23 de novembro de 2015

Stalin e Hitler: Irmãos gêmeos ou inimigos mortais?

Domenico Losurdo

Crisis and Critique

1. Eventos históricos e categorias teóricas

Tradução / Quando os filósofos investigam eventos históricos, eles tentam discutir ao mesmo tempo as categorias com as quais os acontecimentos históricos são reconstruídos e descritos. Hoje se compreende a partir da categoria de “totalitarismo” (a ditadura terrorista de apenas um partido político e o culto à personalidade) Stalin e Hitler como duas personificações extremas desta praga, como dois monstros que possuem características tão semelhantes que se pensa neles como dois irmãos gêmeos. Não por menos - como argumentam - ambos se uniram por quase dois anos através de um pacto vergonhoso. De fato, após este pacto, seguiu uma guerra impiedosa, mas dois gêmeos a travaram, mesmo que eles fossem bastante controversos.

É uma conclusão obrigatória? Vamos voltar nossos olhares para a Europa brevemente. Gandhi também se convencia de que Hitler tinha algum tipo de irmão gêmeo. Mas este não era Stalin, que ainda em setembro de 1946, era considerado pelo líder indiano como um “grande homem” à frente de “um grande povo”. Não, o irmão gêmeo de Hitler era na verdade Churchill, ao menos a julgar por duas entrevistas dadas em abril de 1941 e abril de 1946 respectivamente: “Asseguro que na Índia também temos um governo Hitleriano, no entanto um disfarçado que possa ser mais moderado”. E depois: “Hitler foi o pecado da Grã-Bretanha. Hitler foi apenas uma resposta ao imperialismo Britânico”.

Talvez a primeira das duas explicações seja a mais sugestiva. Ela ocorreu em um momento, onde o tratado de não-agressão entre a Alemanha e a União Soviética ainda estava em vigor: O líder Indiano do movimento independentista não parece se ofender com isso. No movimento anticolonial as políticas de frente popular encontraram as maiores dificuldades. A razão para isso é explicada por um importante historiador afro-americano de Trinidad, admirador entusiasta de Trotsky, nomeadamente C.L.R. James, que mesmo em 1962 descreve o desenvolvimento de outro militante da causa da emancipação negra, também de Trinidad, dessa forma: “Quando esteve nos Estados Unidos, ele se tornou um comunista atuante. Se mudou para Moscou para liderar o Departamento de Propaganda e Organização dos negros. Neste cargo, ele se tornou o mais conhecido e mais confiável dos agitadores pela Independência Africana. Em 1935, buscando alianças, o Kremlin separou a Inglaterra e a França como ‘imperialismos democráticos’ da Alemanha e a França, os ‘imperialismos fascistas’, o principal alvo da propaganda russa e comunista. Isto reduziu a atividade pela emancipação africana: Alemanha e Japão não tinham colônias na África. Padmore rompeu instantaneamente com o Kremlin”.

Stalin não foi criticado e condenado como irmão gêmeo de Hitler, mas porque ele se recusou a reconhecer neste último o irmão gêmeo dos líderes do imperialismo britânico e francês. Para importantes personalidades do movimento anticolonial, não foi fácil entender que, entretanto, o Terceiro Reich assumiu a liderança da contrarrevolução colonial (e escravista): O debate habitual sobre o tratado de não-agressão sofre claramente de eurocentrismo.

O quão duvidoso possa ser colocar Churchill como próximo a Hitler, como Gandhi faz (e outros proponentes do movimento anticolonial fizeram mais indiretamente), não deixa de ser compreensível: Hitler não declarou várias vezes que iria construir uma Índia Alemã no Leste Europeu? E Churchill também não prometeu defender a Índia britânica a qualquer custo? Na verdade, em 1942 o Primeiro-Ministro Britânico teve que reprimir o movimento por independência, “usou de medidas extremas, como o uso da força aérea, para atirar com metralhadoras à massa dos protestos”. A ideologia que reside na raiz desta repressão é particularmente sugestiva. Vamos ouvir do próprio Churchill: “Eu odeio indianos. Eles são um povo bestial com uma religião bestial”; com sorte um número sem precedentes de “soldados brancos” garante a manutenção da ordem. A tarefa é enfrentar uma raça “protegida por sua mera pululação [reprodução muito rápida] da ruína que é”; Marechal Arthur Harris, protagonista dos bombardeios na Alemanha, foi bem aconselhado a “enviar algumas das bombas que sobraram para destruí-los”.

