23 de abril de 2024

A ordem alternativa da China

E o que os Estados Unidos devem aprender com ela

ELIZABETH ECONOMY
ELIZABETH ECONOMY é pesquisadora sênior da Hoover Institution da Universidade Stanford. De 2021 a 2023, foi assessora sênior para a China no Departamento de Comércio dos EUA. Ela é autora de O Mundo Segundo a China.

Foreign Affairs

Maio/Junho de 2024 Publicado em 23 de abril de 2024
Tyler Comrie

A ambição do presidente chinês Xi Jinping de remodelar o mundo é inegável. Ele quer dissolver a rede de alianças de Washington e expurgar o que ele considera valores “ocidentais” dos organismos internacionais. Ele quer derrubar o dólar americano de seu pedestal e eliminar o domínio de Washington sobre tecnologias críticas. Em sua nova ordem multipolar, as instituições e normas globais serão sustentadas por noções chinesas de segurança comum e desenvolvimento econômico, valores chineses de direitos políticos determinados pelo Estado e tecnologia chinesa. A China não precisará mais lutar pela liderança. Sua centralidade estará garantida.

A julgar pelo que Xi diz, esse mundo está ao alcance. Na Conferência Central sobre Trabalho Relacionado a Assuntos Externos, em dezembro passado, ele se vangloriou de que Pequim era (nas palavras de um comunicado de imprensa do governo) um “país importante confiante, autossuficiente, aberto e inclusivo”, que havia criado a “maior plataforma de cooperação internacional” do mundo e liderado o caminho na “reforma do sistema internacional”. Ele afirmou que sua concepção para a ordem global — uma “comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade” — havia evoluído de uma “iniciativa chinesa” para um “consenso internacional”, a ser concretizado por meio da implementação de quatro programas chineses: a Iniciativa Cinturão e Rota, a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global e a Iniciativa de Civilização Global.

Fora da China, tais proclamações arrogantes e autocomplacentes são geralmente ignoradas ou descartadas — inclusive por autoridades americanas, que tendem a desconsiderar o apelo da estratégia de Pequim. É fácil entender o porquê: um grande número de planos da China parece estar falhando ou tendo efeito contrário. Muitos dos vizinhos da China estão se aproximando de Washington, e sua economia está em declínio. O estilo de diplomacia confrontador do país, o "Guerreiro Lobo", pode ter agradado a Xi, mas conquistou poucos amigos para a China no exterior. E as pesquisas indicam que Pequim é amplamente impopular em todo o mundo: um estudo do Pew Research Center de 2023, por exemplo, pesquisou as atitudes em relação à China e aos Estados Unidos em 24 países em seis continentes. Constatou-se que apenas 28% dos entrevistados tinham uma opinião favorável de Pequim e apenas 23% disseram que a China contribui para a paz global. Quase 60% dos entrevistados, em contrapartida, tinham uma visão positiva dos Estados Unidos, e 61% disseram que Washington contribui para a paz e a estabilidade.

Mas a visão de Xi é muito mais formidável do que parece. As propostas da China dariam poder a muitos países que têm sido frustrados e marginalizados pela ordem vigente, mas ainda assim garantiriam aos Estados que Washington atualmente favorece papéis internacionais valiosos. As iniciativas de Pequim são respaldadas por uma estratégia operacional abrangente, bem financiada e disciplinada — uma estratégia que inclui o diálogo com governos e cidadãos em praticamente todos os países. Essas técnicas garantiram a Pequim um novo apoio, particularmente em algumas organizações multilaterais e em países não democráticos. A China está conseguindo se apresentar como um agente de mudança bem-vinda, ao mesmo tempo que retrata os Estados Unidos como defensores de um status quo que poucos apreciam.

