Twilight of the Dons, o estudo brilhante do historiador Colin Kidd sobre as universidades de elite da Grã-Bretanha, abre uma janela para um mundo perdido no qual, por um breve período, a democracia de massa se aliou à ideia da vida acadêmica como uma vocação acessível a qualquer pessoa.
Anna Dumont
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| Tornou-se moda, tanto na esquerda quanto na direita, atacar as universidades como redutos da elite. No entanto, em sua melhor forma, elas representam um modelo de mundo impulsionado não por exigências restritas de eficiência ou lucro, mas pela curiosidade e pela busca descompromissada de ideias. (Kurt Hutton / Picture Post / Hulton Archive / Getty Images) |
Resenha de Twilight of the Dons: British Intellectuals from World War II to Thatcherism, de Colin Kidd (Princeton University Press, 2026)
“A aura de superioridade moral deles é, na verdade, a presunção de que sempre haverá outra pessoa para preparar o jantar deles”, escreveu o historiador A. J. P. Taylor em 1957 sobre o establishment britânico — um grupo a que ele frequentemente se referia como “A Coisa”. Esse termo não se aplicava a ninguém com tanta propriedade quanto aos professores universitários de Oxford e Cambridge. Essas duas universidades, após duas guerras mundiais e décadas de convulsão social, continuam a abrir caminho para a elite do país.
A aversão a Oxbridge — vista como um celeiro de esnobismo, o motor do sistema de classes britânico ou uma escola de formação para os administradores do império — já era comum muito antes de Taylor escrever sobre o assunto. No entanto, Taylor escrevia como alguém de dentro, e sua crítica era feita com um espírito de familiaridade afetuosa. Ele próprio era um professor universitário; por quase quarenta anos, ocupou seu lugar diário na mesa principal do Magdalen College, em Oxford. Ele propôs que a capela do Magdalen fosse transformada em piscina e (com mais sucesso) que as mulheres fossem admitidas, primeiro para fazer refeições e depois para estudar na faculdade.
Sua “iconoclastia” não o impediu de ficar horrorizado ao retornar, após a aposentadoria, e descobrir que o jantar na faculdade havia sido reduzido a parcos três pratos. Filho de um membro da Comintern, Taylor causou escândalo no início da década de 1960 ao escrever um livro que atribuía a Segunda Guerra Mundial a um acidente diplomático, e não à tentativa de Adolf Hitler de alcançar a dominação global. Essa convicção acadêmica no poder histórico da incompetência levou-o a tornar-se membro fundador da Campanha pelo Desarmamento Nuclear, dedicada a evitar a aniquilação do mundo decorrente de deslizes semelhantes.
Figuras como Taylor, que trilharam caminhos heterodoxos tanto nas instituições seculares quanto na vida pública, estão no centro da nova obra de Colin Kidd sobre a história do professor universitário no século XX. O livro de Kidd é algo raro: uma história generosa e ponderada sobre um tema capaz de levar os britânicos à loucura. Alvo tanto da esquerda quanto da direita, a lenda em torno desses professores tende, como observa Mary Beard, a “reforçar simultaneamente a nostalgia por um mundo intelectual de lazer que gostamos de imaginar ter perdido e a alimentar um anti-intelectualismo grosseiro que erradicaria todos esses luxos supérfluos”. Kidd consegue evitar essa batalha acirrada. Em vez disso, ele aborda uma trajetória que vai do período de vitalidade e confiança do pós-guerra imediato, passando pelo movimento estudantil e pela austeridade thatcherista, até o momento em que, já na década de 1990, o papel do professor universitário — e da própria Oxbridge — na sociedade britânica havia sido reduzido.