Vamos voltar da Ásia para a Europa. Em 23 de Julho de 1944, Alcide de Gasperi, o líder católico que estava para se tornar o primeiro-ministro da Itália libertada do fascismo, deu um discurso onde enfaticamente ele proclamou:

“Quando eu vejo como Hitler e Mussolini perseguiram seres humanos por conta de sua raça e inventaram esta assustadora legislação anti-judaica que conhecemos, e quando ao mesmo tempo eu vejo como os russos compostos de 160 etnias buscam uma união delas, quando vejo os esforços para unificar a sociedade humana, deixe-me dizer: isto é cristão, isto é eminentemente universalista no sentido do Catolicismo.”

O ponto de partida formado neste caso é a categoria de racismo, uma praga, que encontrou sua maior expressão na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler. Bom, o que foi a contrapartida a tudo isso? Devido a um motivo já mencionado não poderia ser a Grã-Bretanha. Mas também não poderia ser os Estados Unidos, onde - ao menos onde se concentra o Sul - reinava a supremacia branca. No que tange este regime, um importante historiador estadunidense (George M. Fredrickson) recentemente escreveu: “O esforço de garantir a ‘pureza racial’ no Sul americano antecipou aspectos da perseguição oficial nazista dos judeus nos anos 30”; quando também se considera de acordo com a lei de que no Sul dos Estados Unidos uma gota de sangue impuro era suficiente para ser excluído da comunidade branca, se tem que concluir: “a definição nazista de judeu nunca foi tão estreita quanto a da ‘regra de uma gota’ que dominava na categorização de negros nas leis de pureza racial do Sul dos Estados Unidos”. Portanto, não pode ser surpreendente que De Gasperi visse na União Soviética a grande antagonista real da Alemanha de Hitler. Os irmãos gêmeos, de quem a categoria de totalitarismo fala, aparecem de acordo com as categorias de racismo e colonialismo como inimigos mortais.

2. A maior guerra colonial da história

Então que categoria deveríamos usar? Vamos dar as palavras para as personalidades em questão. Quando Hitler se dirigiu aos industriais de Dusseldorf (e da Alemanha) em 27 de janeiro de 1932 e ganhou o apoio deles para chegar ao poder, ele explicou sua concepção de história e política da seguinte maneira. Em toda a história do século XIX, os “povos brancos” conquistaram um domínio incontestável, e isto como conclusão de um processo que começou com a conquista da América e se desenvolveu sob o signo do “sentimento absoluto, inato do domínio da raça branca”. O Bolchevismo, ao colocar o sistema colonial em cheque e levando a e piorando a “confusão do pensamento branco europeu”, traz um perigo mortal à civilização. Se quiserem confrontar essa ameaça, se deve reforçar a “convicção da supremacia e com isso o direito da raça branca” e se tem que incondicionalmente defender a “posição de tutelagem da raça branca sobre o resto do mundo”, mesmo com a “crueldade mais brutal”: Um “direito de tutelagem extraordinariamente brutal” é necessário. Está além da dúvida: Hitler apresenta sua candidatura à liderança em um dos países mais importantes da Europa se comportando como pioneiro da Supremacia Branca, a qual ele queria defender mundialmente.

O apelo de defender e mobilizar a raça branca encontrou grande eco na Alemanha na I Guerra Mundial e especialmente depois dela. O recurso da entente e, particularmente, das tropas miscigenadas da França causou escândalo e indignação. Ademais, estes soldados não-brancos eram representados nas tropas de ocupação em Renânia e estupraram mulheres alemãs: Isto era a vingança inexorável dos vencedores, que tentaram de alguma forma humilhar o inimigo derrotado e ainda tentaram “contaminar” seu sangue para atingir sua “mulatização”. De qualquer forma a “ameaça negra” não apenas reside no Sul dos Estados Unidos, onde a Ku-Klux Klan é muito vigilante, mas também na Alemanha (e Europa): Neste sentido, na época, argumentava o público em geral na Alemanha. E este clima ideológico influenciou fortemente a formação dos principais líderes nazistas.