Em vez de descartar a estratégia de Pequim, os formuladores de políticas dos EUA deveriam aprender com ela. Para vencer o que será uma competição de longo prazo, os Estados Unidos precisam assumir a responsabilidade pela mudança que a China reivindicou. Washington precisa articular e impulsionar sua própria visão para um sistema internacional transformado e o papel dos EUA dentro desse sistema — um sistema que inclua países com diferentes níveis econômicos e sistemas políticos. Assim como a China, os Estados Unidos precisam investir profundamente nas bases tecnológicas, militares e diplomáticas que permitam tanto a segurança interna quanto a liderança externa. Contudo, à medida que o país se compromete com essa competição, os formuladores de políticas dos EUA devem entender que a estabilização da relação bilateral no curto prazo promove, em vez de prejudicar, os objetivos finais dos EUA. Devem aproveitar o que foi alcançado na cúpula do ano passado entre o presidente Joe Biden e Xi, reduzindo a retórica inflamatória antichinesa e criando uma relação diplomática mais funcional. Dessa forma, os Estados Unidos podem se concentrar na tarefa mais importante: vencer o jogo a longo prazo.

AGORA POSSO VER CLARAMENTE

A estratégia de Pequim começa com uma visão bem definida de uma ordem mundial transformada. O governo chinês almeja um sistema construído não apenas sobre a multipolaridade, mas também sobre a soberania absoluta; segurança alicerçada no consenso internacional e na Carta da ONU; direitos humanos determinados pelo Estado, com base nas circunstâncias de cada país; desenvolvimento como a “chave mestra” para todas as soluções; o fim da hegemonia do dólar americano; e um compromisso de não deixar nenhum país nem ninguém para trás. Essa visão, segundo Pequim, contrasta fortemente com o sistema apoiado pelos Estados Unidos. Em um relatório de 2023, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Washington estava “se agarrando à mentalidade da Guerra Fria” e “reunindo pequenos blocos por meio de seu sistema de alianças” para “criar divisão na região, fomentar confrontos e minar a paz”. O relatório prosseguia afirmando que os Estados Unidos interferem “nos assuntos internos de outros países”, usam o status do dólar como moeda de reserva internacional para coagir “outros países a servirem à estratégia política e econômica americana” e buscam “impedir o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico de outros países”. Por fim, argumentava o ministério, os Estados Unidos promovem a “hegemonia cultural”. As “verdadeiras armas na expansão cultural dos EUA”, declarava, eram as “linhas de produção da Mattel e da Coca-Cola”.

Pequim afirma que sua visão, em contraste, promove os interesses da maioria da população mundial. A China ocupa o centro do palco, mas todos os países, incluindo os Estados Unidos, têm um papel a desempenhar. Na Conferência de Segurança de Munique de 2024, em fevereiro, por exemplo, o Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que a China e os Estados Unidos são responsáveis ​​pela estabilidade estratégica global. A China e a Rússia, por sua vez, representam a exploração de um novo modelo para as relações entre grandes potências. A China e a União Europeia são os dois maiores mercados e civilizações do mundo e devem resistir ao estabelecimento de blocos baseados em ideologia. E a China, como o que Wang chamou de "o maior país em desenvolvimento", promove a solidariedade e a cooperação com o Sul global para aumentar sua representação nos assuntos globais.

A visão da China foi concebida para ser convincente para quase todos os países. Aqueles que não são democracias terão suas escolhas validadas. Aqueles que são democracias, mas não grandes potências, ganharão maior voz no sistema internacional e uma parcela maior dos benefícios da globalização. Até mesmo as principais potências democráticas podem refletir sobre se o sistema atual é adequado para enfrentar os desafios de hoje ou se a China tem algo melhor a oferecer. Observadores nos Estados Unidos e em outros lugares podem revirar os olhos diante da formulação grandiosa, mas o fazem por sua conta e risco: a insatisfação com a atual ordem internacional criou uma audiência global mais receptiva às propostas da China do que poderia ter existido há pouco tempo.