O establishment bélico
Durante grande parte do século XX, Oxford e Cambridge pouco se assemelhavam às universidades modernas. Assim como em grande parte da Europa continental, o doutorado não era um pré-requisito para o ensino universitário, e muitos dos professores eram contratados por terem demonstrado potencial ainda na graduação. Ambas as universidades cultuavam excessivamente os estudos clássicos; o latim e o grego eram exigidos até mesmo de estudantes de ciências exatas e naturais até 1960. O modelo de ensino em regime de residência preservava a forma — se não o conteúdo propriamente dito — de uma vida religiosa monástica. Até a década de 1880, os professores eram proibidos de se casar, e a pressão social para manter o celibato persistiu fortemente até bem avançado o século passado. Para as mulheres, lidar com essas expectativas era muito mais difícil. "Se você precisa ter filhos, por favor, certifique-se de tê-los durante as férias universitárias", recorda-se uma professora do St Anne’s College, em Oxford, de ter ouvido no início da década de 1950.
Com estudiosos de línguas mortas decifrando códigos em Bletchley e saltando de paraquedas em Creta, atrás das linhas inimigas, a "torre de marfim" passou a se parecer mais com um posto de observação na linha de frente.
A guerra, no entanto, lançou esses acadêmicos no mundo. O filósofo Michael Oakeshott comandou um esquadrão de reconhecimento nos Países Baixos. O domínio impecável do grego moderno pelo especialista em estudos clássicos Peter Fraser permitiu-lhe sobreviver a um interrogatório da Gestapo após ser preso enquanto organizava a resistência guerrilheira no Peloponeso. J. L. Austin, famoso pela filosofia da linguagem ordinária, mapeou meticulosamente a topografia da Normandia antes do Dia D e escreveu um guia confidencial das forças armadas sobre o norte da França, com o título tipicamente acadêmico de Invade Mecum (um trocadilho com o termo latino do século XVII para manuais, vade mecum, ou "venha comigo"). Serviços menos heroicos foram igualmente fundamentais para o esforço de guerra britânico, inclusive em seus aspectos mais sombrios: o físico Frederick Lindemann, que criou a Seção de Estatística em Downing Street, foi a voz mais influente a defender o bombardeio em massa de áreas civis na Alemanha e na Itália.
A expertise técnica e árida dos acadêmicos ganhou vida subitamente em escala internacional: Guy Chilver, um pesquisador de Oxford especializado na história da alimentação na Antiguidade, foi designado para o Ministério da Alimentação, onde se juntou a outro colega de Oxford, o economista agrícola Keith Murray. Glyn Daniel ofereceu à Força Aérea Real (RAF) sua experiência em interpretação de fotografias aéreas — adquirida como arqueólogo na busca por estruturas monumentais antigas. Suas habilidades de interpretação foram tão bem-sucedidas que ele foi enviado à Índia para estabelecer uma escola de treinamento completa voltada para o teatro de operações asiático.
A guerra tornou evidente o “impacto” (como a academia moderna agora exige que o expressemos) das universidades medievais. Com especialistas em línguas mortas decifrando códigos em Bletchley e saltando de paraquedas em Creta, atrás das linhas inimigas, a “torre de marfim” passou a se assemelhar mais a um posto de observação na linha de frente. Objetivos militares e investigação acadêmica entrelaçaram-se: o livro de grande sucesso de Hugh Trevor-Roper, Os Últimos Dias de Hitler, foi fruto de seu trabalho para o MI5; preocupada com as repercussões políticas de rumores de que Hitler ainda estaria vivo, a contrainteligência britânica enviou Trevor-Roper à Alemanha para reconstituir os dias finais do líder nazista.
Tudo isso gerou uma classe intelectual incomumente entrelaçada com as elites políticas. Transitando com facilidade, em muitos casos, entre ministérios do governo e salas de aula, os acadêmicos constituíam — segundo Kidd — “uma casta altamente incomum”, singular em sua proximidade com as classes dominantes, em contraste com as intelligentsias de caráter oposicionista predominantes no restante da Europa. As inclinações políticas de esquerda que muitos desses acadêmicos nutriam antes da guerra foram efetivamente neutralizadas por sua atuação no conflito, o que trouxe consequências graves para a esquerda britânica como um todo.