Em 14 de Junho de 1922, Heinrich Himmler participou de um protesto de massas em Munique organizado pela “Deutsche Notbund gegen die Schwarze Schmach”(Vergonha Negra), que - como um jornal local informou a “ocupação da Renânia por pessoas de cor como um crime bestialmente concebido que visa esmagar-nos como uma raça e, finalmente, destruir-nos". Em seu diário, Himmler notou: “Muitas pessoas. Todas gritaram: ‘Vingança’, me impressionou muito”. Mas eu já havia participado em eventos mais aprazíveis e mais emocionantes deste tipo”. Com sorte, a Inglaterra não tinha familiaridade com a irresponsabilidade racial da França. Isto é o que pensava Alfred Rosenberg, que defendia a “Federação dos dois povos brancos” ou melhor dos três povos brancos, se formos investigar a luta contra a “negrotização” em nível global e também, além da Alemanha e Grã-Bretanha, dos Estados Unidos. Mesmo no fim de 1942 - o Terceiro Reich e Japão estão do mesmo lado na guerra - Hitler, ao invés de ser agradecido pelos sucessos de seus aliados amarelos, lamenta as “perdas pesadas que os brancos tiveram que sofrer no Leste asiático”: Isto é registrado em um diário do Joseph Goebbels, que por sua vez denuncia Churchill como o “verdadeiro coveiro do Império Inglês”.

A raça branca já devia ser defendida na Europa. Seu principal inimigo era a União Soviética, que incitava as raças “menores” a se rebelarem e que ela mesma pertencia ao mundo colonial. Esta concepção era bastante divulgada na Alemanha na época: Após a tomada do poder pelos Bolcheviques - Osvald Spengler escreveu em 1933 - a Rússia havia tirado a “máscara branca para se tornar novamente uma superpotência mongol”, agora uma parte integral de “toda a população de cor da terra” e cheia de ódio contra a “humanidade branca”. A grande ameaça era ao mesmo tempo uma grande oportunidade: À frente da raça branca e da Alemanha um imenso espaço colonial havia se aberto. Era uma espécie de Faroeste. O “Mein Kampf” já havia exaltado a “incrível força” do modelo americano de expansão colonial, um modelo que deve se imitar para construir um Reich territorialmente compacto na Europa Central e Oriental. Em seguida, após o lançamento do projeto Barbarossa, Hitler comparou várias vezes sua guerra contra os “Povos indígenas” do Leste Europeu com a “Guerra Indiana”, com as “batalhas indígenas na América do Norte”: Em ambos os casos a “raça mais forte” será “vitoriosa”. Em seus discursos secretos que não eram feitos para o público, Himmler também declarou de forma especialmente explícita um aspecto adicional do programa colonial do Terceiro Reich: É necessário incondicionalmente “raças escravas estrangeiras”, da qual a “raça superior” nunca perderia sua “tutelagem” e jamais deveriam se misturar. “Se não enchermos nossos campos com escravos - nesta sala eu afirmo as coisas muito explicitamente e claramente - com escravos a trabalhar, que independentemente de quaisquer perdas, construirão nossas cidades, nossas vilas, nossas fazendas”, o programa de colonização e germanização da terra conquistada no Leste Europeu não pode ser realizado.

No final: Os “indígenas” do leste europeu eram por um lado os pele-vermelhas, que precisavam ser privados de sua terra, deportados e dizimados; do outro lado eles eram os negros que eram destinados a trabalhar como escravos a serviço de sua raça superior, enquanto os judeus, que eram postos lado a lado dos bolcheviques como responsáveis pelo incitamento das raças inferiores, deveriam ser aniquilados.

Claro, a União Soviética não poderia compartilhar desta concepção de vítimas predestinadas que estava em primeira ordem. É interessante notar que Stalin já entre fevereiro e outubro de 1917 chamava a atenção para o fato de que a Rússia, cansada da guerra sem fim estava correndo risco de se transformar em “uma colônia da Inglaterra, América e França”. A entente ao tentar de qualquer forma levar a cabo a continuação da Guerra na Rússia como se fosse a “África Central”. A Revolução Bolchevique também foi necessária para afastar esse perigo. Após Outubro, Stalin via no Poder Soviético o pioneiro da “conversão da Rússia de uma colônia em um país livre e independente”.

Hitler havia desde o começo planejado assumir novamente a tradição colonial e a implementar no leste europeu, especialmente na Rússia, “barbarizada” pela vitória do Bolchevismo; do outro lado, desde o começo Stalin chamou seu país para enfrentar o perigo da subjugação colonial e interpretada precisamente deste ponto de vista a Revolução Bolchevique.