QUATRO PILARES

Por mais de duas décadas, a China tem se referido a um “novo conceito de segurança” que abrange normas como segurança comum, diversidade de sistemas e multipolaridade. Mas, nos últimos anos, a China acredita ter adquirido a capacidade de avançar com sua visão. Para esse fim, durante sua primeira década no poder, Xi lançou três programas globais distintos: a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) em 2013, a Iniciativa de Desenvolvimento Global (GDI) em 2021 e a Iniciativa de Segurança Global (GSI) em 2022. Cada um contribui de alguma forma para promover tanto a transformação do sistema internacional quanto a centralidade da China dentro dele.

Inicialmente, a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês) foi uma plataforma para Pequim atender às necessidades de infraestrutura física de economias emergentes e de renda média, aproveitando a capacidade ociosa da indústria da construção chinesa. Desde então, expandiu-se e tornou-se um motor da geoestratégia de Pequim: integrando globalmente os ecossistemas chineses de tecnologia digital, saúde e limpa; promovendo seu modelo de desenvolvimento; ampliando o alcance de suas forças militares e policiais; e impulsionando o uso de sua moeda.

A Iniciativa Global de Desenvolvimento (GDI) concentra-se no desenvolvimento global de forma mais ampla e coloca a China diretamente na liderança. Frequentemente trabalhando com a ONU, apoia projetos de pequena escala que abordam o combate à pobreza, a conectividade digital, as mudanças climáticas e a segurança alimentar e de saúde. Promove a preferência de Pequim pelo desenvolvimento econômico como fundamento para os direitos humanos. Um documento governamental sobre o programa, por exemplo, acusa outros países de "marginalizar as questões de desenvolvimento ao enfatizar os direitos humanos e a democracia".

A China está tendo sucesso em se tornar um agente de mudanças bem-vindas.

Pequim posicionou a GSI como um sistema para, como vários acadêmicos chineses afirmaram, fornecer "sabedoria chinesa e soluções chinesas" para promover a "paz e a tranquilidade mundial". Nas palavras de Xi, a GSI defende que os países "rejeitem a mentalidade da Guerra Fria, se oponham ao unilateralismo e digam não à política de grupo e ao confronto entre blocos". O melhor caminho, segundo Xi, envolve a construção de uma “arquitetura de segurança equilibrada, eficaz e sustentável” que resolva as diferenças entre os países por meio do diálogo e da consulta e que defenda a não interferência nos assuntos internos de outros. Por trás da retórica, a Iniciativa Global de Segurança (GSI) visa acabar com os sistemas de alianças dos EUA, estabelecer a segurança como uma condição prévia para o desenvolvimento e promover a soberania absoluta e a segurança indivisível — ou a noção de que a segurança de um Estado não deve ocorrer às custas da segurança de outros. A China e a Rússia usaram essa noção para justificar a invasão da Ucrânia pela Rússia, sugerindo que o ataque de Moscou era necessário para impedir que uma OTAN em expansão ameaçasse a Rússia.

Mas a estratégia de Xi só ganhou impulso no último ano, com o lançamento da Iniciativa Global de Civilização em maio de 2023. A GCI defende a ideia de que países com diferentes civilizações e níveis de desenvolvimento terão diferentes modelos políticos e econômicos. Ela afirma que os Estados determinam os direitos e que nenhum país ou modelo tem o mandato para controlar o discurso dos direitos humanos. Como disse o ex-ministro das Relações Exteriores Qin Gang: “Não existe um modelo único que sirva para todos na proteção dos direitos humanos”. Assim, a Grécia, com suas tradições filosóficas e culturais e seu nível de desenvolvimento, pode ter uma concepção e prática de direitos humanos diferente da China. Ambas são igualmente válidas.