Kidd retrata um ambiente de convivência harmoniosa em relação à religiosidade do pós-guerra nas faculdades de Oxford e Cambridge. O anglicanismo, intrinsecamente ligado à estrutura institucional das faculdades e à vida social cotidiana — como a obrigatoriedade de frequentar a capela —, sofria apenas as críticas ocasionais de algum ateu ou católico dissidente; no entanto, ambos os grupos compreendiam que a verdadeira norma de conduta era a cortesia social. O professor de estudos clássicos e político trabalhista Richard Crossman observou que, ou se prestava uma adesão meramente formal aos ritos anglicanos, ou "você se isolava e cavava a própria cova". J. H. Plumb, um ateu convicto cujos aposentos ficavam a uma distância que permitia ouvir a capela, contentava-se em preparar seu banho e dar descarga no banheiro durante a missa. Que tipo de situação isso criava para os não cristãos na faculdade — especialmente os judeus, que permaneciam visivelmente à margem desses eventos centrais da vida social e da organização espacial — é algo que fica subentendido na narrativa de Kidd.
Balliol-à-beira-mar
A década de 1960 chegou de forma gradual para os professores universitários. A televisão exercia um fascínio especial. O historiador do pensamento político de Cambridge, Peter Laslett — apontado por Kidd como uma das figuras mais ambiciosas na reformulação do ensino superior britânico em meados do século —, criou o Comitê de Televisão da Universidade de Cambridge. Ele realizou experimentos com transmissões de aulas via circuito fechado para outras universidades e interfaces de transmissão bidirecional para pesquisas simultâneas. Laslett e seus colegas dedicaram-se a conceber novos modelos universitários, aos quais deram nomes cada vez mais metafísicos: a "Invisible College Cambridge" (conhecida pelo nome menos evocativo de National Extension College) oferecia cursos por correspondência para adultos, enquanto a Open University — proposta originalmente por Harold Wilson como a "University of the Air" — começou a operar por meio da televisão.
A Open University foi precedida pela "Dawn University", uma série de aulas televisionadas às 7h15 da manhã sobre "a matemática da violência". Ambas foram seguidas pela "University of the Third Age", uma instituição não hierárquica voltada para idosos, na qual os alunos mais velhos podiam compartilhar sua experiência de vida, atuando tanto como professores quanto como estudantes. O Balliol, em particular, disseminou seus professores por diversas novas instituições. A. D. Lindsay, que havia sido diretor da faculdade, abriu mão de seu cargo confortável para assumir a liderança do University College of North Staffordshire, onde moldou o currículo com base no curso de "Modern Greats" (Filosofia, Política e Economia) de Oxford. O filósofo John Fulton também partiu para dirigir o University College de Sussex (mais tarde Universidade de Sussex), onde implementou o ensino de filosofia, artes, história, estudos clássicos e línguas com uma abordagem centrada nas civilizações, o que rendeu à nova universidade o apelido de "Balliol-à-beira-mar".
Na década de 1960, havia recursos americanos em abundância para financiar muitos desses projetos de expansão. A amizade de Isaiah Berlin com Arthur Schlesinger Jr. — fruto de visitas acadêmicas a Harvard — evoluiu para um relacionamento com os irmãos Kennedy, a quem ele deu aulas sobre a história intelectual russa. A ligação com os Kennedy abriu as portas para a Fundação Ford, que financiaria o Wolfson College, o projeto de Berlin para uma nova instituição de pós-graduação em Oxford. No entanto, o fluxo de acadêmicos que viajavam aos Estados Unidos de pires na mão levava Berlin a refletir: "Sinto realmente que nos tornamos gregos absolutamente venais, indo a Roma em todas as oportunidades possíveis", escreveu ele a Noel Annan em 1964.