Mesmo sem qualquer ideia simples, Stalin começou a reconhecer as características essenciais do milênio, que havia acabado de começar. Na onda da Revolução de Outubro, Lenin esperava que o principal ou exclusivo objeto do Século XX seria a batalha entre o capitalismo de um lado e o socialismo/comunismo do outro: O mundo colonial neste meio tempo estava completamente ocupado pelas potências capitalistas e cada nova partilha seguia a iniciativa dos países derrotados ou “em desvantagem” levaria à nova Guerra Mundial e representaria um avanço maior na direção da definitiva destruição do sistema capitalista: A conquista da nova ordem socialista está imediatamente na ordem do dia. Mas Hitler deu um passo inesperado: Ele reconheceu no Leste Europeu e especialmente na Rússia Soviética o espaço livre colonial que estava à disposição do Reich Alemão ainda a ser erguido. De forma similar se comportou o Império Japonês que invadiu a China e a Itália Fascista que (com exceção da Etiópia) mirou os Balcões e a Grécia. Stalin começou a perceber que o século XX seria marcado, contra todas as expectativas, por uma disputa entre o colonialismo e o anticolonialismo (apoiado e promovido pelo movimento comunista) na Europa.

Atualmente foi enfatizado corretamente: “A guerra de Hitler por Lebensraum foi a maior guerra colonial da história”. A Guerra Colonial que foi lançada primeira contra a Polônia. As instruções do Fuhrer na tarde anterior à agressão diziam: A “eliminação das forças vitais” do povo polonês é necessária. Se chama pela “ação brutal”, sem serem inibidos por “empatia”; “o mais forte tem o direito”. Semelhantes são as diretivas que mais tarde a Operação Barbarossa dá: Após o encarceramento dos comissários políticos, os quadros do Exército Vermelho, do Estado Soviético e do Partido Comunista deve ser imediatamente exterminado; no Leste deve se tomar medidas extremas e “duras” e os oficiais alemães e os soldados devem superar suas ressalvas e escrúpulos morais. Por conduzirem de volta os povos de uma velha cultura à situação dos pele-vermelhas (para serem expropriados e dizimados) e dos negros (para serem escravizados) “todos os representantes da intelligentsia polonesa devem ser mortos;” o mesmo tratamento, é claro, a que os russos e a inteligência soviética devem ser submetidos; “isto parece pesado, mas esta é a lei da vida.” É assim que se explica o destino do clérigo católico, dos quadros comunistas na URSS e em ambas as situações, dos judeus, que eram bem representados nas camadas intelectuais e eram suspeitos de inspirarem e apoiarem o Bolchevismo. Hitler foi bem-sucedido em jogar a Polônia contra a União Soviética, mas ele previa o mesmo destino para ambos; mesmo que sob um caminho tortuoso e trágico, a guerra de resistência nacional do povo polonês e a Grande Guerra Patriótica são finalmente relacionadas uma com a outra. O ponto de viragem da "maior guerra colonial da história" é Stalingrado. Se Hitler foi o instigador da contrarrevolução colonial, Stalin foi o instigador da revolução anticolonial que de maneira inesperada encontrou seu centro na Europa.

3. Stalin, Hitler e as minorias nacionais

A definição de Stalin que eu apresentei se contrasta com as políticas que ele levou a cabo no que tange às minorias nacionais? Está além da dúvida que não existe espaço para o direito de retrocesso na concepção de Stalin. Como se confirma na conversa com Dimitrov em 7 de novembro de 1937: “Qualquer um que lance um ataque ao Estado Socialista com seus feitos ou pensamentos será aniquilado sem misericórdia”. Ainda assim são punidos: É uma definição extraordinariamente efetiva mas completamente involuntária de totalitarismo!