Os líderes chineses estão se esforçando para que países e instituições internacionais adotem sua visão de mundo. Sua estratégia é multinível: fechar acordos com países individualmente, integrar suas iniciativas ou componentes delas em organizações multilaterais e incorporar suas propostas em instituições de governança global. A Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) é o modelo para essa abordagem. Cerca de 150 países se tornaram membros do programa, que defende abertamente os valores que moldam a visão da China — como a primazia do desenvolvimento, a soberania, os direitos políticos dirigidos pelo Estado e a segurança comum. Essa negociação bilateral tem sido acompanhada pelos esforços de autoridades chinesas para vincular a BRI a outros esforços de desenvolvimento regional, como o Plano Diretor de Conectividade 2025, criado pela Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Xi Jinping em uma cúpula em São Francisco, novembro de 2023
Kevin Lamarque / Reuters

A China também incorporou com sucesso a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) em mais de duas dezenas de agências e programas da ONU. O país tem se empenhado particularmente em alinhar a BRI à Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável. O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, chefiado por um funcionário chinês há mais de uma década, elaborou um relatório sobre o apoio da BRI à agenda. O relatório foi parcialmente financiado pelo Fundo Fiduciário da ONU para a Paz e o Desenvolvimento, que, por sua vez, foi inicialmente criado por uma promessa de doação chinesa de US$ 200 milhões. Tal apoio, sem dúvida, contribui para o entusiasmo demonstrado por muitos altos funcionários da ONU, incluindo o secretário-geral, em relação à BRI.

O progresso na Iniciativa Global de Desenvolvimento (GDI), na Iniciativa Global de Sustentabilidade (GSI) e na Iniciativa Global de Cooperação (GCI) tem sido, compreensivelmente, mais incipiente. Até o momento, apenas alguns líderes de países como Sérvia, África do Sul, Sudão do Sul e Venezuela ofereceram apoio retórico à noção da GCI de que a diversidade de civilizações e caminhos de desenvolvimento deve ser respeitada — e, por extensão, à visão da China de uma ordem que não dê primazia aos valores das democracias liberais.

A GDI obteve mais apoio internacional do que a GCI. Depois que Xi anunciou o projeto perante a Assembleia Geral da ONU, a China desenvolveu um “Grupo de Amigos da GDI” que agora conta com mais de 70 países. A GDI avançou com 50 projetos e prometeu 100.000 oportunidades de treinamento para que funcionários e especialistas de outros países viajem à China e estudem seus sistemas. Essas oportunidades de treinamento visam promover as tecnologias avançadas da China, suas experiências de gestão e seu modelo de desenvolvimento. A China também conseguiu vincular formalmente a GDI à Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável e realizou seminários relacionados à GDI com o Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul. Pequim, em outras palavras, está integrando o programa ao tecido do sistema governamental internacional.

A Iniciativa Global de Sustentabilidade (GSI) obteve ainda maior aceitação retórica. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, mais de 100 países, organizações regionais e organizações internacionais apoiaram a GSI, e autoridades chinesas incentivaram o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a ASEAN e a Organização de Cooperação de Xangai a adotarem o conceito. Na reunião da OCS de setembro de 2022, a China promoveu a GSI e recebeu apoio de todos os membros, exceto da Índia e do Tadjiquistão.

MASS APPEAL

China, in contrast with the United States, invests heavily in the diplomatic resources necessary to market its initiatives. It has more embassies and representative offices around the globe than any other country, and Chinese diplomats frequently speak at conferences and publish a stream of articles about China’s various initiatives in local news outlets.

This diplomatic apparatus is supported by equally sprawling Chinese media networks. China’s international news network, CGTN, has twice as many overseas bureaus as CNN, and Xinhua, the official Chinese news service, has over 180 bureaus globally. Although Chinese media are often perceived in the West as little more than crude propaganda tools, they can advance a positive image of China and its leadership. In a study published in 2024, a team of international scholars surveyed more than 6,000 respondents in 19 countries to see whether China or the United States was more effective at selling its political and economic model and its role as a global leader. At baseline, participants overwhelmingly preferred the United States—83 percent of the interviewees preferred the U.S. political model, 70 percent preferred the U.S. economic model, and 78 percent preferred U.S. leadership. But when they were exposed to Chinese media messaging—whether only to China’s or to Chinese and U.S. government messaging in a head-to-head competition—participants preferred the Chinese models to those of the United States.