Dois Oswalds
O fascínio transatlântico não se limitava aos talões de cheques. Um desvio curioso no relato de Kidd aborda o período em que os clubes de jantar e as salas de convivência de Oxbridge se tornaram um celeiro de teorias alternativas sobre o assassinato de John F. Kennedy. Professores universitários de destaque juntaram-se ao coro britânico de críticos da Comissão Warren, defendendo a tese de que Lee Harvey Oswald não agira sozinho, enquanto o meio acadêmico americano, em grande parte, alinhava-se ao sentimento interno de unidade nacional. Já idoso, Bertrand Russell (Trinity, Cambridge) presidiu a comissão britânica de investigação Who Killed Kennedy Inquiry, criada em 1964, cujos membros incluíam Herbert Read, Kenneth Tynan, Michael Foot, William Empson e Hugh Trevor-Roper.
Trevor-Roper foi além, tornando-se a face do ceticismo britânico em relação à versão oficial sobre Oswald. Ele publicou questionamentos sobre os registros da autópsia de Kennedy e acusou erroneamente a polícia de destruir o invólucro de papel da arma de Oswald — em veículos como o Sunday Times, a New York Review of Books e a revista francesa L’Express —, atraindo a crítica de seu colega historiador John Sparrow (All Souls, Oxford). Sparrow ironizou a situação, observando que "não é a primeira vez que uma figura respeitada passa por um vexame público ao tropeçar em um saco de papel". O ex-professor Stuart Hampshire, então em temporada em Princeton, promoveu a teoria dos "dois Oswalds", segundo a qual um sósia do atirador teria sido visto em vários locais importantes nos meses que antecederam o assassinato.
O debate britânico chegou às páginas americanas da revista Playboy, onde Mark Lane — o crítico interno mais proeminente do Relatório Warren — afirmou que Trevor-Roper havia recebido um bilhete de Bobby Kennedy incentivando-o a "continuar o bom trabalho" de questionar o consenso sobre a existência de um atirador solitário.
Para constrangimento geral, o bilhete jamais existiu; pior ainda: o boato que Lane repassava vinha de ninguém menos que Lady Alexandra Haig, esposa de Trevor-Roper. Trevor-Roper escreveu em particular a Sparrow, pedindo pessoalmente que o assunto do bilhete fantasma de Bobby fosse encerrado, visto que a história surgira a partir de "uma observação indiscreta — não feita por mim, mas por outra pessoa na minha presença que havia entendido os fatos de forma errada" — um pedido que Sparrow atendeu. Enquanto os acadêmicos se digladiavam sobre a questão na imprensa internacional, com um volume crescente de palavras, eles também agiam conforme seu padrão habitual: recompondo laços de forma corporativista e adotando posturas ambíguas nos bastidores.
Como figuras externas, esses acadêmicos poderiam servir de contrapeso ao consenso americano no novo cenário político do pós-guerra; contudo, seus próprios pequenos círculos continuavam sendo o verdadeiro centro de seu mundo.
O que exatamente você quer dizer?
O valor supremo nesse mundo insular era o estilo. Kidd é um observador perspicaz da importância da agilidade de espírito nas conversas dentro da cultura intelectual dos professores universitários. A área de especialização de cada um não era assunto para a mesa principal do refeitório; conversas linguisticamente imprecisas ou enfadonhas provocavam a pergunta "O que exatamente você quer dizer?" — um tique que Kidd atribui à filosofia da linguagem comum. A rapidez de raciocínio era tão importante quanto a competência acadêmica. Essa tradição de embates verbais — que vai das aulas particulares e palestras até a BBC — serve para compensar, pelo menos em parte, outras tendências à hierarquia acadêmica. Anos atrás, eu conversava com um amigo formado em Cambridge que havia acabado de voltar de um congresso de doutorandos americanos. "Mas por que", perguntou ele, "eles têm tanto medo de falar?"