Do outro lado, Stalin dá boas vindas e apoia o renascimento cultural das minorias nacionais do Leste Europeu que foram reprimidas por muito tempo. São esclarecedoras as observações feitas por ele no X Congresso do Partido Comunista Russo em 1921: “Cerca de cinquenta anos atrás todas as cidades húngaras tinham um caráter alemão”. Agora se ‘magiarizaram’; os Bielorrussos também tiveram uma experiência de um ‘despertar’. É um fenômeno que se supõe capturar toda a Europa: Da ‘cidade alemã’ que era Riga agora se tornará uma ‘cidade letona’; as cidades da Ucrânia serão ‘ucranizadas’ e farão o elemento russo que anteriormente era dominante, como secundário. E constantemente Stalin polemiza contra os ‘assimilacionistas’, sejam os ‘assimilacionistas turcos’, os ‘prusso-alemães germanizantes’, ou os ‘russificadores czaristas-russos’. Esta posição é portanto particularmente importante porque é ligada à uma elaboração teórica de caráter universal. Em suas polêmicas contra o Kautsky, Stalin enfatiza que o socialismo de nenhuma maneira significa o desaparecimento das línguas nacionais e demais particularidades mas leva a seu maior desenvolvimento e evolução. Qualquer “política assimilacionista” portanto deveria ser condenada como “antipopular” e “contrarrevolucionária”: É particularmente “fatal”, por não compreender o “poder colossal de estabilidade que detém as nações”, “declarar guerra” à cultura nacional” é uma “defesa da colonização.” Quão dramática possa ser a discrepância entre as declarações políticas e as políticas concretamente praticadas, estas declarações nunca são nada e não podem ser nada em um regime político o qual a educação e mobilização ideológica de funcionários e militantes do Partido e doutrinação de massas desempenhou um papel muito relevante.

E novamente o contraste com Hitler se torna aparente. Ele também começa a assumir a Eslavização e a “degermanização” no leste europeu. Mas para ele, isto é um processo que deve ser revertido de qualquer forma. Não é suficiente conter a assimilação linguística e cultural que na verdade representam o “começo da bastardização” e, portanto, de uma “aniquilação dos elementos germânicos”, a “aniquilação de precisamente das propriedades que permitiram aos povos conquistadores de serem vitoriosos”. É preciso germanizar a terra sem nunca germanizar as pessoas. Isso só é possível se a pessoa segue um modelo muito preciso: Para além do Atlântico, a raça branca deve se disseminar pelo Oeste americanizando a terra, mas certamente não os pele-vermelhas: neste sentido os Estados Unidos permaneceram um “estado nórdico-germânico” sem o perigo de caírem em uma “salada de povos internacionais”. O mesmo modelo deve ser seguido pela Alemanha no leste europeu.

4. O papel da Geografia e da Geopolítica

No que tange a atitude em relação à questão nacional, o contraste entre a Rússia Soviética e o Terceiro Reich se confirma. Chegamos a conclusões inteiramente diferentes, no entanto, se nos concentrarmos nas práticas de governo dos dois regimes, que certamente podemos comparar na base da categoria de totalitarismo. E ainda seria enganoso interpretar o terror, a brutalidade, e até a exigência de controlar pensamentos de uma forma psicopatológica.

Não devemos esquecer da doutrina de método que foi desdobrada por um clássico do Liberalismo. No ano de 1787 Alexander Hamilton declarou, às vésperas da passagem a uma nova constituição federal, que a limitação de poder e a introdução do Estado de Direito em dois Estados com caracteres insulares (Grã-Bretanha e Estados Unidos), que são protegidos pelo mar contra qualquer ameaça de potências inimigas, tem sido bem-sucedida. Se o projeto de uma federação tivesse falhado e se sobre suas ruínas tivesse que se destacar os contornos de um sistema de Estados, que se assemelha a aquele, que podemos encontrar no continente Europeu, então mesmo na América haveria fenômenos como de um exército permanente, de um forte poder central e mesmo de absolutismo. “Assim, deveríamos, em escasso tempo, ver estabelecido em cada parte deste país os mesmos mecanismos de despotismo que foram o flagelo do Velho Mundo”. De acordo com Hamilton, se deveria primeiramente possuir campos geográficos e geopolíticos em mente para explicar a permanência ou o desaparecimento das instituições liberais.

Se formos investigar as grandes crises históricas, veremos que todas elas - mesmo se em diferentes medidas - levaram a uma concentração de poder nas mãos de uma personalidade mais ou menos autocrática: A primeira Revolução Inglesa terminou com o poder pessoal de Cromwell, a Revolução Francesa primeiro levou ao poder de Robespierre e em seguida de Napoleão, o resultado da revolução dos escravos negros de São Domingo foi primeiro a ditadura militar de Toussaint Loverture e depois de Dessalines; a Revolução Francesa de 1848 levou ao poder pessoal de Louis Napoleão, ou de Napoleão o Terceiro. A categoria de totalitarismo é de uso em uma comparação analítico das práticas de governo aplicadas em situação mais ou menos aguda de crise. Mas se formos esquecer o caráter formal desta categoria e se a absolutizarmos-na, os irmãos gêmeos correm o risco de se tornarem muito grandes e uma família muito heterogênea.

