13 de março de 2016

Por que os socialistas falam tanto sobre trabalhadores?

Os trabalhadores estão no coração do sistema capitalista. E é por isso que eles estão no centro da política socialista.

por Vivek Chibber

Jacobin

Ilustração por Phil Wrigglesworth

Tradução / A maioria das pessoas sabe que os Socialistas colocam a classe trabalhadora no centro de sua visão política. Mas por quê, exatamente? Quando faço essa pergunta a estudantes ou mesmo para ativistas, recebo toda uma variedade de respostas, mas a mais comum é sobre moral – socialistas acreditam que os trabalhadores sofrem demais sob o capitalismo, fazendo seus apuros a questão mais importante para se focar.

Agora é verdade, claro, que os trabalhadores encaram todo tipo de indignidades e privação material, e qualquer movimento por justiça social tem de tomar isso como uma questão central. Mas se isso é tudo, se esta é a única razão para que devamos nos focar em classes, o argumento desmorona muito facilmente. Afinal, há muitos grupos que sofrem indignidades e injustiças – minorias raciais, mulheres e pessoas com deficiência. Por que falar separadamente de trabalhadores? Por que não dizer apenas que todos os grupos marginais e oprimidos tem de estar no coração da estratégia socialista?

Ainda existe mais sobre por que se focar nas classes do que apenas o argumento moral. A razão para que os Socialistas acreditem que a organização de classe tem de estar no centro de uma estratégia política viável tem também a ver com dois fatores práticos: um diagnóstico de quais são as fontes de injustiças na Sociedade moderna, e um prognóstico de quais são as melhores alavancas para mudança numa direção mais progressista.

O capitalismo não vai dar conta

Existem muitas coisas de que as pessoas precisam para terem vidas decentes. Mas dois itens são absolutamente essenciais. O primeiro é alguma garantia de segurança material – coisas como ter uma renda, moradia, e cuidados de saúde básicos . O segundo é ser livre de dominação social – se você está sob o controle de outra pessoa, se eles fazem muitas das decisões principais por você, então você está constantemente vulnerável ao abuso. Assim, em uma sociedade em que a maioria das pessoas não tem segurança no emprego, ou tem empregos mas não conseguem pagar suas contas, em que elas tem de se submeter ao controle de outras pessoas, em que elas não tem uma voz em como as leis e regulações são feitas – é impossível atingir justiça social.

O Capitalismo é um sistema econômico que depende da privação da vasta maioria das pessoas dessas precondições essenciais para uma vida decente. Os trabalhadores aparecem para trabalhar todos os dias sabendo que eles tem pouca segurança no emprego; que eles são pagos o que os empregadores sentem que é consistente com a sua prioridade principal, que é conseguir lucros, não o bem-estar de seus empregados; eles trabalham em um ritmo e duração que é definido pelos seus chefes; e eles se submetem a estas condições, não por que eles queiram, mas por que para a maioria deles a alternativa a aceitá-las seria simplesmente não ter emprego algum. Este não é um aspecto casual ou marginal do Capitalismo. É a característica definidora do sistema.

O poder econômico e político está nas mãos dos Capitalistas, cujo único objetivo é maximizar os lucros, o que significa que a condição dos trabalhadores é, na melhor das hipóteses, uma preocupação secundária para eles. E isso significa que o sistema é, em seu próprio núcleo, injusto.

Segurando a alavanca

Segue que o primeiro passo para tornar a nossa sociedade mais humana e justa é reduzir a insegurança e a privação material nas vidas de tantas pessoas, e aumentar o escopo para a auto-determinação. Mas nós imediatamente damos de cara com um problema – a resistência política das elites.

O poder não é distribuído igualmente no Capitalismo. Capitalistas decidem quem é contratado e despedido, e quem trabalha e por quanto tempo, não trabalhadores. Capitalistas também possuem o maior poder político, por que eles podem fazer coisas como lobby, financiar campanhas políticas, e dar suporte financeiro para partidos políticos. E como eles são os que se beneficiam do sistema, por que eles encorajariam mudanças nele, mudanças que inevitavelmente significam uma diminuição em seu poder e seu balanço financeiro? A resposta é que eles não encaram desafios gentilmente, e eles fazem o seu melhor para manter o status quo.

Movimentos por reformas progressistas têm descoberto, vez após outra, que sempre que eles tentam pressionar por mudanças na direção de justiça, acabam indo de encontro ao poder do Capital. Quaisquer reformas que requeiram uma redistribuição de renda, ou que venham do governo como uma medida social – seja em cuidados de saúde, regulações ambientais, salários mínimos ou programas.

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