O livro subordina cuidadosamente as idiossincrasias pessoais dos professores à sua narrativa histórica e estrutural mais ampla. E, no entanto, suas excentricidades constituem um dos grandes prazeres da obra. Eis o antropólogo Rodney Needham, cuja devoção afetada ao vestuário o levava a atravessar a rua para evitar colegas sem gravata, interpretando a nudez de seus colarinhos como um sinal de que desejavam evitar contato público. Eis professores apaixonados por balonismo, cartas de tarô e pela Princesa Margaret.
Kidd aborda até mesmo (talvez especialmente) os casos mais extremos de autocaricatura com delicadeza; o historiador de Cambridge J. H. Plumb é apresentado inicialmente chegando para seu exame de admissão em 1929, apenas para perceber que estava vestido — com suas melhores roupas de classe média baixa — exatamente como um porteiro da faculdade, o que confere um certo tom de melancolia à sua posterior inclinação para um esnobismo agressivo. A teoria histórica de Kidd está em sintonia com as oscilações dos corações, egos e estômagos de seus personagens; o tédio de Hugh Trevor-Roper com suas marmitas, durante um período sabático na Biblioteca Clark, em Los Angeles, leva-o a buscar as emoções da polêmica em torno do assassinato de Kennedy.
Não eram apenas os hábitos de comportamento, mas também os hábitos mentais que uniam os professores — no auge de sua influência, nas décadas do pós-guerra — em uma unidade decisiva. Os Estudos Clássicos permaneciam como a principal preocupação intelectual de ambas as universidades. A sociologia, então em plena ascensão, enfrentou forte resistência, sendo considerada uma mistura de observações óbvias sobre as massas populares — revestidas de um jargão mortalmente entediante — e uma combinação deselegante e politicamente perigosa de "sexo e socialismo".
A recepção do estruturalismo francês de Claude Lévi-Strauss foi muito mais tumultuada. A relação entre os fatos empíricos e a arquitetura teórica do antropólogo francês representava um problema que seus defensores ingleses — notadamente Needham (Merton, Oxford) e Edmund Leach (King’s, Cambridge) — empenharam-se em resolver minuciosamente, perdendo-se em discussões pedantes e excessivamente detalhistas sobre as diferenças entre prescrição e preferência nas práticas de casamento entre primos. No entanto, foi o próprio Lévi-Strauss quem se voltou contra seus seguidores ingleses, perplexo com a obsessão deles pela terminologia. Ele declarou guerra aberta ao seu grupo de tradutores ingleses, por acreditar que eles haviam compreendido de forma fundamentalmente equivocada a essência de seu projeto teórico. Com o tempo, até mesmo seus defensores mais fervorosos o rejeitaram, transformando o eixo Oxford-Cambridge em um reduto de resistência ao estruturalismo francês em geral e a Lévi-Strauss em particular. Mary Douglas, antropóloga da religião formada em Oxford e autora de sua própria teoria sobre tabus, chegou a dizer que Lévi-Strauss situava-se em algum ponto entre a "frenologia e o Homem de Piltdown".
Panfletos e visitantes noturnos
Professores universitários posicionaram-se em lados opostos nas disputas políticas de 1968. As revoltas estudantis em ambos os campi careciam da veemência observada em Paris e Berkeley, mas, ainda assim, abalaram normas de longa data. Em junho daquele ano, enquanto estudantes da Sorbonne forçavam a saída temporária de Charles de Gaulle da cidade, duzentos alunos de Oxford ocuparam o edifício Clarendon — sede do departamento disciplinar da universidade — para exigir o direito de distribuir panfletos sem autorização prévia. O confronto mais violento ocorreu em fevereiro de 1974, quando o historiador Penry Williams foi jogado escada abaixo no prédio da Faculdade de História Moderna por um grupo de estudantes que exigia a criação de um sindicato estudantil centralizado (Williams estava longe de ser um reacionário, tendo passado os últimos anos de sua vida auxiliando requerentes de asilo locais).