No que concerne o século XX, houveram inúmeras crises no período de entre a primeira e a Segunda Guerra Mundial que levaram a erigir ditaduras de um homem só. Em um olhar mais atento, este é ainda o destino de quase todos os países da Europa Continental. Com exceção dos países “Ilha-Estado” que Hamilton mencionou. No entanto, embora estes tivessem uma tradição liberal no fundo e desfrutassem de uma situação geográfica e geopolítica particularmente favorável, eles também tinham uma tendência de concentração de poder, de reforçar o poder executivo sobre o poder legislativo, de limitar o Estado de Direito: Nos EUA, um mandado de execução por Franklin Delano Roosevelt foi o suficiente para encarcerar os cidadãos norte-americanos de origem japonesa. Isto significa que a investigação sobre no que a categoria de totalitarismo é fundamentada toca mesmo os países mais discretos

5. "Totalitarismo" e "Autocracia racial global"

Vamos mudar nossa atenção da prática de governo para os objetivos políticos. Mesmo sobre as políticas domésticas, Hitler olhou para os EUA. “Mein Kampf” e ”Hitler’s Zweites Buch” repetidamente alertaram: Na Europa, não é apenas a Rússia Soviética que incita todas as raças de cor à lutarem contra a supremacia branca que é inimigo jurado da civilização e da dominação branca; não devemos perder de vista a França, que subjugou um país branco como a Alemanha à ocupação por tropas de cor. Também devemos olhar diretamente para a “bastardização”, da “negrotização”, da “pretização universal” que está sendo realizada na França, ou mais precisamente no “Estado Mulato afro-europeu” que se expandiu “do Reno para o Congo”. Esta desgraça é positivamente contida no exemplo da “América do Norte” onde os “germânicos” evitaram a “mistura sanguínea de arianos com povos inferiores” e a “desgraça sanguínea” e permaneceram “racialmente puros e não mistos”, razão a qual torna eles capaz de dominarem todo o continente.

O regime de “Supremacia Branca” dominante no Sul dos Estados Unidos é um modelo, já carrega a cultura reacionária que posteriormente levou ao Nazismo. Em uma visita aos EUA no final do século XIX, Friedrich Ratzel, um grande teórico da geopolítica, esboça uma imagem característica: Quando as nuvens de fumaça da ideologia, com sua fidelidade aos princípios de “justiça”, desaparecem o que aparece é a realidade da “aristocracia racial”, tais como a lei de linchamentos contra os negros, “a repressão e a destruição dos indígenas” e a perseguição que os imigrantes do Leste enfrentam. Nos EUA, surge uma situação que “evita a forma da escravidão, mas adere à essência da subordinação, da estratificação social das raças”. Houve uma “regressão” no que tange as ilusões aprazíveis dos abolicionistas e defensores da democracia multirracial dos anos da “Reconstrução”. Tudo isto, que Ratzel compreende com uma visão perspicaz, terá consequências que vão além da república norte-americana: “Apenas vemos o nascimento das repercussões que esta regressão terá na Europa e até mais na Ásia”.

Posteriormente, o vice-cônsul da Áustria-Hungria em Chicago também aponta para a contrarrevolução em curso nos EUA e ao seu caráter caritativo e instrutivo. A Europa aqui tem um atraso, porque aqui os negros das colônias são bem-vindos como uma “iguaria”: Que diferença do comportamento do “orgulho americano da pureza de sua raça”, que evita o contato com não-brancos usando critério para estes como aqueles que em cujas veias passem apenas “uma gota de sangue negro”! Bem, “se a América pode em alguma coisa ensinar a Europa, é na questão negra e racial”.

Como ambos dos autores citados aqui previram, a contrarrevolução racista que pôs um fim à democracia multirracial dos anos da “Reconstrução” nos EUA, na verdade atravessa o Atlântico. Alfred Rosenberg por exemplo saudou os Estados Unidos como o “maravilhoso país do futuro”: Ao limitarem os direitos civis aos brancos e fortalecendo em todos os níveis e de todas as formas a “Supremacia Branca”, merecem o mérito de terem formulado a feliz “nova ideia de Estado-racial”: Sim, “a questão negra está na vanguarda de todas as outras questões nos EUA;” e se for abandonado o princípio absurdo de igualdade para os negros, então se desenharia no cenário “as consequências necessárias disso para os amarelos e judeus”.

