. O que levou a isso? Há uma insinuação sutil de que Du Bois foi atraído para o movimento comunista por sua segunda esposa, Shirley Graham, muito mais jovem que ele. Mas não faz sentido imaginar que Du Bois pudesse ser manipulado dessa maneira. Ele era, claramente, um homem de convicções firmes que levava as ideias — especialmente as suas próprias — muito a sério. Em questões intelectuais, ele era decididamente um líder, não um seguidor.

A única pista que o documentário apresenta para explicar a atração de Du Bois pelo comunismo vem de um dos comentaristas acadêmicos, o sociólogo Aldon Morris. "O ponto principal... a ser compreendido", afirma Morris, "[é] que Du Bois queria abraçar qualquer sistema que ele acreditasse que libertaria a humanidade". Morris acrescenta que "havia certa ingenuidade" no entusiasmo de Du Bois pelo comunismo. Mas por que Du Bois acreditava que o comunismo libertaria a humanidade — e os afro-americanos em particular? E o que ele entendia por libertação humana? O documentário não esclarece.

Quanto à "ingenuidade" de Du Bois em relação ao comunismo, não há dúvida de que ele estava plenamente ciente dos aspectos autoritários e repressivos da União Soviética. Mas ele também via os líderes da União Soviética como opositores sinceros da opressão racial e nacional, tanto dentro de suas próprias fronteiras quanto internacionalmente. Consequentemente, Du Bois acreditava que a União Soviética atuava como um importante contrapeso ao racismo e ao imperialismo dos Estados Unidos. Assim, de modo geral, Du Bois não estava inclinado a somar sua voz às legiões de intelectuais anticomunistas dos Estados Unidos, que certamente não precisavam de sua ajuda. Pode-se questionar a sensatez dessa postura, mas ela fornece um contexto para compreender o que poderíamos chamar de silêncio estratégico de Du Bois no que dizia respeito à repressão soviética.

Du Bois, Roy Wilkins e a NAACP

Rebel With a Cause termina exatamente como começa: observando que Du Bois morreu na véspera da grande Marcha sobre Washington de 1963 e que sua morte foi anunciada à multidão reunida por Roy Wilkins, líder da NAACP. A implicação dessa abordagem parece clara: a importância histórica de Du Bois reside no fato de ele ter ajudado a abrir caminho — tanto intelectual quanto organizacionalmente — para o movimento pelos direitos civis das décadas de 1950 e 1960.

Coburn demonstra pouco interesse em tentar entender o que atraiu Du Bois para o movimento comunista.

No entanto, há algumas ironias aqui que Coburn deixa de mencionar. Para começar, Du Bois considerava Wilkins um homem bem-intencionado, porém de instrução limitada e visão estreita, e acreditava que a NAACP de Wilkins não oferecia nenhum programa ou liderança real para os afro-americanos da classe trabalhadora. Du Bois achava que o foco exclusivo da organização na discriminação racial era “profundamente inadequado”. Ele desejava uma organização que também combatesse a exploração de classe e a privação material dos afro-americanos — fatores que ele via como a principal função e o maior incentivo para a discriminação. Essa foi, de fato, a razão principal pela qual ele apoiou o movimento comunista.

Além disso, o documentário de Coburn não menciona como Wilkins conspirou não apenas uma, mas duas vezes — em 1934 e novamente em 1948 — para remover Du Bois da NAACP. Coburn sugere que Du Bois foi forçado a deixar a NAACP em 1948 por ter feito campanha contra Harry Truman, o candidato presidencial preferido de Wilkins e Walter White, que lideravam a NAACP na época. Mas havia muito mais por trás do afastamento de Du Bois do que isso: Wilkins e White buscavam remover todos os comunistas e “vermelhos” da NAACP. Vale lembrar que o macarthismo não foi apenas um projeto do governo dos EUA, mas penetrou profundamente na chamada sociedade civil, incluindo diversos sindicatos, a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e o movimento pelos direitos civis.

Inicialmente, aliás, Wilkins recusou-se a anunciar a morte de Du Bois durante a marcha. “Não vou anunciar a morte daquele comunista”, disse ele a Bayard Rustin, organizador da marcha, embora tenha acabado cedendo.

A mesma história de Ssmpre

É claro que já vimos esse filme antes, como diz o ditado. A grande mídia corporativa e as elites culturais desprezam marxistas e socialistas. Para parafrasear Upton Sinclair, é difícil fazer alguém gostar de algo quando o salário dessa pessoa depende de ela não gostar daquilo. Quando elites liberais lidam com intelectuais ou figuras políticas genuinamente radicais — como Helen Keller ou Albert Einstein, por exemplo, ou Martin Luther King Jr. e Stephen Hawking —, elas diluem e suavizam as ideias desses indivíduos, repetindo o processo até que não reste nada além de um liberal comum. O recente filme biográfico sobre Bayard Rustin, produzido pelo casal Obama, é um exemplo disso.

Nesse sentido, Coburn compreende sua tarefa e cumpriu seu papel. Infelizmente, os espectadores que poderiam ter aprendido algo sobre as ideias radicais de Du Bois a respeito do capitalismo, do imperialismo, do racismo e da libertação negra jamais perceberão o que perderam. Tampouco conseguirão compreender o lugar de Du Bois em uma tradição mais ampla de marxismo negro e radicalismo — uma tradição que inclui figuras como Hubert Harrison, C. L. R. James, Claudia Jones, Frantz Fanon e Walter Rodney, entre muitos outros. Esse apagamento imperceptível de ideias e tradições radicais é a marca registrada da propaganda liberal em sua forma mais eficaz.

Colaborador

Jeff Goodwin é professor de sociologia na Universidade de Nova York e atualmente preside a seção de sociologia marxista da Associação Americana de Sociologia. Ele escreveu e publicou extensivamente sobre movimentos sociais e revoluções.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O guia essencial da Jacobin

A Jacobin tem publicado conteúdo socialista em um ritmo acelerado desde 2010. Aqui está um guia prático de algumas das obras mais importante...