Foi a ditadura militar na Grécia que provocou o maior confronto em Cambridge: em 1970, uma multidão invadiu o hotel Garden House para interromper um evento de turismo patrocinado pela junta militar e destinado a agentes de viagens locais. Um professor encarregado da fiscalização disciplinar foi atingido por um tijolo, e oito estudantes manifestantes foram condenados à prisão. Durante o julgamento, os alunos receberam o apoio de vários membros do corpo docente, incluindo o historiador John Vincent, que havia cedido suas dependências no Peterhouse para a instalação dos alto-falantes usados pelos estudantes na manifestação. Os vínculos com o mundo clássico permaneceram mais fortes do que os professores temiam quando aboliram a exigência da língua grega — embora talvez não no sentido exato que haviam imaginado.
O governo, no entanto, foi movido por um medo do radicalismo estudantil totalmente desproporcional aos sucessos limitados do movimento; em um episódio vergonhoso, o ativista socialista alemão Rudi Dutschke — que viera a Cambridge para uma pesquisa de doutorado e para se recuperar após sobreviver a vários tiros na cabeça em uma tentativa de assassinato — foi deportado devido a um pânico infundado de que ele estaria tramando uma revolução nos intervalos entre suas convulsões (Dutschke viria a morrer afogado na banheira durante uma crise epiléptica na Alemanha, oito anos mais tarde).
De modo geral, as reivindicações estudantis em Oxbridge permaneceram triviais: a flexibilização de códigos de vestimenta, regulamentações sobre ruído e a questão recorrente do sexo, na forma de direitos de receber visitantes para pernoite. Como observa Kidd, a resistência enfrentada pelos estudantes decorria frequentemente do distanciamento entre a cidade e a universidade, e não de um institucionalismo reacionário; No Queens, em Cambridge, foram as camareiras da classe trabalhadora que se opuseram à presença de hóspedes que passassem a noite nos quartos do colégio.
Muita singularidade
Kidd situa o crepúsculo dos acadêmicos de Cambridge — os dons — nos anos 1980. Na era Thatcher, o socialismo cristão discreto de muitos desses professores havia degenerado no fenômeno "extravagantemente barroco" do marxismo Tory; seus adeptos adotavam métodos de análise histórica materialista em prol da preservação do poder estatal. Roger Scruton, John Casey e Maurice Cowling, na vanguarda da direita de Cambridge, opunham-se à fetichização do mercado, apontando o que consideravam um erro fundamental na aceitação, por parte de Friedrich Hayek, da premissa liberal de sobrepor o indivíduo às instituições.
À medida que a autoconfiança gerada pela atuação dos acadêmicos durante a guerra se dissipava, também se desfazia o consenso de que o conflito em si havia sido um triunfo. Correlli Barnett (ligado a Churchill e Cambridge), por exemplo — responsável por nada menos que o Arquivo Churchill —, acusava o idealismo social do período de guerra de ter fomentado uma cultura econômica lenta e desorganizada, incapaz de fazer frente aos alemães caso não houvesse a intervenção de americanos e russos.
Para Kidd, a ascensão da direita de Cambridge é interessante menos por sua influência efetiva na política britânica do que como sintoma de "um afastamento do consenso do pós-guerra e da autoridade, até então incontestada, de um liberalismo acadêmico onipresente". Contudo, mesmo os professores mais ostensivamente conservadores permaneciam defensores ferrenhos dos privilégios de Oxbridge, resistindo a tentativas externas de interferência do governo nos assuntos universitários. A aversão de Maurice Cowling por seus colegas liberais não o impediu de escrever que, para que o ensino superior britânico tivesse alguma relevância intelectual, "era preciso tolerar muita singularidade". A cultura daqueles acadêmicos podia ser exasperantemente retrógrada, mas constituía um pré-requisito necessário para o pensamento instigante.
Embora seja fácil detestar os acadêmicos de toga, a história de Kidd serve como um lembrete de que algo corre o risco de se perder no ocaso cultural desses professores universitários.