Beijing also draws heavily on the strength of state-owned companies and the country’s private sector to promote its objectives. China’s technology firms, for instance, not only provide digital connectivity to a variety of countries; they also enable states to emulate elements of Beijing’s political model. According to Freedom House, representatives from 36 countries have participated in Chinese government training sessions on how to control media and information on the Internet. In Zambia, adopting a “China way” for Internet governance—as a former government minister described it—resulted in the imprisonment of several Zambians for criticizing the president online. German Council on Foreign Relations experts revealed that Huawei middleboxes blocked websites in 17 countries. The more states adopt Chinese norms and technologies that suppress political and civil liberties, the more Beijing can undermine the current international system’s embrace of universal human rights.

Os Estados Unidos devem assumir a responsabilidade pela mudança que a China reivindicou.

In addition, Xi has enhanced the role of China’s security apparatus as a diplomatic tool. China’s People’s Liberation Army is conducting exercises with a growing number of countries and offering training to militaries throughout the developing world. Last year, for example, China brought more than 100 senior military officials from almost 50 African countries and the African Union to Beijing for the third China-Africa Peace and Security Forum. China and the African participants agreed to hold more joint military exercises, and they embraced the BRI and the GSI, alongside the African Union’s Agenda 2063 development plan, as a way to pursue economic development, promote peace, and ensure stability on the continent. Together, these arrangements help create the collaborative security system China wants: one that’s based on Beijing.

China has boosted its strategy by being both patient and opportunistic. Beijing provides massive resources for its initiatives, reassuring other countries of its long-term support and enabling Chinese officials to act quickly when opportunities arise. For example, Beijing first announced a version of the Health Silk Road in 2015, but it garnered little attention. In 2020, however, China used the COVID-19 pandemic to breathe new life into the project. Xi delivered a major address before the World Health Assembly promoting China as a hub for medical resources. Beijing paired Chinese provinces with different countries and had the former send personal protective equipment and medical professionals to the latter. China also used the pandemic to push Chinese digital health technologies and traditional Chinese medicine—a priority for Xi—as ways to treat the virus.

More recently, China has used Russia’s invasion of Ukraine and the resulting Western sanctions to push de-dollarizing the global economy. China’s trade with Russia is now mostly settled in renminbi, and Beijing is working through the BRI and multilateral organizations, such as the BRICS (which 34 countries have expressed interest in joining), to advance de-dollarization. As Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva said during a 2023 visit to China, “Every night I ask myself why all countries have to base their trade on the dollar. Why can’t we do trade based on our own currencies?”

THE PAYOFF

Beijing has clearly made progress in gaining rhetorical buy-in from other countries, as well as from UN organizations and officials. But in terms of effecting actual change on the ground, garnering support from other countries’ citizens, and influencing the reform of international institutions, China’s record is more mixed.

The GDI, for its part, is well on its way. A two-year progress report produced by the Xinhua News Agency’s think tank indicated that 20 percent of the GDI’s initial 50 cooperation programs had been completed, and an additional 200 had been proposed. Some projects are highly local and long term, but others will have a greater immediate impact, such as a wind power project in Kazakhstan that will meet the energy needs of more than one million households.

Despite the relative nascence of the GSI, Wang, China’s foreign minister, quickly claimed that the Beijing-brokered 2023 rapprochement between Iran and Saudi Arabia was an example of the GSI’s principle of promoting dialogue. China has had less success, however, using GSI principles in its attempts to resolve the war in Ukraine and the Israeli-Palestinian conflict. Moreover, some countries have expressed concern that the GSI is a kind of military alliance. Despite being an early beneficiary of GDI projects, for example, Nepal has resisted multiple Chinese entreaties to join the GSI because it does not want to be part of any security alliance.