Apenas à primeira vista, está é uma explicação surpreendente. No começo do século XX, nos anos de formação do movimento Nazi na Alemanha, a ideologia dominante nos Estados Sulistas dos EUA encontrou sua expressão nos “Jubileus da Supremacia Branca”, onde pessoas armadas de uniforme marchavam, inspirados pelo “credo racial do povo sulista”. Aqui está a formulação deles: “1. O sangue dará a resposta. 2. A raça branca deve dominar. 3. Os povos Teutônicos defendem a pureza racial. 4. O negro é inferior e permanecerá assi,. 5. Este é um país do homem branco. 6. Sem igualdade social. 7. Sem igualdade política. 8. Sobre os direitos civis, dar ao homem branco, diferente do homem de cor, o benefício da dúvida; e sob nenhuma circunstância interferir no prestígio da raça branca. 9. Em política educacional, deixar o negro ter as migalhas que caem da mesa do homem branco. 10. Deixar ter uma educação industrial para os negros de forma que faça ele servir melhor ao homem branco. [...]14. Deixar o homem branco na menor posição social contar por mais do que o negro na mais alta posição. 15. As declarações acima indicam a direção da Providência."

Sem dúvida aqui isso nos leva a uma proximidade com o Nazismo. Principalmente porque no Sul dos EUA comprometido com este catecismo, que expressivamente exigem “para o Inferno com a Constituição”, apenas para levar a cabo na teoria e prática a absoluta “superioridade os Arianos” e para fugir da “HEDIONDA, ALARMANTE, AMEÇA NACIONAL” dos negros. Aterrorizado como está, “o negro não fará nenhum mal”, algumas vozes críticas ocasionais e ainda assim, as gangues racistas estão prontas “para mata-lo e fazê-lo desaparecer da face da terra; estão decididas a fazer erigir uma “autocracia racial global”, com a “identificação absoluta da raça mais forte com a própria existência do Estado”.

O que nomeia mais adequadamente o Terceiro Reich: a categoria de “totalitarismo” (que aproxima Hitler de Stalin) ou a categoria de “autocracia racial global” (que se refere ao regime de “Supremacia Branca” que reinava nos Estados do Sul dos EUA mesmo na época da tomada do poder de Hitler na Alemanha)? Uma coisa é clara: não se pode entender o vocabulário nazista adequadamente se olharmos apenas para a Alemanha. O que é a “desgraça sanguínea” da qual o ‘Mein Kampf’ alerta - como vimos - se não a “miscigenação” que é condenada também pelos instigadores da “Supremacia Branca”? Mesmo o termo-chave da ideologia nazista “subhumano” [Untermensch] é uma tradução do termo dos Estados Unidos “Under Man”!

Isto é enfatizado em 1930 por Alfred Rosenberg que expressa sua admiração pelo autor estadunidense Lothrop Stoddard: Este último teve o mérito de ser o primeiro a cunhar a noção em questão que surge como um subtítulo ("A Ameaça do sub-humano”) de seu livro que apareceu em Nova York em 1922 e três anos mais tarde, em uma tradução alemã em Munique (“The Drohung des Untermenschen”). O “Subhumano”, respectivamente o Untermensch é o que ameaça a civilização e para evitar este perigo precisamos de uma “autocracia racial global”! Se partirmos daqui ao invés da categoria de totalitarismo, é auto sugestivo que se considera não Stalin e Hitler, mas ao invés deles, os supremacistas brancos dos Estados Sulistas dos EUA e os nazistas alemães como irmãos gêmeos. E Stalin se opõem a ambos, que não por menos foi algumas vezes foi saudado por militantes afro-americanos como o “novo Lincoln”.