A resistência dos professores de Oxford e Cambridge em serem enquadrados em novas normas atingiu o auge em janeiro de 1985, quando a Congregação de Oxford votou, por dois votos a um, contra a concessão de um título honorário em Direito Civil a Margaret Thatcher — uma honraria que, até então, era concedida rotineiramente a primeiros-ministros formados em Oxford. O incidente foi duramente criticado pela imprensa como um sinal de uma cultura universitária perigosamente esquerdista. No entanto, como demonstra Kidd, o sucesso da campanha contra Thatcher baseou-se no desejo de enviar uma mensagem sobre uma questão cotidiana e específica: os cortes de verbas para o ensino superior.
Já em meados da década de 1980, ouviam-se rumores sobre uma grande reestruturação planejada pelo governo conservador. O University Grants Committee — órgão que, durante setenta anos, havia liberado generosamente os recursos governamentais com pouca interferência externa — sobreviveu de forma reduzida aos grandes cortes de 1981 e 1985, antes de ser finalmente extinto em 1989. Em 1992, várias faculdades de Oxford e Cambridge enfrentavam graves déficits financeiros e viram-se obrigadas a lançar apelos públicos por recursos. Com o fim do modelo cooperativo de compartilhamento de recursos entre as universidades britânicas, até mesmo Oxford e Cambridge passaram a competir por alunos e verbas em um mercado feroz. Com grande parte de seu tempo consumida por responsabilidades de pesquisa cada vez maiores e perdendo prestígio tanto na esquerda quanto na direita, esses professores viram as portas dos corredores do poder se fecharem para eles — isso quando se davam ao trabalho de bater à porta.
O que o relato histórico de Kidd esclarece é como essas mudanças distorceram a relação de Oxford e Cambridge com o sistema de ensino superior britânico como um todo. A introdução de imperativos empresariais resultou, na verdade, em menos inovação e menor acessibilidade para os estudantes. Antes de serem forçadas a uma disputa predatória entre si, as universidades tinham nesses professores uma força motriz para a ampla expansão do ensino superior, atendendo às necessidades de alunos frequentemente muito diferentes daqueles que tradicionalmente ingressavam em Oxford e Cambridge.
Em muitos casos, acadêmicos talentosos abriram mão de cargos cobiçados para liderar novas instituições, experimentando abordagens educacionais inovadoras. Ironicamente, foi o jargão da competição empresarial que destruiu grande parte da diversidade, do dinamismo e da qualidade das universidades do Reino Unido, criando uma situação em que esses professores — ainda inegavelmente os atores mais privilegiados da academia britânica — raramente ousam sair de suas próprias trincheiras. Stefan Collini observou que a persistente visibilidade dos rituais do sistema de classes britânico em Oxford e Cambridge, nos dias de hoje, serve como uma conveniente cortina de fumaça para a ascensão da nova oligarquia financeira ao poder. Embora seja fácil detestar os acadêmicos em suas becas, a história narrada por Kidd nos lembra de que algo corre o risco de se perder no ocaso cultural desses professores universitários. Em 1951, Hugh Trevor-Roper alertou para a existência de um "partido das trevas" no seio da universidade, que produzia apenas "eficiência e mediocridade".
Tal descrição é imediatamente reconhecível na crise atual, com seu desperdício insensato de talento acadêmico, curiosidade e dedicação interpessoal, ameaçando eliminar tanto a física de partículas quanto o francês como campos do conhecimento humano na Grã-Bretanha — sacrificados no altar de uma escassez inteiramente artificial. As trevas, nas palavras do professor, só poderiam ser combatidas por um "partido da luz", lúcido em sua busca por uma universidade que fosse um lugar não apenas de aprendizado, mas também — em termos ainda mais radicais hoje do que há meio século — "de prazer".
Colaborador
Anna Dumont é escritora e historiadora da arte italiana moderna.

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