The BRI has transformed the geostrategic and economic landscape throughout much of Africa, Southeast Asia, and, increasingly, Latin America. Huawei, for example, provides 70 percent of all the components in Africa’s 4G telecommunications infrastructure. In addition, China’s 2023 BRI investments have increased from 2022. There are signs, however, that the BRI’s influence may be plateauing. Italy, the biggest economy in the initiative (aside from China itself), withdrew in December, and only 23 leaders attended the 2023 Belt and Road Forum, compared with 37 in 2019. China’s financing for the BRI has fallen sharply since its peak in 2016, and many BRI recipient countries are struggling to repay Beijing’s loans.

Tela exibindo um exercício da força aérea, Pequim, agosto de 2023.
Tingshu Wang / Reuters

Public opinion polls paint a similarly mixed picture. The Pew poll indicated that middle-income economies, particularly in Africa and Latin America, are more likely to have positive views of China and its contributions to stability than higher-income economies in Asia and Europe. But even in these regions, popular views of China are far from uniformly positive.

A 2023 survey of 1,308 elites in ASEAN states, for instance, reveals that although China is considered the most influential economic and security actor in the region, majorities in every country, except Brunei, express concern over China’s rising influence. Pluralities or majorities in seven of ten countries do not believe that the GSI will benefit their region. And when asked whether they would align with China or with the United States if forced to choose, majorities in seven of ten ASEAN countries selected the United States.
Afrobarometer’s 2019 and 2020 surveys suggest China has a more positive reputation in Africa: 63 percent of Africans polled in 34 countries believe China is a positive external influence. But only 22 percent believe China is the best model for future development, and approval of China’s model declined from the 2014 and 2015 surveys.

A 2021 survey of 336 opinion leaders from 23 countries in Latin America was similarly telling. Although 78 percent of respondents believe China’s overall influence in the region is high, only 35 percent have a good or very good opinion of China. (Respondents have similar opinions about the United States.) There was support for engagement with China on trade and foreign direct investment but minimal support for engagement on multilateral cooperation, international security, and human rights.

Finally, support for China and Chinese-backed initiatives in the United Nations is mixed. For example, a detailed study of China’s Digital Silk Road investment in Africa found that although eight African DSR members supported China’s New IP proposal for increasing state control over the Internet, more African DSR members did not write in support of it. And the February 2023 vote to condemn Russia’s invasion of Ukraine—in which 141 countries voted in favor, seven voted against, and 32, including China and all other members of the SCO except Russia, abstained—suggests widespread rejection of the GSI’s principle of indivisible security. Nonetheless, China won the support of 25 of the 31 emerging and middle-income countries (not including itself) in the UN Human Rights Council in a successful bid to prevent debate on Beijing’s treatment of its Uyghur minority population. It was only the second time in the council’s history that a debate has been blocked.

FIGHTING FIRE WITH FIRE

Support for China’s efforts may appear shallow among many segments of the international community. But China’s leaders express great confidence in their transformative vision, and there is significant momentum behind the basic principles and policies proposed in the GDI, GSI, and GCI among members of BRICS and the SCO, as well as among nondemocracies and African countries. China’s wins within bigger organizations—such as the UN—may seem minor, but they are accumulating, giving Beijing substantial authority inside major institutions that many emerging and middle-income economies value. And Beijing has a formidable operational strategy for achieving its desired transformation, along with the capability to coordinate policy at multiple levels of government over a long period.

Part of why Beijing’s efforts are catching on is that the present, U.S.-led system is unpopular in much of the world. It does not have a good record of meeting global challenges such as pandemics, climate change, debt crises, or food shortages—all of which disproportionately affect the planet’s most vulnerable people. Many countries believe that the United Nations and its institutions, including the Security Council, do not adequately reflect the world’s distribution of power. The international system has also not proved capable of resolving long-standing conflicts or preventing new ones. And the United States is increasingly viewed as operating outside the very institutions and norms it helped create: deploying widespread sanctions without Security Council approval, helping weaken international bodies such as the World Trade Organization, and, during the Trump administration, withdrawing from global agreements. Finally, Washington’s periodic framing of the world system as one divided between autocracies and democracies alienates many countries, including some democratic ones.