6. Duas guerras para restaurar a dominação colonialista e escravista

Certamente o Pacto Ribbentrop-Molotov ainda deve ser explicado. A URSS se esforça não como a primeira, mas como a última a fazer um acordo com o Terceiro Reich. Mas aqui, eu, como um filósofo que é conduzido da análise das categorias políticas para a comparação histórica, gostaria de fazer uma consideração diferente. Quase um século e meio antes da guerra lançada por Hitler para subjugar e escravizar os povos do leste europeu, certamente havia outra grande guerra em outro contexto histórico cujo objetivo era a restauração da dominação colonial e da escravidão. Foi a campanha comandada por Napoleão e confiada a seu irmão-de-lei, Charles Leclerc, contra San Domingo, a ilha governada pelo líder da revolução vitoriosa dos escravos negros, Toussaint Louverture. Mesmo após 29 de agosto de 1793, o dia em que L.F. Sonthonax, o representante da França revolucionária proclamou a abolição da escravidão na ilha, Loverture continuou a lutar ao lado da Espanha; porque ele era suspeito na França, o líder negro que colaborou por muito tempo com um país detentor de escravos do Ancien Régime, que levou uma guerra contra a República Jacobina e o poder abolicionista, que ao mesmo tempo havia se estabelecido em São Domingo. Mesmo em 1799, ele teve que, para salvar o país do colapso econômico, começar a fazer relações comerciais com a Grã-Bretanha que se jogou em uma guerra contra a França e uma possível vitória da Inglaterra acabaria por ter efeitos bastante negativos no projeto abolicionista. E ainda assim, Toussaint Loverture sempre permaneceu o grande protagonista das revoluções anticolonial e abolicionista e o antagonista de Leclerc (e de Napoleão). Apesar da situação histórica completamente transformada, um século e meio depois, não há nenhuma razão para se abordar Stalin de forma diferente: a tortuosidade dos processos históricos não deve nos fazer perder de vista o essencial.

Mesmo antes da invasão francesa e prevendo-a, Toussaint Loverture impôs uma ditadura produtivista implacável e reprimiu com mão de ferro todos os desafios e ataques a seu poder; depois, a chegada das tropas francesas lideradas por Leclerc foi o começo de uma guerra que no final se tornou uma guerra de extermínio em ambos lados. O que deveríamos dizer sobre uma interpretação desta guerra que categoriza Louverture e Leclerc sob a categoria de “totalitarismo” para contrapor ambos aos liberais e à liderança democrática dos EUA? Por um lado, esta caracterização seria banal: O terror é óbvio em um conflito que no final se torna uma guerra racial; do outro lado seria extremamente distorcido: seria colocar os inimigos da escravidão e os donos de escravos no mesmo nível e omitir que os donos de escravos encontraram inspiração e apoio nos EUA onde a escravidão negra vivia e muito bem. A categoria de totalitarismo não se torna mais convincente se for empregada como único critério de interpretação para um conflito gigantesco entre a revolução anticolonial e a contrarrevolução colonial, defendendo a escravidão, que se desencadeou na primeira metade do século XX. É evidente que este é um capítulo da história que necessita investigação profunda de todos os tipos e torna inevitável interpretações controversas; mas não há nenhuma razão para ainda transformar dois inimigos mortais em irmãos gêmeos.

Notas:

1 Tendulkar 1990, p.210

2 Gandhi 1969-2001, Vol. 80, p. 200 (Answers to Questions, 25. April 1941) and vol. 86, p. 223 (Interview with Ralph Coniston in April 1945).

3 James 1963, p. 310 (Addition of 1963 to the original edition of 1938).

4 Torri 2000, p. 598.

5 In Mukerjee 2010, p. 78 and pp. 246-47).

6 De Gasperi 1956, p. 15-16.

7 Fredrickson 2002, p. 2 and p. 124.

8 Trans. German Emergency League against the Disgrace of the Blacks.

9 Longerich 2008, p. 66/Longerich 2012, p. 51

10 Ibid.

11 Goebbels 1992, pp. 1747-48.

12 Spengler 1933, p. 150.

13 Hitler 1939, pp. 153-54.

14 Hitler 1980, p. 377 and p. 334 (Conversations of the 30th August of 1942 and of 8th August of 1942).

15 Trans. Herrentum,

16 Himmler 1974, p. 156 and p. 159.

17 Stalin 1917.

18 Stalin 1917a.

19 Stalin 1920.

20 Olusoga, Erichsen 2011, p. 327

21 Hitler 1965, see the speeches from the 22th of August 1939, from the 28th of September 1940 and from the 30the March and 8th November 1941.

22 Dimitroff 2000, p. 162

23 Stalin 1921.

24 Stalin 1927.

25 Hitler, 1939, p. 82 and pp. 428-29.

26 Hitler, 1961, p. 131-32.

27 Hamilton 1987.

28 Hitler 1961, p. 52; Hitler 1939, p. 730.

29 Hitler 1939, pp. 313-14.

30 Rosenberg 1937, p. 673 and pp. 668-69.

31 In Woodward 2013, p. 350 and pp. 355-56.

32 In Woodward 2013, p. 352-53.

33 What concerns Ratzel, the vice consul in Chicago and Stoddard, see Losurdo 2007b, p. 164-65 and pp. 159.

34 Losurdo 2012, chapter 6, § 8.

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