Even if its vision is not fully realized, unless the world has a credible alternative, China can take advantage of this dissatisfaction to make significant progress in materially degrading the current international system. The uphill battle the United States has waged to persuade countries to avoid Huawei telecommunications equipment is an important lesson in addressing a problem before it arises. It would be far more difficult to overturn a global order that has devalued universal human rights in favor of state-determined rights, significantly de-dollarized the financial system, widely embedded state-controlled technology systems, and deconstructed U.S.-led military alliances.

O sistema internacional liderado pelos EUA é impopular em grande parte do mundo.

The United States should therefore move aggressively to position itself as a force for system change. It should take a page from China’s playbook and be opportunistic—seeking strategic advantage as China’s economy is faltering and its political system is under stress. It should acknowledge that, as Xi has repeatedly said, there are changes in the world “the likes of which we haven’t seen for 100 years” but make clear that these shifts do not signal the decline of the United States. Instead, they are in line with Washington’s own dynamic vision for the future.

The vision should begin by advancing an economic and technological revolution that will transform the world’s digital, energy, agricultural, and health landscapes in ways that are inclusive and contribute to shared global prosperity. This will require new norms and institutions that integrate emerging and middle-income economies into resilient and diversified global supply chains, innovation networks, clean manufacturing ecosystems, and information and data governance regimes. Washington should promote a global conversation on its vision of technologically advanced change rooted in high standards, the rule of law, transparency, official accountability, and sustainability—norms of shared good governance that are not ideologically laden. Such a discussion would likely be widely popular, just as China’s focus on the imperative of development holds broad appeal.

Washington has put in place some of the building blocks of this vision through the U.S.-EU Trade and Technology Council, the Indo-Pacific Economic Framework, and the Partnership for Global Infrastructure Investment. Largely left out of the equation, however, are precisely the states most open to China’s vision of transformation—most members of the BRICS, the SCO, and nondemocratic emerging and middle-income economies. Together with these countries, Washington should explore regional arrangements akin to those it has established with its Asian and European partners. More countries should be brought into the networks Washington is establishing to build stronger supply chains, such as those created by the CHIPS and Science Act. And countries such as Cambodia and Laos, left out of relevant existing arrangements such as the Indo-Pacific framework, should be given a path to membership. This would expand the United States’ development footprint, allowing it to provide a development trajectory that is different from Beijing’s BRI and GDI and—unlike China’s initiatives—offers participating countries an opportunity to help develop the rules of the road.

Membros das forças armadas chinesas, Pequim, março de 2024
Florence Lo / Reuters

Artificial intelligence presents a unique opportunity for the United States to signal a new, more inclusive approach. As its full applications become appreciated, AI will require new international norms and potentially new institutions to harness its positive effects and limit its negative ones. The United States, which is the world’s leading AI innovator, should engage up front with countries other than its traditional allies and partners to develop regulations. Joint U.S.-EU efforts regarding skills training for the next generation of AI jobs, for example, should be expanded to include the global majority. The United States can also support engagement between its robust private sector and civil society organizations and their counterparts in other countries—a multistakeholder approach that China, with its “head of state” style of diplomacy, typically eschews.

This effort will require Washington to draw more effectively on the U.S. private sector and civil society—much as China has worked its state-owned enterprises and private sector into the BRI and GDI—by fostering vibrant, state-initiated but business-and-civil-society-driven international partnerships. In most of the world, including Africa and Latin America, the United States is a larger and more desired source of foreign direct investment and assistance than China. And Washington has left untapped a significant alignment of interests between its strategic goals and the economic objectives of the private sector, such as creating political and economic environments abroad that enable U.S. companies to flourish. Because American companies and foundations are private actors, however, the benefits of their investments do not redound to the U.S. government. Institutionalizing public-private partnerships can better link U.S. objectives with the strength of the American private sector and help ensure that initiatives are not cast aside during political transitions in Washington. The work of private foundations in the United States—which invest billions of dollars in emerging economies and middle-income countries—should similarly be amplified by American officials and lifted up through partnerships with Washington.

Uma governança global mais inclusiva também exige que Washington considere as possíveis compensações à medida que as economias e os poderios militares de outros países crescem em relação aos dos Estados Unidos. No curto prazo, por exemplo, uma delimitação mais clara dos limites da política de sanções dos EUA poderia ajudar a frear o ímpeto por trás do esforço de desdolarização de Pequim. Mas Washington deve usar esse tempo para avaliar a viabilidade da dominância do dólar a longo prazo e considerar quais medidas, se houver, as autoridades americanas devem tomar para tentar preservá-la. A visão de Washington também pode precisar incorporar reformas ao atual sistema de alianças. As duras realidades do crescente poderio militar da China e seu apoio econômico à Rússia durante a guerra desta contra a Ucrânia deixam claro que Washington e seus aliados devem repensar as estruturas de segurança necessárias para administrar um mundo no qual Pequim e seus parceiros com ideias semelhantes operam como aliados militares, tanto brandos quanto, potencialmente, coercitivos.

A China está certa: o sistema internacional precisa de reformas.

Assim como a China, os Estados Unidos precisam investir mais nos fundamentos de sua competitividade e segurança nacional para ter sucesso a longo prazo. Embora as políticas defensivas sejam muitas vezes necessárias, elas oferecem apenas proteção de curto prazo. Isso significa que Washington precisa reforçar seu quadro de funcionários para igualar o aparato de política externa de Pequim. Cerca de 30 embaixadas e missões dos EUA não têm um embaixador americano em exercício; cada uma dessas vagas precisa ser preenchida. Os Estados Unidos deram os primeiros passos para aumentar sua competitividade econômica com programas como a Lei de Redução da Inflação e a Lei CHIPS e de Ciência, mas precisam de investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento e manufatura avançada. Também precisam adotar políticas de imigração que atraiam e retenham os melhores talentos do mundo todo. E Washington precisa se comprometer novamente a investir nos fundamentos de suas capacidades militares de longo prazo e na modernização. Sem apoio bipartidário aos pilares básicos da competitividade americana e da liderança global, Pequim continuará avançando na mudança da ordem global.

Finalmente, para evitar atritos desnecessários, os Estados Unidos devem continuar a estabilizar a relação EUA-China, definindo novas áreas de cooperação, expandindo o engajamento da sociedade civil, atenuando a retórica hostil desnecessária, gerenciando estrategicamente sua política em relação a Taiwan e desenvolvendo uma mensagem clara sobre as ferramentas econômicas que utiliza para proteger a segurança econômica e nacional dos EUA. Isso permitirá que os Estados Unidos mantenham relações com aqueles na China que estão preocupados com a trajetória atual de seu país, além de dar a Washington espaço para se concentrar no desenvolvimento de suas capacidades econômicas e militares, enquanto avança com sua própria visão global.

A China está certa: o sistema internacional precisa de reforma. Mas os fundamentos dessa reforma são melhor encontrados na abertura, transparência, estado de direito e responsabilidade oficial, que são as marcas registradas das democracias de mercado do mundo. A inovação e a criatividade globais necessárias para resolver os desafios mundiais prosperam melhor em sociedades abertas. Transparência, estado de direito e responsabilidade oficial são a base de um crescimento econômico global saudável e sustentado. E o atual sistema de alianças, embora insuficiente para garantir a paz e a segurança globais, ajudou a evitar o início de guerras entre as grandes potências mundiais por mais de 70 anos. A China ainda não conseguiu convencer a maioria da população mundial de que suas intenções e capacidades são as necessárias para moldar o século XXI. Mas cabe aos Estados Unidos, seus aliados e parceiros criar uma alternativa afirmativa e convincente.

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